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100m com barreiras feminino

100m com barreiras feminino – Atletismo – Jogos Olímpicos Tóquio 2020 

Recordes dos 100m com barreiras feminino

Recorde Mundial: 12.20 – Kendra Harrison (USA) – Londres (GBR) – 22/07/2016

Recorde Olímpico: 12.35 – Sally Pearson (AUS) – Londres (GBR) – 07/08/2012

Chances do Brasil nos 100m com barreiras feminino

Ketiley Batista 100m com barreiras feminino
Ketiley Batista corre na final do Troféu Brasil, em dezembro de 2020 (Wagner Carmo/CBAt)

O Brasil ainda não tem atletas com índice nos Jogos de Tóquio-2020 para os 100m com barreira feminino. O principal nome do país na prova neste momento é Ketiley Batista, campeã do Troféu Brasil no ano passado. Ela tem como melhor marca 13.11, obtida na final do Brasileiro Sub-23, em dezembro passado. O índice para a Olimpíada é de 12.84.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritas nos 100m com barreiras feminino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

As americanas ainda são as atletas a serem batidas na prova.

Prata no Rio, Nia Ali venceu o Mundial de Doha-2019. Ela também tem dois títulos mundiais indoor dos 60 m com barreiras em 2014 e 2016 e tem 12.34 como sua melhor marca, tempo que lhe deu o título mundial em 2019.

A recordista mundial Kendra Harrison busca sua primeira vaga olímpica. Prata no último Mundial, ela venceu os 60 m com barreiras no Mundial indoor de 2018 e tem dois dos quatro melhores tempos da história. É a única americana a correr abaixo dos 12.30 mais de uma vez (fez isso três vezes) e tem cinco dos 11 melhores tempos entre as americanas. A outra vaga americana está em aberto, com quase 10 atletas na briga.

A maior adversária das americanas é a jamaicana Danielle Williams. Campeã mundial em 2015 e bronze no de 2019, Williams fez três dos cinco melhores tempos de 2019, incluindo melhor de 12.32. Sua compatriota Janeek Brown fez o 3º melhor tempo de 2019 e foi 7ª no Mundial de 2019.

Atual campeã mundial, Nia Ali foi medalha de prata na Olimpíada Rio-2016 (World Athletics)

Tirando americanas e jamaicanas, a nigeriana Tobi Amusan é a dona dos melhores tempos. 4ª no Mundial de Doha, ela venceu a prova nos Jogos da Comunidade Britânica de 2018 e foi campeã africana no mesmo ano.

A holandesa Nadine Visser começou a carreira disputando heptatlo, chegando a ficar em 7º no Mundial de 2017, mas focou na prova de barreiras. Foi campeã europeia indoor nos 60 m em 2019 e campeã continental Sub 23 em 2017. Em 2020, fez três dos quatro melhores tempos do mundo, incluindo os dois melhores com 12.68.

Belarus tem duas boas atletas que também brigam por um bom resultado. Elvira Herman foi campeã mundial Sub 20 em 2016 e venceu o Europeu em 2018. Alina Talay tem mais tempo de estrada, tendo conquistado o bronze no Mundial de 2015 e o título europeu em 2012.

Também brigam por vaga na final a costarriquenha Andrea Vargas, 5ª no Mundial de 2019 e ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, a alemã Cindy Roleder, vice mundial em 2015 e campeã europeia em 2016, e a francesa Solène Ndama.

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O Brasil nos 100m com barreiras feminino dos Jogos Olímpicos

Maíla Machado (à dir.) não passou das eliminatórias nos 100m com barreira feminino da Olimpíada Rio 2016 (Divulgação)

A primeira participação olímpica feminina brasileira em uma prova de barreiras nos Jogos foi com Wanda dos Santos em Helsinque-1952, ainda na distância de 80 m. Ela ficou em segundo lugar na sua eliminatória com 11.3, atrás apenas de uma soviética e avançou para as semifinais, onde ficou em 5º na sua bateria com 11.4, não pegando vaga na final. Após ficar de fora de Melbourne-1956, Wanda voltou a competir nos Jogos de Roma-1960. Ela foi 4ª na sua bateria eliminatória com 11.84 e não passou para as semifinais.

