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Arremesso de peso feminino

Arremesso de peso feminino – Atletismo – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

Recordes do arremesso de peso feminino

Recorde Mundial: 22,63 m – Natalya Lisovskaya (URS) – Moscou (URS) – 07/06/1987

Recorde Olímpico: 22,41 m – Ilona Slupianek (GDR) – Moscou (URS) – 24/07/1980

Chances do Brasil no arremesso de peso feminino

Geisa Arcanjo segue como a melhor brasileira da prova do arremesso de peso feminino, fazendo 18,10 m em 2019 e se aproximando do índice de 18,50 m. Ela tem uma boa posição no ranking mundial e deve pegar uma das 32 vagas em Tóquio

O Brasil no arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos

Elizabeth Müller foi a primeira brasileira a competir no arremesso de peso, logo na primeira edição, em Londres-1948. Ela ficou em 13º lugar na qualificação com 11,87 m e não se classificou pra final.

O Brasil só voltou a ter uma atleta na prova com Elisângela Adriano em Atlanta-1996, que ficou em 21º lugar na qualificação com 16,49 m. Elisângela voltou aos Jogos em Atenas-2004, ficando em 18º lugar na quali com 17,44 m.

Geisa Arcanjo Sul-Americano Indoor de atletismo
Geisa Arcanjo esteve em duas Olimpíadas, tendo ficado em 6º lugar em Londres-2012 e 9º na Rio-2016 (Wagner Carmo/CBAt)

Geisa Arcanjo competiu em Londres-2012. Na qualificação, ficou em 11º com 18,47 m e melhorou na final, terminando em 8º com 19,02 m. Duas atletas foram desclassificadas por doping depois e Geisa subiu para a 6ª colocação. Ela voltou a competir no Rio-2016 pegando mais uma final. Foi 7ª na qualificação com 18,27 m e 9ª na final com 18,16 m.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritas no arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

A chinesa Gong Lijiao é uma das favoritas no arremesso de peso. Após a era dominada pela neozelandesa Valerie Adams, a chinesa venceu os dois últimos Mundiais em Londres-2017 com 19,94 m e Doha-2019 com 19,55 m. Além disso, ela foi bronze em Pequim-2008, prata em Londres-2012 e 4ª colocada no Rio-2016. Ela está no auge da prova desde 2007, e tem seis medalhas em Mundiais. Além disso, soma dois bronzes em Mundiais indoor, dois ouros e uma prata nos Jogos Asiáticos, várias vitórias no circuito da Liga Diamante e já arremessou 17 vezes acima dos 20,00 m. Foi responsável pelos quatro melhores arremessos de 2019.

Mas o maior nome dessa prova nos últimos anos é o da neozelandesa Valerie Adams. Ela surgiu para o mundo no Mundial Sub 18 de 2001, quando foi ouro aos 16 anos. No ano seguinte, com 17, foi campeã mundial Sub20. Em 2003, participou de seu primeiro mundial adulto em Paris e pegou o 5º lugar e, em 2004, em sua primeira Olimpíada, terminou na 7ª posição em Atenas. A prata no Mundial de 2015 foi seguida de muitos e muitos ouros e um domínio total na modalidade. Adams foi ouro em Pequim-2008 e em Londres-2012 e acabou com a prata no Rio-2016, perdendo a vitória no último arremesso da americana Michelle Carter.

Ela ganhou todos os Mundiais de 2007 a 2014, sendo quatro ao ar livre e quatro indoor, venceu duas vezes a Copa Continental, quatro vezes a extinta World Final, tem três ouros em Jogos da Comunidade Britânica e 35 vitórias na Liga Diamante. De 2006 a 2015, ela ficou invicta por inacreditáveis 106 provas, já passou dos 20 m em 75 ocasiões e tem 40 das 50 melhores marcas desde 2005. Adams ficou sem competir em 2017, quando ficou grávida, e em 2019. Estará com 36 anos em Tóquio.

A americana Michelle Carter foi um ouro muito inesperado na Rio-2016, vencendo Valerie Adams na última rodada. A neozelandesa tinha 20,42 m, mas a americana conseguiu um 20,63 m na última tentativa. Carter também foi 4ª colocada em Londres-2012 e conquistou dois bronzes em Mundiais em 2015 e 2017. No Mundial indoor, ela foi campeã em casa em 2016 e prata em 2012, mas desde 2017 não conseguiu grandes resultados.

Atual bicampeã mundial, a chinesa Gong Lijiao é a principal favorita à conquista do ouro na Olimpíada de Tóquio (Divulgação/Tokyo 2020)

Já a jamaicana Danniel Thomas-Dodd está em ascensão. Foi 4ª no Mundial de 2017, prata no Mundial indoor de 2018 e ouro nos Jogos da Comunidade Britânica no mesmo ano. Já em 2019, conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima com 19,55 m, sua melhor marca pessoal, e pegou a prata no Mundial de Doha.

