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Rio-2016 além das medalhas: brasileiros que conquistaram diploma olímpico



Dez anos depois, relembre os brasileiros que terminaram entre os oito melhores na Rio-2016 e receberam o tradicional reconhecimento



Seleção feminina de handebol do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio-2016 (Foto: Paulo Múmia/COB)
Seleção feminina de handebol do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio-2016 (Foto: Paulo Múmia/COB)

Ao ler jornais e revistas dos anos 1990, percebe-se em muitas ocasiões como até medalhas de prata e bronze nos Jogos Olímpicos não eram devidamente celebradas. Se hoje em dia o torcedor já se acostumou a acompanhar e torcer pelos brasileiros mesmo quando eles não sobem ao pódio, é importante relembrar os atletas que nos Jogos Olímpicos Rio-2016 chegaram muito perto da medalha.

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Há 10 anos, o dia 10 de agosto de 2016 não trouxe medalhas olímpicas para o Brasil. Em seu resumo diário, a edição online de O Globo, destacoua vitória histórica da seleção brasileira de polo aquático sobre a potência Sérvia, que colocou a equipe masculina nas quartas de final, garantindo a melhor colocação para o país desde Antuérpia-1920 e o primeiro diploma olímpico para o esporte.

O que são os diplomas olímpicos?

É a data ideal, portanto, para lembrar dos brasileiros que, mesmo sem sair da Rio-2016, deixaram os Jogos Olímpicos com outra honraria especial: o diploma olímpico, outorgado pelo COI aos oito primeiros de cada evento. De acordo com uma matéria do Olympics.com/pt, “o documento é assinado pelo Presidente do COI e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (OCOG). A cada edição, ele tem um visual diferente, com pequenas diferenciações para os que vencem ouro, prata e bronze. O design e a impressão são de responsabilidade dos organizadores locais”.

Desde 1981, todos os oito melhores de cada evento olímpico recebem o chamado diploma olímpico. Nas primeiras edições dos Jogos, ele era entregue apenas ao campeão olímpico. A partir de 1923, os atletas que subiam ao pódio levavam o diploma, e em 1949, o reconhecimento passou a ser para os seis primeiros, antes da última expansão em 1981. Pouco conhecido no Brasil, ele é muito celebrado em países como Argentina, Portugal e Suíça, entre outros. Afinal, é um reconhecimento de que as glórias olímpicas não se concentram apenas nas medalhas.

Brasil alcança número recordes na Rio-2016

Na primeira edição olímpica da América do Sul, o Time Brasil estabeleceu seu maior número de medalhas e de ouros nos Jogos Olímpicos Rio 2016 até então. Porém, as grandes histórias olímpicas não são restritas apenas àquelas que chegam ao pódio. Muitos brasileiros conseguiram resultados históricos para suas modalidades. Mesmo alguns que eram favoritos às medalhas fizeram bonito e chegaram muito perto.

Na Rio-2016, alguns atletas bateram na trave na busca pela medalha olímpica. Foi o caso de Robert Scheidt, que buscava uma histórica sexta medalha para seu currículo, e de Caio Bonfim, que disputava sua segunda edição dos Jogos e terminou em quarto lugar. Oito anos depois, ele finalmente subiria no pódio olímpico, em sua quarta edição, um recorde de edições que um atleta brasileiro precisou esperar antes de medalhar. Jorge Zarif, da vela, e a equipe de futebol feminino também terminaram em quarto lugar.

Outros quatro brasileiros de esportes de combate ficaram a uma luta de subir ao pódio, terminando em quinto lugar: Michel Borges e Andreia Bandeira no boxe, e Érika Miranda e Mariana Silva no judô. Prova de que os Jogos Olímpicos são um evento único e especial, os quatro atletas tiveram justamente naqueles dias de agosto de 2016 um ponto fora da curva em suas trajetórias esportivas.

