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Argolas

Argolas – Ginástica Artística – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

CALENDÁRIO

Chances do Brasil nas argolas

Zanetti
Arthur Zanetti tem chances de conquistar sua terceira medalha olímpica nas argolas (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

As argolas renderam ao país o resultado mais expressivo de toda a ginástica artística brasileira e um dos momentos mais importantes do país em Jogos Olímpicos. O ouro de Arthur Zanetti em Londres-2012 foi um dos três títulos conquistados por toda a delegação do país naqueles Jogos Olímpicos e a primeira medalha do país na história da ginástica.

Mas até a conquista de Arthur Zanetti o Brasil teve que evoluir muito ao longo dos anos. O país começou com um 61° lugar nos Jogos Olímpicos de Moscou-1980, com João Luiz Ribeiro. Quatro anos depois, em Los Angeles-1984, Gerson Gnoatto ficou em 68°. Guilherme Saggese Pinto foi o representante brasileiro em Seul-1988 e terminou em 86º lugar na prova de argolas, enquanto Marco Monteiro foi o 87º em Barcelona-1992. Após uma ausência de oito anos em Jogos Olímpicos, a ginástica masculina voltou ao Jogos Olímpicos em Atenas-2004 com Mosiah Rodrigues terminando no 71º lugar.

Na histórica edição de Londres-2012 os brasileiros viram pela primeira vez a bandeira do país ser hasteada em um pódio olímpico na ginástica artística, e logo no lugar mais alto. Após bater na trave com Daiane dos Santos em 2004 e com Diego Hypólito em 2008, o país finalmente conquistava a sonhada medalha na ginástica. Arthur Zanetti se apresentou de forma quase perfeita e desbancou por apenas um décimo o chinês Chen Yinbing, então campeão olímpico e tricampeão mundial do aparelho. 

O ginasta de São Caetano do Sul fez um ciclo olímpico onde seus resultados foram melhorando ao longo dos anos e teve o seu ápice justamente nas Olimpíadas. Medalhista de prata mundial um ano antes dos Jogos, Zanetti desembarcou na capital britânica como um atleta que poderia surpreender o superfavorito na disputa, o chinês Chen Yibing que assim como no ciclo anterior havia dominado todas as competições.

E não deu outra. Na final disputada na North Greenwich Arena o brasileiro desbancou o favoritismo de Yibing e conquistou o ouro ao fazer uma apresentação quase perfeita e alcançar a nota de 15.900, apenas 0,1 a mais do que a nota do chinês. O bronze ficou com o italiano Matteo Morandi.

Quatro anos depois, na Rio-2016, Arthur Zanetti voltou a subir no pódio olímpico, dessa vez com a medalha de prata. Após um final de ciclo complicado onde lutava contra dores no ombro, Zanetti acabou conquistando a sua segunda medalha olímpica, se tornando o primeiro ginasta a conseguir tal feito. Na final disputada no dia 15 de agosto o brasileiro só foi superado pelo grego Elefhterios Petrounias, que já havia sido campeão mundial no ano anterior.

Para Tóquio-2020 as chances brasileiras estão depositadas novamente em Arthur Zanetti. Medalhista de prata no Mundial de 2018, o brasileiro vai em busca do terceiro pódio no aparelho na capital japonesa. Se conseguir mais uma medalha, se tornará o primeiro ginasta no mundo a conquistar três medalhas nas argolas.

+ Veja a lista dos brasileiros classificados para a Olimpíada

Favoritos das argolas em Tóquio

Argolas
Chinês Liu Yang é o principal favorito ao ouro nas argolas na Olimpíada de Tóquio (Reprodução/Olympic Channel)

A ginástica masculina é marcada por uma vasta gama de países que conseguem disputar medalhas, sendo as argolas um dos aparelhos onde isso fica mais evidente. Como exemplo, o mundial de 2019 teve todos os seus oito finalistas no aparelho de países distintos. Pelo pódio no ciclo já passaram Brasil, Grécia, França, Itália, Turquia, China e Rússia. Enquanto Armênia, Ucrânia, Grã-Bretanha, Azerbaijão e Alemanha apareceram em finais no período.

Atualmente o maior favorito ao ouro é o chinês Liu Yang, que apesar de ter ficado de fora dos dois últimos mundiais lidera as disputas na Copa do Mundo com as notas mais altas do ciclo. O grego Eleftherios Petrounias, atual campeão olímpico e duas vezes campeão mundial no ciclo, dificilmente conseguirá se classificar para Tóquio após passar por uma cirurgia em 2019 e não conseguir sua vaga pelo mundial daquele ano.

