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Lançamento de dardo feminino

Lançamento de dardo feminino – Atletismo – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

Recordes do lançamento de dardo feminino

Recorde Mundial: 72,28 m – Barbora Spotakova (CZE) – Stuttgart (GER) – 13/09/2008

Recorde Olímpico: 71,53 m – Osleidys Menendez (CUB) – Atenas (GRE) – 27/08/2004

Chances do Brasil no lançamento de dardo feminino

Laila Ferrer Domingos e Jucilene de Lima são as melhores brasileiras da prova, mas ainda não conseguiram o índice olímpico de 64 m para os Jogos de Tóquio. Ainda assim, podem pegar as vagas pelo ranking mundial.

O Brasil no lançamento de dardo feminino nos Jogos Olímpicos

Laila Ferrer, do lançamento de dardo
Laila Ferrer participou dos Jogos de Londres-2012, quando terminou em 21º lugar (Wagner Carmo/CBAt)

A primeira brasileira a competir nesta prova foi Sueli dos Santos, apenas em Sydney-2000. Ela ficou em 23º lugar na qualificação com 56,27 m e não passou para a final.

Em Pequim-2008, Alessandra Resende competiu pelo país, ficando em 27º lugar na qualificação com 56,53 m. Laila Ferrer Domingos esteve em Londres-2012, onde terminou em 21º lugar com a marca de 58,39 m.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritas no lançamento de dardo feminino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

A chinesa Lü Huihui foi prata no Mundial de 2015, em Pequim, e bronze nos de 2017 e 2019. Foi ainda campeã asiática em 2019 e prata nos Jogos Asiáticos de 2018. Lü teve um ano de 2019 quase perfeito, vencendo 12 dos 14 torneios que disputou, incluindo três etapas da Liga Diamante. Foi responsável pelas três melhores marcas de 2019, liderando a lista mundial com 67,98 m. Também fez a melhor marca de 2020, com 67,61 m.

Sua compatriota Liu Shiying foi prata no Mundial de 2019, campeã asiática em 2015 e ouro nos Jogos Asiáticos de 2018 e tem a 2ª melhor marca de 2020, com 67,29 m.

A croata Sara Kolak foi campeã olímpica no Rio-2016 aos 21 anos. Em 2014 ela tinha sido bronze no Mundial Sub 20, mas já demonstrou que tinha crescido ao ficar em 3º no Europeu de 2016, um mês antes dos Jogos Olímpicos. Kolak foi 4ª no Mundial de 2017 e 7ª no de 2019.

A chinesa Lü Huihui, que teve uma temporada praticamente perfeita em 2019, é uma das favoritas ao ouro no lançamento do dardo (World Athletics)

O grande nome recente desta prova é o da tcheca Barbora Spotakova. Bicampeã olímpica, com ouros em Pequim-2008 e Londres-2012, ela também faturou o bronze na Rio-2016. Tem ainda três títulos mundiais em 2007, 2011 e 2017 e foi ouro no Europeu de 2014. Spotakova também venceu 20 etapas da Liga Diamante na carreira, entre muitos outros títulos. Ela terá 40 anos em Tóquio, mas segue com marcas acima dos 65 m e deve brigar por um bom resultado em sua última Olimpíada.

Kelsey Lee-Barber foi uma das grandes surpresas do Mundial de 2019, em Doha, ao vencer o dardo com a marca de 66,56 m. Ela não havia passado da qualificação do Mundial de 2015, nem do Rio-2016 e tinha ficado em 10º no de 2017. Até então, sua maior conquista havia sido a prata nos Jogos da Comunidade Britânica de 2018.

Outros nomes importantes da prova são o da bielorrussa Tatsiana Khaladovich, campeã europeia em 2016 e 5ª no Rio-2016, o da alemã Christin Hussong, 4ª no Mundial de 2019, e da americana Kara Winger, ouro no Pan de Lima-2019 e 5ª no Mundial no mesmo ano.

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Histórico do lançamento de dardo feminino nos Jogos Olímpicos

O dardo feminino estreou nos Jogos em Los Angeles-1932 e o primeiro ouro ficou com a americana Babe Didrikson. Na mesma edição, ela foi ouro nos 80m com barreiras e prata no salto em altura. Após os Jogos, ela se tornou um golfista profissional, vencendo 10 Majors na carreira, e é considerada uma das maiores atletas da história.

