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-48 kg feminino

Chances do Brasil

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o Brasil teve uma forte disputa interna entre Natália Brígida e Gabriela Chibana. As duas foram muito regulares no Circuito Mundial, mas a vaga na categoria -48 kg feminino do judô ficou com Gabriela Chibana. Ela não chega para a Olimpíada do Japão como candidata ao pódio.

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Apesar disso, Gabriela Chibana estará naquele grupo de judocas do peso ligeiro que, dependendo de uma boa chave aliado a um bom dia, poderá surpreender e chegar na briga pelas medalhas em Tóquio.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para a Olimpíada

Gabriela Chibana, a representante do peso ligeiro feminino na Olimpíada de Tóquio (arquivo)

Favoritas -48 kg feminino

A grande favorita ao pódio é a jovem ucraniana Daria Bilodid. Garota prodígio, tornou-se em 2018 a judoca mais nova a ser campeã mundial com apenas 17 anos. No ano seguinte, repetiu a dose. Filha de um ex-judoca olímpico da Ucrânia, Daria venceu praticamente todos os torneios que disputou no ciclo e desembarca em Tóquio como líder do ranking mundial e com um dos maiores favoritismos entre todas as categorias.

O principal nome cotado para bater a ucraniana é o da japonesa Funa Tonaki. Campeã do mundial de 2017, o último antes da estreia de Bilodid no adulto, Tonaki foi ainda vice-campeã nos dois mundiais em que Bilodid venceu. Campeã do Grand Slam de Osaka em 2018 e 2019 e do Grand Prix de Dusseldorf em 2020, Funa tentará acabar com a sina de derrotas para Daria Bilodid na final da Olimpíada de Tóquio, contando com a força de sua torcida em Tóquio.

Quem também aparece com boas chances de subir ao pódio é a kosovar Distria Krasniqi e a francesa Melanie Clement. A kosova é atualmente top 4 do ranking mundial e foi medalhista de bronze no último mundial em Tóquio, além de ser um nome constante nos pódios do Circuito Mundial. Foi ainda campeã do Masters de Qingdao, na China, disputado em 2019, uma competição que reuniu a maioria dos principais nomes da categoria. Já a francesa é responsável pela única derrota de Daria Bilodid no Circuito Mundial, feito alcançado na final do Grand Prix de Tbilisi em 2019. 

Briga pelo pódio

Fecham a lista das judocas que devem brigar pelo pódio no peso ligeiro feminino da Olimpíada de Tóquio, as experientes Paula Pareto da Argentina, Urantsetseg Mönkhbatyn da Mongólia, e Otgontsetseg Galbadrakhyn, do Cazaquistão. Atual campeã olímpica, Paula passou o atual ciclo olímpico se dividindo entre as competições internacionais e o final de seu curso de medicina, mas mesmo assim conquistou a medalha de bronze no mundial de 2018 disputado em Baku. 

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Urantsetseg está atualmente no top 8 da categoria e foi medalhista de prata no mundial de 2017 e de bronze no de 2019, além de sempre estar disputando medalhas nas grandes competições. Já a cazaque Otgontsetseg foi medalhista de bronze nos mundiais de 2017 e 2018.

O Brasil no -48 kg feminino do Jogos Olímpicos

A primeira participação brasileira na categoria ligeiro aconteceu em Barcelona-1992 com a santista Andrea Rodrigues. A brasileira estreou na segunda rodada e enfrentou logo de cara uma das maiores favoritas da categoria, e que se tornaria no futuro a melhor judoca feminina da história, a japonesa Ryoko Tani, e acabou sendo derrotada por ippon. Andrea retornou na repescagem, mas novamente não deu sorte em relação à sua adversária. Ela enfrentou a cubana Aralis Savón, sendo novamente derrotada. A cubana viria a ser medalhista de bronze naquele mesmo dia. Quatro anos depois, em Atlanta-1996, a santista voltou a representar o país, parando novamente em sua primeira luta, sem avançar na chave.

Na Olimpíada de Sidney-2000 foi a vez de Mariana Martins subir no tatame olímpico representando o Brasil. Foram duas lutas e duas derrotas para a judoca nascida em Porto Alegre. A primeira foi contra a alemã Anna-Maria Gradante e a segunda, já na repescagem, para a belga Ann Simons. As duas judocas que derrotaram a brasileira acabaram conquistando a medalha de bronze naquela edição. Em Atenas-2004 foi a vez de Daniela Polzin defender as cores do Brasil, e assim como suas compatriotas em outras edições, Daniela também acabou caindo na primeira luta.