O atual campeão mundial na prova, o turco Ibrahim Çolak, passou recentemente por uma cirurgia no ombro após romper um tendão e também não deve chegar em condições de brigar por medalhas. Sendo assim, duas posições no pódio estão vagas e vários ginastas aparecem em condições de ocuparem esses lugares. Destaque para o brasileiro Arthur Zanetti, prata no mundial de 2018, o italiano Marco Lodadio, duas vezes medalhista no ciclo, e o francês Samir Ait Said, bronze no último mundial.

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Histórico das argolas em Jogos Olímpicos

O alemão Hermann Weingartner foi prata nas argolas nos Jogos de Atenas-1896 (Reprodução)

Constituído por dois cabos suspensos em uma estrutura e que possuem em suas pontas duas argolas, o aparelho é disputado exclusivamente no masculino e avalia a força e o equilíbrio do ginasta. Presente no programa olímpico desde a primeira edição dos Jogos em Atenas-1896, as argolas estão suspensas a 2,75 metros do chão, estão afastadas entre elas por 50 centímetros e possuem um diâmetro de 18 centímetros cada uma delas. Maior vencedor do aparelho, a União Soviética soma seis medalhas de ouro, sete medalhas de prata e duas medalhas de bronze, totalizando 15 medalhas. O segundo país com mais medalhas de ouro é o Japão com quatro, seguido da Grécia com três. Com 13 países campeões olímpicos, as argolas é um dos aparelhos mais democráticos e renderam ao Brasil a sua primeira medalha olímpica da história, o ouro de Arthur Zanetti em Londres-2012.

A Grécia recebeu a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas-1896, assim como acontecia nas origens do evento na cidade de Olímpia. E foi justamente um grego quem venceu em seu próprio solo a primeira prova das argolas disputada naquele ano. Ioannis Mitropoulos foi o responsável por inaugurar o pódio olímpico de um dos eventos mais antigos do programa olímpico. A medalha de prata ficou com o alemão Hermann Weingartner e o bronze para o também grego Petros Persakis.

Após ficar ausente da edição de 1900 a competição no aparelho retornou para os Jogos Olímpicos de 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos. Não se sabe ao certo o número de atletas que competiram, apenas os três primeiros colocados, sendo todos eles estadunidenses. O ouro foi de Herman Glass, a prata de William Merz e o bronze de Emil Voigt. 

Após os Jogos de 1904 a competição foi novamente retirada do programa olímpico e retornou em Paris-1924. O campeão foi o italiano Francesco Martino e os ginastas da Tchecoslováquia, Robert Prazak e Ladislav Vácha, completaram o pódio com a prata e o bronze. Quatro anos depois, em Amsterdã-1928, o campeão foi Leon Stukelj da extinta Iugoslávia, com a Tchecoslováquia novamente completando o pódio com a prata e o bronze. Dessa vez Ladislav Vácha ficou em segundo lugar e um novo compatriota, Emanuel Loffler, ficou com o bronze.

Os Estados Unidos voltaram a ser campeões em Los Angeles-1932 vencendo novamente uma edição disputada em casa. E a vitória veio com direito a dobradinha nos dois lugares mais altos do pódio. Enquanto George Gulack ficou com a medalha de ouro, Bill Denton conquistou a prata. O italiano Giovanni Lattuada completou o pódio com a medalha de bronze. Quatro anos depois era a vez de Alois Hudec, da Tchecoslováquia, subir no lugar mais alto do pódio. A medalha de prata foi para o iugoslavo Leon Stukelj, que retornava ao pódio oito anos depois de ser campeão olímpico, e o bronze para o alemão Matthias Volz. A disputa das argolas foi uma das poucas em que os alemães não conquistaram em Berlim-1936. Em 1948 a disputa foi vencida pelo suíço Karl Frei, seguido por seu compatriota Michael Reusch. Zdenek Ruzicka conquistou a medalha de bronze para a Tchecoslováquia, a última do país que posteriormente viria a ser dissolvido em 1992.  

Primeira edição disputada pela União Soviética, as Olimpíadas de Helsinque-1952 é um marco para a ginástica artística por apresentar aquele que é, somando feminino e masculino, a maior potência da história do esporte. E assim como na grande maioria das provas, as argolas também refletem esse domínio soviético. O primeiro ouro veio justamente em 1952 com Hrant Shahinyan e ainda teve o pódio completo com a prata para Viktor Chukarin e o bronze para Dmitri Lonkin, este empatado com Hans Eugster da Suíça.