Por um lado, Érika Miranda subiu ao pódio nos cinco campeonatos mundiais de judô realizados entre 2013 e 2018. Por outro, Mariana Silva, Michel Borges e Andreia Bandeira não estavam entre os favoritos, de acordo com as projeções da época. Porém, fizeram a melhor competição da vida justamente nos dias de maior glória e por muito pouco não chegaram ao pódio. O diploma olímpico reconhece essa trajetória.

Esportes conquistam seus melhores desempenhos na Rio-2016

Outro esporte brasileiro que aproveitou muito de sua torcida para brilhar na Rio-2016 foi a esgrima, que contou com dois integrantes nas quartas de final. Nathalie Moellhausen, três anos antes de se tornar campeã mundial na espada feminina, empolgou o público logo no primeiro dia, ao conquistar duas vitórias e se aproximar de uma medalha em um esporte que parecia muito longe do público brasileiro. No dia seguinte, Guilherme Toldo brilhou no florete, chegando também às quartas de final, embalado por um público que ainda aprendia as complicadas regras de vantagem na esgrima e reclamava quando o ponto não era atribuído ao brasileiro.

Os dois resultados representaram o melhor desempenho da esgrima até hoje nos Jogos Olímpicos. Igualmente no ciclismo estrada, com Flávia Oliveira, e no nado artístico, com a equipe feminina, tivemos top-8 inéditos. No handebol, havia a esperança de medalha inédita após o título mundial feminino em 2013. Mas mesmo sem o pódio, a Rio-2016 também foi a única edição em que o Brasil chegou às quartas de final nos dois naipes até o momento.

Medalha historica de Paris-2024 teve sua semente na Rio-2016

Na ginástica artística, a geração da Rio-2016 seria a base da geração que fez história ao ser vice-campeã mundial em 2023 e medalhista de bronze em Paris-2024. Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira e Rebeca Andrade estiveram nos dois Jogos, enquanto Júlia Soares, em Paris, ‘substituiu’ Daniele Hypolito. “Acho que essa foi uma Olimpíada muito boa para a gente. Tivemos alguns erros, mas mesmo com isso tudo, amei a competição. Acho que ficar entre as oito melhores do mundo já é uma honra”, disse Lorrane na época ao jornal O Globo.

A Rio-2016 também marcou os melhores resultados na história do levantamento de pesos. Fernando Reis e Roseane Santos conquistaram o quinto lugar, igualando o feito de Jaqueline Ferreira em Londres 2012. No Rio, Pepê Gonçalves também alcançou o melhor resultado na história da canoagem slalom, um feito que seria superado pelo quarto lugar de Ana Sátila em Paris 2024.

Confira todos os diplomas brasileiros além dos medalhistas

4º lugar

  • Caio Bonfim – Atletismo – Marcha Atlética 20km
  • Equipe feminina – Futebol
  • Robert Scheidt – Vela – Laser masculino
  • Jorge Zarif – Vela – Finn masculino
  • Talita e Larissa – Vôlei de Praia – Duplas femininas

5º lugar

  • Darlan Romani – Atletismo – Arremesso de peso masculino
  • Michel Borges – Boxe – Até 81kg masculino
  • Andreia Bandeira – Boxe – Até 75kg masculino
  • Prova por equipes – Hipismo saltos – Stephan Barcha, com Landpeter do Feroleto, Álvaro de Miranda Neto, com Cornetto K, Eduardo Menezes, com Quintol, Pedro Veniss, com Quabri de L’Isle
  • Francisco Barreto Júnior – Ginástica Artística – Barra fixa masculina
  • Flávia Saraiva – Ginástica Artística – Trave feminina
  • Equipe feminina – Handebol
  • Érika Miranda – Judô – 52kg feminino
  • Mariana Silva – Judô – 63kg feminino
  • João Gomes Júnior – Natação – 100m peito masculino
  • Revezamento 4x100m livre masculino – Natação – Marcelo Chierighini, João de Lucca, Nicolas Oliveira, Matheus Santana, Gabriel Santos
  • Thomaz Bellucci – Tênis – Individual masculino
  • Marcelo Melo e Bruno Soares – Tênis – Duplas masculinas
  • Teliana Pereira e Marcelo Melo – Tênis – Duplas mistas
  • Equipe feminina – Vôlei 
  • Fernando Reis – Levantamento de Pesos – +105kg masculino
  • Roseane Santos – Levantamento de Pesos – 53kg feminino

