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110m com barreiras masculino

110m com barreiras masculino – Atletismo – Jogos Olímpicos Tóquio 2020 

Recordes dos 110m com barreiras masculino

Recorde Mundial: 12.80 – Aries Merritt (USA) – Bruxelas (BEL) – 07/09/2012

Recorde Olímpico: 12.91 – Liu Xiang (CHN) – Atenas (GRE) – 27/08/2004

Chances do Brasil nos 110m com barreiras masculino

Gabriel Constantino obteve o 9º melhor tempo do mundo nos 110m com barreiras masculino em 2019 (Wagner Carmo/CBAt)

Para Tóquio-2020, o Brasil chega com dois ótimos nomes que já possuem índice olímpico: Gabriel Constantino e Eduardo de Deus. Gabriel fez 13.18 em 2019, o 9º melhor tempo do mundo no ano e recorde sul-americano, mas não terminou a final do Pan de Lima-2019 e foi desclassificado nas eliminatórias do Mundial por derrubar uma barreira de propósito. Eduardo também não foi bem no Mundial, mas levou o bronze no Pan-Americano.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritos nos 110m com barreiras masculino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

O americano Grant Holloway desponta como principal favorito nos 110m com barreiras em Tóquio (World Athletics)

O americano Grant Holloway foi o campeão mundial em Doha-2019 com 13.10 e o único a correr a distância abaixo dos 13 s em 2019, marcando 12.98 em uma competição no Texas. Seus compatriotas Devon Allen, Daniel Roberts e Freddie Crittenden são outros nomes fortes na prova. Ouro no Rio-2016, o jamaicano Omar McLeod foi campeão mundial em 2017 em Londres, mas acabou desclassificado na decisão em Doha por obstrução. Ainda assim, tem um dos melhores tempos do mundo e terá boas chances para o bicampeonato olímpico.

O russo Sergey Shubenkov foi ouro no Mundial de 2015, em Pequim, e prata nos dois mundiais seguintes. Por conta do banimento russo no atletismo do Rio, Shubenkov não competiu no Brasil, mas é com certeza um dos principais nomes da prova na atualidade. O francês Pascal Martinot-Lagarde é outro que tem grandes chances de pódio, tendo o bronze no último mundial e o título europeu em 2018 na bagagem. Vale ficar de olho no espanhol vice no Rio Orlando Ortega, em Shane Brathwaite, de Barbados e no brasileiro Gabriel Constantino.

O Brasil nos 110m com barreiras masculino dos Jogos Olímpicos

Matheus Inocêncio foi o primeiro brasileiro finalista olímpico nos 110m com barreiras, nos Jogos de Atenas-2004 (Divulgação)

O primeiro brasileiro a disputar a prova em uma Olimpíada foi Alberto Byington, que não passou das eliminatórias em Paris-1924. Em Los Angeles-1932, mais dois brasileiros competiram, sem avançar de fase: Sylvio Padilha e Antonio Giusfredi. Padilha, que chegou a ser finalista olímpico nos 400m com barreiras em Berlim-1936, seria presidente do Comitê Olímpico Brasileiro de 1963 até 1991, membro do COI a partir de 1964 e vice-presidente da entidade de 1975 a 1978. Darcy Guimarães competiu em Berlim-1936, mas também não passou de fase.

O Brasil só voltaria a ter um representante em Seul-1988, com Lyndon Campos. Recordista sul-americano na época, teve uma distensão muscular nos treinamentos na Coreia do Sul e não competiu na sua prova. Em Barcelona-1992, Joilto Santos Bonfim não passou das eliminatórias com 14.06.

Pela primeira vez na história, em Atlanta-1996, o Brasil chegou à segunda rodada da prova e logo com dois atletas. Walmes de Souza e Pedro Chiamulera avançaram para as quartas de final, mas ficaram longe de uma vaga nas semifinais. Márcio de Souza competiu em Sydney-2000, passando na primeira rodada com 13.70 e parando na segunda com 13.71, ficando a uma posição da vaga nas semifinais.

A melhor participação brasileira veio em Atenas-2004, quando chegamos com três ótimos nomes: Márcio de Souza, em sua segunda Olimpíada, Redelen dos Santos e Matheus Inocêncio. Lesionado, Redelen não competiu, Márcio avançou para a segunda rodada, mas foi Matheus que fez história, colocando pela primeira vez o Brasil na final da prova. Ele terminou em sétimo com 13.49.

Anselmo da Silva foi o único brasileiro em Pequim-2008. Com 13.81 pegou a penúltima vaga para a segunda rodada, onde parou com o pior tempo de 13.84. No Rio-2016, Éder Souza e João Vitor de Oliveira avançaram de fase, parando nas semifinais.

