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Vôlei de praia masculino

Vôlei de praia masculino – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

O torneio de 2020

Disputado de 24 de julho até 7 de agosto, o torneio de vôlei de praia masculino em Tóquio-2020 promete promover um embate de países tradicionais contra caras novas na briga por medalhas. Vinte e quatro duplas masculinas brigarão pelos três lugares do pódio olímpico. Os classificados serão conhecidos em sua maioria pelo ranking mundial de maio de 2021, onde sairão quinze vagas. 

Entretanto, além do Japão, que tem a vaga por ser o país sede, outros três países já entram em 2021 com seus lugares conquistados. São eles Rússia, campeã mundial com Oleg Stoyanovskiy e Viacheslav Krasilnikov, Letônia, campeã do pré olímpico com Martins Pļavins e Edgars Tocs e a Itália, com os atuais vice campeões olímpicos Daniele Lupo e Paolo Nicolai, que também venceram um torneio pré olímpico organizado pela FIVB, Federação Internacional de Vôlei.

Conhecidos por seus rigorosos invernos, algo que nem de longe lembra o clima de uma disputa de vôlei de praia, e sem grande tradição no vôlei de praia, Noruega e Rússia têm atualmente as duas duplas mais fortes e perigosas do circuito mundial. Os noruegueses, Anders Mol e Christian Sørum, venceram as duas últimas temporadas do circuito mundial, com uma grande regularidade, somando três vitórias em etapas na temporada de 2018 e incríveis oito etapas na temporada de 2019.

Entretanto, o que tem pesado contra os noruegueses é não demonstrar esse poderio nos torneios mais importantes, dentre eles o Campeonato Mundial e a etapa final do circuito mundial, conhecida como “tour finals”. Eles até venceram a Tour Finals de 2018, quando despontaram para o vôlei de praia. Porém, foram bronze na mesma competição em 2019, disputada em Roma, e bronze também no mundial da modalidade, quando eram os francos favoritos ao ouro. 

Os dois torneios em que os noruegueses deixaram a desejar foram vencidos pelos russos Viacheslav Krasilnikov e Oleg Stoyanovskiy, que pintam atualmente como os principais adversários dos atletas nórdicos. A dupla russa começou a jogar junta na temporada de 2019, e já estrearam no circuito com dois títulos importantes. O pódio dos dois campeonatos foi exatamente o mesmo, com os alemães Julius Thole e Clemens Wickler com a prata. Thole e Wickler não venceram ainda nenhuma etapa do circuito mundial, mas além das pratas nos dois torneios mais importantes de 2019, trazem consigo a tradição alemã, que possui dois ouros olímpicos no esporte, para brigar por medalhas no Japão. 

Alemães, russos e noruegueses recebem das mãos Ary Graça suas medalhas do último Mundial (Divulgação/FIVB)

É bem interessante, aliás, analisar as idades desses seis atletas. Mol (23), Sørum (24), Krasilnikov (29), Stoyanovskiy (24), Thole (23) e Wickler (25) são atletas extremamente jovens para um esporte tão longevo quanto o vôlei de praia. Tendem a ter muitas temporadas de sucesso no pelo caminho ainda.

Longevidade, por exemplo, que está bem presente nas duplas dos Estados Unidos. A briga pelas vagas está bem apertada, e os atletas americanos, país dono de três ouros olímpicos no masculino, querem colocar o país nos grandes pódios mundiais novamente, algo que não acontece desde 2009. Campeão olímpico e responsável pelos últimos grandes títulos do país, Phil Dalhausser de 41 anos, forma com Nick Lucena, também com 41, a dupla com maior média de idade do circuito e tem como destaque na temporada de 2019 a prata na etapa de Doha, ao serem derrotados pelos primos chilenos e campeões pan-americanos dos Jogos de Lima 2019 Marco Grimalt e Esteban Grimalt.

Outro quarentão favorito a vaga americana é Jake Gibb, de 44, que junto com Taylor Crabb, que aos 28 deve ser o americano mais jovem do vôlei de praia em Tóquio, são atualmente a dupla dos Estados Unidos mais bem colocada no ranking mundial. Já Tri Bourne e Travo Crabb, trintões, foram quarto lugar no mundial de 2019, a melhor colocação americana em mundiais desde o bronze Phil Dalhausser e Todd Rogers em 2009. Também tem grandes chances de ficarem com uma das vagas. 

