Se hoje lembramos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com carinho pelas conquistas de Isaquias Queiroz, Rafaela Silva e Thiago Braz, a preparação e os bastidores daquele agosto de 2016 deixaram os organizadores de cabelo em pé. Há exatos dez anos, a Olimpíada do Brasil não virava notícia apenas pelas grandes performances esportivas, mas também pelas polêmicas e “zicas” de bastidores que dominaram as manchetes internacionais.
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O mistério da piscina verde no Maria Lenk
Se houve um momento que definiu o tom inusitado daquela edição, foi o dia 9 de agosto de 2016. Quem ligou a televisão para assistir às semifinais do salto ornamental no Parque Aquático Maria Lenk tomou um susto: a água da piscina, antes azul clara, havia se transformado em um verde quase esmeralda.
O caso virou piada imediata na internet e mistério para a imprensa internacional. Atletas brincavam que parecia o “pântano do Shrek”. Dias depois, a organização admitiu que um funcionário despejou por engano 80 litros de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) na piscina, neutralizando o cloro e permitindo a proliferação de algas. Para a prova do nado sincronizado, a água teve que ser completamente esvaziada e trocada às pressas durante a madrugada.
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A ameaça do Zika Vírus e as desistências do Golfe
Meses antes de a pira olímpica ser acesa, a grande preocupação mundial não era o tempo dos atletas, mas sim o Aedes aegypti. O surto de Zika Vírus no Brasil gerou pânico global. Vários atletas de elite, com destaque para os maiores nomes do golfe mundial, como Jason Day e Rory McIlroy, usaram o vírus como justificativa para desistir dos Jogos.
Apesar do temor e do uso ostensivo de repelente por delegações estrangeiras, o inverno carioca ajudou a diminuir a população de mosquitos, e nenhum caso de infecção por Zika foi registrado entre atletas ou turistas durante o evento.
Baía de Guanabara: Poluição e sofá flutuante
A promessa de despoluição de 80% da Baía de Guanabara foi um dos principais pilares da candidatura do Rio em 2009. No entanto, quando as delegações chegaram para os Jogos, o excesso de lixo flutuante e a sujeira na raia de competição tornaram-se o grande fantasma para velejadores e remadores.
E foi justamente nesse cenário que a internet produziu uma das suas pérolas mais virais. Antes mesmo da cerimônia de abertura, o jornalista britânico Paul Kelso, da Sky Sports, publicou no Twitter que teria ouvido um remador relatar que seu caiaque havia virado após colidir com um sofá submerso na Lagoa Rodrigo de Freitas.
A história de que um móvel no fundo da lagoa derrubou um atleta olímpico nunca foi confirmada e logo se provou um boato.
A Vila Olímpica “inabitável” e o encanamento australiano
Logo na abertura da Vila Olímpica no Recreio dos Bandeirantes, a delegação da Austrália se recusou a ocupar seu prédio, classificando as instalações como “inabitáveis”. Vazamentos de água, fiação exposta, vasos sanitários entupidos e cheiro de gás viraram manchete no mundo todo.
O então prefeito Eduardo Paes tentou amenizar com uma piada polêmica, dizendo que colocaria “um canguru na frente do prédio para fazê-los sentir em casa”. A provocação não pegou bem, mas uma força-tarefa de emergência trabalhou 24 horas por dia para reformar os apartamentos e garantir a hospedagem de todas as delegações.
O escândalo de Ryan Lochte: Assalto ou mentira?
Para fechar o combo de confusões, a Rio-2016 foi palco do “Lochtegate”. O nadador norte-americano Ryan Lochte, dono de 12 medalhas olímpicas, inventou ter sido assaltado à mão armada por policiais falsos em um posto de gasolina na Barra da Tijuca, junto com outros três nadadores dos EUA.
A história rodou o mundo e colocou a segurança do Rio sob xeque, até a Polícia Civil desmascarar a farsa: na verdade, os atletas haviam vandalizado o banheiro do posto após uma festa e pagaram pelos estragos aos seguranças do local. Lochte perdeu patrocínios, foi suspenso e acabou pedindo desculpas públicas ao povo brasileiro.



