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-78 kg feminino

Chances do Brasil

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o Brasil terá na categoria meio-pesado (-78kg feminino) do judô, o Brasil terá Mayra Aguiar, que disputará sua quarta edição olímpica, a terceira no meio-pesado. Campeã mundial em 2017 e medalhista de bronze em 2019, a gaúcha é uma das maiores apostas de medalha para o Brasil entre todas as modalidades.

+ Confira um perfil completo de Mayra Aguiar e suas chances na Olimpíada de Tóquio 2020

Top 10 tanto no ranking mundial quanto no ranking olímpico, Mayra fez mais um ciclo olímpico constante, sendo sempre frequente nos pódios das principais competições do Circuito Mundial.

Contudo, a judoca teve que passar por uma cirurgia e teve toda sua preparação para Tóquio alteada bruscamente. Mayra voltou a lutar no Mundial de 2021 e parou nas oitavas.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para a Olimpíada

Sem dúvida alguma, ela segue sendo uma das forças na categoria meio pesado em Tóquio, mas ficou muito tempo sem lutar. Agora, Mayra Aguiar jamais será descartada de uma competição do tamanho dos Jogos Olímpicos.

A IJF (Federação Internacional de Judô) apresentou o calendário de eventos de 2021 já confirmados. O destaque fica para o Campeonato Mundial de Budapeste, na Hungria, de 6 a 13 de junho. No mesmo mês, dia 28, se encerra a corrida olímpica da modalidade. Essa será data limite para a classificação dos atletas para os Jogos Olímpicos de Tóquio, que acontecerão de 23 de julho e 8 de agosto, com as lutas marcadas de 24 a 31.
Mayra Aguiar chegará como uma das favoritas na categoria meio-pesado em Tóquio (Gabriela Sabau/IJF)

Favoritas -78 kg feminino

Ao contrário dos dois últimos ciclos olímpicos que tiveram um amplo domínio de três judocas, o ciclo de Tóquio-2020 foi mais equilibrado. Embora Mayra Aguiar tenha continuado um nome constante nos pódios das grandes competições da categoria, a japonesa Shori Hamada e a francesa Madeleine Malonga chegam aos Jogos Olímpicos de Tóquio como os nomes a serem batidos.

Mayra estaria nesse patamar caso não tivesse se lesionado e passado por cirurgia. A brasileira foi campeã mundial em 2017 e medalhista de bronze em 2019. 

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Já Hamada foi campeã em 2018 e vice-campeã em 2019, quando foi superada pela francesa Malonga.

Outros nomes que também aparecem com boas possibilidades são a cubana Kaliema Antormachi, medalhista de bronze no mundial de 2017 e campeã do Grand Slam de Brasília, Loriana Kuka, de Kosovo, medalhista de bronze no mundial de Tóquio-2109 e a britânica Natalie Powell, medalhista no mundial de 2017 e campeã do Grand Prix de Tel Aviv.

Anna Maria Wagner, da Alemanha, campeã mundial em 2021, Klara Apotekar, da Eslovênia e a holandesa Guusje Steenhuis escolhida aparecem como cotadas para surpreender as favoritas da meio-pesado em Tóquio.

O Brasil no -78 kg feminino do Jogos Olímpicos

O meio-pesado feminino é uma das categorias com o melhor retrospecto do judô feminino nacional. São duas medalhas de bronze, além de um quinto e dois sétimos lugares. O Brasil estreou nesta prova logo em sua primeira edição, em Barcelona-1992. A representante nacional foi Soraia André, grande pioneira do judô feminino no Brasil, tendo sido campeã brasileira da categoria por dez vezes, além de ter estado na Olimpíada de 1988 quando o judô feminino participou como esporte demonstração. Além disso, Soraia foi a primeira brasileira campeã Pan-Americana no judô. Nos Jogos de Barcelona, Soraia acabou sendo derrotada logo em sua primeira luta para a britânica Josie Horton e em seguida para a norte-americana Sandy Bacher na repescagem.

