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4x100m masculino

4x100m masculino – Atletismo – Jogos Olímpicos Tóquio 2020 

Recordes dos 4x100m masculino

Recorde Mundial: 36.84 – Jamaica – Londres (GBR) – 11/08/2012

Recorde Olímpico: 36.84 – Jamaica – Londres (GBR) – 11/08/2012

Chances do Brasil nos 4x100m masculino

Atletismo Revezamento 4x100 m Erica Sena Medalha Tóquio
Equipe brasileira do 4x100m chega com chances reais de medalha em Tóquio (Wagner Carmo/CBAt)

O Brasil também tem se mostrado como uma grande equipe favorita ao pódio no 4x100m masculino. A vitória no Mundial de Revezamentos de 2019 com 38.05, contra 38.07 da fortíssima equipe americana, coloca os brasileiros com boas chances de pódio. O 4º lugar no Mundial de 2019 com recorde sul-americano de 37.72 e o 6º no Rio-2016 só ampliam as chances brasileiras em Tóquio.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para os Jogos

Favoritos nos 4x100m masculino nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

Quando o assunto é 4x100m, o favoritismo recai sobre os americanos. Seis americanos marcaram menos de 10s nos 100m em 2019 e eles sempre formaram grandes equipes. Mas as trocas de bastão tem os atrapalhado demais. Foi assim no Rio-2016 e nos Mundiais de 2011 e 2015. Em compensação, os americanos venceram a prova no Mundial de Doha em 2019 encerrando um jejum de vitórias importantes que não vinha desde o Mundial de Osaka em 2007. Vale ressaltar que a última vitória americana em Olimpíadas foi em Sydney-2000.

Com a aposentadoria de Usain Bolt, a Jamaica entrou numa entressafra e sequer pegou final no Mundial de 2019. Em 2017, na prova de despedida de Bolt, ele recebeu o bastão para finalizar e muito provavelmente vencer, mas no meio da reta ele sentiu uma fisgada e abandonou a prova para uma vitória britânica.

Os britânicos, aliás, vem numa grande fase. Foram ouro no Mundial de 2017 e prata no de 2019, além de três ouros seguidos nos campeonatos europeus, em 2014, 2016 e 2018.

Os Estados Unidos quebraram um longo jejum ao vencer o 4x100m masculino no Mundial de Doha, em 2019 (World Athletics)

Já os japoneses, apesar da pouquíssima tradição em provas de velocidade, são presença constante em pódios mundiais. Foram prata no Rio-2016 e em Pequim-2008 e bronze nos Mundiais de 2017 e de 2019.

O Canadá, liderado por Andre De Grasse, China, África do Sul, Trinidad & Tobago, França e Holanda correm por fora e também podem beliscar uma medalha.

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O Brasil nos 4x100m masculino dos Jogos Olímpicos

A estreia brasileira no revezamento foi após a 2ª Guerra Mundial, em Londres-1948. A equipe marcou 42.4, ficando em 3º na sua eliminatória, fora da decisão. O Brasil voltou a competir em Melbourne-1956, marcando 41.6 nas eliminatórias e parando nas semifinais com 43.8. A equipe contou até com José Telles da Conceição, bronze no salto em altura quatro anos antes.

Após um longo hiato, o Brasil só voltou a competir em Moscou-1980. Ficou em 4º na sua eliminatória com 39.48 e chegou pela primeira vez à final, onde acabou em 8º com 39.54.

Em Los Angeles-1984, o Brasil chegaria novamente à decisão. Ficou em segundo na sua eliminatória com 39.27 atrás apenas do Canadá, em 4º na sua semifinal com 39.52 e repetia o 8º lugar na final com 39.40.

A primeira medalha brasileira veio em Atlanta-1996, com o bronze de Arnaldo da Silva, Robson Caetano, Édson Ribeiro e André Domingos. A equipe marcou 38.97, ficando em 2º na sua bateria eliminatória atrás da Ucrânia, 38.42 na semifinal, ficando atrás apenas do Canadá na sua semi, e 38.41 na decisão.

Sydney-2000 4 x 100 atletismo
O quarteto de prata do Brasil no revezamento 4x100m rasos em Sydney (COI)

Quatro anos depois, em Sydney-2000, o Brasil voltaria ao pódio, mas dessa vez com a prata. Vicente Lenílson, Édson Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino fizeram uma prova espetacular terminando em 2º com 37.90 contra 37.61 dos Estados Unidos. O Brasil chegou a vencer a sua eliminatória com 38.32 e foi segundo na sua semifinal com 38.27.

Em Atenas-2004, o Brasil chegava novamente à decisão. Após um 3º lugar nas eliminatórias com 38.64, a equipe terminou em 8º na final com 38.67. Em mais uma bela apresentação, em Pequim-2008, Vicente Lenílson, Sandro Viana, Bruno de Barros e José Carlos Moreira terminariam em 4º com 38.24. Nove anos depois, com o doping do jamaicano Nesta Carter, o Brasil herdaria o bronze japonês.