O Brasil só voltou a competir em Atenas-2004 com Maíla Machado, que foi 6ª na sua bateria eliminatória com 13.35, ficando longe de uma vaga nas semifinais. Ela voltou em Pequim-2008, ficando em 7º na sua bateria com 13.45, novamente sem passar de fase.

Maíla ainda disputou sua terceira Olimpíada aos 35 anos no Rio-2016, onde ficou em 5º na sua bateria eliminatória com 13.09, também não avançando. Fabiana Moraes também competiu no Rio, terminando em 5º na sua eliminatória com 13.22, sem avançar para as semifinais.

Histórico dos 100m com barreiras feminino nos Jogos Olímpicos

As mulheres disputam provas com barreiras desde os Jogos de Los Angeles-1932. Só que desde esta data até a edição de Cidade do México-1968 a distância  disputada era de 80 m. A americana Bebe Didrikson venceu a primeira disputa. Ela também levou o lançamento de dardo e foi prata no salto em altura nesta edição. Em Londres-1948 o ouro ficou com o holandesa Fanny Blankers-Koen. Um dos grandes nomes desta edição, ela saiu dos Jogos com quatro ouros, levando também os 100 m, os 200m e o revezamento 4×100 m.

A australiana Shirley Strickland de la Hunty faturou o bicampeonato dos 80 m com barreiras com vitórias em Helsinque-1952 e em Melbourne-1956. A soviética Irina Press levou em Roma-1960, a alemã Karin Balzer em Tóquio-1964 e a australiana Maureen Caird na Cidade do México-1968.

A prova foi aumentada para os 100m no Europeu de 1969 e foi vencida pela alemã oriental Karin Balzer. Ela fez sua estreia nesta nova distância em Munique-1972 e a alemã oriental Annelie Ehrhardt foi a campeã com 12.59, recorde mundial. Balzer acabou com o bronze. Mais uma alemã oriental, Johanna Schaller, foi ouro, agora em Montreal-1976 com 12.77.

A final de Moscou-1980 contou com oito atletas de apenas três países na disputa (União Soviética, Alemanha Oriental e Polônia) e a vitória ficou com a soviética Vera Komisova, com recorde llímpico de 12.56.

Já em Los Angeles-1984, esses três países ficaram de fora por conta do boicote e a vitória ficou pela primeira vez (nesta distância de 100 m) com os Estados Unidos, com Benita Fitzgerald-Brown marcando 12.84 na final.

Duas búlgaras dominaram a prova na sequência. Yordanka Donkova quebrou o recorde mundial três vezes em 1986 chegando a 12.26. No ano seguinte, sua compatriota Ginka Zagorcheva venceu o Mundial em Roma e melhorou a marca mundial com 12.25. Em 1988, Donkova mais uma vez baixou o recorde mundial com 12.21 em agosto e no mês seguinte se sagrou campeã olímpica em Seul com recorde olímpico de 12.38. Zagorcheva teve problemas e nem terminou sua prova ainda nas eliminatórias. Donkova ainda foi bronze em Barcelona-1992, onde a vitória ficou com a grega Paraskevi Patoulidou.

A americana Gail Devers, bicampeã dos 100 m rasos em 1992 e 1996 foi tricampeã mundial nos 100 m com barreiras, mas sempre deu azar em Olimpíadas nesta prova, mesmo disputando cinco vezes. Em 1988 parou nas semifinais. Em 1992 ela liderava a final com folga, mas acabou em 5º lugar após tropeçar na última barreira. Em 1996 foi a 4ª, a apenas 0.01 do pódio. Em Sydney-2000, chegou como campeã mundial e melhor tempo do mundo aos 33 anos. Devers liderava sua semifinal, mas sentiu uma lesão e abandonou a bateria. Ainda disputou os Jogos de Atenas-2004, mas uma nova lesão a tirou na primeira barreira ainda na primeira rodada.

