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Vôlei de praia feminino

Vôlei de praia feminino – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

O torneio de 2020

O torneio feminino do vôlei de praia acontecerá entre os dias 24 de julho, sábado, com final e disputa de medalha de bronze previstas para acontecerem em 6 de agosto, sexta-feira, e antepenúltimo dia dos Jogos.

O sistema de disputas será o mesmo dos Jogos do Rio-2016, com vinte e quatro duplas divididas em seis grupos de quatro. As duas melhores colocados de cada chave avançam direto para as oitavas de final. Já as terceiras colocadas são comparadas em um ranking por seus desempenhos durante a primeira fase, sendo que as duas melhores destas também avançam direto para a próxima fase, já as outras quatro disputam entre si jogos extras por outras duas vagas, até que sobrem no torneio apenas dezesseis. De aí em diante, é sempre em fase de mata-mata onde o time que quiser o ouro não poderá mais perder.

Até janeiro de 2021, apenas quatro países já têm passaporte garantido com pelo menos uma dupla. O Japão, que já tem vaga certa por ser o país sede; o Canadá por ter vencido o Campeonato Mundial de 2019 com Sarah Pavan e Melissa Humana-Paredes; e Letônia e Espanha, que venceram torneios pré-olímpicos em setembro de 2019, respectivamente com Tina Graudina e Anastasija Kravcenoka e Liliana Fernández e Elsa Baquerizo. Todos esses países podem conquistar ainda mais uma vaga, visto que o limite é de duas duplas por nação.

O maior número de vagas será distribuído pelo ranking mundial, a ser finalizado em 13 de junho de 2021, contemplando 15 duplas. É aí que entram nações tradicionais como Brasil, Estados Unidos e Alemanha, que vão conquistar suas vagas tranquilamente. O Brasil, aliás, já definiu suas duas duplas em Tóquio, onde será representado por Ana Patrícia e Rebecca e Agatha e Duda, que foram as selecionadas pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). As outras cinco duplas virão das vencedoras de uma série de torneios continentais, completando 24.

As canadenses Sarah Pavan e Melissa Humana-Paredes foram as campeãs mundiais de 2019 e pintam como favoritas no vôlei de praia feminino em Tóquio (Reprodução)

Líderes do ranking mundial, atuais campeãs mundiais e também vencedoras da temporada de 2019, as canadenses Sarah Pavan e Melissa Humana-Paredes querem colocar o país novamente em pódios olímpicos na modalidade. O Canadá, medalhista de bronze com John Child e Mark Heese no masculino em Atlanta-1996, nunca mais figurou em pódios dos torneios de mais alto nível da modalidade, até o surgimento da dupla.

Pavan, aliás, é bem conhecida da torcida brasileira, pois durante as temporadas de 2012 a 2014 jogou na Superliga de vôlei, pela equipe do Rio de Janeiro, ajudando o time de Bernardinho a conquistar dois títulos nacionais. Depois disso, migrou para a praia para realizar seu sonho de ser uma atleta olímpica, visto que na quadra a seleção canadense não tem um bom nível competitivo no momento. 

A principal dupla da Austrália em Tóquio tem bastante em comum com as canadenses. Primeiro, pois Taliqua Clancy e Mariafe Artacho del Solar também querem colocar o país novamente no pódio olímpico. Aliás, com muito mais responsabilidade, pois o país da Oceania tem uma tradição enorme, com um ouro e um bronze olímpicos vindo das mãos de Natalie Cook e Kerri Pottharst, as últimas atletas australianas a figurarem entre as grandes da modalidade. 

Outro fato em comum, é que a equipe australiana também tem um pouco da torcida sul-americana ao lado delas. Se no Canadá Melissa Paredes é parte chilena, na dupla da Austrália a representatividade vem com a peruana Artacho del Solar, nascida em Lima, que se mudou para Sydney com apenas onze anos, onde adotou a cidadania australiana. Atualmente na quinta posição do ranking mundial, é uma dupla que vem crescendo bastante, especialmente após o bronze no mundial de 2019. São grandes candidatas à medalha olímpica.

