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100m masculino

Jogos Olímpicos – Tóquio 2020 – Atletismo – 100m masculino

Recordes

Mundial: 9.58 – Usain Bolt (JAM) – Berlim (GER) – 16/08/2009

Olímpico: 9.63 – Usain Bolt (JAM) – Londres (GBR) – 05/08/2012

Chances do Brasil

Paulo André tem tudo para ser o primeiro sul-americano a baixar dos 10s nos 100m
(Wagner Carmo/CBAt)

O Brasil vem com uma nova perspectiva para as provas de velocidade dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, com atletas que evoluíram demais e animados com os ótimos resultados obtidos principalmente no revezamento 4x100m. Quem vem na frente dessa nova geração é Paulo André de Oliveira. Ele foi prata na prova no Pan de Lima-2019 e semifinalista no Mundial de Doha, além de ter a marca de 10s02, obtida em abril de 2019.

Paulo André tem tudo para ser o primeiro sul-americano a baixar da marca de 10s. Vitor Hugo dos Santos também seguiu evoluindo apesar de algumas lesões e tem como melhor marca pessoal 10s07, conquistada em agosto de 2019.

Além disso, outros três brasileiros baixaram dos 10s20 em 2019: Rodrigo do Nascimento com 10s10, Aldemir Junior com 10s13 e Derick Silva com 10s18. Paulo André é o único que conseguir baixar do índice olímpico de 10s05, mas há boas perspectivas para os outros atletas e o Brasil tem ótimas chances de ver novamente um velocista na decisão da prova nobre dos Jogos Olímpicos

Favoritos

O americano Christian Coleman chega a Tóquio como o grande favorito ao ouro dos 100m

O americano Christian Coleman venceu o Mundial em Doha com 9.76, melhor marca do ano de 2019. Coleman, aliás, é dono das 3 melhores marcas da temporada (9s76, 9s81 e 9s85) e chegará aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 como o favorito ao ouro. Seus principais adversários serão os seus compatriotas e a seletiva americana promete uma grande disputa. Noah Lyles foi campeão mundial nos 200m em Doha, não competiu nos 100m no Mundial, mas tem 9.86 no ano. Justin Gatlin tem uma carreira polêmica, é o único campeão olímpico dos 100m ainda em atividade e vem em boa fase, com a medalha de prata no Mundial de Doha e duas marcas sub-9.90 em 2019.

A Jamaica não vem em boa fase no masculino e, com a aposentadoria de Usaim Bolt, tem ainda em Yohan Blake como seu principal nome nos 100m, após o 5º lugar no último Mundial. Já o canadense Andre De Grasse tem se mantido entre os melhores, vindo do bronze em Doha e a marca de 9s90 em 2019.

Quatro velocistas africanos também são bem cotados para um eventual pódio nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. O sul-africano Akani Simbine foi 4º em Doha e tem os títulos africano de 2018 e dos Jogos da Comunidade Britânica no mesmo ano. Os nigerianos Divine Oduduru e Raymond Ekevwo e o marfinense Arthur Cissé correm por fora. Outros bons nomes da prova são o britânico Adam Gemili e o japonês Abdul Hakim Sani Brown.

O Brasil nos 100m

Robson Caetano pondera: "O brasileiro não é esportista"
Robson Caetano foi o único brasileiro a disputar uma final olímpica nos 100m rasos em 1988
(Reprodução/Instagram)

O Brasil nunca venceu uma medalha na prova dos 100m masculino dos Jogos Olímpicos, mas já chegou bem perto.

O primeiro brasileiro a competir nos 100m em Jogos Olímpicos foi Álvaro Ribeiro em Paris-1924. Ele ficou em quinto na sua bateria da primeira fase, não avançando para as quartas. Em Los Angeles-1932, três brasileiros disputaram a prova, mas apenas José de Almeida passou de fase. Ele ficou em segundo na sua bateria eliminatória com 11s0, mas acabou em quarto na sua quarta-de-final melhorando o tempo com 10s8, mas não avançou. Ele voltou a competir nos 100m em Berlim-1936, não passando da primeira fase.

