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Rio 2016

 

Robson Conceição e o ouro na Rio-2016, o primeiro do boxe olímpico brasileiro



Do início humilde até o topo do pódio, baiano superou derrotas em Pequim e Londres para cravar seu nome na história do esporte nacional em 16 de agosto de 2016



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Robson Conceição com medalha de ouro na Rio-2016 (Foto: Peter Cziborra/Reuters)

Há 10 anos, Robson Conceição dominava o francês Sofiane Oumiha na decisão e colocava o seu nome no topo do boxe olímpico, garantindo o terceiro ouro brasileiro da Rio-2016 até então, e o primeiro do país na modalidade. Na insistência e no talento após derrotas na estreia em edições anteriores dos Jogos, o brasileiro celebrava, naquele dia: “Estou vivendo um sonho”.

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Robson foi o primeiro brasileiro a conquistar a medalha de ouro no boxe em Jogos Olímpicos. Para isso, batalhou. Tanto em Pequim, 2008, quanto em Londres, 2012, perdeu na primeira luta. Mas em casa, no Rio, encontrou o caminho certo para sair vitorioso.

O caminho até o ouro no Rio

Robson Conceição foi soberano em sua campanha até a decisão. Além de conseguir um nocaute técnico na estreia, venceu seus outros adversários por decisão unânime. Estrear em Olimpíadas não trazia boas lembranças, mas não dava para cogitar essa possibilidade na Rio-2016. Contra Anvar Yunusov, do Tajiquistão, o brasileiro precisou de apenas um round para celebrar o triunfo.

A garantia de medalha veio nas quartas de final. Contra Hurshid Tojibaev, do Uzbequistão, Robson foi seguro, e venceu por decisão unânime, com 3 a 0 (30-27, 29-28 e 30-27). Avançando, ele marcou uma revanche contra Lazaro Alvarez que, no momento, era líder e atual tricampeão mundial da categoria até 60kg.

Nas duas vezes que haviam se enfrentado até então, uma vitória para cada lado. Logo, o desempate nesse confronto viria na semifinal olímpica. Naquela batalha, dois juízes pontuaram o primeiro assalto para o cubano, mas Robson garantiu a vaga na decisão com outro 3 a 0 (29-28, 29-28 e 30-27). A rivalidade ficou aparente após os comentários do brasileiro sobre o adversário, quando disse: “É muito marrento. E hoje, teve o que merecia”, em entrevista após a vitória na época.

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Robson Conceição antes do combate na Rio-2016 (Foto: COB)

Na grande final, o Pavilhão 6 do Riocentro, lotado de torcedores brasileiros, colocava toda a pressão necessária para o adversário francês Sofiane Oumiha. Dentro do ringue, Robson Conceição controlou a luta do início ao fim e, após os três rounds regulamentares, foi decretado vitorioso por decisão unânime, com 3 a 0 (30-27, 29-28 e 29-28). A medalha de ouro no boxe era do Brasil, naquele 16 de agosto de 2016.

Como tudo começou

Nascido em Salvador, Robson é de origem humilde. Cresceu com a avó e com a mãe no bairro de Boa Vista de São Caetano. O curioso é que o atleta não pegou gosto pelo boxe através dos ringues. O irmão de sua mãe, o tio Roberto, era famoso na cidade pelas brigas de rua no Carnaval. Para seguir seus passos, Robson passou a treinar no fundo de um quintal e aos poucos ganhou fama também, passando a ser conhecido como “Terror de Boa Vista”. 

Aos poucos, passou a levar a sério e começou a treinar em uma academia de boxe. Logo viu que brigar na rua não era o ideal e passou a se dedicar aos ringues. Para os treinos, se deslocava por 9 quilômetros a pé. Ida e volta, já que não tinha condições financeiras para bancar o transporte. Além disso, precisava ajudar a mãe e a avó em casa, como feirante. Para isso, acordava cedo e ia direto rumo à barraca da Dona Neusa. Montava toda a estrutura, carregava caixas e depois ia para a escola. Depois de estudar, Robson retornava para a feira e ajudava no processo de desmontar.

Talentoso, não demorou para conseguir uma lugar na seleção brasileira. Ainda garoto, aos 19 anos, disputou sua primeira Olimpíada, em Pequim-2008. Na estreia, perdeu para o lutador da casa Li Yang. Quatro anos depois, já mais experiente e com medalha no Pan de Guadalajara, no México, em 2011, Robson chegou em Londres. Contudo, caiu de novo no primeiro combate, agora para Josh Taylor, da Grã-Bretanha.

Em 2011, casou com uma boxeadora, Erika Matos. O pedido foi feito ao vivo, durante o Pan-Americano de Guadalajara. Sua mulher foi a primeira brasileira a subir em um ringue olímpico, na Londres-2012.

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Robson Conceição no pódio (Foto: COB)

Apesar das quedas precoces nas duas Olimpíadas anteriores, Robson chegou à Rio-2016 como um dos favoritos da delegação brasileira. Afinal, em 2013, foi prata na categoria até 60kg no Mundial de Almaty, no Cazaquistão, e em 2015, repetiu o pódio, mas com o bronze em Doha, no Catar. Confirmando as expectativas, o triunfo em território nacional veio.

Transição para o profissional e momento atual

Após a conquista no Rio, Robson Conceição revelou que abandonaria o boxe olímpico. Assinou com a promotora Top Rank, e em sua estreia como pugilista profissional, derrotou o norte-americano Clay Burns. Seu cartel no boxe profissional registra 23 lutas, com 19 vitórias, 2 derrotas e 1 empate.

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Robson Conceição em vitória no boxe profissional (Foto: Reprodução/Canal Combate)

No momento, aos 37 anos, Robson Conceição ainda está ativo, onde foi campeão mundial super-pena (até 58,97kg) do Conselho Mundial de Boxe no ano de 2024. Porém, em entrevista feita para o Canal Combate no mês de abril, o brasileiro revelou que 2026 deve ser o seu último ano como atleta profissional.

Recentemente, no dia 1º de agosto, disputou a sua sexta luta valendo um cinturão mundial de boxe. Em Las Vegas, o campeão olímpico disputou o título dos leves na Federação Internacional de Boxe (IBF). Na ocasião, perdeu para o atual campeão da categoria, Raymond Muratalla, norte-americano de 29 anos.

Robson perdeu as duas primeiras disputas de título que fez, primeiro contra Oscar Valdez e depois diante de Shakur Stevenson. Contra Emanuel Navarrete, empatou, mas o cinturão permaneceu com o campeão. Em julho de 2024, a conquista inédita veio diante de O’Shaquie Foster. Robson perderia o título na revanche, em novembro do mesmo ano.

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Jornalista em formação apaixonado por esportes. Movido pela análise e pelas histórias por trás dos placares. Porto Alegre, RS

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