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Histórico dos 110m com barreiras masculino nos Jogos Olímpicos

Ouro em Atenas-2004, Liu Xiang conquistou a primeira medalha de ouro olímpica no atletismo para a China (Divulgação/Tóquio-2020)

Disputada desde a primeira edição, em Atenas-1896, a prova de sprint masculina com barreiras sempre foi disputada na distância dos 110m, diferente da versão feminina, que começou com 80m e só depois foi para os 100m. Nas edições de Paris-1900 e de St. Louis-1904 foi disputada a hoje inusitada prova de 200m com barreiras.

Disputada 28 vezes, os 110m com barreiras foram vencidos 19 vezes por velocistas americanos. Em Atenas-1896 a primeira vitória ficou com o americano Thomas Curtis, que venceu a final disputada por apenas dois atletas, já que outros dois desistiram, um por estar ajudando um colega na maratona e outro para se preparar para o salto com vara. Curtis e o britânico Grantley Goulding marcaram 17.6, mas o americano venceu por duas polegadas. Os americanos seguiram dominando a prova nas quatro edições seguintes, conquistando todas as medalhas em disputa até Estocolmo-1912, com 12 atletas diferentes.

Foi apenas após a 1ª Guerra, na Antuérpia-1920 que a vitória não ficou com um americano. O canadense Earl Thomson sobrou na final com 14.8, novo recorde mundial, para levar o ouro. Junto com outros dois americanos, Thomson foi o responsável pelo design das barreiras mais próximas do atual, que ajudou a prevenir lesões e quedas. Ele estava na primeira turma de indicados ao Hall da Fama do esporte canadense em 1955.

O sul-africano Sid Atkinson havia perdido o ouro em Paris-1924 para o americano Daniel Kinsey ao tocar na última barreira e perder centésimos importantes. Mas em Amsterdã-1928, Atkinson se recuperaria levando o ouro.

Após essa vitória de Atkinson, o ouro ficou com os americanos por nove vezes seguidas, entre Los Angeles-1932 e Munique-1972. Em quatro desses pódios, só americanos. Apesar do domínio, tivemos apenas um bicampeão: Lee Calhoun, ouro em Melbourne-1956 e em Roma-1960. Quem quebrou a sequência americana de vitórias foi o francês Guy Drut, em Montreal-1976. Drut havia ficado com a prata em Munique-1972, sendo derrotado pelo americano Rod Milburn, que estabeleceu novo recorde mundial com 13.24. Com o boicote americano em Moscou-1980, a vitória ficou com o alemão oriental Thomas Munkelt com 13.39.

Em casa, em Los Angeles-1984, nova dobradinha americana com Roger Kingdom e Greg Foster. Foster era o atual campeão mundial, tendo vencido na primeira edição da competição em 1983 e levaria os títulos mundiais em 1987 e em 1991, mas nunca foi campeão olímpico. Em compensação, Kingdom, que nunca venceu um Mundial, se tornaria bicampeão olímpico com o ouro em Seul-1988 com recorde olímpico de 12.98, o primeiro a baixar dos 13 s em uma edição olímpica.

Os Jogos de Atlanta-1996 viram a vitória de Allen Johnson, talvez o grande nome da história desta prova. Tetracampeão mundial, o americano venceu as quatro baterias se tornando campeão com 12.95, apenas o segundo a baixar dos 13 s em uma Olimpíada. Ele chegou em Sydney-2000 como o grande favorito, mas, na decisão, tocou em algumas barreiras, fazendo-o perder preciosos centésimos e Johnson ficaria fora do pódio, em quarto lugar. O ouro ficou com o cubano Anier Garcia com 13.00.

O chinês Liu Xiang foi um dos grandes nomes dos Jogos de Atenas-2004 ao se tornar o primeiro homem de seu país a levar o ouro olímpico no atletismo. Numa decisão espetacular, Xiang igualou o recorde mundial do britânico Colin Jackson com 12.91. Liu Xiang chegou em Pequim-2008 como um dos maiores ídolos de seu país e com o título mundial de 2007 no currículo. Muito pressionado, Xiang desistiu ainda na primeira rodada. A sua bateria teve uma saída falsa e, antes de ser retomada, ele saiu andando do estádio, desistindo de competir em frente a um incrédulo Ninho do Pássaro.

Com inflamações crônicas recorrentes no tendão de Aquiles, Liu Xiang ainda competiria em Londres-2012, mas, sentindo novamente a lesão, desistiu após a primeira barreira na primeira rodada. O ouro em Pequim-2008 ficaria com o cubano Dayron Robles com 12.93 e o de Londres-2012 com o americano Aries Merritt, com 12.92. Merritt não conseguiu a classificação para os Jogos do Rio-2016 nas seletivas americanas, após um transplante de rim em 2015.