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O Brasil, país que tem os atuais campeões olímpicos, buscará em Tóquio uma redenção após um 2019 bem abaixo do esperado, quando os atletas brasileiros não conquistaram o pódio tanto no mundial quanto no Tour Finals. Os campeões olímpicos Alison e Bruno Schimidt estão confirmados no torneio, entretanto jogando com parceiros diferentes.

Bruno e Alison, agora em lados opostos, duelam no circuito brasileiro (Célio Messias/Inovafoto/CBV)

Separados desde meados de 2018, Bruno jogará com Evandro, gigante de 2,11m e campeão mundial em 2017 com André Stein. Já Alisson jogará com Álvaro Filho, atleta que formou por anos uma dupla de sucesso com Ricardo, onde juntos conquistaram o vice-campeonato do mundial de 2013. Em 2019, Alisson e Alvaro venceram as etapas de Espinho (POR) e Kuala Lumpur (MAL), já Bruno e Evandro foram ouro na disputa realizada em Varsóvia (POL), na qual derrotaram os noruegueses sensação Anders Mol e Christian Sørum.

Outras duplas que podem chegar com força para os Jogos Olímpicos são Aleksandrs Samoilovs e Slanis Smedis, da Letônia, vencedores de duas etapas do circuito na última temporada, Alexander Brouwer e Robert Meeuwsen, dos Países Baixos, medalhistas de bronze nos Jogos do Rio, Clemens Doppler e  Alexander Horst, da Áustia, vice campeões mundiais em 2017 e Grzegorz Fijałek e Michał Bryl, da Polônia, terceiros colocados no ranking mundial. 

O Brasil na história do vôlei de praia masculino em Jogos Olímpicos

Com dois ouros, três pratas e um bronze, o Brasil soma sete medalhas em Jogos Olímpicos no torneio masculino. A única edição que o país não conquistou o pódio olímpico foi justamente a primeira delas, Atlanta-96.

Cabeças de chave número um, Franco Neto e Roberto Lopes eram os líderes do ranking mundial e favoritos ao ouro na oportunidade, especialmente por terem conquistado o título de campeões da temporada do circuito mundial em 1993 e 1994. Em Atlanta, entretanto, deixaram a desejar ao perderem para a dupla espanhola Javier Bosma e Sixto Jimenez, nonos do mundo, na terceira rodada.

Na repescagem, que fazia parte do sistema de disputas naquela época, perderam para os noruegueses Jan Kvalheim e Björn Maaseide, terminando em nono lugar. Uma posição atrás, vieram dois futuros medalhistas olímpicos, Emanuel e Zé Marco. A décima colocação em Atlanta veio após uma derrota para Mike Dodd e Mike Whitmarsh, que terminariam com a medalha de prata no torneio. Na tentativa de se manterem vivos na briga por uma medalha, perderam para os portugueses João Brenha e Miguel Maia, que posteriormente ficariam com o quarto lugar, a melhor posição da história de Portugal no esporte em Jogos Olímpicos. Posição essa que foi repetida em Sydney pelos mesmos atletas. 

Com Franco Neto, em parceria com Ricardo Santos, veio a primeira medalha olímpica do Brasil na praia masculina, a prata de Sydney 2000, após derrota para os americanos Dain Blanton e Eric Fonoimoana por 2 x 0. Ricardo e Franco não tiveram dificuldade para chegar à final do torneio, que foi a única derrota da dupla brasileira em toda a competição.

Ricardo e Zé Marcos foram os primeiros medalhistas do vôlei de praia masculino pelo Brasil (COB)

Emanuel e José Loiola, então campeões mundiais, formavam a dupla número dois no ranking mundial e eram grandes favoritos à medalha. Javier Bosma, da Espanha, foi mais uma vez o carrasco da principal dupla brasileira, dessa vez jogando com Fabio Diez, foi o responsável pela eliminação da dupla nacional nas oitavas de final, em jogo extremamente apertado, por 17 x 16. 