Eterna Edinanci

Após ser a representante brasileira na categoria pesada em 1996, Edinanci Silva foi a representante na categoria meio-pesado, agora já com o peso atual, -78 kg. A brasileira, a segunda mulher do país a conquistar uma medalha em mundiais, estreou vencendo a portuguesa Sandra Godinho e logo em seguida a australiana Natalie Jenkinson. Nas quartas de final, a paraibana cruzou com a chinesa Tang Lin, quando foi derrotada. Mais tarde a chinesa viria a se tornar campeã olímpica. 

Após a derrota para a chinesa, o caminho de Edinanci mudou de rumo e ela passou a disputar a repescagem em busca do bronze. Ela acabou vencendo a mongol Sambuugiin Dashdulam, mas caiu novamente diante da italiana Emanuela Pierantozzi, que viria a conquistar o bronze. Quatro anos depois, Edinanci voltou novamente a ser a representante do Brasil. A posição da meio-pesado em Atenas-2004 foi a mesma de Sidney-2000, ao ser derrotada nas quartas de final pela francesa Céline Lebrun e posteriormente cair também nas semifinais da repescagem para a italiana Lucia Morico.

Pequim-2008 foi a terceira vez seguida que Edinanci Silva representou o Brasil na categoria -78 kg, sendo a quarta olimpíada consecutiva da judoca. Foi em Pequim que a piauiense conseguiu o seu melhor resultado, passando muito perto de conquistar uma medalha olímpica.

Após estrear perdendo para a espanhola Esther San Miguel, Edinanci foi para a repescagem onde venceu Vera Moskalyuk, da Rússia, Lucia Morico, a italiana que foi a sua algoz quatro anos antes, e Pürevjargalyn Lkhamdegd, da Mongólia, se credenciando para a disputa de um dos bronzes. O duro confronto foi contra a sul-coreana Jeong Jieong-Mi, onde Edinanci acabou perdendo. O quinto lugar da judoca era até aquele momento o melhor resultado da categoria para o Brasil.

Subindo no pódio

O cenário não demorou a mudar e na edição seguinte o Brasil subiu ao pódio pela primeira vez na categoria meio-pesado. A gaúcha Mayra Aguiar, que já havia participado da edição olímpica anterior na categoria de baixo, confirmou as expectativas depositadas nela e voltou para o Brasil com um bronze no pescoço. Mayra chegou a Londres-2012 como uma das grandes favoritas ao pódio, já que ao lado de Audrey Tcheumeo, da França, Kyla Harrison, dos Estados Unidos, e Akari Ogata, do Japão, foram absolutamente dominantes em todo o ciclo olímpico e estiveram presentes em praticamente todos os pódios no período. 

Além disso, Mayra chegava na capital britânica como a líder do ranking mundial. Mayra avançou bem em sua chave até encontrar Kyla Harrison na semifinal. A norte-americana acabou derrotando a brasileira com uma chave de braço. Na disputa do bronze a gaúcha acabou mostrando porque era um dos grandes nomes da categoria e venceu com um belo wazari a holandesa Marhind Verkerk.

Na edição olímpica do Rio de Janeiro, em 2016, Mayra Aguiar chegou novamente como um dos grandes nomes da categoria. A judoca havia sido campeã mundial pela primeira vez em Cheliabisky, na Rússia, em 2014, e assim como no ciclo passado, foi nome constante nos pódios do ciclo. Mais uma vez Mayra avançou até as semifinais, mas dessa vez enfrentou a francesa Audrey Tcheumeo.

Após um duro confronto sem pontuação, a brasileira acabou sendo eliminada após levar quatro punições. Mais uma vez Mayra foi em busca do bronze e novamente não deixou a medalha escapar. Apesar de ter sido superior à cubana Yalennis Castillo, Mayra acabou vencendo pela vantagem mínima de um yuko, assegurando sua segunda medalha olímpica e se tornando a única mulher do judô brasileiro a conquistar tal feito.