O ouro no Rio ficou com o jamaicano Omar McLeod com 13.05 contra 13.17 do espanhol Orlando Ortega e 13.24 do francês Dimitri Bascou. Sem considerar a edição de Moscou-1980 quando houve o boicote americano, tivemos, pela primeira vez na história, um pódio olímpico nesta prova sem os Estados Unidos.

Medalhistas dos 110m com barreiras masculino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Atenas-1896Thomas Curtis (USA)Grantley Goulding (GBR) 
Paris-1900Alvin Kraenzlein (USA)John McLean (USA)Fred Moloney (USA)
St. Louis-1904Frederick Schule (USA)Thaddeus Shideler (USA)Lesley Ashburner (USA)
Londres-1908Forrest Smithson (USA)John Garrels (USA)Arthur Shaw (USA)
Estocolmo-1912Fred Kelly (USA)James Wendell (USA)Martin Hawkins (USA)
Antuérpia-1920Earl Thomson (CAN)Harold Barron (USA)Feg Murray (USA)
Paris-1924Daniel Kinsey (USA)Sid Atkinson (RSA)Sten Pettersson (SWE)
Amstrerdã-1928Sid Atkinson (RSA)Steve Anderson (USA)John Collier (USA)
Los Angeles-1932George Saling (USA)Percy Beard (USA)Don Finlay (GBR)
Berlim-1936Forrest Towns (USA)Don Finlay (GBR)Fritz Pollard (USA)
Londres-1948William Porter (USA)Clyde Scott (USA)Craig Dixon (USA)
Helsinque-1952Harrison Dillard (USA)Jack Davis (USA)Arthur Barnard (USA)
Melbourne-1956Lee Calhoun (USA)Jack Davis (USA)Joel Shankle (USA)
Roma-1960Lee Calhoun (USA)Willie May (USA)Hayes Jones (USA)
Tóquio-1964Hayes Jones (USA)Blaine Lindgren (USA)Anatoly Mikhailov (URS)
Cidade do México-1968Willie Davenport (USA)Ervin Hall (USA)Eddy Ottoz (ITA)
Munique-1972Rod Milburn (USA)Guy Drut (FRA)Thomas Hill (USA)
Montreal-1976Guy Drut (FRA)Alejandro Casañas (CUB)Willie Davenport (USA)
Moscou-1980Thomas Munkelt (FRG)Alejandro Casañas (CUB)Aleksandr Puchkov (URS)
Los Angeles-1984Roger Kingdom (USA)Greg Foster (USA)Arto Bryggare (FIN)
Seul-1988Roger Kingdom (USA)Colin Jackson (GBR)Tonie Campbell (USA)
Barcelona-1992Mark McKoy (CAN)Tony Dees (USA)Jack Pierce (USA)
Atlanta-1996Allen Johnson (USA)Mark Crear (USA)Florian Schwarthoff (GER)
Sydney-2000Anier García (CUB)Terrence Trammell (USA)Mark Crear (USA)
Atenas-2004Liu Xiang (CHN)Terrence Trammell (USA)Anier García (CUB)
Pequim-2008Dayron Robles (CUB)David Payne (USA)David Oliver (USA)
Londres-2012Aries Merritt (USA)Jason Richardson (USA)Hansle Parchment (JAM)
Rio-2016Omar McLeod (JAM)Orlando Ortega (ESP)Dimitri Bascou (FRA)

Quadro de medalhas dos 110m com barreiras masculino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos19201756
Cuba2215
Canadá2002
França1113
África do Sul1102
Jamaica1012
Alemanha Ocidental1001
China1001
Grã-Bretanha0314
Espanha0101
União Soviética0022
Alemanha0011
Finlândia0011
Itália0011
Suécia0011

A prova

Prova dos 110m com barreira masculino durante o Mundial de Atletismo de 2007, em Osaka (JAP). No destaque, o brasileiro Carlos Chinin (World Athletics)

A prova dos 110m com barreiras é uma prova olímpica de atletismo disputada apenas por homens. Disputada como competição individual, também integra o decatlo como uma de suas modalidades.

A prova é disputada numa reta onde raias de corrida estão demarcadas. A largada é feita a partir de blocos de partida no chão da pista, como as demais provas de velocidade do programa olímpico. Nos seus 110 metros de extensão são dispostas 10 barreiras; a primeira surge 13,72 m depois da linha de partida, as seguintes têm 9,14 metros de intervalo entre si e depois da última barreira há um percurso livre de 14,02 m até à linha da meta.

As barreiras têm 1,067 m de altura cada e são colocadas de modo a que caiam para a frente, caso sejam tocadas pelo corredor. O toque ou mesmo a derrubada de barreiras não é motivo de desqualificação já que, geralmente, afeta de forma negativa o tempo obtido pelo competidor. O atleta pode ser desclassificado caso invada a raia de outro atleta ou tenha um tempo de reação ao sinal de largada inferior a 0.1s, considerado uma largada falsa.