A alemã Christina Schwanitz é outra veterana da prova, mas segue em boa fase. Campeã mundial em 2015 em Pequim, ela ainda foi prata no de 2013 e bronze no de 2019. Tem ainda dois títulos europeus em 2014 e 2016 e foi prata no de 2018. Já atingiu 21 vezes na carreira marcas acima dos 20 m.

A húngara Anita Márton foi bronze no Rio-2016 e prata no Mundial de 2017, além de ter levado o ouro no Mundial indoor de 2018. Tem medalhas em vários europeus e é presença comum em pódios e finais. Também entram na lista a americana Chase Ealey, que teve as quatro melhores marcas de 2019 sem contar a chinesa Gong Lijiao, e a camaronesa naturalizada portuguesa Auriol Dongmo, bicampeã africana.

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Histórico do arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos

A prova fez sua estreia olímpica após a 2ª Guerra, em Londres-1948 e foi vencida pela francesa Micheline Ostermeyer, com 13,75 m na final. Curiosamente, no mesmo dia desta prova, a soviética Tatyana Sevryukova bateu o recorde mundial em Moscou com 14,59 m. Ostermeyer foi a primeira atleta a vencer o peso e o lançamento de disco numa mesma Olimpíada.

Quatro ouros soviéticos vieram na sequência, com Galina Zybina em Helsinque-1952, com recorde mundial de 15,28 m, com Tamara Tyshkevich em Melbourne-1956 com 16,59 m, prata para Zybina, e duas vitórias seguidas de Tamara Press, em Roma-1960 com 17,32 m e em Tóquio-1964 com 18.14 m. Press também levou o ouro no lançamento de disco em 1964, a segunda da história a realizar o feito.

As marcas da prova foram subindo rapidamente. Zybina quebrou a marca oito vezes entre 1952 e 1956 e Press seis vezes entre 1959 e 1965.

O ouro na Cidade do México-1968 ficou com a alemã oriental Margitta Gummel. Ela havia batido o recorde mundial um mês antes dos Jogos e na prova olímpica repetiu o feito duas vezes, com 19,07 m na 3ª tentativa e 19,61 m na 5ª.

A soviética Nadezhda Chizhova era a campeã europeia, mas acabou com o bronze nesta prova com 18,19 m. Ela venceu mais três vezes o Europeu e as marcas dispararam. Chizhova foi ouro em Munique-1972 com a excelente marca de 21,03 m, seu 7º recorde mundial. Em Montreal-1976, Chizhova perdeu a final para a búlgara Ivanka Khristova, que venceu com 21,16 m contra 20,96 m da soviética.

Já em Moscou-1980, a vitória foi da alemã oriental Ilona Slupianek com inacreditáveis 22,41 m, ficando a apenas 4 cm do seu próprio recorde mundial batido dois meses antes. Já em Los Angeles-1984, a vitória foi da alemã ocidental Claudia Losch, com 20.48 m.

A soviética Natalya Lisovskaya subiu um pouco mais o nível da prova batendo mais três vezes o recorde mundial, até chegar em 22,63 m em 1987, uma marca inalcançável nos dias de hoje. Lisovskaya levou o ouro em Seul-1988 com 22,24 m. Ela se casou com Yuriy Sedykh, que é a recordista mundial do lançamento de martelo.

A neozelandeza Valerie Adams conquistou o bicampeonato olímpico no arremesso de peso feminino em Pequim-2008 e Londres-2012 (World Athletics)

Após essa leva de grandes arremessadoras, as marcas caíram e eram raros os arremessos acima de 20 m. A alemã Astrid Kumbernuss foi campeã mundial em 1995, depois levou o ouro em Atlanta-1996 com 20.56 m e ainda faturou mais dois títulos mundiais em 1997 e 1999. Em Sydney-2000, o ouro foi para a bielorrussa Yanina Korolchik com 20,56 m, enquanto Kumbernuss ficou com o bronze.

Em Atenas-2004, o ouro no campo ficou com a russa Irina Korzhanenko com 21,06 m, mas cinco dias depois ela foi pega no antidoping e foi banida do esporte pro resto da vida. A medalha ficou com a cubana Yumileidi Cumbá com 19,59 m.

A neozelandesa Valerie Adams venceu seu primeiro Mundial em 2007 e levou o ouro em Pequim-2008 com 20,56 m, seguida de duas bielorrussas que foram desclassificadas por doping oito anos depois. Adams venceu mais dois mundiais em 2009 e 2011 e faturou o bicampeonato olímpico em Londres-2012 com 20,70 m. Só que o bi só veio uma semana depois da final, já que a bielorrussa Nadzeya Ostapchuk, que havia vencido com 21,36 m, foi pega no doping. Adams venceria seu quarto título mundial com o ouro em 2013, em Moscou.

