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Hipismo

Provas do hipismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio:

Adestramento

Por equipes
Individual

Saltos

Por equipes
Individual

CCE (Curso Completo de Equitação)

Por equipes
Individual

Calendário

DataProvaHorário/Resultado
Adestramento – individual – Grand Prix – Dia 1 - João Victor Marcari Oliva
Adestramento – equipe – Grand Prix – Dia 1 x
Adestramento – individual – Grand Prix – Dia 2 - João Victor Marcari Oliva
Adestramento – equipe – Grand Prix – Dia 2 x
Adestramento – equipe – Grand Prix Especial x
Adestramento – individual – Grand Prix Freestyle x
CCE – Adestramento – Sessão 1 x Carlos Parro
CCE – Adestramento – Sessão 1 x Marcelo Tosi
CCE – Adestramento – Sessão 1 x Rafael Losano
CCE – Adestramento – Sessão 2 x
CCE – Adestramento – Sessão 3 x
CCE – Adestramento – Equipe x Brasil
CCE – Cross Country Equipe x Brasil
CCE – Cross Country Individual x Carlos Parro
CCE – Cross Country Individual x Marcelo Tosi
CCE – Cross Country Individual x Rafael Losano
CCE – Saltos Equipe x Brasil
CCE – Saltos Individual x Carlos Parro
CCE – Saltos Individual x Marcelo Tosi
CCE – Saltos Individual x Rafael Losano
Salto – Qualificação individual x Luiz Francisco Azevedo
Salto – Qualificação individual x Marlon Zanotelli
Salto – Qualificação individual x Rodrigo Pessoa
Salto – Qualificação individual x Yuri Mansur
Salto – Final individual x Yuri Mansur
Salto – Qualificação por equipes - Brasil
Salto – Final por equipes x Brasil

Local da competição

Na Olimpíada de Tóquio 2020, o hipismo será sediado na Baji Koen Equestrian Park, com capacidade para 9.300 espectadores. O local fica em Setagaya, um dos distritos de Tóquio.

Já a prova do cross country, que faz parte do CCE (Concurso Completo de Equitação), será realizada no Sea Forest Cross-Country Course, em Koto, outro distrito de Tóquio.

Ao longo da história olímpica, o hipismo já teve a peculiaridade de ser sediado 15.589km distante da cidade sede principal dos Jogos. O fato aconteceu nos Jogos de Melbourne, em 1956, que devido às rígidas regras sanitárias australianas dificultou a entrada de cavalos em seu território. A solução foi procurar outro local para receber a modalidade. A escolhida foi a cidade de Estocolmo, capital da Suécia, que oficialmente dividiu com Melbourne a condição de cidade olímpica naquele ano.

Equestrian Park
Equestrian Park, local das provas de hipismo em Tóquio (Reprodução/Olympics.com)

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para a Olimpíada

O Brasil no hipismo dos Jogos Olímpicos

O hipismo é uma das modalidades olímpicas mais destacadas no esporte brasileiro, possuindo três medalhas em sua história, uma de ouro e duas de bronze. As três com participação de Rodrigo Pessoa, que foi convocado para Tóquio 2020, sua 7ª olimpíada.

Campeão mundial em 1998, na ocasião montando Gandini Lianos, Rodrigo era uma das maiores esperanças brasileiras nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Na verdade, era a última chance de medalha de ouro em uma edição olímpica, cheia de ‘quases’ para o Brasil. Foram seis pratas e seis bronzes, um excelente número de medalhas, mas sem um ouro. Na segunda volta da rodada final, após ser um dos primeiros colocados na volta anterior, Baloubet du Rouet, cavalo francês de então 11 anos, refugou em um dos obstáculos, não querendo completar a prova e eliminando o conjunto de qualquer chance. A imagem do cavalo se negando a pular o obstáculo da prova foi a que mais personificou uma edição olímpica de frustrações brasileiras. 

