Palestrante no III Fórum Esporte Seguro do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Joanna Maranhão relembrou a Rio-2016 como um divisor de águas que transformou fora das piscinas. Embora tenha sofrido ataques virtuais por seus posicionamentos, o acolhimento do público presencial superou qualquer receio inicial da ex-nadadora em sua última Olimpíada.
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“Quando acabei de competir, a minha amiga me chamou para caminhar pelo Parque Olímpico e eu tive muito medo. Falei que as pessoas iriam me atacar, mas foi o oposto. Praticamente fui parada várias vezes por brasileiros agradecendo por eu falar, pessoas que enxergam a gente como ser humano”, relatou Joanna em entrevista após ministrar o painel “OAtleta no Centro do Esporte Seguro”.
O Fórum Esporte Seguro é uma iniciativa do COB para que gestores, atletas, treinadores, especialistas do assunto e profissionais da saúde debatam sobre soluções para um ambiente seguro na comunidade esportiva. A edição de 2026 aconteceu na última quinta-feira (7), no Rio de Janeiro.
Virada de chave
A carinhosa receptividade dos torcedores nas arenas cariocas mostrou que a empatia pode prevalecer sobre a cobrança constante por resultados. Para Joanna, a experiência confirmou a importância de debater abertamente as falhas e os desafios presentes no universo do esporte de rendimento.
“Quem ama esporte de verdade não se incomoda de falar sobre as mazelas dele. Esse episódio foi uma certeza pra eu virar a chave na transição de carreira”, destacou. O episódio serviu de base para consolidar seu engajamento ativista em prol da integridade física e mental de competidores ao redor do mundo.
Atuação internacional na Sport & Rights Alliance
Atualmente, Joanna atua como Coordenadora da Rede na Sport & Rights Alliance, uma coligação internacional de proteção aos direitos humanos no esporte. A organização reúne entidades globais para pressionar grandes instâncias gestoras a adotarem políticas rígidas de integridade e acolhimento aos atletas. A partir dessa vivência internacional, a especialista analisa as lacunas existentes no combate à violência virtual em megaeventos.
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Ao avaliar os mecanismos adotados por órgãos como COI e FIFA, a ativista defende que o monitoramento pontual é insuficiente para proteger os envolvidos. Segundo a coordenadora, as agressões digitais geram impactos profundos que permanecem muito tempo após a dissipação do calor das competições. “São muitos ataques que escalam por 48 horas e depois a atenção das pessoas segue pra outros problemas, e a vítima está ali com todas aquelas vivências. Quem organiza um megaevento tem a responsabilidade não apenas de responder no calor do momento, mas de oferecer suporte contínuo”, afirmou.
Violência online na Copa de 2023 e o planejamento para 2027
Essa cobrança por responsabilidade ganha relevância diante dos episódios registrados na Copa do Mundo Feminina de 2023 disputada na Austrália e Nova Zelândia. Durante o torneio, as transmissões ao vivo no YouTube exibidas no Brasil registraram recorrentes ataques misóginos e ofensas no chat das plataformas. Esse panorama motivou a aliança internacional a planejar intervenções diretas para a próxima edição do mundial feminino, marcada para o Brasil.
“Pensando na Copa de 2027, a gente vai trabalhar com uma campanha de três objetivos: o primeiro é no estabelecimento de uma entidade de esporte como legado para crianças e mulheres. O segundo é a condição de trabalho de mulheres no futebol feminino e, em terceiro, a gente vai focar na violência que jornalistas mulheres sofrem no Brasil”, detalhou.
O foco na proteção às profissionais de imprensa busca coibir o assédio e garantir um ambiente de trabalho seguro nas coberturas do futebol feminino. A campanha prevê ações coordenadas para identificar as fontes de agressão e exigir medidas coercitivas e pedagógicas das entidades competentes. “A gente decidiu que os custos da nossa campanha vão além de falar sobre as violações, vamos trabalhar quem é responsável para que medidas sejam estabelecidas”, ressaltou.
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