Mesmo com o fracasso de Devers na sua prova favorita, as americanas eram as atletas a serem batidas nos Jogos de Atenas em diante. A vitória na Grécia ficou com Joanna Hayes com recorde olímpico de 12.37 e Dawn Harper foi a campeã em Pequim-2008 com 12.54. Nenhuma delas foi campeã mundial.

A australiana Sally Person foi ouro em Londres-2012, quando também quebrou o recorde olímpico dos 100m com barreira (Wikipedia)

No Mundial de 2011, o ouro ficou com a australiana Sally Pearson e ela repetiu o feito em Londres-2012 com recorde olímpico de 12.35 na final, deixando três americanas para trás do 2º ao 4º lugares.

Pearson sofreu com lesões e as americanas aproveitaram para dominar a prova nos anos seguintes. Antes dos Jogos do Rio-2016, as sete melhores atletas do mundo eram americanas, que eram donas dos 25 melhores tempos do ano antes dos Jogos.

A seletiva americana prometia, já que apenas três poderiam se classificar. Kendra Harrison foi uma das que ficou de fora dos Jogos e menos de um mês antes da Olimpíada, Harrison bateu o recorde mundial na etapa londrina da Liga Diamante com 12.20. As três americanas dominaram o pódio no Rio, com vitória de Brianna Rollins com 12.48, seguida de Nia Ali e Kristi Castlin.

Medalhistas dos 100m com barreiras feminino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Munique 1972Annelie EhrhardtGDRValeria BufanuROUKarin BalzerGDR
Montreal1976Johanna SchallerGDRTatyana AnisimovaURSNataliya LebedevaURS
Moscou 1980Vera KomisovaURSJohanna KlierGDRLucyna LangerPOL
Los Angeles1984Benita Fitzgerald-BrownEUAShirley StrongGBRMichèle Chardonnet
Kim Turner
FRA
USA
Seul 1988Yordanka DonkovaBULGloria SiebertGDRClaudia ZaczkiewiczFRG
Barcelona 1992Voula PatoulidouGRELaVonna MartinEUAYordanka DonkovaBUL
Atlanta 1996Ludmila EngquistSUEBrigita BukovecSLOPatricia Girard-LénoFRA
Sydney 2000Olga ShishiginaKAZGlory AlozieNGRMelissa MorrisonEUA
Atenas 2004Joanna HayesEUAOlena Ovcharova-KrasovskaUKRMelissa MorrisonEUA
Pequim 2008Dawn HarperEUASally McLellanAUSPriscilla Lopes-SchliepCAN
Londres 2012Sally PearsonAUSDawn HarperEUAKellie WellsEUA
Rio 2016Brianna RollinsEUANia AliEUAKristi CastlinEUA

Quadro de medalhas dos 100m com barreiras feminino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos43512
Alemanha Oriental2215
União Soviética1113
Austrália1102
Bulgária1012
Grécia1001
Cazaquistão1001
Suécia1001
Grã-Bretanha0101
Nigéria0101
Romênia0101
Eslovênia0101
Ucrânia0101
França0022
Canadá0011
Polônia0011
Alemanha Ocidental0011

A prova

100 metros com barreiras é uma prova olímpica de atletismo disputada apenas por mulheres. Seu equivalente masculino são os 110 metros com barreiras.

A prova é disputada numa reta onde raias de corrida estão demarcadas. A largada é feita a partir de blocos de partida no chão da pista, como as demais provas de velocidade do programa olímpico. Nos seus cem metros de extensão são dispostas 10 barreiras; a primeira surge treze metros depois da linha de partida, as seguintes têm 8.5 metros de intervalo entre si e depois da última barreira há um percurso de 10.5 metros até à linha da meta. As barreiras têm 83,8 cm e são colocadas de modo a que caiam para a frente, caso sejam tocadas pela corredora.

O toque ou mesmo a derrubada de barreiras não é motivo de desqualificação já que, geralmente, afeta de forma negativa o tempo obtido pela concorrente. A competidora pode ser desclassificada caso invada a raia de outra atleta ou tenha um tempo de reação ao sinal de largada inferior a 0.1s, considerado uma largada falsa.