Na edição seguinte em Berlim-1936, dobradinha alemã com Tilly Fleischer, campeã com 45,18 m, e Luise Krüger. Após a 2ª Guerra, o ouro em Londres-1948 foi da austríaca Herma Bauma, com 45,57 m, a única medalha de ouro da história do país no atletismo.

Em Helsinque-1952, pela primeira vez nos Jogos, o dardo passou da marca de 50 m, com a vitória da checoslovaca Dana Zatopková, ouro com 50,47 m. A soviética Aleksandra Chudina foi prata, também passando da marca com 50,01 m.

Em Melbourne-1956, a soviética Inese Jaunzeme foi campeã com 53,86 m e a prata foi para a chilena Marlene Ahrens, com 50,38 m. Depois, Ahrens foi bicampeã dos Jogos Pan-Americanos no dardo em 1959 e 1963.

A soviética Elvira Ozolina bateu duas vezes o recorde mundial em 1960 chegando a 59,55 m e confirmou o favoritismo ao levar o ouro em Roma com recorde olímpico de 55,98 m.

Já em Tóquio-1964, um fato muito curioso aconteceu. A soviética Yelena Gorchakova entrou pra história como a primeira mulher a lançar o dardo acima dos 60 m, batendo o recorde mundial na qualificação com 62,40 m. Só que ela não repetiu o feito na decisão e acabou com o bronze com 57,06 m, enquanto viu o ouro ir pra romena Mihaela Penes com 60,54 m.

Na Cidade do México-1968, Penes abriu com 59,92 m na final, mas a húngara Angéla Németh fez 60,36 m na 2ª rodada para ficar com o ouro.

Osleidys Menendez ganhou em Atenas-2004 uma das duas medalhas de ouro de Cuba na história do lançamento do dardo feminino (World Athletics)

A alemã oriental Ruth Fuchs começou seu domínio da prova em 1972. Em junho, bateu o recorde mundial com 65,06 m e faturou o ouro em Munique com 63,88 m. Na sequência, ela venceu o Europeu em 1974, faturou mais um ouro olímpico em Montreal-1976 com 65,94 m e o Europeu de 1978. Em 1980, Fuchs quebrou seu 6º recorde mundial com 69,96 m em abril e seguiu a Moscou com tudo para levar o tricampeonato, mas deixou muito a desejar na final olímpica, terminando em 8º lugar com 63,94 m e encerrando a sua vitoriosa carreira.

A vitória em Moscou foi da cubana María Caridad Colón com 68,40 m, após levar o ouro no Pan de 1979 e repetir o feito no de 1983. Este foi o primeiro ouro olímpico feminino de Cuba da história. Sem soviéticas, alemãs orientais e cubanas na disputa, o ouro em Los Angeles-1984 foi pra britânica Tessa Sanderson com 69,56 m, com direito a recorde olímpico.

Em 1986, o dardo masculino foi alterado por dois motivos. Os dardos caiam muito chapados, dificultando definir o ponto exato de toque no chão. Além disso, as distâncias das marcas estavam crescendo e o recorde mundial passava dos 100 m, com Uwe Hohn atingindo um perigoso 104,80 m. O centro de gravidade foi colocado 4 cm pra frente, além de mudanças nas superfícies do implemento. Só que as mulheres seguiram usando o modelo antigo.

Em 1988, a alemã oriental Petra Felke quebrou o recorde mundial pela 4ª e última vez com exatos 80,00 m. Em Seul, ela não decepcionou e venceu o ouro com 74,68 m. Nos Jogos de Barcelona-1992, o dardo feminino seguiu no modelo antigo e o ouro foi para mais uma alemã, Silke Renk, com 68,34 m, vitória por apenas 8 cm sobre Natalya Shikolenko, da Equipe Unificada. Ainda na forma antiga, a vitória em Atlanta-1996 foi para a finlandesa Heli Rantanen, o único ouro feminino do país no dardo. A Finlândia é uma das potências da prova e já venceu no masculino sete vezes.

Foi apenas em 1999 que a Federação alterou o dardo feminino, seguindo os preceitos da mudança do masculino. E a primeira vitória com este novo implemento em Sydney-2000 foi da norueguesa Trine Hattestad com 68,91 m. Ela bateu duas vezes o recorde mundial nos meses anteriores à Olimpíada.