Com o retorno dos Jogos Olímpicos em Londres-1948 após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil colocou pela primeira vez dois velocistas na segunda fase da prova: Ivan Hausen e Aroldo Silva, que não passaram para as semifinais.

Após um longo hiato, o Brasil voltou a ter representantes na prova apenas nos Jogos Olímpicos de Munique-1972, com Luis da Silva, que fez 10s63 na sua bateria eliminatória e não avançou de fase.

Em Montreal-1976, pela 1ª vez na história, um brasileiro chegou nas semifinais. Ruy da Silva fez 10s61 nas eliminatórias, 10s57 nas quartas e, na semifinal, marcou 10s54, para terminar em 7º na sua bateria e ficar de fora da final. Em Moscou-1980, novamente dois brasileiros avançaram para a segunda fase, com Katsuhiko Nakaya, que atualmente é treinador, e Nelson dos Santos.

Nos Jogos Olímpicos de Seul-1988, Robson Caetano se tornou o primeiro brasileiro a ser finalista nos 100m. Ele fez ótima campanha vencendo sua bateria de primeira rodada com 10s37, depois foi 2º na sua bateria de quartas com 10s24, atrás apenas do americano Carl Lewis, pegou a última vaga para a final na semi repetindo os 10s24 e na decisão, após a desclassificação de Ben Johnson, acabou com a quinta colocação com 10s11. O atleta voltaria a fazer uma boa campanha em Barcelona-1992, parando na semifinal com 10s32, em 6º na sua semi.

Em Sydney-2000, Vicente Lenilson ficou bem perto da semifinal ao marcar 10s28 nas quartas. Já em Atenas-2004, Vicente colocaria o Brasil novamente na semifinal da prova, mas ele terminou em último na série com 10s28 e não foi pra final. Em sua última Olimpíada, Vicente avançou para a segunda fase em Pequim-2008, assim como José Carlos Moreira.

Desde então, nenhum brasileiro mais avançou de fase nos Jogos Olímpicos. Em Londres-2012, Nilson André foi quinto na sua bateria preliminar com 10s26 e no Rio-2016, Vitor Hugo dos Santos também foi 5º na sua com 10s36.

Histórico da Prova

Jesse Owens entrou para a história ao vencer os 100m nos Jogos Olímpicos de 1936

Os 100m masculino é a prova nobre dos Jogos Olímpicos. É a prova que o planeta pára para assistir o homem mais rápido do mundo. 

Disputada desde a 1ª edição, em Atenas-1896, os 100m masculinos são historicamente dominados pelos Estados Unidos, que venceram 16 das 28 disputas olímpicas. O 1º campeão olímpico foi o americano Thomas Burke, com o tempo de 12.0. Apenas na 4ª edição olímpica, em Londres-1908 que um americano não venceu a prova, com o título ficando com o britânico Reggie Walker, igualando o recorde olímpico com 10.8.

Mas o primeiro grande nome a vencer os 100m e entrar para a história do esporte mundial foi Jesse Owens, nos Jogos Olímpicos de Berlim-1936. Em plena Alemanha comandada por Adolf Hitler, Owens quebrou todos os sonhos arianos do ditador alemão e venceu a prova com 10.3, destruindo as expectativas de Hitler.

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Após a 2ª Guerra, o americano Harrison Dillard foi o vencedor em Londres-1948 com os mesmos 10.3 de Owens. Na edição seguinte em Helsinque-1952, tivemos pela primeira vez o uso do photo finish na definição do ouro olímpico e pela primeira vez os tempos foram determinados nos centésimos. O americano Lindy Remigino foi ouro com 10.79 contra 10.80 do jamaicano Herb McKenley em decisão tomada na foto. Apenas em Roma-1960, após 52 anos, que a prova voltou a ter um vencedor europeu. O alemão Armin Hary, conhecido pelos seus tempos de reação impressionantes, venceu com 10.2, mesma marca do americano Dave Sime, medalha de prata.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 1964 viram a introdução da tomada de tempo automática, mas ainda assim os tempos foram arredondados para parecerem tempos manuais, com apenas uma casa decimal. O americano Bob Hayes marcou oficialmente 10.06, mas seu tempo foi convertido para 10.0, apesar dos cronometristas terem marcado 9.9, o que o tornaria o 1º da história a baixar dos 10s, mas isso não foi o caso. Foi apenas na edição seguinte, na Cidade do México em 1968 que o tempo eletrônico foi totalmente adotado e o americano Jim Hines foi o vencedor com 9.95.

