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Lançamento de martelo masculino

Lançamento de martelo masculino – Atletismo – Olimpíada Tóquio 2020

Recordes do lançamento de martelo masculino

Recorde Mundial: 86,74 m – Yuriy Sedykh (URS) – Stuttgart (GER) – 30/08/1986

Recorde Olímpico: 84,80 m – Sergey Litvinov (URS) – Seul (KOR) – 26/09/1988

Chances do Brasil no lançamento de martelo masculino

Muito regular, Allan Wolski é o brasileiro com mais chances de conseguir uma vaga no lançamento de martelo (Wagner Carmo/CBAt)

Uma vaga olímpica não será fácil para os brasileiros, que estão aquém do índice de 77,50 m. Wagner Domingos tem marca melhor que esse índice, mas não chega perto disso desde 2017. Quem está mais próximo é Allan Wolski, que fez 13 das 15 melhores marcas do país em 2019 com grande regularidade. Apesar da marca não ser fácil, ele pode conseguir a vaga pelo ranking mundial da prova.

O Brasil no lançamento de martelo masculino nos Jogos Olímpicos

Octávio Zani foi o primeiro brasileiro a competir no lançamento de martelo. Em Paris-1924, Zani competiu no arremesso de peso, dois dias depois no martelo e três dias depois no disco. No martelo, acabou em 14º com 33,895 m.

Carmine Giorgi representou o Brasil em Los Angeles-1932 ficando em 13º com 36,45 m. Em Berlim-1936, Assis Naban também participou dos Jogos, mas ficou na qualificação, não passando para a final.

Após um hiato de 80 anos, o Brasil voltou a ter um atleta na prova, em casa. Wagner Domingos competiu na Rio-2016 e conseguiu um belo resultado. Ele foi 9º na qualificação com 74,17 m e disputou a final. Mas sem melhorar sua marca, acabou em 12º com 72,28 m.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritos no lançamento de martelo masculino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

Com 15 das melhores marcas do mundo, o polonês Pawel Fajdek é o maior favorito ao ouro no lançamento de martelo em Tóquio (World Athletcs)

Apesar do fracasso na Rio-2016, o polonês Pawel Fajdek é o favorito absoluto. Atual tetracampeão mundial da prova, Fajdek tem sobrado no lançamento de martelo. Teve um ano excelente em 2019, competindo em 13 provas, com marcas acima de 78,50 m em todas elas. Dono de 7 das 10 melhores marcas do ano de 2019, Fajdek não fez nenhuma grande marca no ano atípico de 2020, embora tenha marcado quase sempre mais que 78 m. Desde 2010, o polonês tem 15 das 20 melhores marcas do mundo.

Mais um polonês briga muito pelo ouro. Wojciech Nowicki foi bronze nos três últimos mundiais e no Rio-2016, mas tem o título europeu de 2018 como sua principal conquista. Fez 5 das 15 melhores marcas de 2019, incluindo a melhor de 81,74 m, e ainda conseguiu duas vezes passar dos 80 m em 2020.

A Hungria tem muita história na prova, e aposta suas fichas em Bence Halász. Ele foi campeão mundial Sub 20 em 2016, bronze no Europeu de 2018 e bronze no último Mundial. Completará 24 anos no dia da final de Tóquio.

O francês Quentin Bigot também entra na lista de favoritos após o 4º lugar no Mundial de 2017 e a prata no de 2019. O americano Rudy Winkler foi apenas 11º no Mundial de 2019, mas em 2020 tem tido ótimos resultados e é dono das duas melhores marcas do mundo no ano com 80,72 m e 80,70 m. Outros bons nomes da prova são o espanhol Javier Cienfuegos, 7º no Mundial de 2019 e campeão ibero-americano, o moldávio Serghei Marghiev, o russo Denis Lukyanov, o ucraniano Mykhaylo Kokhan e o norueguês Eivind Henriksen.

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Histórico do lançamento de martelo masculino nos Jogos Olímpicos

Dilshod Nazarov deu ao Tadjiquistão sua primeira medalha de ouro olímpica da história, no lançamento de martelo da Rio-2016 (Divulgação)

A origem do lançamento de martelo data do século XV da Escócia e a prova estreou nos Jogos na sua segunda edição, em Paris-1900, quando foi vencida pelo britânico naturalizado americano John Flanagan com 51,01 m. Ele se tornou o primeiro tricampeão olímpico numa mesma prova (ao lado de Ray Ewry nas descontinuadas provas de saltos sem corrida) ao vencer também St. Louis-1904 com 51,23 m e em Londres-1908 com 51,92 m. Os americanos seguiram vencendo nas 3 Olimpíadas seguintes no martelo.