É importante frisar que até os Jogos de Sydney, o torneio era disputado em melhor de um set, com exceção da final que era uma melhor de três, o usual dos dias de hoje. Além de Emanuel e Loiola, Lee Zahner e Julien Prosser, dupla número um do mundo na ocasião, sentiu o peso de competir em casa e decepcionou a torcida local. Os australianos foram surpreendidos logo na primeira rodada por uma surpreendente dupla mexicana, formada por Juan Alberto Rodriguez Ibarra e Joel Sotelo Villalobos.

Em Atenas 2004, Javier Bosma, desta vez jogando com Pablo Herrera, o terceiro parceiro em três olimpíadas, mais uma vez entrou no caminho dos brasileiros, entretanto, dessa vez, com vitória para o Brasil. O confronto, aliás, veio na final do torneio, onde Ricardo e Emanuel se sagraram campeões com uma campanha espetacular com apenas três sets perdidos em todo o torneio.

A outra dupla brasileira Márcio Araújo e Benjamin Insfran, nono lugar, foram superados pelo irmãos suíços Martin Laciga e Paul Laciga nas oitavas de final.

A primeira, e até agora única, dobradinha brasileira no masculino veio quatro anos depois, em Pequim 2008. Marcio e Fábio Luiz, prata, e Ricardo e Emanuel, bronze, subiram juntos ao pódio com Rogers e Dalhausser, dos Estados Unidos, com o ouro. A campanha de Marcio e Fábio até a final foi quase perfeita, não fosse o tropeço para a dupla austríaca Doppler e Gartmayer na fase de grupos, que deixou os brasileiros na segunda posição do grupo. 

Depois, vitórias tranquilas contra Asahi  e Shiratori do Japão nas oitavas e os também austríacos Gosch e Horst nas quartas. A semifinal foi Brasil x Brasil, com Ricardo e Emanuel, invictos em Pequim, levemente favoritos. Até a disputa contra os compatriotas, os então campeões olímpicos perderam apenas um set no torneio, contra os russos Barsouk e Kolodinsky nas oitavas de final. Nas semifinais, em um jogo de altíssimo nível, Marcio e Fábio tiraram dos colegas de equipe a chance de defender o título olímpico de Atenas 2004 com uma vitória por 2 x 0.

Marcio e Fabio Luiz (acima) e Emanuel e Ricardo foram medalhistas em Pequim-2008 (Montagem)

Na disputa por medalhas, Ricardo garantiu seu terceiro pódio olímpico, bem como Emanuel o seu segundo, jogando uma partida contra outra dupla brasileira, mas que estava defendendo a Georgia. Renato “Geor” Gomes e Jorge “Gia” Terceiro, paraibanos, se naturalizaram georgianos em 2006 para realizar o sonho olímpico, visto que o alto nível da disputa interna no Brasil dificultava e muito as chances de classificação. Chegar às semifinais em Pequim, proporcionando o melhor resultado da história do país no esporte, foi bem surpreendente visto que o melhor resultado prévio deles no circuito mundial foi o nono lugar na etapa de Paris.

Mesmo defendendo a Geórgia, o que ocorreu até a temporada de 2012, nunca chegaram a morar no país, pois preferiram seguir treinando e competindo no Brasil. Na disputa de bronze, não tiveram chances contra Ricardo e Emanuel, seus parceiros de treinos nas areias brasileiras, com vitória para os campeões de Atenas por tranquilos 21 x 15 e 21 x 10. Já Marcio e Fábio levaram a prata, a primeira medalha olímpica da carreira de ambos, com derrota para os americanos na final por 2 a 1.

Em Londres 2012, jogando agora com Alison, Emanuel foi para sua segunda final olímpica, onde conquistaram a medalha de prata. Até a final, os então campeões mundiais só tiveram maiores dificuldades na partida das quartas de final, com uma vitória apertadíssima contra os gigantes poloneses Grzegorz Fijalek e Mariusz Prudel, com parciais de 21 x 17, 16 x 21 e 17 x 15, com direito a virada dos brasileiros no último set. A semifinal foi bem tranquila, com 2 x 0 sobre os letões Martins Plavins e Janis Smedins, que posteriormente ficariam com a medalha de bronze.

