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10 anos da Rio 2016: países latinos também fizeram história



Dez anos depois, relembre como Argentina, Colômbia, Cuba, México, Venezuela, Porto Rico e outros países latinos fizeram história na Rio 2016



Países Latinos fizeram história na Rio 2016
Países Latinos fizeram história na Rio 2016 (Fotos: EFE, AFP e AOP)

A Rio 2016 ficou marcada como a primeira edição dos Jogos Olímpicos realizada na América do Sul, mas a memória da competição não pertence apenas ao Brasil. Dez anos depois, a Olimpíada no Rio de Janeiro também aparece como um ponto de destaque para vários países latinos, que viveram campanhas históricas, recordes de delegação, primeiros ouros, melhores resultados e personagens que depois se tornariam ainda maiores no cenário olímpico.

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América do Sul teve campanhas históricas e recordes de delegação

A judoca argentina Paula Pareto conquistou o ouro no Rio 2016 (Foto: AFP)

A Argentina levou 215 atletas ao Rio de Janeiro, formando a maior delegação olímpica de sua história. O número superou todas as participações anteriores do país e ainda não foi ultrapassado nas edições seguintes. O desempenho também colocou a Rio 2016 entre as grandes campanhas argentinas em Jogos Olímpicos. Foram três medalhas de ouro e uma de prata, resultado que empatou com Los Angeles 1932 como a segunda melhor participação do país em uma edição olímpica. A melhor segue sendo Londres 1948, quando a Argentina conquistou três ouros, três pratas e um bronze.

A campanha argentina teve ainda um recorde de 83 atletas premiados, considerando medalhistas e esportistas que terminaram com diploma olímpico. Entre os principais nomes esteve Paula Pareto, campeã no judô até 48 kg. Com o resultado, ela se tornou a primeira mulher argentina a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Os outros ouros vieram com Santiago Lange e Cecilia Carranza, na vela, e com a seleção masculina de hóquei sobre grama. Juan Martín del Potro ainda ficou com a prata no tênis.

A colombiana Mariana Pajón levou a medalha de ouro no BMX e se tornou bicampeã olímpica (Foto: ERIC GAILLARD / REUTERS)

A Colômbia também fez da Rio 2016 um marco. Com 143 atletas, o país levou sua maior delegação olímpica até então. Além disso, esteve presente em 23 modalidades, outro recorde nacional naquele momento. O resultado acompanhou o crescimento da equipe. A Colômbia conquistou oito medalhas, sendo três ouros, duas pratas e três bronzes, e alcançou seu melhor desempenho olímpico até aquela edição.

Um dos símbolos da campanha foi Mariana Pajón. Campeã olímpica do BMX em Londres 2012, ela repetiu o título no Rio e se tornou bicampeã olímpica. Pajón permanece como a única atleta colombiana com duas medalhas de ouro em Jogos Olímpicos.

A venezuelana Yulimar Rojas conquistou a medalha de prata no salto triplo na Rio-2016 (Foto: EFE)

A Venezuela não chegou ao topo do pódio, mas teve uma campanha simbólica. A delegação venezuelana foi para Rio 2016 com 85 atletas, sua segunda maior até então, atrás apenas de Pequim 2008, quando levou 108 competidores. O país terminou os Jogos com três medalhas, sendo duas pratas e um bronze. O número igualou o maior total venezuelano em uma mesma edição até aquele momento, marca registrada anteriormente em Los Angeles 1984.

O principal nome foi Yulimar Rojas, prata no salto triplo. Ela se tornou a primeira mulher venezuelana a conquistar uma medalha olímpica. A conquista no Rio também foi o início de uma trajetória ainda maior: anos depois, Yulimar se tornaria campeã olímpica, recordista mundial e uma das maiores atletas da história da prova.

Outros países sul-americanos também tiveram marcas relevantes mesmo sem medalhas. O Equador levou 38 atletas, estabelecendo a maior delegação de sua história até aquele momento. O país não subiu ao pódio, mas ficou perto com Alexandra Escobar, quarta colocada no levantamento de peso até 58 kg. O resultado ganhou ainda mais importância depois, já que a modalidade se tornou uma das principais fontes de medalhas olímpicas equatorianas em Tóquio 2020 e Paris 2024.