Nas últimas três edições, o Brasil foi representado por Sarah Menezes, que viria a mudar o patamar da categoria ligeiro e também de todo o judô feminino brasileiro. Natural do Piauí, Sarah foi levada aos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, com apenas 18 anos para ganhar experiência, assim como a gaúcha Mayra Aguiar na categoria -70 kg. As duas eram os principais nomes de uma geração que prometia um glorioso futuro para o Brasil. Em Pequim, a piauiense acabou sendo derrotada por ippon na primeira luta para a húngara Eva Csernoviczki.

Quatro anos depois, em Londres-2012, a história seria muito diferente. Sarah Menezes não só venceria sua primeira luta como se tornaria a primeira mulher do Brasil a conquistar uma medalha de ouro no judô. Sarah desembarcou em Londres como uma das maiores favoritas ao pódio em sua categoria, respaldado por um segundo lugar no ranking mundial e um ciclo quase perfeito, medalhando em mundiais e nas principais etapas do Circuito Mundial de judô. 

Na capital britânica, a judoca de Teresina começou sua caminhada contra a judoca do Vietnã, Van Ngoc Tú. Em seguida foi a vez de encarar a forte francesa Laetitia Payet, vencendo o confronto pela vantagem mínima de um yuko. Nas quartas de final, a brasileira encarou Wu Shugen, da China, e nas semifinais a belga Charline Van Snick. Assim como a luta contra a francesa, as duas vitórias de Sarah também vieram através da pontuação mínima.

Na final a brasileira se encontrou com a romena Alina Dumitru, vigente campeã olímpica e que na semifinal havia surpreendido a todos ao bater a japonesa Tomoko Fukumi, líder do ranking mundial e grande favorita ao ouro. 

A luta começou difícil, com ambas se estudando e produzindo poucas entradas para tentarem os golpes. Assim o combate seguiu até sua metade final, quando Sarah passou a dominar a luta e mostrou porque era apontada como uma judoca que poderia ser campeã olímpica. Primeiro, a piauiense produziu um yuko, já saindo na frente da romena, até que faltando 12 segundos para o fim da luta a brasileira aplicou um wazari, assegurando assim o primeiro ouro feminino do Brasil na história do judô. A Arena Olímpica viu uma explosão de choro de Sarah Menezes e uma explosão de pulos e gritos de sua treinadora, Rosicléia Santos.

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, Sarah chegou novamente cotada ao pódio. Mesmo sem ter tido um ciclo brilhante como fora o de Londres-2012, a brasileira seguia sendo figura recorrente nos principais pódios do judô mundial. O fato de competir em solo brasileiro também aumentava a expectativa por uma medalha da piauiense. E tudo seguia dentro do roteiro, quando a brasileira acabou sendo surpreendida nas quartas de final pela cubana Dayaris Mestre nas punições. Na luta pela repescagem contra a mongol Urantsetseg Mönkhbatyn, Sarah acabou novamente derrotada, dando adeus aos Jogos do Rio de Janeiro sem sua segunda medalha olímpica.

Histórico -48 kg feminino nos Jogos Olímpicos

Assim como todas as categorias do judô feminino, o peso ligeiro teve sua estreia em Jogos Olímpicos em Barcelona-1992. Com duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze, o Japão é o maior campeão da categoria, que tem outros cinco países campeões olímpicos, sendo uma das categorias com maior diversidade de campeãs do judô feminino. Com limite de peso até 48 kg, foi nessa categoria que o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro com a piauiense Sarah Menezes.

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Sarah Menezes exibe a medalha de ouro conquistada nos Jogos de Londres-2012, ainda pela categoria ligeiro 48 kg (Crédito: Alaor Filho/COB)

A primeira campeã olímpica no ligeiro foi a francesa Cécile Nowak, derrotando na final de Barcelona-1992 a japonesa Ryoko Tani, aquela que é considerada o maior nome do judô feminino da história. O primeiro pódio olímpico foi completado pela cubana Amarilis Savón e pela turca Hulya Senyurt. 

Quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, o ouro foi conquistado pela norte-coreana Kye Sun-hui. A prata ficou novamente com a japonesa Ryoko Tani, que naquele momento já detinha dois títulos mundiais. A cubana Amarilis Savón foi novamente medalhista de bronze e o outro lugar no pódio da categoria ligeiro ficou com Yolanda Soler, da Espanha.

Após ser vice-campeã duas vezes consecutivas, a japonesa Ryoko Tani conquistou duas medalhas de ouro seguidas na categoria que já dominava desde o ciclo passado. O primeiro ouro veio em Sidney-2000, batendo na final Lyubov Bruletova, da Rússia. O segundo ouro foi conquistado na edição seguinte, em Atenas-2004, batendo a francesa Frederique Jossinet. Ryoko é até hoje a única judoca a conquistar um bicampeonato no peso ligeiro.

Em Pequim-2008, o mundo conheceu uma nova campeã após o domínio da japonesa. Alina Dumitru, da Romênia, conquistou o ouro na categoria, vencendo Ryoko Tani na semifinal com um wazari. Na final, a romena derrotou a cubana Yanet Bermoy Acosta, sagrando-se campeã olímpica. 

A argentina Paula Pareto conquistou a medalha de bronze e se tornou a primeira judoca sul-americana a subir ao pódio no judô feminino. Dois dias depois a brasileira Ketelyn Quadros igualou o seu feito na categoria leve. Ryoko Tani completou o pódio com o segundo bronze e deu adeus aos tatames com cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro, duas de prata e uma de bronze, e outras oito medalhas em mundiais, sendo sete delas de ouro.

A olimpíada de Londres-2012 foi histórica para o judô feminino do Brasil. A piauiense Sarah Menezes conquistou a primeira medalha de ouro do judô feminino do país em terras britânicas. Após passar por outras quatro judocas ao longo do dia, Sarah derrotou Alina Dumitru, campeã olímpica de 2008, na grande final. Os bronzes ficaram com Eva Csernoviczki, húngara que havia derrotado a brasileira quatro anos antes em Pequim, e com Charlyne Van Snick, da Bélgica.

A última campeã olímpica foi a argentina Paula Pareto. Após ser medalhista de bronze em Pequim, a argentina conquistou o ouro na Rio de Janeiro-2016 ao vencer na final a sul-coreana Jeong Bo-kyeongl. Para avançar até a final, Paula Pareto teve que derrotar na semifinal a japonesa Ami Kondo, assim como ela, uma das favoritas ao ouro no Rio. Kondo terminou com um dos bronzes e o outro foi conquistado por Galbadrakhyn Otgontsetseg, do Cazaquistão.

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Outro local usado nos Jogos de Tóquio 1964, o Nippon Budokan receberá as competições de judô e caratê (Crédito: Divulgação)

Medalhistas – judô -48 kg feminino – Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Barcelona-1992Cécile Nowak (FRA)Ryoko Tamura (JAP)Hülya Şenyurt (TUR)
Amarilis Savón (CUB)
Atlanta-1996Kye Sun-HuiRyoko Tamura (JAP)Yolanda Soler (ESP)
Amarilis Savón (CUB)
Sydney-2000Ryoko Tamura (JAP)Lyubov Bruletova (RUS)Ann Simons (BEL)
Anna-Maria Gradante (ALE)
Atenas-2004Ryoko Tani (JAP)Frédérique Jossinet (FRA)Julia Matijass (ALE)
Gao Feng (CHI)
Pequim-2008Alina Dumitru (ROM)Yanet Bermoy (CUB)Paula Pareto (ARG)
Ryoko Tani (JAP)
Londres-2012Sarah Menezes (BRA)Alina Dumitru (ROM)Charline Van Snick
Éva Csernoviczki (HUN)
Rio-2016Paula Pareto (ARG)Jeong Bo-GyeongAmi Kondo (JAP)
Otgontsetseg Galbadrakhyn (CAZ)

Quadro de medalhas – judô -48 kg feminino – Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Japão2226
França1102
Romênia1102
Argentina1012
Brasil1001
Coreia do Norte1001
Cuba0123
Coreia do Sul0101
Rússia0101
Bélgica0022
Alemanha0022
Hungria0011
Cazaquistão0011
China0011
Espanha0011
Turquia0011