Uma lesão a tirou do Mundial de 2015, mas voltou com força em 2016. Na Rio-2016, Adams foi a melhor na qualificação e ia para o tricampeonato olímpico com 20,42 m obtidos na 2ª tentativa. Só que na última rodada, a americana Michelle Carter tirou um 20,63 m do bolso e roubou a liderança da neozelandesa, que tinha uma última chance. Adams tentou, mas fez 20,39 m e acabou com a prata.

Medalhistas do arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Londres 1948Micheline OstermeyerFRAAmelia PiccininiITAIne SchäfferAUT
Helsinque 1952Galina ZybinaURSMarianne WernerGERKlavdiya TochonovaURS
Montreal 1956Tamara TyshkevichURSGalina ZybinaURSMarianne WernerGER
Roma 1960Tamara PressURSJohanna LüttgeGEREarlene BrownUSA
Tóquio 1964Tamara PressURSRenate Garisch-CulmbergerGERGalina ZybinaURS
Cidade do México 1968Margitta GummelGDRMarita LangeGDRNadezhda ChizhovaURS
Munique 1972Nadezhda ChizhovaURSMargitta GummelGDRIvanka KhristovaBUL
Montreal 1976Ivanka KhristovaBULNadezhda ChizhovaURSHelena FibingerováTCH
Moscou 1980Ilona SlupianekGDREsfir KrachevskayaURSMargitta PufeGDR
Los Angeles 1984Claudia LoschFRGMihaela LoghinROUGael MartinAUS
Seul 1988Nataliya LisovskayaURSKathrin NeimkeGDRLi MeisuCHN
Barcelona 1992Svetlana KrivelyovaEUNHuang ZhihongCHNKathrin NeimkeGER
Atlanta 1996Astrid KumbernussGERSui XinmeiCHNIrina KhudoroshkinaRUS
Sydney 2000Yanina KarolchykBLRLarisa PeleshenkoRUSAstrid KumbernussGER
Atenas 2004Yumileidi CumbáCUBNadine KleinertGER
Pequim 2008Valerie ViliNZLMisleydis GonzálezCUBGong LijiaoCHN
Londres 2012Valerie AdamsNZLGong LijiaoCHNLi LingCHN
Rio 2016Michelle CarterUSAValerie AdamsNZLAnita MártonHUN

Quadro de medalhas do arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
União Soviética63312
Alemanha Oriental2316
Nova Zelândia2103
Alemanha1438
Cuba1102
Bulgária1012
Estados Unidos1012
Belarus1001
França1001
Equipe Unificada1001
Alemanha Ocidental1001
China0336
Rússia0112
Itália0101
Romênia0101
Austrália0011
Áustria0011
Tchecoslováquia0011
Hungria0011

A prova

Arremesso de peso é uma modalidade olímpica de atletismo, onde os atletas competem para arremessar uma bola de metal o mais longe possível. As qualidades principais do atleta campeão são a força e a aceleração. Ao contrário do lançamento de dardo, lançamento de martelo e lançamento de disco, este esporte é chamado oficialmente de arremesso devido ao fato do peso ser empurrado e os demais serem projetados com características diferentes.

A bola oficial masculina tem uma massa de 7,26 kg e é geralmente feita de bronze ou ferro fundido e chumbo, possuindo cerca de 12 cm de diâmetro. Na categoria feminina ela pesa 4 kg e o seu diâmetro é de 9 cm aproximadamente.

O arremessador tem uma área restrita circular de diâmetro 2,135 m (7 pés) para se locomover, com um anteparo semicircular de concreto ou madeira de 10 cm de altura no limite frontal dela; no início do lançamento, o peso deve estar colocado entre o ombro e o pescoço do atleta e arremessado com as pontas dos dedos, e não com a palma da mão. Durante o lançamento, o atleta deve rodar sobre si mesmo e arremessar (técnica com giro). A marca obtida em cada arremesso é medida a partir do primeiro lugar onde o peso bate no chão, dentro de um setor pré-determinado com 35° de abertura; o atleta não pode tocar no anteparo do chão, nem ultrapassá-lo com o pé e o arremesso deve ser sempre feito numa linha acima do ombro. Caso ele deixe o círculo antes do peso tocar o solo ou se retirar dele pela frente ou pelo lado, o arremesso é invalidado.

Em competições oficiais, se houver até oito competidores participando, cada atleta tem direito a seis lançamentos. Quando há mais de oito, cada um tem direito a três lançamentos e somente os oito primeiros fazem mais três lançamentos. A posição na classificação é determinada pela distância obtida no maior arremesso válido; em, caso de empate, vale a segunda maior marca do atleta.

A técnica do giro, a mais usada atualmente, em que o atleta faz o movimento giratório com o corpo semelhante ao lançamento de disco conseguindo maior impulsão, foi primeiramente usada pelo soviético Aleksandr Baryshnikov no começo da década de 1970, depois de criada por seu técnico Viktor Alexeyev; com ela, Baryshnikov conquistou o recorde mundial da modalidade em 1976, fazendo a marca de 22,00 metros.