Segundas do ranking, April Ross e Alix Klinemann são atualmente a número um dos Estados Unidos. Medalhistas de prata no mundial de 2019, em Hamburgo, Ross conta com a jovem Klinemann para buscar sua terceira medalha olímpica, especialmente o ouro. A medalha dourada não veio tanto em Londres, onde foi prata com Jennifer Kessy, quanto no Rio, ao levar o bronze com Kerry Walsh-Jennings.

A corrida pela outra vaga americana ainda está um pouco embolada, mas a tendência é que fique com a maior campeã de todos os tempos, Kerri Walsh-Jennings, que agora busca sua quinta olimpíada com Brooke Sweat, mesmo aos 42 anos.

Quem completa o top-5 do ranking mundial são as duplas do Brasil. Já com vagas definidas, Agatha e Duda e Rebeca e Ana Patrícia querem apagar o último mundial onde pela primeira vez na história o Brasil não conquistou medalhas. Agatha é a única do quarteto a não só ter uma experiência olímpica, bem como uma medalha. Prata no Rio com Barbara Seixas, a paranaense formou dupla com a jovem sergipana Duda Lisboa logo após os Jogos do Rio, quando Barbara optou por desfazer a parceria.

Vôlei de praia feminino
A sergipana Duda e a paranaense Ágatha têm presença garantida em Tóquio (Divulgação/FIVB)

Duda é uma das joias do esporte nacional. Ninguém ganhou mais campeonatos mundiais da basejing- do que ela, sendo três no sub 19, dois no sub 21 e o ouro dos Jogos Olímpicos da Juventude em Nan2014. Além disso, foi campeã do circuito mundial em 2018, junto com Agatha, e ganhou prêmio de melhor jogadora do mundo, sendo a mais jovem atleta da história a receber tal honraria, vencida novamente em 2019.

ana patrícia e rebecca
Ana Patrícia e Rebecca, a outra dupla brasileira no vôlei de praia feminino em Tóquio (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Muitos dos grandes resultados de base conquistados por Duda vieram com Ana Patrícia, outro jovem talento do vôlei brasileiro, que fez dupla com a sergipana em dois títulos mundiais sub 21 e na conquista do ouro olímpico da juventude em Nanjing, na China, em 2014. Ela forma dupla com Rebeca, outro grande nome do vôlei nacional e que só não colheu maiores resultados antes pois conviveu com lesões e interrompeu a carreira momentaneamente para dar à luz a sua primeira filha em julho de 2014. Juntas, subiram ao pódio em seis etapas do circuito, com um ouro.

Foram também campeãs do dificílimo circuito nacional de vôlei de praia e são treinadas atualmente por Reis Castro, antigo técnico de Juliana e Larissa. Ana Patricia e Rebeca venceram três etapas do circuito mundial em 2019 e foram bronze no Tour Finals, a etapa que mais distribuiu pontos no ano.

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Pela Alemanha, a campeã olímpica no Rio em 2016, Laura Ludwig, agora joga com Maggie Kozuch, após a aposentadoria de sua ex-parceira Kira Walkenhorst. O início da parceria foi um pouco irregular, com uma derrota precoce no mundial de 2019 onde terminaram em 17º. Aos poucos, o entrosamento veio e juntas venceram a etapa de Roma do circuito mundial, contra Agatha e Duda, provando que estão muito fortes na disputa por uma medalha nos Jogos de Tóquio.

Completam o hall de candidatas às medalhas as duplas Nina Betschart e Tanja Hüberli da Suiça, Sanne Keizer e Madelein Meppelink da Holanda, Xia Xinyi e Wang Fan da China, Karla Borger e Julia Sude da Alemanha, Marta Menegatti e Viktoria Orsi Toth da Itália, dentre outras.