Carl Lewis venceu os 100m nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984

Em Los Angeles-1984, a vitória ficou com o mito Carl Lewis, que venceu com 9.99. Ficou com o bronze nesta prova o canadense Ben Johnson com 10.22. Quatro anos depois, Johnson foi o pivô de uma das maiores polêmicas da história dos Jogos. Ele venceu a final em Seul-1988 com espetaculares 9.79 em 24 de setembro. Dois dias depois, Johnson perdeu seu ouro após ser pego em exame antidoping com estanozolol. O ouro foi dado ao 2º colocado, Carl Lewis, que herdou a vitória e o recorde mundial com 9.92 e se tornou o 1º bicampeão olímpico da prova na história. Também foi nesta final que, pela 1ª vez na história olímpica, alguém baixou dos 10s e terminou com o bronze: o americano Calvin Smith ficou em 3º com 9.99. Em Barcelona-1992, a vitória ficou com o britânico Linford Christie com 9.96, que voltou como favorito em Atlanta-1996, mas foi desclassificado na final após a 2ª saída falsa e a vitória ficou com o canadense Donovan Bailey com 9.84, novo recorde mundial.

Nos Jogos Olímpicos Sydney 2000, os Estados Unidos voltariam ao topo do pódio com Maurice Greene, que marcou 9.87. Na edição seguinte, em Atenas-2004, um jovem americano de apenas 22 anos surpreenderia ao vencer com 9.85. Era a vez de Justin Gatlin subir ao topo do pódio, deixando o então campeão Greene com o bronze.

Usain Bolt começou a escrever seu nome nos 100m dos Jogos Olímpicos em Pequim 2008

Já nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, surgiria o grande nome da prova: o jamaicana Usain Bolt. Neste mesmo ano, Bolt surgiria para o mundo em Nova York em maio ao bater o recorde mundial com 9.72. Em Pequim, sua participação foi um show à parte. Ele venceu todas as suas baterias, marcou ótimos 9.92 ainda nas quartas, depois venceu sua semi com 9.85 e levou seu 1º título olímpico com espetacular 9.69 na final, melhorando seu recorde mundial. Foi a 1ª vez na história que três jamaicanos chegaram à final. Bolt voltaria em Londres-2012 totalmente consagrado e como o homem a ser batido. Em 2009, quando venceu o título mundial em Berlim, Bolt batera o recorde mundial mais uma vez, com espetacular 9.58, marca que persiste até hoje. Liderando a armada jamaicana, Bolt venceu pela 2ª vez com 9.63, novo recorde olímpico, com seu compatriota Yohan Blake na prata e Justin Gatlin, voltando após um gancho de 4 anos por doping, no bronze.

Para encerrar sua brilhante carreira olímpica, Usain Bolt chegaria como uma das maiores estrelas do esporte mundial nos Jogos do Rio-2016 sem decepcionar. Ele venceu novamente todas as suas baterias, com destaque para um 9.86 na semifinal e um belo 9.81 na decisão, faturando o inédito tricampeonato olímpica da prova. Justin Gatlin foi prata com 9.89 e o canadense Andre De Grasse bronze com 9.91.

