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Estrada feminino

Chances do Brasil

Após enviar ciclistas por cinco Jogos Olímpicos consecutivos na prova de estrada feminino, o Brasil acabou não conseguindo classificar nenhuma atleta para Tóquio 2020.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para a Olimpíada

Favoritas na corrida de estrada feminino

Na prova de estrada feminino, o favoritismo é totalmente das holandesas. O país, que é atualmente o campeão olímpico da prova com Anna van der Breggen, conta com a ciclista para se manter no topo do pódio e ganha o reforço de Annemiek van Vleuten. As duas ciclistas foram bicampeãs mundiais no ciclo, sendo que Anna conquistou os títulos de 2018 e 2020, enquanto Annemiek levou os títulos de 2017 e 2019. Os Países Baixos ainda contam com a supercampeã Marianne Vos, campeã olímpica em Londres-2012 e nove vezes medalhista em mundiais, sendo três delas de ouro. 

A polonesa Katarzyna Niewjadoma, a estadunidense Chloé Dygert e as italianas Marta Bastainelli e Elisa Longo Borghini são as principais ameaças ao trio holandês e tentarão evitar um pódio completo ou mesmo o ouro da Holanda.

Corrida de estrada feminino do Brasil na história dos Jogos Olímpicos

Ao longo de nove edições da prova feminina em olimpíadas, o Brasil conseguiu enviar atletas para seis delas. A família Fernandes, de grande força no ciclismo feminino do Brasil, é responsável pela maioria das classificações, embora seja de Flávia de Oliveira a melhor colocação do país na prova: o sétimo lugar na Rio-2016. Ao todo foram cinco mulheres que representaram o Brasil nessa prova nos Jogos Olímpicos, que não conta com representantes na edição de Tóquio.

A primeira participação do Brasil na prova de estrada entre as mulheres aconteceu na edição de Barcelona-1992. A mineira Cláudia Carceroni-Saintagne se classificou para a edição dos Jogos Olímpicos da capital da Catalunha, onde terminou na 48ª colocação. Natural de Belo Horizonte, Cláudia Carceroni voltou a disputar a olimpíada oito anos depois, agora em Sydney-2000, terminando agora no 44º lugar, melhorando sua posição obtida em 1992. 

Naquela mesma edição uma outra ciclista brasileira participou ao lado de Flávia da prova de ciclismo de estrada. Janildes Fernandes se classificou para sua primeira Olimpíadas em 2000, terminando na 49ª colocação, a última entre aquelas que terminaram a prova. Quatro anos depois, em Atenas-2004, Janildes se classificaria pela segunda vez para uma edição olímpica e a mato-grossense terminou na 53ª edição na prova de Atenas, piorando a sua colocação.

Uma outra representante da família Fernandes foi a responsável por levar a bandeira do Brasil no ciclismo de estrada em Pequim-2008. Clemilda Fernandes, irmã de Janildes, terminou na 51ª colocação.

Quatro anos depois, em Londres-2012, as irmãs competiram juntas representando o país na capital britânica. Clemilda acabou se classificando para as duas provas do ciclismo de rua, a prova de estrada e o contrarrelógio individual. Na prova de estrada, ela acabou na 23ª colocação, até então a melhor posição de uma ciclista brasileira. Enquanto isso, a irmã Janildes, chegou a liderar a disputa em Londres, mas acabou se envolvendo em um acidente, tendo que abandonar a prova. Uma terceira brasileira, Fernanda da Silva, também disputou a prova, mas acabou sendo eliminada após exceder o tempo limite da competição.

flavia oliveira ciclismo de estrada
Flávia Oliveira foi a 7ª colocada na Rio-2016 (Divulgação)

Veio da Rio-2016, justamente a última edição disputada, a nossa melhor posição na prova. Flávia de Oliveira, fluminense de Niterói, competiu a todo o momento nos pelotões de frente e acabou terminando em um ótimo sétimo lugar, o melhor desempenho de um brasileiro no ciclismo de estrada em Jogos Olímpicos, seja homem ou mulher. Flávia chegou apenas 20 segundos atrás da campeã olímpica, a neerlandesa Anna van der Breggen. Clemilda Fernandes, disputando sua terceira olimpíada, acabou sendo eliminada por estourar o tempo da prova.