A Bolívia levou 12 atletas, sua segunda maior delegação até então, e teve em Ángela Castro, 18ª na marcha atlética de 20 km, um de seus melhores resultados olímpicos no atletismo. O Uruguai terminou sem medalhas, mas teve em Emiliano Lasa um resultado expressivo, com a sexta colocação no salto em distância masculino. Já o Paraguai levou 11 atletas e registrou a primeira delegação olímpica do país com maioria feminina.

México e América Central tiveram recordes e quase medalhas inéditas

A mexicana María del Rosario Espinoza conquistou a medalha de prata no taekwondo na Rio-2016 (Foto: Expansión, Notimex)

Na América do Norte, o México levou 123 atletas à Rio 2016, então sua terceira maior delegação olímpica. O país conquistou cinco medalhas, com três pratas e dois bronzes, igualando a quantidade de pódios obtida em Londres 1948.

Um dos principais nomes mexicanos foi María del Rosario Espinoza, prata no taekwondo. Com o resultado, ela chegou à terceira medalha olímpica da carreira, uma de cada cor, depois do ouro em Pequim 2008 e do bronze em Londres 2012. A campanha a consolidou como uma das maiores atletas olímpicas da história do México.

Honduras caiu diante do Brasil na semifinal do futebol masculino da Rio-2016. (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)

Na América Central, Honduras foi o país que mais se aproximou de um pódio histórico. A seleção masculina de futebol passou da fase de grupos deixando a Argentina pelo caminho e avançou às semifinais após superar a Coreia do Sul nas quartas de final. Depois, perdeu para o Brasil na semifinal e para a Nigéria na disputa pelo bronze, terminando em quarto lugar. O resultado deixou Honduras a uma vitória de conquistar a primeira medalha olímpica de sua história.

O Panamá também terminou sem medalhas, mas teve presença importante no boxe com Atheyna Bylon. Eliminada nas oitavas de final pela brasileira Andreia Bandeira, a atleta voltaria a ganhar relevância oito anos depois, ao conquistar a prata em Paris 2024. A medalha foi a primeira de uma mulher panamenha e a primeira do país em uma modalidade diferente do atletismo.

Costa Rica, El Salvador, Guatemala e Nicarágua também não subiram ao pódio no Rio, mas mantiveram presença olímpica em uma edição simbólica para a região. A Costa Rica competiu com 11 atletas, El Salvador com oito, Guatemala com 21 e Nicarágua com cinco.

Caribe teve ouro inédito, tradição cubana e medalha dominicana

Mijaín López, de Cuba, conquistou o seu terceiro título olímpico na luta greco-romana na Rio 2016. (Foto: Twitter/Olympicchannel)

No Caribe, Cuba voltou a ser o grande destaque regional. A delegação cubana contou com 117 atletas e conquistou 11 medalhas, sendo cinco ouros, duas pratas e quatro bronzes. Embora o número tenha ficado abaixo das grandes campanhas cubanas dos anos 1990, o país manteve força em modalidades de combate.

Dez das 11 medalhas de Cuba na Rio 2016 vieram de esportes de luta. O boxe foi responsável por seis pódios, incluindo três ouros. A luta greco-romana também teve papel decisivo, com os títulos de Ismael Borrero e Mijaín López. No Rio, Mijaín conquistou seu terceiro ouro olímpico seguido. Anos depois, ampliaria a marca até se tornar o primeiro atleta com cinco ouros individuais consecutivos em uma mesma prova olímpica.

A porto-riquenha Mónica Puig fez história e conquistou ouro na simples de tênis feminino na Rio 2016. (Foto: AOP)

Porto Rico viveu um dos momentos mais marcantes de toda a Rio 2016. Mónica Puig venceu o torneio de simples feminino do tênis e conquistou o primeiro ouro olímpico da história porto-riquenha. A campanha teve vitória na final sobre Angelique Kerber (número 2 do ranking mundial na época) por 6/4, 4/6 e 6/1 e transformou Puig em símbolo nacional.

A República Dominicana também subiu ao pódio. O bronze veio com Luisito Pié no taekwondo masculino até 58 kg. A medalha manteve a sequência de bons resultados dominicanos nos Jogos Olímpicos desde Atenas 2004 e foi mais um capítulo da força do país em provas individuais.

O Haiti, por sua vez, levou 10 atletas ao Rio, sua segunda maior delegação olímpica até então, atrás apenas da equipe enviada a Montreal 1976. O país não conquistou medalhas.

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Paulista em terras mineiras. Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais. Apaixonado por esportes.

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