Mayra Aguiar vai disputar sua 4ª olimpíada na categoria meio-pesado nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
Mayra Aguiar vai disputar sua 4ª olimpíada na categoria meio-pesado nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020

Histórico -78 kg feminino nos Jogos Olímpicos

Assim como as demais categorias do feminino, o meio-pesado também estreou em Jogos Olímpicos em Barcelona-1992. Nas duas primeiras edições, o limite de peso era de até 72 kg, passando para o limite atual de 78 kg nos Jogos de Sidney-2000. A categoria conta com cinco países campeões ao longo das sete edições, sendo que China e Estados Unidos possuem duas medalhas de ouro cada. Aliás, vem justamente dos Estados Unidos a única judoca bicampeã olímpica do meio-pesado, Kyla Harrison, que conquistou a medalha de ouro em Londres-2012 e na Rio-2016. 

Completam a lista de países campeões olímpicos a Coreia do Sul, Bélgica e Japão. Entre aqueles países que conquistaram medalhas, mas sem o ouro, estão França, Países Baixos, Cuba, Grã-Bretanha, Itália, Brasil e Eslovênia.

A primeira campeã olímpica foi a sul-coreana Kim Min-jung em Barcelona-1992. Kim já havia ficado em segundo lugar nas Olimpíadas de Seul-1988, quando o judô feminino foi disputado como demonstração. Na final de Barcelona, a judoca sul-coreana derrotou a japonesa Yoko Tanabe, uma das principais favoritas ao ouro. Completaram o pódio a francesa Laetita Meignan e a holandesa Irene de Kok.

A edição de Atlanta-1996 consagrou a belga Ulla Werbrouck que derrotou na final a japonesa Yoko Tanabe. Foi a segunda olimpíada consecutiva em que a japonesa acabou sendo derrotada na final, ficando com a medalha de prata. A belga, que conquistou sete medalhas de ouro em campeonatos europeus ao longo da carreira, além de três medalhas em mundiais, precisou vencer três lutas até chegar à final contra Tanabe. As duas medalhas de bronze foram conquistadas por Ylenia Scapin, da Itália, e Diadenis Luna, de Cuba, que havia desembarcado na cidade de Atlanta como a vigente campeã mundial, título conquistado em 1995, na cidade de Chiba.

De 2000 para cá

Uma sequência de títulos asiáticos teve início em Sidney-2000, quando a categoria passou a ser disputada por atletas com o limite de peso até os 78 kg. Tang Lin, da China, foi a campeã naquele ano, tendo passado por Nasiba Salaeva, do Turcomenistão, na primeira rodada, pela mongol Sambuugiin Dashdulan na segunda rodada, pela brasileira Edinanci Silva nas quartas de final e pela belga Heidi Rakels na semifinal, até encontrar com a francesa Celine Lebrun na final. Um dos bronzes foi conquistado pela italiana Emanuela Pierantozzi, que já havia sido medalhista de prata no peso médio na estreia do judô feminino em Barcelona-1992, uma categoria mais leve do que o médio-pesado. O segundo bronze ficou com a romena Simona Richter.

Quatro anos depois foi a vez do Japão conquistar o topo do pódio com Noriko Anno. Em Atenas-2004, a japonesa confirmou o seu favoritismo e bateu na final a chinesa Liu Xia. Noriko havia sido campeã dos três últimos campeonatos mundiais, em 1999, 2001 e 2003. Um dos bronzes ficou com a italiana Lucia Morico, que venceu a brasileira Edinanci Silva em uma de suas lutas da repescagem. O bronze de Morico foi o terceiro consecutivo da Itália nessa categoria. O outro bronze ficou com Yurisel Laborde, que chegou à Grécia como vice-campeã Pan-Americana após perder a final para Edinanci Silva.

O último ouro dessa sequência asiática veio das mãos de Yang Xiuli, da China. Competindo em casa em Pequim-2008, a chinesa contou com a força da torcida para derrotar na final a cubana Yalennis Castillo. Com o ouro de Xiuli, a China se tornou o primeiro país a conquistar dois ouros nesta categoria. Jeong Gyeong-mi, da Coreia do Sul, também foi ao pódio após derrotar a brasileira Edinanci Silva na disputa da medalha de bronze. O quinto lugar de Edinanci era até então o melhor resultado brasileiro na categoria em Jogos Olímpicos. O outro bronze ficou com Stéphanie Possamai, da França.