O Brasil na história do vôlei de praia feminino em Jogos Olímpicos

No torneio feminino de vôlei de praia nos Jogos Olímpicos, o Brasil conquistou até a Rio-2016 um ouro, quatro pratas e dois bronzes, num total de sete medalhas. 

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O inédito pódio do vôlei de praia em Atlanta-1996, com o ouro de Jackie e Sandra e a prata de Adriana e Monica (Acervo/CBV)

A história começa com um ineditismo gigante para o esporte brasileiro, com Sandra Pires e Jackie Silva vencendo Adriana Samuel e Monica na final dos Jogos de Atlanta em 1996. Foram as primeiras medalhas da história do Brasil a serem conquistadas por mulheres em Olimpíadas. A final ocorreu pouco dias antes do basquete feminino (prata) e do vôlei feminino (bronze) garantirem também os seus pódios. Ambas invictas até a final, as duplas brasileiras tinham extrema superioridade na época. O ouro foi para Jackie e Sandra, com vitória de 2 x 0 sobre as compatriotas.

Quatro anos depois, em Sydney 2000, outra dobradinha brasileira, dessa vez com prata e bronze. O vice-campeonato ficou com Adriana Behar e Shelda Bede, que perderam a final para as donas da casa, Cook e Pottharst, que aliás foram as únicas em todo o torneio que derrotaram as brasileiras, vencendo também a semifinal contra Sandra Pires e Adriana Samuel. Para conquistar sua segunda medalha olímpica, Sandra e Adriana, que se enfrentaram quatro anos antes na final, derrotaram na disputa de bronze a surpreendente dupla japonesa Yukiko Takahashi e Mika Teru Saiki, a única dupla de sucesso da história do Japão, país sede dos Jogos Olímpicos de 2020, até agora. 

Vôlei de praia feminino

Adriana Behar e Shelda
Adriana Behar e Shelda conquistaram juntas duas medalhas de prata olímpicas, em Sydney-2000 e Atenas-2004 (COB)

Em Atenas 2004, outro vice-campeonato para Adriana e Shelda, em seu último torneio olímpico. A dupla brasileira com o maior número de títulos internacionais, 114 no total, perdeu a final para Kerry Walsh e Misty May, por 2 x 0. As americanas, que conquistariam mais dois ouros olímpicos nas edições seguintes, não cansam de declarar que tem nas brasileiras suas mentoras no vôlei de praia, e que as derrotas sofridas por elas ao longo dos anos foram essenciais para que elas elevassem o nível de seus jogos. Na mesma edição, Ana Paula Connelly e Sandra Pires ficaram com o quinto lugar, após derrota para Adriana e Shelda nas quartas de final.

A Olimpíada de Pequim em 2008 entrou para a história do vôlei de praia feminino brasileiro, porém por um motivo negativo. É até hoje a única edição sem medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos. Muito em conta da lesão sofrida por Juliana poucos meses antes dos Jogos. Ela e Larissa formavam na ocasião uma das duplas mais fortes do planeta e super cotadas a conquistas de medalhas.

Uma dupla foi formada às pressas com Ana Paula, porém a falta de entrosamento entre ela e Larissa pesou na hora do embate contra as duplas mais fortes, com derrota nas quartas de final para Walsh-Jennings e May-Treanor, que na ocasião havia alterado seus sobrenomes, incluindo os de seus maridos Casey Jennings, também jogador de vôlei de praia, e Matt Treanor, jogador de beisebol.

As americanas promoveram em seguida uma nova derrota para a torcida brasileira, ao bater na semifinal a dupla Renata e Talita. As brasileiras terminaram em quarto lugar, ao perderem também a disputa da medalha de bronze para as chinesas Xue Chen e Zhang Xi, que por anos foram uma das duplas mais fortes do circuito mundial.