O Brasil não passaria das eliminatórias em Londres-2012, marcando 38.35, ficando em 4º na sua bateria e em 10º no geral. Correndo em casa na Rio-2016, o Brasil marcou 38.19 nas eliminatórias, ficando em 5º na sua bateria e pegando a última vaga para a final, onde terminaram em último com 38.41. Com as desclassificações de Estados Unidos e Trinidad & Tobago, o Brasil ficou na 6ª posição.

Histórico dos 4x100m masculino nos Jogos Olímpicos

As provas de revezamento no atletismo tiveram a sua estreia nos Jogos de Londres-1908 com um revezamento medley (200m-200m-400m-800m), disputado nesta única oportunidade. Quatro anos depois, em Estocolmo-1912, tivemos a estreia das provas nos moldes atuais, com o 4x100m e o 4x400m.

A equipe britânica foi a campeã em 1912, vencendo os alemães por muito pouco. A Alemanha acabou desclassificada por um erro em uma das passagens de bastão e a Suécia herdou a prata, enquanto a terceira colocação ficou vazia. A equipe americana havia parado nas semifinais.

O astro Jesse Owens integrou a equipe americana do 4x100m nos Jogos de Berlim-1936, prova na qual assegurou sua quarta medalha de ouro naquela edição (Reprodução)

Depois disso, veio um domínio completo dos americanos, com nada menos que oito ouros seguidos, batendo o recorde mundial nas cinco primeiras vitórias. Entre as vitórias, podemos destacar a de Los Angeles-1932, em casa, com 40.1, colocando quase um segundo sobre a equipe alemã, e a de Berlim-1936, que contou com a presença de Jesse Owens. Ele abriu a prova e já colocou a equipe americana bem a frente, até vencerem por 39.8, muito a frente do 41.1 da Itália, medalha de prata. Foi o 4º ouro de Owens nos Jogos.

A hegemonia americana foi interrompida apenas em Roma-1960. Os americanos venceram na pista com 39.60 contra 39.66 da Alemanha Unificada, mas uma passagem de bastão fora da zona de transição ainda na primeira troca os desclassificou e o título foi alemão.

Os Estados Unidos voltaram ao topo em Tóquio-1964 vencendo esta e mais três finais seguidas. Liderados pelo campeão dos 100m em Tóquio Bob Hayes, os americanos venceram com 39.0. Na Cidade do México-1968, a equipe da Jamaica bateu o recorde mundial na semifinal com 38.3, mas decepcionou na decisão ficando em 4º.

Os americanos, liderados por Jim Hines, venceram com 38.24, melhorando a marca jamaicana. Apesar de não fazerem uma boa Olimpíada no atletismo em Munique-1972, os americanos, que contavam com apenas cinco ouros até então, voaram na final para 38.19, desbancando a União Soviética, que tinha Valeriy Borzov, ouro nos 100m e nos 200m, fechando a prova. Os soviéticos acabaram com a prata com 38.50.

Com o boicote dos americanos em Moscou-1980, mais uma vez o ouro ficou com os soviéticos. Quatro anos depois, os americanos voltaram ao topo em Los Angeles-1984 liderados pela incrível Carl Lewis, que fechou na decisão para a excelente marca de 37.83, recorde mundial. Com a prata, a Jamaica subiu pela primeira vez ao pódio da prova e o Canadá foi bronze contando em sua equipe com Ben Johnson, pivô da polêmica do doping quatro anos depois.

Já em Seul-1988, os americanos seriam desclassificados nas eliminatórias, abrindo o caminho para mais uma vitória soviética, agora por 38.19 contra 38.28 da ótima equipe britânica, que tinha Linford Christie. Com a desclassificação, Carl Lewis nem chegou a competir na prova em Seul, mas em Barcelona-1992 ele não só competiu na semifinal e na decisão, como fechou na final para 37.40, ouro e mais um recorde mundial.

Carl Lewis comandou a vitória dos Estados Unidos, com direito a recorde mundial, na final do 4x100m em Barcelona-1992 (Reprodução)

Em Atlanta-1996, o ouro ficou com a equipe do Canadá, que contou com Donovan Bailey, ouro nos 100m alguns dias antes. Com 37.69, eles deixaram os americanos na segunda colocação com 38.05. Curiosamente esta foi a primeira medalha americana sem ser de ouro. Em uma bela apresentação, o Brasil subiu pela primeira vez ao pódio com o bronze com 38.41.

A vitória voltaria aos Estados Unidos em Sydney-2000. Contando com Maurice Greene, ouro nos 100m, os americanos venceram com 37.61 numa final espetacular onde o Brasil também fez uma grande apresentação, ficando com a prata com 37.90. Esta seria a última vitória americana em Jogos Olímpicos. Na final mais disputada da história, a Grã-Bretanha ficou com o ouro em Atenas-2004 com 38.07 contra 38.08 da equipe americana, que contou com Justin Gatlin, ouro nos 100m, e Maurice Greene.