A croata Sara Kolak surpreendeu ao ficar com o ouro na Rio-2016 no lançamento do dardo feminino (Wikipedia)

Osleidys Menendez trouxe o segundo ouro para Cuba na prova em Atenas-2004. Em 2001 ela tinha batido o recorde mundial com 71,54 m e ficou muito perto de igualar a marca na final olímpica na Grécia, vencendo com 71,53 m, desbancando a grega Mireia Manjani, que havia sido campeã mundial no ano anterior.

Em 2007, a checa Barbora Spotakova venceu o Mundial em Osaka e brilhou nos Jogos de Pequim-2008 para vencer com 71,42 m, colocando quase 5 m sobre a alemã Christina Obergföll, prata com 66,13 m. A medalhista de prata havia sido a russa Mariya Abakumova, com 70,78 m, mas ela foi desclassificada oito anos depois por doping. Três semanas depois dos Jogos, Spotakova bateu o recorde mundial em Stuttgart com 72,28 m, recorde que dura até hoje.

Os títulos mundiais seguintes passaram por várias atletas diferentes, mas Spotakova novamente acertou quando precisava e venceu o bicampeonato olímpico em Londres-2012 com 69,55 m, novamente com Obergföll levando a prata, agora conquistada no campo.

As alemãs haviam vencido os dois Mundiais em 2013 e 2015, com Obergföll e Katharina Molitor, mas Molitor acabou ficando fora da equipe alemã para o Rio-2016. Numa final que foi relativamente fraca para quase todas as atletas, a croata Sara Kolak surpreendeu com 66,18 m e se sagrou campeã olímpica.

Medalhistas do lançamento de dardo feminino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Los Angeles 1932Babe DidriksonUSAEllen BraumüllerGERTilly FleischerGER
Berlim 1936Tilly FleischerGERLies KrügerGERMaria KwaśniewskaPOL
Londres 1948Herma BaumaAUTKaisa ParviainenFINLily CarlstedtDEN
Helsinque 1952Dana ZátopkováTCHAleksandra ChudinaURSYelena GorchakovaURS
Melbourne 1956Inese JaunzemeURSMarlene AhrensCHINadezhda KonyayevaURS
Roma 1960Elvīra OzoliņaURSDana ZátopkováTCHBirutė KalėdienėURS
Tóquio 1964Mihaela PeneșROUMárta Antal-RudasHUNYelena GorchakovaURS
Cidade do México 1968Angéla NémethHUNMihaela PeneșROUEva JankoAUT
Munique 1972Ruth FuchsGDRJacqueline TodtenGDRKate SchmidtUSA
Montreal 1976Ruth FuchsGDRMarion BeckerFRGKate SchmidtUSA
Moscou 1980María ColónCUBSaida GunbaURSUte HommolaGDR
Los Angeles 1984Tessa SandersonGBRTiina LillakFINFatima WhitbreadGBR
Seul 1988Petra FelkeGDRFatima WhitbreadGBRBeate KochGDR
Barcelona 1992Silke RenkGERNatallia ShykalenkaEUNKaren ForkelGER
Atlanta 1996Heli RantanenFINLouise McPaulAUSTrine HattestadNOR
Sydney 2000Trine HattestadNORMirela Maniani-TzeliliGREOsleidys MenéndezCUB
Atenas 2004Osleidys MenéndezCUBSteffi NeriusGERMirela ManianiGRE
Pequim 2008Barbora ŠpotákováCZEChristina ObergföllGERGoldie SayersGBR
Londres 2012Barbora ŠpotákováCZEChristina ObergföllGERLinda StahlGER
Rio 2016Sara KolakCROSunette ViljoenRSABarbora ŠpotákováCZE

Quadro de medalhas do lançamento de dardo feminino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Alemanha Oriental3126
Alemanha25310
União Soviética2248
Cuba2013
República Tcheca2013
Finlândia1203
Grã-Bretanha1124
Tchecoslováquia1102
Hungria1102
Romênia1102
Estados Unidos1023
Áustria1012
Noruega1012
Croácia1001
Grécia0112
Austrália0101
Chile0101
África do Sul0101
Equipe Unificada0101
Alemanha Ocidental0101
Dinamarca0011
Polônia0011

A prova

lançamento do dardo
A australiana Kathryn Mitchell, sexta colocada no lançamendo do dardo na Rio-2016 (Reprodução)

Lançamento de dardo é uma modalidade olímpica do atletismo existente desde a Grécia Antiga. Uma das mais nobres modalidades por sua antiguidade, integra o heptatlo e o decatlo, além de ter sua própria prova individual. Assim como o lançamento de martelo e lançamento de disco, este esporte é chamado oficialmente de lançamento. Somente o arremesso de peso é chamado de arremesso, devido ao fato do peso ser empurrado e os demais serem projetados com características diferentes.