Todos os medalhistas dos 100m em Jogos Olímpicos

OlimpíadaOuroPrataBronze
Atenas-1896Thomas Burke (USA)Fritz Hofmann (GER)Francis Lane (USA)
Alajos Szokolyi (HUN)
Paris-1900Frank Jarvis (USA)Walter Tewksbury (USA)Stan Rowley (GBR)
St. Louis-1904Archie Hahn (USA)Nathaniel Cartmell (USA)William Hogenson (USA)
Londres-1908Reggie Walker (GBR)James Rector (USA)Robert Kerr (CAN)
Estocolmo-1912Ralph Craig (USA)Alvah Meyer (USA)Donald Lippincott (USA)
Antuérpia-1920Charley Paddock (USA)Morris Kirksey (USA)Harry Edward (GBR)
Paris-1924Harold Abrahams (GBR)Jackson Scholz (USA)Arthur Porritt (NZL)
Amsterdã-1928Percy Williams (CAN)Jack Londo (GBR)Georg Lammers (GER)
Los Angeles-1932Eddie Tolan (USA)Ralph Metcalfe (USA)Arthur Jonath (GER)
Berlim-1936Jesse Owens (USA)Ralph Metcalfe (USA)Tinus Osendarp (NED)
Londres-1948Harrison Dillard (USA)Barney Ewell (USA)Lloyd LaBeach (PAN)
Helsinque-1952Lindy Remigino (USA)Herb McKenley (JAM)McDonald Bailey (GBR)
Melbourne-1956Bobby Morrow (USA)Thane Baker (USA)Hector Hogan (AUS)
Roma-1960Armin Hary (GER)Dave Sime (USA)Peter Radford (GBR)
Tóquio-1964Bob Hayes (USA)Enrique Figuerola (CUB)Harry Jerome (CAN)
Cidade do México-1968Jim Hines (USA)Lennox Miller (JAM)Charles Greene (USA)
Munique-1972Valeriy Borzov (URS)Robert Taylor (USA)Lennix Miller (JAM)
Montreal-1976Hasely Crawford (TTO)Don Quarrie (JAM)Valeriy Borzov (URS)
Moscou-1980Allan Wells (GBR)Silvio Leonard (CUB)Petar Petrov (BUL)
Los Angeles-1984Carl Lewis (USA)Sam Graddy (USA)Ben Johnson (CAN)
Seul-1988Carl Lewis (USA)Linford Christie (GBR)Calvin Smith (USA)
Barcelona-1992Linford Christie (GBR)Frankie Fredericks (NAM)Dennis Mitchell (USA)
Atlanta-1996Donovan Bailey (CAN)Frankie Fredericks (NAM)Ato Boldon (TTO)
Sydney-2000Maurice Greene (USA)Ato Boldon (TTO)Obadele Thompson (BAR)
Atenas-2004Justin Gatlin (USA)Francis Obikwelu (POR)Maurice Greene (USA)
Pequim-2008Usain Bolt (JAM)Richard Thompson (TTO)Walter Dix (USA)
Londres-2012Usain Bolt (JAM)Yohan Blake (JAM)Justin Gatlin (USA)
Rio-2016Usain Bolt (JAM)Justin Gatlin (USA)Andre De Grasse (CAN)

Quadro de medalhas

PaísOuroPrataBronzeTotal
1Estados Unidos1614939
2Jamaica3418
3Grã-Bretanha3238
4Canadá2046
5Trinidad & Tobago1214
6Alemanha1124
7União Soviética1012
8África do Sul1001
9Cuba0202
9Namíbia0202
11Portugal0101
12Austrália0022
13Barbados0011
13Bulgária0011
13Hungria0011
13Holanda0011
13Panamá0011
13Nova Zelândia0011

A prova

100 metros rasos é uma modalidade olímpica de corrida de velocidade no atletismo. A mais curta das distâncias disputadas em eventos ao ar livre, é também uma das mais populares modalidades do esporte.

Os atletas largam de blocos firmados no chão ao som de um sinal de partida e correm dentro de raias demarcadas na pista. As solas têm pregos de comprimento máximo fixado em 8,4 milímetros, e a espessura da sola não pode ultrapassar treze milímetros. O vencedor é determinado pelo primeiro a cruzar o torso na linha de chegada; pernas e braços são desconsiderados. Quando a avaliação do vencedor não é possível ao olho humano, é usado um sistema de photo finish para determinar o campeão.

Provas disputadas com uma velocidade de vento favorável maior que 2 m/s não são aceitáveis para a homologação de recordes. Sensores colocados no bloco de largada marcam o tempo de reação dos atletas ao sinal de largada; um tempo de reação inferior a 0.1s é considerado como largada falsa, os velocistas são chamados de volta à largada, e o responsável desclassificado. Um atleta também pode ser desclassificado caso pise fora da linha que delimita sua raia de corrida