Na final, com uma partida de altos e baixos para as duas duplas, o ouro ficou com os alemães Julius Brink e Jonas Reckermann, o primeiro do país no esporte, com vitória europeia por 2 x 1, parciais de 23 x 21; 16 x 21 e 16 x 14. Os alemães, aliás, foram carrascos dos brasileiros no torneio, visto que também venceram a parceria de Ricardo e Pedro Cunha nas quartas de final, por 2 x 0.

Emanuel e Alison ficaram com a prata em Londres-2012, ao perderem a final para os alemães Brink e Reckermann (Divulgação)

Após duas medalhas de prata, o Brasil voltou, em casa, ao topo do pódio olímpico masculino. Mas Alison e Bruno não tiveram vida fácil até chegar à final dos jogos do Rio, com direito a uma derrota por 2 x 1 na chave de grupos para os veteranos austríacos Clemens Doppler e Alexander Horst. Na fase de mata-mata, o caminho até o ouro contou primeiro com uma tranquila vitória sobre os espanhóis Herrera e Guavira, por 2 x 0. Em seguida, duas partidas extremamente apertadas, a primeira delas nas quartas contra os americanos Phill Dalhausser, campeão olímpico de Pequim, e Nick Lucena, por 2 x 1. 

Na fase seguinte, mais um nervoso tie break contra os holandeses Alexander Brouwer e Robert Meeuwsenn, com parciais de 21 x 17, 21 x 23 e 16 x 14. A final, debaixo de uma tempestade, foi até mais tranquila. Os adversários eram Paolo Nicolai e Daniele Lupo, então campeões europeus, e que deram à Itália, país com extrema tradição no vôlei indoor, a primeira medalha da história do vôlei de praia. Cabeças de chave número um do torneio e então campeões mundiais, Alison e Bruno conquistaram o ouro com uma vitória em sets diretos, com parciais de 21 x 19 e 21 x 17. 

A outra dupla brasileira no torneio era Pedro Solberg e Evandro, então medalhistas de bronze mundial e candidatos à medalha olímpica. Mas os brasileiros sofreram três derrotas no Rio, duas delas na fase de grupos, contra duplas com retrospecto inferior na ocasião, e pararam nas oitavas de final. 

A dupla brasileira Alisson e Bruno comemora a medalha de ouro na Rio-2016 (Alaor Filho/Exemlplus/COB)

Os maiores medalhistas do Brasil no vôlei de praia, seja entre homens ou mulheres, são Ricardo e Emanuel, que por coincidência tem uma medalha de cada cor em seu currículo. Juntos foram ouro em Atenas 2004 e bronze em Pequim 2008, com Ricardo prata em Sydney 2000 com Zé Marco e Emanuel em Londres 2012 com Alisson. O próprio Alison, também conhecido como Mamute, é o único jogador em atividade que pode igualar os dois, caso conquiste seu terceiro pódio olímpico em Tóquio 2020.

Medalhistas do vôlei de praia masculino por edição nos Jogos Olímpicos

JogosOuroPrataBronze
Atlanta-1996Estados Unidos
Karch Kiraly
Kent Steffes
Estados Unidos
Michael Dodd
Mike Whitmarsh
Canadá
John Child
Mark Heese
Sydney-2000Estados Unidos
Dain Blanton
Eric Fonoimoana
Brasil
José Marco Melo
Ricardo Santos
Alemanha
Axel Hager
Jörg Ahmann
Atenas-2004Brasil
Ricardo Santos
Emanuel Rego
Espanha
Javier Bosma
Pablo Herrera
Suíça
Stefan Kobel
Patrick Heuscher
Pequim-2008Estados Unidos
Todd Rogers
Phil Dalhausser
Brasil
Márcio Araújo
Fábio Luiz Magalhães
Brasil
Ricardo Santos
Emanuel Rego
Londres-2012Alemanha
Julius Brink
Jonas Reckermann
Brasil
Alison Cerutti
Emanuel Rego
Letônia
Mārtiņš Pļaviņš
Jānis Šmēdiņš
Rio-2016Brasil
Alison Cerutti
Bruno Schmidt
Itália
Daniele Lupo
Paolo Nicolai
Holanda
Alexander Brouwer
Robert Meeuwsen

Quadro de medalhas geral do vôlei de praia masculino nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
Estados Unidos3104
Brasil2316
Alemanha1012
Itália0101
Espanha0101
Canadá0011
Letônia0011
Holanda0011
Suíça0011