A segunda medalha de ouro foi conquistada quatro anos depois em Melbourne com Albert Azaryan, um dos maiores nomes das argolas e que dá nome a um dos elementos mais tradicionais do aparelho, a posição de cruz. Na edição seguinte de Roma-1960 o ginasta voltou a subir no lugar mais alto do pódio. Azaryan se tornava o primeiro bicampeão das argolas e a União Soviética o primeiro país a conquistar três medalhas de ouro. A prata, assim como na edição anterior, também ficou com os soviéticos.

O japonês Takuji Hayata faturou o primeiro ouro de seu país nas argolas nos Jogos de Tóquio-1964 (Reprodução)

Após o domínio soviético foi a vez do Japão se tornar o soberano das argolas pelas três edições seguintes. O primeiro ouro do país veio das mãos de Takuji Hayata, que venceu a competição disputada em solo japonês na cidade de Tóquio em 1964. A medalha de prata ficou com Franco Menichelli da Itália e o bronze com Boris Shakhlin da União Soviética. Na Cidade do México-1968 foi a vez de Akinori Nakayama subir no ponto mais alto do pódio, superando o soviético Mikhail Varonin. O bronze ficou com Sawao Kato, também do Japão. Quatro anos depois as posições do ouro e da prata se repetiam em Munique e assim Akinori Nakayama se sagrava bicampeão da prova de argolas e o Japão igualava a União Soviética em número de conquistas. Voronin subiu novamente no segundo lugar do pódio, que foi completado por um outro japonês, o mítico Mitsuo Tsukahara.

A União Soviética emplacaria mais uma sequência de dois títulos nas edições seguintes. Primeiro com Nikolai Andrianov nos Jogos de Montreal-1976, quando o ginasta bateu o seu compatriota Alexander Dityatin por apenas um décimo. O bronze ficou com o romeno Danut Grecu. Já nas Olimpíadas de Moscou-1980 o ouro ficou com Alexader Dityatin, prata quatro anos antes. E assim como Dityatin perdeu a medalha de ouro em Montreal por apenas um décimo, em Moscou ele venceu também por apenas um décimo o seu compatriota Aleksadr Tkachev. O bronze ficou com Jiri Tabak, da Tchecoslováquia.

A edição de Los Angeles-1984 trouxe o primeiro título dividido da história nas argolas. Koji Gushiken do Japão e Li Ning da China dividiram o topo do pódio ao empatar com uma nota de 19.850. Os dois ginastas foram os principais nomes da ginástica artística masculina daquela edição ao lado do estadunidense Bart Conner. Mitch Gaylord completou o pódio com o bronze. Em Seul-1988 o fato voltou a se repetir e as argolas tiveram pela segunda vez dois campeões. Na edição que acabou marcando a despedida da união Soviética das Olimpíadas o país acabou conquistando o ouro nas argolas com Dmitry Bilozerchev empatado com Holger Behrendt, da Alemanha Oriental. O bronze foi de Sven Tippelt, também da Alemanha Oriental.

Maior nome da edição disputada em Barcelona-1992 o atleta de origem bielorrussa Vitaly Scherbo conquistou uma de suas seis medalhas de ouro daquela edição nas argolas. Competindo sob a bandeira do COI e representando a Equipe Unificada, uma vez que a União Soviética acabara de ser dissolvida, Scherbo bateu na final o chinês Li Jing e o alemão Andreas Wecker.

Uma das seis medalhas de ouro do bielorruso Vitaly Scherbo em Barcelona-1992 foi na prova das argolas (Reprodução)

Após 72 anos da conquista da medalha de ouro de Francesco Martino a Itália voltava a conquistar o posto de melhor país nas argolas. Jury Chechi chegou a Atlanta-1996 como grande favorito ao ouro e não decepcionou. Campeão mundial por cinco anos consecutivos no aparelho o italiano venceu a disputa ao alcançar a nota de 9.887 contra 9.812 de Szilveszter Csollány, da Hungria, e de Dan Burinca, da Romênia, que empataram com a medalha de prata.

Quatro anos depois o húngaro Szilveszter Csollány conseguiu melhorar o seu desempenho e se sagrou campeão olímpico nos jogos de Sidney-2000. A prata ficou com Dimosthenis Tampakos da Grécia e o bronze com Yordan Yovtchev, da Búlgaria. Na edição seguinte o movimento se repetiu novamente e quem havia ganhado a prata conquistou o ouro.