O irlandês Pat O’Callaghan levou a prova em Amsterdã-1928 com 51,39 m e repetiu o feito em Los Angeles-1932 com 53,92 m.

A Hungria tem um grande tradição nesta prova e o primeiro campeão olímpico do país foi Imre Németh em Londres-1948 com 56,07 m. Quatro anos depois, em Helsinque-1952, Nemeth foi bronze e seu compatriota József Csermák ficou com o ouro batendo o recorde mundial com 60,34 m, o primeiro a passar da marca de 60 m na história.

As marcas subiram rapidamente muito por conta do americano Hal Connolly, que bateu o recorde mundial seis vezes na carreira. Ele foi ouro em Melbourne-1956 com 63,19 m. Em Roma-1960, Connolly já tinha 70,33 m como melhor marca pessoal e recorde mundial da época, mas não foi bem na final, terminando em 8º, enquanto o soviético Vasily Rudenkov terminou com o ouro com 67,10 m. Connolly seguiu batendo o recorde mundial e chegou novamente como favorito em Tóquio-1964, mas decepcionou mais uma vez para terminar em 6º, enquanto o ouro ia para outro soviético, Romuald Kim, com 69,74 m.

Na Cidade do México-1968, Kim fez uma espetacular disputa contra o húngaro Gyula Zsivótzky, prata nas duas Olimpíadas anteriores. 10 dos 12 lançamentos dos atletas ficou entre 71 e 72 m, e o húngaro venceu com 73,36 m, apenas 8 cm melhor que Kim.

O ouro voltou para a União Soviética em Munique-1972 com Anatoliy Bondarchuk, com recorde olímpico de 75,50 m. Yuriy Sedykh levou o ouro em Montreal-1976 com recorde olímpico 77,52 m liderando o pódio todo soviético. Em Moscou-1980, Sedykh brilhou melhorando a marca olímpica na qualificação com 78,22 m e na final estabeleceu o novo recorde mundial de 81,80 m logo em sua primeira tentativa para faturar o bicampeonato em mais um pódio todo soviético.

Após o boicote soviético em Los Angeles-1984, quando o ouro ficou com o finlandês Juha Tiainen, mais um pódio todo soviético em Seul-1988, com Sergey Litvinov no topo com 84,80 m, seguido de Sedykh. Os soviéticos seguiram dominando, agora como Comunidade dos Estados Independentes em Barcelona-1992, com mais um pódio completo liderado por Andrey Abduvaliyev com 82,54 m.

A Hungria voltou ao topo com Balázs Kiss em Atlanta-1996 com 81,24 m e ganhou novamente em Atenas-2004 com Adrián Annus com 83,19 m, mas ele foi desclassificado antes do fim dos Jogos por problemas com as amostras antidoping. Vale lembrar que o mesmo aconteceu com outro húngaro em Atenas: Robert Fazekas no lançamento de disco. Sendo assim, a vitória foi para o japonês Koji Murofushi com 82,91 m.

A vitória em Pequim-2008 ficou com o esloveno Primoz Kozmus com 82,02 m e ele repetiria o ouro no Mundial do ano seguinte. Em Londres-2012, mais uma vitória húngara, agora com Krisztian Pars com 80,59 m. Já no Rio-2016, o favoritismo era todo do polonês Pawel Fajdek, então bicampeão mundial e com marcas absurdamente dominantes. Mas o polonês foi uma das maiores decepções dos Jogos e nem pegou final. Com a prova aberta, o ouro ficou com Dilshod Nazarov com 78,68 m, dando o primeiro ouro da história para o Tadjiquistão.