Quatro anos depois e buscando uma redenção, o conjunto brasileiro alegrou o país com uma comemorada medalha de prata em Atenas-2004. O irlandês Cian O’Connor venceu o ouro montando Waterford Crystal já na segunda rodada da final. Rodrigo, montando Baloubet, foi para o desempate para decidir a cor de sua medalha, vencendo o americano Chris Clipper e sua montaria Royal Kaliber. Pouco mais de dois meses depois, em 08 de outubro de 2004, a FEI (Federação Equestre Internacional) anunciou a desclassificação do conjunto irlandês devido ao doping do cavalo vencedor. Rodrigo foi então anunciado com o histórico título olímpico. A medalha foi recebida em agosto de 2005 e foi entregue para Rodrigo em uma cerimônia no Rio de Janeiro

As outras duas grandes conquistas nacionais foram duas medalhas de bronze por equipes, em Atlanta-96 e em Sydney-2000 com outros três grandes atletas, André Johannpeter, Luiz Felipe Azevedo e Alvaro de Miranda Neto, o Doda.

Nelson Pessoa Neco Hall da Fama COB
Nelson Pessoa ao lado de seu filho Rodrigo Pessoa (Marcelo Blanco/Divulgação)

Nelson Pessoa, pai de Rodrigo. Nelson foi sem dúvidas um dos grandes responsáveis para o hipismo se tornar conhecido no Brasil. Em Jogos Olímpicos, ele teve como destaque o quinto lugar em Tóquio-64 e, dentre outras participações, a presença na equipe olímpica de Barcelona-92, onde aos 56 anos foi o cavaleiro mais velho do evento, dividindo a seleção com Rodrigo, então com 19, o mais novo daquele ano. 

Ainda no hipismo saltos, destaque para Eloy de Menezes, quarto lugar nos Jogos de Helsinque-52, a melhor colocação do Brasil no hipismo até o surgimento da geração de Rodrigo Pessoa e Doda. 

Nas outras modalidades, o Brasil ainda não obteve grandes resultados olímpicos, mas tem demonstrado crescimento especialmente no CCE, onde a equipe formada por Ruy Fonseca, Carlos Parro, Henrique Pomblom e Marcio Forge foi vice campeã em Lima-2019.

Grandes nomes do hipismo nos Jogos Olímpicos

Um texto sobre os grandes nomes da história do hipismo não poderia começar de outra forma para os brasileiros se não citando Rodrigo Pessoa, que montando Baloubet du Rouet foi da decepção à glória olímpica. Mas, a carreira do primeiro campeão olímpico do Brasil no hipismo será melhor esmiuçada no tópico “O Brasil no Esporte”, onde a história dele coincide com outros grandes atletas da história do esporte brasileiro 

Falando agora de atletas de outras nações, o hipismo coleciona feitos memoráveis de atletas que se destacaram ao longo dos mais de 100 anos que a modalidade é olímpica. Nos saltos, destaque para Raimondo D’inzeo da Itália, que se tornou o primeiro atleta a competir em incríveis oito edições de Jogos Olímpicos consecutivos, entre 1948 e 1976, período em que conquistou seis medalhas, com destaque para o ouro do salto individual em Roma-1960. 

Seu maior rival na época era o alemão Hans Gunther Winkler , único cavaleiro da modalidade de saltos a vencer cinco medalhas de ouro olímpico, entre eventos individuais e por equipes, medalhas conquistadas entre 1956 e 1972. Praticamente todos os principais pódios das carreiras dos dois foram divididos entre eles. 

No adestramento, destaca-se Anky Van Grunsven, da Holanda, amazona campeã da modalidade individual em Sydney-2000, com Bonfire, e Atenas-2004 e Pequim-2008, com Salinero. Isso faz dela a única atleta na história do hipismo a ser tricampeã olímpica em uma prova individual. Por equipes, foi quatro vezes medalhista de prata e uma vez medalhista de bronze. Prata também no individual de Atlanta-96, possui no total nove medalhas olímpicas. 