Últimas edições

A Olimpíada de Londres-2012 e da Rio-2016 marcaram o primeiro bicampeonato da categoria até 78 kg. A responsável pela marca inédita foi a estadunidense Kyla Harrison. As duas edições também significaram muito para o Brasil, já que a gaúcha Mayra Aguiar conquistou a medalha de bronze em ambas as edições, se tornando a primeira mulher do país a atingir tal feito.

O ciclo de Londres-2012 foi todo dominado por quatro atletas. A japonesa Akari Ogata, a francesa Audrey Tcheumeo, a brasileira Mayra Aguiar e a estadunidense Kyle Harrison desembarcaram na capital britânica com enorme favoritismo. 

Rio 2016

Todas estiveram presentes no pódio do mundial anterior aos Jogos Olímpicos, além de se revezarem nos pódios das principais etapas de Grand Prix e Grand Slams no ciclo. Durante a olimpíada apenas a japonesa Akari Ogata acabou decepcionando e saiu sem medalha de Londres. Kyla e Mayra acabaram se enfrentando na semifinal, com vitória da estadunidense após aplicar uma chave de braço na brasileira. Na final, a americana acabou vencendo a britânica Gemma Gibbons, que surpreendeu a todos ao terminar com a medalha de prata. Audrey e Mayra acabaram conquistando suas lutas pela medalha de bronze e completaram o pódio.

Quatro anos depois, o trio de medalhistas se repetiu na edição do Rio de Janeiro. Uma das finais mais aguardadas por todos os amantes do judô acabou não acontecendo. Mayra Aguiar, campeã mundial de 2014, e Kyla Harrison, vigente campeã olímpica e Pan-americana, lideraram suas chaves e havia grande expectativa para um embate final na Arena Carioca 2, mas Audrey Tcheumeo acabou derrotando a brasileira nas semifinais por punição após uma luta dura e polêmica. 

Na final, a estadunidense Kyla Herrison confirmou o favoritismo e se sagrou bicampeã olímpica ao derrotar Audrey Tcheumeo. Mayra Aguiar venceu a disputa do bronze contra a cubana Yalenni Castillo, vice-campeã olímpica em 2008, com um yuko. Anamari Valensek conquistou o segundo bronze, a primeira medalha da Eslovênia na categoria.

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Outro local usado nos Jogos de Tóquio 1964, o Nippon Budokan receberá as competições de judô e caratê (Crédito: Divulgação)

Medalhistas – judô -78 kg feminino – Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Barcelona-1992Kim Mi-Jeong (COR)Yoko Tanabe (JAP)Irene de Kok (HOL)
Laëtitia Meignan (FRA)
Atlanta-1996Ulla Werbrouck (BEL)Yoko Tanabe (JAP)Ylenia Scapin (ITA)
Diadenis Luna (CUB)
Sydney-2000Tang Lin (CHI)Céline Lebrun (FRA)Emanuela Pierantozzi (ITA)
Simona Richter (ROM)
Atenas-2004Noriko Anno (JAP)Liu Xia (CHI)Lucia Morico (ITA)
Yurisel Laborde (CUB)
Pequim-2008Yang Xiuli (CHI)Yalennis Castillo (CUB)Jeong Gyeong-Mi (COR)
Stéphanie Possamaï (FRA)
Londres-2012Kayla Harrison (EUA)Gemma Gibbons (GBR)Audrey Tcheuméo (FRA)
Mayra Aguiar (BRA)
Rio-2016Kayla Harrison (EUA)Audrey Tcheuméo (FRA)Mayra Aguiar (BRA)
Ana Velenšek (ESL)

Quadro de medalhas – judô -78 kg feminino – Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
China2103
Estados Unidos2002
Japão1203
Coreia do Sul1012
Bélgica1001
França0235
Cuba0123
Grã-Bretanha0101
Itália0033
Brasil0022
Holanda0011
Romênia0011
Eslovênia0011

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