6º lugar

  • Revezamento 4x100m masculino – Atletismo – Aldemir da Silva Júnior, Vitor Hugo dos Santos, Bruno de Barros, Ricardo Mário de Souza, José Carlos Moreira, Jorge Vides
  • Nathalie Moellhausen – Esgrima – Espada feminina individual
  • Pepê Gonçalves – Canoagem Slalom – K1 masculino
  • Equipe masculina – Ginástica Artística – Francisco Barreto Júnior, Diego Hypólito, Arthur Nory, Sérgio Sasaki, Arthur Zanetti
  • Bruno Fratus – Natação – 50m livre masculino
  • Revezamento 4x100m medley masculino – Natação – Guilherme Guido, Felipe França, Henrique Martins, Marcelo Chierighini
  • Equipe feminina – Nado sincronizado* – Luisa Borges, Maria Bruno, Maria Clara Coutinho, Beatriz Feres, Branca Feres, Maria Eduarda Miccuci, Lorena Molinos, Pamela Nogueira, Lara Teixeira

7º lugar

  • Érica de Sena – Atletismo – Marcha Atlética 20km
  • Flávia Oliveira – Ciclismo Estrada – Prova de estrada feminina
  • Prova por equipes – Hipismo CCE – Márcio Appel, com Iberon Jmen, Ruy Fonseca, com Tom Bombadill Too, Márcio Jorge, com Lissy Mac Wayer, Carlos Parro, com Summon Up The Blood
  • Equipe masculina – Handebol
  • Felipe Kitadai – Judô – 60kg masculino
  • Sarah Menezes – Judô – 48kg feminino
  • Ricardo Santos, ‘Bimba’ – Vela – RS:X masculino
  • Felipe França – Natação – 100m peito masculino
  • Thiago Pereira – Natação – 200m medley masculino

8º lugar

  • Guilherme Toldo – Esgrima – Florete Masculino individual
  • Henrique Marques, Ghislain Perrier e Guilherme Toldo – Esgrima – Florete masculino por equipes
  • Lucas Carvalho, Pedro Luiz de Oliveira, Hugo de Sousa, Peterson dos Santos, Hederson Estefani, Alexander Russo – Atletismo – Revezamento 4x400m masculino
  • Ian Matos e Luiz Outerelo – Saltos Ornamentais – Trampolim de 3m sincronizado masculino
  • Hugo Parisi e Jackson Rondinelli – Saltos Ornamentais – Plataforma de 10m sincronizada masculino
  • Tammy Takagi e Juliana Veloso – Saltos Ornamentais – Trampolim de 3m sincronizado feminino
  • Ingrid Oliveira e Giovanna Pedroso – Saltos Ornamentais – Plataforma de 10m sincronizada feminino
  • Equipe feminina – Ginástica Artística – Rebeca Andrade, Jade Barbosa, Daniele Hypólito, Lorrane Oliveira, Flávia Saraiva
  • Patrícia Freitas – Vela – RS:X feminino
  • Ana Barbachan e Fernanda Oliveira – Vela – 470 Feminino
  • Marcelo Chierighini – Natação – 100m livre masculino
  • Etiene Medeiros – Natação – 50m livre feminino
  • Equipe feminina – Polo Aquático
  • Equipe masculina – Polo Aquático

*Nome do esporte na ocasião, atualmente nado artístico

Matérias Especiais da Rio-2016

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

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