O dardo é um objeto em forma de lança, feito de metal, fibra de vidro ou fibra de carbono. Seu tamanho, tipo, peso mínimo e centro de gravidade foram definidos pela World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) e variam do homem para a mulher. O homem usa um dardo de 2,7 metros de comprimento, pesando 800 gramas. A mulher usa um dardo um pouco mais leve, 600 gramas, e tem 2,3 metros de comprimento. Os dois modelos tem uma empunhadura feita de corda localizada no centro de gravidade.

O atleta corre para tomar impulso e usa uma pista de corrida e lançamento com 34,9 metros de comprimento e 4 metros de largura, fazendo um giro rápido com o corpo para lançar. O dardo costuma sair das mãos do atleta com uma velocidade de 100 km/h. Após o voo, ele aterra numa zona relvada que costuma ocupar a zona central dos estádios de atletismo. A marca obtida pelo atleta é medida pelos oficiais, desde o limite da zona de lançamento até ao primeiro ponto onde o dardo tocou no chão, obrigatoriamente dentro de uma setor pré-marcado no campo com um ângulo de 29°.

Ao contrário das outras modalidades de lançamento (martelo, peso e disco), a técnica do dardo tem regras próprias ditadas pela IAAF e lançamentos “não-ortodoxos” não são permitidos; o dardo precisa ser seguro pela empunhadura e lançado por cima do braço levantado ou dos ombros; além disso, é proibido ao atleta se virar completamente de maneira a que seu rosto fique em direção contrária ao lançamento, técnica que é muito usada, por exemplo, no lançamento de disco.

O lançador é desclassificado se sair da zona de lançamento antes, durante ou depois do lançamento, ou se o dardo tocar no solo sem ser pela ponta dianteira dele. As competições de lançamento de dardo iniciam-se com três rondas de lançamentos para cada atleta. Após esta fase, os oito melhores resultados são apurados para realizar mais três lançamentos. Ao fim da prova, o atleta que obtiver a maior distância num lançamento legítimo é declarado vencedor. No caso de um empate, vence aquele com a segunda melhor marca.

Reconfiguração

Em abril de 1986, o dardo masculino foi redesenhado pelo Comitê Técnico da IAAF. Isto se deveu ao fato de que, além de várias aterrissagens começarem a ser feitas ao comprido, sem a ponta furar o solo, diversos lançamentos estavam sendo feitos no limite da área destinada a isto no campo de atletismo, colocando em perigo potencial as pessoas envolvidas e espectadores. O recorde mundial com o dardo antigo do alemão Uwe Hohn, de 104,80 m em 1984, foi o sinal de que algo precisa ser rapidamente mudado ou a modalidade seria inviabilizada para um estádio olímpico. Ele então foi redesenhado, com o centro de gravidade sendo colocado 4 cm à frente enquanto as áreas de superfície posteriores e anteriores ao centro de gravidade foram reduzidas e aumentadas, respectivamente. Isto teve como efeito a redução da elevação do dardo e o aumento da curvatura para baixo no arco da queda. Esta mudança fez o “nariz” do arco cair mais rapidamente, reduzindo a distância de voo em aproximadamente 10% e fazendo com que o dardo atinja o chão de maneira mais vertical e consistente. Em 1999, o dardo feminino também sofreu a mesma modificação.

Mesmo assim reconfigurado, o dardo voltou a ser lançado a distâncias proibitivas e em 2007 um atleta do salto em distância foi atingido na barriga por um dardo lançado do outro lado do campo, durante uma etapa da Golden League em Roma; com o atual recorde mundial masculino já novamente próximo dos 100 metros, nova mudança deve ser feita no implemento nos próximos anos.