Van Grunsven hipismo jogos olímpicos
Van Grunsven, da Holanda, é uma das amazonas mais premiadas no hipismo olímpico (Twitter/FEI_Global)

Porém, apesar de seu tricampeonato olímpico, Van Grunsven não é a maior medalhista de ouro da história do adestramento, feito que cabe aos alemães Reiner Klimke e Isabell Werth. Klimke foi campeão individual em Los Angeles-84 e por equipes em cinco edições, o que faz dele hexacampeão olímpico. 

Carreira muito similar a sua compatriota Isabell Werth, com também cinco conquistas por equipes e uma individual. No desempate, Verth tem quatro pratas e Klimke dois bronzes, o que faz da amazona a maior medalhista olímpica de todos os tempos no adestramento. Ela é a atual campeã mundial e pode aumentar seu cartel de vitórias em Tóquio-2020. Já Reiner, falecido em 1999, é pai de Ingrid Klimke, bicampeã olímpica em Pequim-2008 e Londres-2012 por equipes no CCE, aumentando o hall de conquistas da família. 

Por falar no CCE, destaque desta modalidade para Charles Pahud de Mortanges, dos Países Baixos, quatro ouros olímpicos individuais e por equipes entre 1924 e 1932. Pahud de Mortages era militar, assim como a maioria dos praticantes de hipismo até meados do século passado, e por isso participou das duas grandes guerras pelo exército holandês. 

Outros destaques foram Richard Meade, bicampeão olímpico em 1968 e 1972, se tornando o primeiro britânico campeão na modalidade que se tornaria uma das mais tradicionais do país, e Mark Todd da Nova Zelândia, dono de seis medalhas olímpicas, sendo bicampeão individual em 1984 e 1988. Uma curiosidade sobre Todd é que ele detém o recorde de maior espaço entre a conquista de sua primeira e a vitória de sua última medalha olímpica, pois conquistou seu ouro em Los Angeles-84 e venceu o bronze com a equipe de seu país em Londres-2012, uma diferença de 28 anos entre as duas. Pode aumentar suas conquistas, pois tem boas chances de representar o país em Tóquio-2020.

Quadro de medalhas do hipismo nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Alemanha30181866
Suécia17121443
França15151242
Estados Unidos11212052
Grã-Bretanha11111335
Alemanha Ocidental115925
Holanda1013326
Itália79723
União Soviética65415
Austrália63312
Suíça510823
Bélgica52613
Nova Zelândia32510
Canadá2237
México2147
Polônia1326
Espanha1214
Áustria1113
Brasil1023
Tchecoslováquia1001
Japão1001
Dinamarca0426
Chile0202
Romênia0112
Argentina0101
Bulgária0101
Noruega0101
Portugal0033
Arábia Saudita0022
Hungria0011
Irlanda0011

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O esporte

Uma das modalidades mais tradicionais e antigas do programa olímpico, o hipismo fez a sua estreia na segunda edição dos Jogos, em Paris no ano de 1900. A longevidade das modalidades equestres como esporte não é surpreendente, afinal, a relação do ser humano com o cavalo vem de milênios. Usados para fins militares, transporte ou lazer, os registros mais antigos de adestramento desses animais vêm do ano de 1360 A.C., quando Kikkuli, um famoso adestrador, foi o responsável de domesticar cavalos para uso militar do antigo reino Mitani, no noroeste da Mesopotâmia, onde hoje se encontram Turquia, Síria e Iraque. 

Anos depois, por volta de 776 A. C., os cavalos eram usados nos Jogos Olímpicos da Grécia antiga nas tradicionais corridas de bigas, carroça de duas rodas movidas por dois ou quatro animais.

Em meados do século XIX, a Real Sociedade de Dublin, na Irlanda, foi a grande responsável por desenvolver o hipismo que conhecemos hoje. Primeiro, por volta do ano de 1868, organizaram provas de salto em distância e salto em altura para conjuntos formados por cavaleiros e cavalos que tinham o hábito de praticar caça. Treze anos depois, em 1881, a sociedade organizou um evento bem similar às competições de salto atuais. Foi criada uma pista em formato de circuito, onde os conjuntos tinham que superar quatro obstáculos, sendo três deles fixos e o outro um tanque d’água escavado no solo.