Tampakos da Grécia subiu no lugar mais alto do pódio em Atenas-2004, deixando Yordan Yovchev com a prata e Jury Chechi com o bronze. É interessante notar que as duas vezes em que a Grécia recebeu o evento, o ouro nas argolas foi conquistado pelos donos da casa.

A China conquistou o seu segundo ouro olímpico com Chen Yibing nos Jogos de Pequim-2008. Competindo no próprio país, o chinês apelidado de “O senhor dos anéis” por ter vencido todos os mundiais e ter dominado o ciclo na prova das argolas confirmou o seu favoritismo e conquistou o ouro batendo na final o seu compatriota Yang Wei. O bronze ficou com o ucraniano Oleksandr Vorobiov.

Na Olimpíada de Londres-2012, veio o resultado histórico para a ginástica artística masculina do Brasil, com o primeiro pódio do país na competição, graças ao ouro de Arthur Zanetti.

O último campeão olímpico nas argolas foi o grego Eleftherius Petrounias, da Grécia, na Rio-2016. Campeão mundial no ano anterior o grego chegou ao Rio de Janeiro como favorito e principal rival de Arthur Zanetti na disputa pela medalha de ouro. Petrounias acabou confirmando o favoritismo e se sagrou campeão, deixando a prata para Zanetti e o bronze para o russo Denis Ablyazin.

Todos os medalhistas das argolas nos Jogos Olímpicos

OlimpíadaOuroPrataBronze
Atenas 1896Ioannis MitropoulosGREHermann WeingärtnerGERPetros PersakisGRE
St. Louis 1904Herman GlassUSAWilliam MerzUSAEmil VoigtUSA
Paris 1924Francesco MartinoITARobert PražákTCHLadislav VáchaTCH
Amsterdã 1928Leon ŠtukeljYUGLadislav VáchaTCHEmanuel LöfflerTCH
Los Angeles 1932George GulackUSATom DentonUSAGiovanni LattuadaITA
Berlim 1936Alois HudecTCHLeon ŠtukeljYUGMatthias VolzGER
Londres 1948Karl FreiSUIMichael ReuschSUIZdeněk RůžičkaTCH
Helsinque 1952Hrant ShahinyanURSViktor ChukarinURSHans Eugster
Dmytro Leonkin
SUI
URS
Melbourne 1956Albert AzaryanURSValentin MuratovURSMasao Takemoto
Masami Kubota
JPN
JPN
Roma 1960Albert AzaryanURSBorys ShakhlinURSVelik Kapsazov
Takashi Ono
BUL
JPN
Tóquio 1964Takuji HayataJPNFranco MenichelliITABorys ShakhlinURS
Cidade do México 1968Akinori NakayamaJPNMikhail VoroninURSSawao KatoJPN
Munique 1972Akinori NakayamaJPNMikhail VoroninURSMitsuo TsukaharaJPN
Montreal 1976Nikolay AndrianovURSAleksandr DityatinURSDan GrecuROU
Moscou 1980Aleksandr DityatinURSAleksandr TkachovURSJiří TabákTCH
Los Angeles 1984Koji Gushiken
Li Ning
JPN
CHN
Mitch GaylordUSA
Seul 1988Holger Behrendt
Dmitry Bilozerchev
GDR
URS
Sven TippeltGDR
Barcelona 1992Vitali ShcherboEUNLi JingCHNLi Xiaoshuang
Andreas Wecker
CHN
GER
Atlanta 1996Jury ChechiITASzilveszter Csollány
Dan Burincă
HUN
ROU
Sydney 2000Szilveszter CsollányHUNDimosthenis TambakosGREYordan YovchevBUL
Atenas 2004Dimosthenis TambakosGREYordan YovchevBULJury ChechiITA
Pequim 2008Chen YibingCHNYang WeiCHNOleksandr VorobiovUKR
Londres 2012Arthur ZanettiBRAChen YibingCHNMatteo MorandiITA
Rio 2016Eleftherios PetrouniasGREArthur ZanettiBRADenis AblyazinRUS

Quadro de medalhas das argolas nos Jogos Olímpicos

PaísOuroPrataBronzeTotal
União Soviética67215
Japão4059
Grécia3115
China2316
Estados Unidos2226
Itália2136
Tchecoslováquia1247
Suíça1113
Brasil1102
Hungria1102
Iugoslávia1102
Alemanha Oriental1012
Equipe Unificada1001
Bulgária0123
Alemanha0123
Romênia0112
Rússia0011
Ucrânia0011