Medalhistas do lançamento de martelo masculino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Paris 1900John FlanaganUSATruxtun HareUSAJosiah McCrackenUSA
St. Louis 1904John FlanaganUSAJohn DeWittUSARalph RoseUSA
Londres 1908John FlanaganUSAMatt McGrathUSACon WalshCAN
Estocolmo 1912Matt McGrathUSADuncan GillisCANClarence ChildsUSA
Antuérpia 1920Paddy RyanUSACarl Johan LindSWEBasil BennettUSA
Paris 1924Fred TootellUSAMatt McGrathUSAMalcolm NokesGBR
Amsterdã 1928Pat O’CallaghanIRLOssian SkiöldSWEEd BlackUSA
Los Angeles 1932Pat O’CallaghanIRLVille PörhöläFINPete ZarembaUSA
Berlim 1936Karl HeinGERErwin BlaskGERFred WarngårdSWE
Londres 1948Imre NémethHUNIvan GubijanYUGBob BennettUSA
Helsinque 1952József CsermákHUNKarl StorchGERImre NémethHUN
Melbourne 1956Hal ConnollyUSAMikhail KrivonosovURSAnatoly SamotsvetovURS
Roma 1960Vasily RudenkovURSGyula ZsivótzkyHUNTadeusz RutPOL
Tóquio 1964Romuald KlimURSGyula ZsivótzkyHUNUwe BeyerGER
Cidade do México 1968Gyula ZsivótzkyHUNRomuald KlimURSLázár LovászHUN
Munique 1972Anatoly BondarchukURSJochen SachseGDRVasily KhmelevskyURS
Montreal 1976Yury SedykhURSAleksey SpiridonovURSAnatoly BondarchukURS
Moscou 1980Yury SedykhURSSergey LitvinovURSJüri TammURS
Los Angeles 1984Juha TiainenFINKarl-Hans RiehmFRGKlaus PloghausFRG
Seul 1988Sergey LitvinovURSYury SedykhURSJüri TammURS
Barcelona 1992Andrey AbduvaliyevEUNIhar AstapkovichEUNIgor NikulinEUN
Atlanta 1996Balázs KissHUNLance DealUSAOleksandr KrykunUKR
Sydney 2000Szymon ZiółkowskiPOLNicola VizzoniITAIhar AstapkovichBLR
Atenas 2004Koji MurofushiJPNEşref ApakTUR
Pequim 2008Primož KozmusSLOVadzim DzeviatouskiBLRIvan TsikanBLR
Londres 2012Krisztián ParsHUNPrimož KozmusSLOKoji MurofushiJPN
Rio 2016Dilshod NazarovTJKIvan TsikanBLRWojciech NowickiPOL

Quadro de medalhas do lançamento de martelo masculino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos75719
União Soviética65516
Hungria5229
Irlanda2002
Alemanha1214
Equipe Unificada1113
Finlândia1102
Eslovênia1102
Polônia1023
Japão1012
Tajiquistão1001
Belarus0224
Suécia0213
Canadá0112
Alemanha Ocidental0112
Alemanha Oriental0101
Itália0101
Iugoslávia0101
Grã-Bretanha0011
Turquia0011
Ucrânia0011

A prova

O brasileiro Wagner Domingos, o Montanha (Divulgação)

Lançamento de martelo é uma prova na qual o chamado martelo na verdade é uma esfera de metal – geralmente aço inoxidável ou bronze – com 7,26 kg de peso no masculino e 4 kg no feminino. Ela é presa a um cabo de aço na ponta do qual existe uma manopla, onde o atleta segura para o lançamento. O conjunto esfera, cabo e manopla formam uma unidade de comprimento máximo de 1,2 m. 

O lançamento é feito com o atleta posicionado dentro de uma base de concreto circular de 2,135 metros de diâmetro (7 pés), com um anel metálico ressaltado marcando o diâmetro limite. Para que a distância seja medida, o lançamento precisa ser feito de maneira a que o implemento caia dentro de uma área marcada num ângulo de 34,92° à frente e o atleta não pode sair do círculo antes que o martelo toque o chão após o voo e sempre pela parte traseira dele.

O setor onde se realiza o lançamento de martelo é envolto por três lados por uma gaiola (geralmente revestida por redes), de cerca de dez metros de altura, que protege os espectadores e demais atletas de um lançamento mal sucedido. Após a chamada e permissão do árbitro, o atleta deve adentrar no setor e realizar o movimento de lançamento. O lançamento será invalidado: se os pés do atleta tocarem fora do círculo de 2,135 m, ou sobre a parte superior da borda metálica que o envolve; se o atleta demorar mais de 1 minuto para iniciar o movimento de lançamento; se o implemento for lançado fora do ângulo demarcado junto à grama; se, após realizar o lançamento, o atleta deixar o setor pela metade da frente do círculo.

Como nas demais competições de lançamentos, vence quem lançar o implemento a maior distância. Geralmente os atletas fazem dois ou três rodopios antes de lançá-lo para ganhar mais impulsão. Cada atleta tem três tentativas e, após realizá-las, ficam apenas oito atletas com os melhores resultados para realizar mais três lançamentos. Como resultado final, considera-se a melhor marca entre os seis lançamentos feitos. Em caso de empate, vale a segunda melhor marca do atleta.