Histórico da corrida de estrada feminino nos Jogos Olímpicos

A prova feminina do ciclismo de estrada estreou em Jogos Olímpicos apenas na edição de Los Angeles-1984, muito tempo depois da estreia da competição masculina. Em 36 anos de disputa, a Holanda é a principal força olímpica no feminino, tendo conquistado a medalha de ouro em quatro ocasiões. 

O primeiro pódio olímpico do ciclismo de estrada feminino teve uma dobradinha dos Estados Unidos nas primeiras posições do pódio. Em Los Angeles-1984 o ouro foi vencido por Connie Carpenter-Phinney, enquanto sua compatriota Rebecca Twigg ficou com a medalha de prata. Curiosamente, a campeã Connie também era patinadora de velocidade, tendo participado dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sapporo, no Japão, em 1972. Aos 14 anos, a estadunidense se tornou na ocasião a atleta feminina mais nova da história dos Estados Unidos a participar das Olimpíadas de Inverno. 

Quatro anos depois, em Seul-1988, a Holanda conquistou a sua primeira medalha de ouro na categoria. Monique Knol completou o percurso em pouco mais de duas horas para conquistar o título olímpico. A Alemanha Ocidental voltou a subir ao pódio com a prata de Jutta Niehaus, enquanto Laima Zilporyte, da extinta União Soviética, ficou com o bronze. Já o título olímpico da edição de Barcelona-1992 ficou com a australiana Kathy Watt. A francesa Jeannie Longo conquistou a medalha de prata, a primeira de quatro que viria a conquistar no total. Campeã em 1988 a neerlandesa Monique Krol acabou com a medalha de bronze.

Quatro vezes campeã mundial entre as provas de estrada e contrarrelógio e um dos maiores nomes da modalidade, a holandesa Leontien van Moorsel se tornou campeã olímpica do ciclismo estrada em Sydney-2000. 

E as duas últimas medalhas de ouro foram conquistadas pela Holanda, em Londres-2012 e Rio de Janeiro-2016. A primeira delas veio através de Marianne Vos, um dos maiores nomes de toda a história do ciclismo de estrada. Somente no ciclismo de estrada, a holandesa soma três medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze em campeonatos mundiais. No ciclismo de pista, ela também soma outra medalha de ouro olímpica e mais dois títulos mundiais. 

O bicampeonato olímpico consecutivo da Holanda veio em 2016, no Rio de Janeiro, com Anna van der Breggen. Nome recorrente no topo do pódio dos principais Giros e Voltas do mundo e dona de nove medalhas em campeonatos mundiais, sendo três de ouro e seis de prata, entre a prova de estrada e o contrarrelógio, a holandesa deu ao seu país o quarto título olímpico, o que coloca a Holanda como líder isolado na prova. 

Fuji Speedway ciclismo de estrada jogos olímpicos tóquio
Prova do ciclismo de estrada será encerrada no Fuji Speedway (Reprodução/Olympics.org)

Medalhistas – estrada feminino – Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Los Angeles-1984Connie Carpenter-Phinney (EUA)Rebecca Twigg (EUA)Sandra Schumacher (FRG)
Seul-1988Monique Knol (HOL)Jutta Niehaus (FRG)Laima Zilporytė (URS)
Barcelona-1992Kathy Watt (AUS)Jeannie Longo-Ciprelli (FRA)Monique Knol (HOL)
Atlanta-1996Jeannie Longo-Ciprelli (FRA)Imelda Chiappa (ITA)Clara Hughes (CAN)
Sydney-2000Leontien Zijlaard-van Moorsel (HOL)Hanka Kupfernagel (ALE)Diana Žiliūtė (LIT)
Atenas-2004Sara Carrigan (AUS)Judith Arndt (ALE)Olga Slyusareva (RUS)
Pequim-2008Nicole Cooke (GBR)Emma Johansson (SUE)Tania Guderzo (ITA)
Londres-2012Marianne Vos (HOL)Lizzie Armitstead (GBR)Olga Zabelinskaya (RUS)
Rio-2016Anna van der Breggen (HOL)Emma Johansson (SUE)Elisa Longo Borghini (ITA)

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Quadro de medalhas – estrada feminino – Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Holanda4015
Austrália2002
França1102
Grã-Bretanha1102
Estados Unidos1102
Alemanha0202
Suécia0202
Itália0123
Alemanha Ocidental0112
Rússia0022
Canadá0011
Lituânia0011
União Soviética0011