Usain Bolt brilhou em Pequim-2008 com as vitórias nos 100m e nos 200m e ajudou a equipe da Jamaica a vencer pela primeira vez numa final sem adversários. Praticamente correndo sozinho nos 50m finais, Bolt completou com 37.10, recorde mundial. Em 2017, o doping de Nesta Carter desclassificou a equipe jamaicana, dando a vitória para Trinidad & Tobago com 38.06 e deixando o Brasil no pódio mais uma vez, com o bronze.

Na final de Londres-2012, mais uma vez uma inegável vitória jamaicana. Bolt fechou mais uma vez para um incrível 36.84, atual recorde mundial. Os americanos haviam conquistado a prata na época com 37.04, mas o doping de Tyson Gay os fez perder a medalha.

Em sua despedida olímpica na Rio-2016, Bolt fechou novamente brilhantemente para dar mais uma vitória à Jamaica com 37.27. Os americanos foram novamente desclassificados após um erro na passagem do bastão.

Medalhistas dos 4x100m masculino nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Estocolmo-1912Grã-BretanhaSuéciasem medalha
Antuérpia-1920Estados UnidosFrançaSuécia
Paris-1924Estados UnidosGrã-BretanhaHolanda
Amsterdã-1928Estados UnidosAlemanhaGrã-Bretanha
Los Angeles-1932Estados UnidosAlemanhaItália
Berlim-1936Estados UnidosItáliaAlemanha
Londres-1948Estados UnidosGrã-BretanhaItália
Helsinque-1952Estados UnidosUnião SoviéticaHungria
Melbourne-1956Estados UnidosUnião SoviéticaAlemanha Unificada
Roma-1960Alemanha UnificadaUnião SoviéticaGrã-Bretanha
Tóquio-1964Estados UnidosPolôniaFrança
Cidade do México-1968Estados UnidosCubaFrança
Munique-1972Estados UnidosUnião SoviéticaAlemanha Ocidental
Montreal-1976Estados UnidosAlemanha OrientalUnião Soviética
Moscou-1980União SoviéticaPolôniaFrança
Los Angeles-1984Estados UnidosJamaicaCanadá
Seul-1988União SoviéticaGrã-BretanhaFrança
Barcelona-1992Estados UnidosNigériaCuba
Atlanta-1996CanadáEstados UnidosBrasil
Sydney-2000Estados UnidosBrasilCuba
Atenas-2004Grã-BretanhaEstados UnidosNigéria
Pequim-2008Trinidad & TobagoJapãoBrasil
Londres-2012JamaicaTrinidad & TobagoFrança
Rio-2016JamaicaJapãoCanadá

Quadro de medalhas dos 4x100m masculino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos152017
União Soviética2417
Grã-Bretanha2327
Jamaica2103
Alemanha1225
Trinidad & Tobago1102
Canadá1023
Polônia0202
Japão0202
França0156
Brasil0123
Cuba0123
Itália0123
Nigéria0112
Suécia0113
Alemanha Ocidental0101
Alemanha Oriental0011
Hungria0011
Holanda0011

A prova

Mundial de Atletismo mudou a data para julho de 202
(Wagner Carmo/CBAt)

O revezamento 4x100m rasos é uma modalidade olímpica de atletismo, disputada por equipes de velocistas. A prova é constituída por quatro percursos iguais de 100 metros, percorridos por quatro atletas alternadamente e em sequência, na mesma raia, completando uma volta inteira na pista padrão de 400 metros, carregando um bastão que deve ser passado entre eles.

Apesar do conceito da corrida em revezamento poder ser traçado desde a Grécia Antiga, onde bastões com mensagens em seu interior eram entregues através de uma série de correios, os estafetas, daí o seu nome no português europeu, o revezamento moderno descende das corridas de caridade organizadas pelos bombeiros de Nova York nos anos 1880, em que bandeirolas vermelhas eram entregues a cada 300 jardas.

Quatro velocistas, na mesma raia designada e marcada no chão da pista, correm 100 m cada um para completar uma volta no estádio. Durante suas corridas individuais eles devem carregar um bastão que deve ser passado ao próximo corredor dentro de uma faixa de troca de 20 metros marcada no chão, 10 metros antes e 10 metros depois da linha de partida de cada “perna” subsequente.

O corredor à frente geralmente começa a correr em velocidade total com um braço esticado para trás para receber o bastão do corredor anterior. A entrega dele fora da área designada resulta em desclassificação da equipe. Caso ocorra a queda do bastão, o atleta que recebeu deve voltar e buscar. Tecnicamente, é uma prova onde a sincronia perfeita na troca de bastões pode compensar uma inferioridade na velocidade dos corredores