Em Londres, o Brasil voltou ao pódio olímpico, em um momento de redenção para Larissa e Juliana, que conquistaram a medalha de bronze. Quatro anos depois de uma lesão atrapalhar o sonho da dupla, as duas eram então campeãs mundiais e tinham chances de finalmente barrar as americanas Walsh-Jennings e May-Treanor, algo que tinham feito um ano antes na final do campeonato mundial. Entretanto, Jennifer Kessy e April Ross, outra super dupla americana, tirou das brasileiras a chance de avançar à final ao vencerem as duas por 2 x 1. 

Na disputa do bronze, contra Xue Chen e Zhang Xi, da China, um começo um pouco atrapalhado com parcial de 21 x 11 para as adversárias. Entre altos e baixos na partida, onde as chinesas ficaram na frente em diversas oportunidades, Juliana e Larissa conseguiram mostrar sua superioridade para conquistar a sonhada medalha olímpica. Talita, quarta colocada quatro anos antes, fez dupla com Maria Elisa, outro grande nome do vôlei brasileiro. As duas caíram nas oitavas, perdendo para a dupla tcheca Kristýna Kolocová e Markéta Sluková.

Nos Jogos do Rio, em casa e diante de uma apaixonada torcida nas praias de Copacabana, o Brasil voltou a colocar duas duplas nas semifinais, algo que não acontecia desde Sydney-2000. Mas, enquanto Agatha e Barbara ficaram com uma fantástica medalha de prata, Larissa e Talita perderam a disputa da medalha de bronze, de virada, para Kerry Walsh-Jennings e April Ross. Foi a segunda derrota de Talita em disputas olímpicas de medalha de bronze.

vôlei de praia feminino
Na decisão do ouro do vôlei de praia feminino na Rio-2016, Ágatha e Bárbara foram derrotadas pelas alemãs Ludwig e Walkenhorst (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Já Agatha e Barbara, por sua vez, podem até ter perdido para as alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst, que venceram em sets diretos, 2 x 0, na final olímpica, mas, além da medalhas, as brasileiras foram as responsáveis por dar a Kerry Walsh-Jennins, para muitos a melhor de todos os tempos, a sua primeira, e até agora única, derrota em Jogos Olímpicos no torneio de vôlei de praia, com contundentes 2 x 0 na semifinal. O fato deixou diversos fãs americanos consternados.

Jackie e Sandra seguem como as únicas brasileiras campeãs olímpicas do vôlei de praia, até agora. A própria Sandra, que além do ouro tem o bronze de Sydney, Adriana Samuel, com uma prata e um bronze, e Adriana Behar e Shelda, com duas pratas, são as maiores medalhistas olímpicas do Brasil no esporte. Agatha, vice no Rio e já confirmada em Tóquio, pode se igualar a elas.

Medalhistas do vôlei de praia feminino por edição nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Atlanta-1996Brasil
Jaqueline Silva
Sandra Pires
Brasil
Mônica Rodrigues
Adriana Samuel
Austrália
Natalie Cook
Kerri Pottharst
Sydney-2000Austrália
Natalie Cook
Kerri Pottharst
Brasil
Adriana Behar
Shelda Bedê
Brasil
Adriana Samuel
Sandra Pires
Atenas-2004Estados Unidos
Kerri Walsh
Misty May
Brasil
Adriana Behar
Shelda Bedê
Estados Unidos
Holly McPeak
Elaine Youngs
Pequim-2008Estados Unidos
Kerri Walsh
Misty May
China
Tian Jia
Wang Jie
China
Xue Chen
Zhang Xi
Londres-2012Estados Unidos
Kerri Walsh
Misty May
Estados Unidos
Jennifer Kessy
April Ross
Brasil
Juliana Silva
Larissa França
Rio-2016Alemanha
Laura Ludwig
Kira Walkenhorst
Brasil
Ágatha Bednarczuk
Bárbara Seixas
Estados Unidos
April Ross
Kerri Walsh

Quadro de medalhas geral do vôlei de praia feminino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos3126
Brasil1427
Austrália1012
Alemanha1001
China0112