A estreia olímpica contou com a prova de saltos, desenvolvida ao longo dos anos e praticada até os dias de hoje, além das extintas provas do salto em altura e salto em distância, com regras bem similares as provas homônimas do atletismo.

Nos Jogos Olímpicos, o hipismo é regulado pela FEI (Federação Equestre Internacional) e é dividido em três modalidades, o salto, o adestramento e o concurso completo de equitação, abreviadamente conhecido como CCE. O hipismo é a única modalidade olímpica sem separação por gênero, com homens e mulheres competindo em igualdade. 

Os cavalos e éguas, parte essencial da modalidade, são tão estrelas deste esporte quanto os humanos que os montam. São tratados como atletas profissionais, tendo treinamento e alimentação específica, plano de carreira e tem seus nomes creditados na lista de medalhistas olímpicos. Também são testados no exame antidoping, desclassificando a montaria caso testem positivo. É importante dizer também que devido ao desgaste das provas há um controle veterinário exaustivo que pode retirar o conjunto da competição a qualquer momento caso a saúde do animal possa apresentar algum perigo. 

As três modalidades têm regras bem diferentes entre si, tanto que nos dias de hoje é praticamente impossível ver conjuntos competindo em mais de uma delas. Em todas há a disputa individual e por equipes no programa olímpico.

Saltos

Nesta modalidade, a mais antiga do programa olímpico, cavaleiro e cavalo devem passar por um circuito contendo 12 a 15 obstáculos diferentes distribuídos em uma pista entre 700 e 900 metros. Os obstáculos devem ter entre 1,30 e 1,60 metros de altura e 1,50 e 2,0 metros de largura.

Esta prova avalia a habilidade e potência do cavalo no momento do salto, além da qualidade da equitação do cavaleiro ou amazona. Um conjunto sofre punições por cometer faltas, como errar o percurso, derrubar obstáculos, refugar ou ultrapassar o tempo limite estipulado para a pista. Ganha a montaria com o menor número de infrações. Caso haja empate, os conjuntos competem de novo e persistindo o empate em número de infrações, ganha quem fizer o menor tempo. Na prova por equipes soma-se o resultado de três conjuntos. 

Adestramento

O adestramento, também conhecido como balé equino, é a modalidade no qual o cavaleiro ou a amazona demonstram a capacidade de auxiliar suas montarias a realizarem exercícios como movimentos diagonais, círculos ou figuras geométricas da maneira mais natural possível. 

Os cavalos devem se demonstrar calmos, atentos e flexíveis, dando a impressão de flutuar na pista sem o auxílio de seu cavaleiro. Detalhes como a postura e posição da cabeça dos cavalos são avaliados. Os movimentos, chamados também de reprises, devem ser realizados em uma área demarcada de 60 metros de comprimento e 20 metros de largura em um tempo determinado. Os conjuntos passam por três etapas, sendo as duas primeiras com movimentos obrigatórios e a terceira e última com coreografia livre. Cinco juízes dão notas às montarias e ganha quem fizer a maior nota.

CCE

O Concurso Completo de Equitação é um torneio do hipismo que combina outras duas modalidades olímpicas, saltos e adestramento, somados ao cross country, modalidade que simula a equitação em ambientes naturais, incluindo subida e descida de rampas, além de saltos em obstáculos como troncos, cercas, fossos de água, dentre outras. 

A competição é realizada comumente em um ou três dias, sendo a última o padrão olímpico desde seu ingresso. Nos Jogos Olímpicos, no primeiro dia há as apresentações do adestramento, no segundo acontecem as provas de cross country e por último a disputa dos saltos. Ao final dos três dias, ganha o conjunto que somar o menor número de pontos negativos ao longo das etapas.