No dia 14 de agosto de 2016, aconteceu algo raro para o Brasil nos Jogos Olímpicos Rio-2016: uma dobradinha. Dois brasileiros dividindo o mesmo pódio é algo raro em Olimpíadas. Até os Jogos do Rio, isso tinha acontecido apenas no vôlei de praia. Dessa vez, o pódio duplo veio na ginástica: Diego Hypólito e Arthur Nory conquistaram a prata e o bronze, respectivamente, no solo masculino.
Diego Hypólito foi um dos pioneiros da ginástica artística masculina do Brasil, ganhando nossas primeiras grandes medalhas internacionais. Ele foi campeão mundial em 2005 e 2007 e foi a principal aposta de medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos Pequim-2008. Mas o ginasta teve uma queda na sua última acrobacia da final, ficando apenas na sexta colocação. Ele voltou à Olimpíada em Londres-2012. Dessa vez a queda veio nas eliminatórias, com o brasileiro ficando longe da classificação para a final.
Os Jogos do Rio-2016 eram uma espécie de última chance para Diego Hypólito, que já não estava mais no auge da década anterior. Ele ainda conseguia resultados expressivos como o bronze no Mundial de 2014. Na ocasião, Diego era o reserva da seleção brasileira, mas entrou de última hora no time e conseguiu um lugar no pódio.
Dois finalistas
Nas eliminatórias, Diego Hypólito fez uma grande apresentação, conseguindo a quarta melhor nota: 15.500. E ele não estaria sozinho na final. Ao lado dele estava Arthur Nory, que surpreendeu e pegou a última vaga na disputa de medalhas com 15.200. Nory estava em sua primeira Olimpíada, após um quarto lugar na barra fixa no Mundial de 2015. Mas o seu grande resultado no Rio veio no solo, contando com uma ótima execução para garantir a nota na final.
Na época, Cristiano Albino, técnico de Nory, acreditava que o melhor resultado do ginasta viria no solo, mesmo com os resultados recentes indicando que a barra seria a maior possibilidade. “Na época, meu treinador até tinha falado que achava que eu tinha mais chance no solo do que na barra. Eu tinha muita chance de ser finalista olímpico de barra. Eu cheguei a fazer uma série que era 6.9 no código da época. Mas o meu treinador falava: ‘não vai ser na barra, vai ser em outro aparelho’. Ele acreditou em mim, eu acreditei nele e veio no solo”, contou Nory em entrevista recente ao OTD.
Como foi a final
Diego Hypólito foi logo um dos primeiros a se apresentar. Ele fez três passadas, uma parada de mãos excelente e finalizou a sua série com uma tripla pirueta. Se livrando do trauma das quedas nas Olimpíadas anteriores, Diego saiu eufórico do solo, abraçando Marcos Goto, técnico da seleção brasileira. Nota final: 15.533.
Em seguida, o britânico Max Whitlock fez uma apresentação excelente e ultrapassou Hypólito por apenas um décimo: 15.633. Arthur Nory veio para a sua apresentação logo depois. Ele aumentou a sua nota de dificuldade em relação às eliminatórias para tirar 15.433 para assumir o terceiro lugar.
O público no Rio fez pressão e dois dos favoritos erraram suas provas. O japonês Shirai Kenzo e o estadunidense Sam Mikulak tiveram falhas nas suas apresentações e ficaram atrás de Nory, garantindo a dobradinha brasileira.
Para Arthur Nory, o bronze em 2016 foi o início de uma trajetória de um ginasta que alguns anos depois se tornaria campeão mundial. Já Diego Hypólito coroou uma carreira vencedora com a medalha que ele mais almejava a vida toda. “Não sei explicar o quanto estou feliz. Torcida brasileira, povo brasileiro, se meu sonho foi possível, acreditem sempre no que se proporem na sua vida (…) Eu esperei esse dia por 12 anos. Na minha primeira Olimpíada eu me achava campeão, não fui e não me achava merecedor. Caí de cara em Londres. Aqui que eu não era tão bom na ginástica, eu me dediquei, eu abri mão de muita coisa e consegui essa medalha”, disse o vice-campeão olímpico em entrevista à TV Globo na época.
Matérias Especiais da Rio-2016
- 04/08: Rio 2016: de despedidas históricas a estreias inesquecíveis
- 05/08: 10 anos depois, por que a abertura da Rio-2016 ainda emociona o mundo
- 06/08: Felipe Wu: o primeiro brasileiro a subir no pódio olímpico em casa
- 07/08: Há 10 anos, Flávia Oliveira fazia história no ciclismo brasileiro na Rio-2016
- 07/08: Joanna Maranhão relembra Rio-2016 como divisor de águas no pós-carreira
- 08/08: Dez anos do primeiro ouro do Brasil no Rio 2016: a conquista de Rafaela Silva
- 09/08: Países latinos também fizeram história na Rio-2016
- 10/08: Além das medalhas: brasileiros que conquistaram diploma olímpico
- 11/08: Mayra Aguiar e a arte de se levantar: 10 anos do bronze na Rio-2016
- 12/08: De lesão ao pódio: a superação de Rafael Silva para o bronze na Rio-2016
- 13/08: Rio 2016 teve 1ª medalha olímpica de Fiji, Jordânia e Kosovo
- 14/08: Caindo de pé: dobradinha inédita na ginástica artística masculina
- 15/08: O bronze que não ficou no pódio: dez anos de Poliana Okimoto
- 15/08: O Senhor dos Anéis e sua conquista prateada: 10 anos de Zanetti no Rio
- 15/08: Thiago Braz: do ouro no Rio à busca do último salto em Los Angeles 2028
- 16/08: Há dez anos, começava na Rio 2016 a Era Isaquias da canoagem brasileira
- 16/08: Robson Conceição e o ouro na Rio-2016, o primeiro do boxe olímpico brasileiro