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Tóquio 2020

Cavalo de Rodrigo Pessoa refuga, mas Brasil se classifica à final dos saltos

Terceiro brasileiro a competir, Pessoa poderia perder até 25 pontos para garantir o Brasil entre os 10 finalistas; com refugada e 20 pontos perdidos, carimbou a ida à final com emoção

Marlon Zanotelli 2 - equipes - hipismo saltos - Jogos Olímpicos de. Tóquio 2020 - Miriam JeskeCOB
Julio César Guimarães

Nessa sexta-feira (6), o Brasil iniciou a sua busca por sua terceira medalha olímpica na prova dos saltos por equipes do hipismo. Com uma equipe estrelada composta pelo campeão olímpico e duas vezes medalhista de bronze Rodrigo Pessoa, o atual 7º colocado no ranking mundial Marlon Zanotelli e o medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos Pedro Veniss, o país terminou entre as 10 melhores equipes e se classificou para a final da prova em Tóquio.

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A classificação veio com emoção. Após linda passagem de Marlon Zanotelli zerando o percurso e apenas cinco pontos perdidos por Pedro Veniss, Rodrigo Pessoa entrou com uma boa margem para colocar o Brasil entre os 10. O campeão olímpico de 2004 podia perde até 24 pontos. Com uma passagem conturbada com seu cavalo, que chegou a refugar uma vez, perdeu 20 no total. Se não houvesse completado o percurso com uma segunda refugada ou derrubado mais um obstáculo, o Brasil estaria eliminado dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

A disputa final da prova por equipes acontece amanhã e as pontuações serão zeradas. O Brasil brigará por medalhas contra Suécia, Bélgica, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda e Argentina. Após a prova, Rodrigo Pessoa confirmou que será substituído na final por Yuri Mansur, que disputou a prova individual e obteve excelente resultado.

Zanotelli perfeito

19 países com três conjuntos cada brigavam pelas sonhadas vagas na final. O Brasil foi o 15º país a entrar.

O primeiro brasileiro a se apresentar foi Marlon Zanotelli. Montando Edgar M, o melhor cavaleiro do país no ranking mundial brilhou. Zerou os 17 obstáculos e fez 81s37, abaixo dos 82 segundos permitidos, sendo um dos dois únicos a realizar o feito. Com o resultado, o Brasil terminou a primeira rodada na 1ª colocação, empatado com a Suécia. Foram os dois únicos que não cometeram penalidades no percurso.

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“Pista estava bem delicada. Tive um pouco de azar na qualificativa na prova individual. Hoje meu cavalo saltou muito bem novamente. Conseguimos fazer um zero aí pro Brasil. Tomara que os meninos consigam um bom resultado. Eles guardaram os cavalos para a equipe. Vamos passo a passo,” comentou o atleta. Zanoteeli fez referência à prova individual, quando ele Yuri Mansur competiram, mas só o segundo cavaleiro conseguiu zerar o percurso e avançar à final. O 7º melhor do mundo cometeu uma única falta e ficou a uma posição da classificação.

Quase zerando

A segunda rodada começou com três países já eliminados da final, dentre eles a Irlanda, candidata ao pódio. Pedro Veniss foi o segundo a saltar para o Brasil. Àquela altura, apenas a Suécia havia zerado com dois cavaleiros. Montando fez uma apresentação quase perfeita. Acabou cometendo uma falta no anti-penúltimo obstáculo, e ainda estourou por pouco o tempo – terminou em 82s96. Com isso, acabou perdendo cinco pontos, deixando o Brasil em segundo, atrás apenas da Suécia.

Na sequência, o Brasil caiu para quinto após a suíça zerar o percurso e Bélgica e Alemanha perderem pontos por estouro de tempo.

Marlon Zanotelli, Rodrigo Pessoa e Pedro Veniss colocam o Brasil para a final dos saltos por equipes do hipismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 8º lugar
Pedro Veniss em ação na prova dos saltos por equipes nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (Julio César Guimarães)

Com emoção

Rodrigo Pessoa entrou na última rodada podendo perder até 24 pontos para ficar à frente do Egito, 10º colocado àquela altura. Tendo dificuldades com seu cavalo Carlito´s Way 6, derrubou um obstáculo logo no início e viu o animal refugar. Se isso ocorresse novamente, o Brasil estaria eliminado da final dos saltos por equipes dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Conseguindo sustentar o animal na rédea e na habilidade, acabou perdendo 20 pontos, ficando a cinco da eliminação. Ao final da prova, o Brasil ficou em 8º, na frente da Argentina e da Holanda.

A liderança ficou com a Suécia, que zerou com os três cavaleiros. O país é favorito ao ouro nos saltos por equipes. Na disputa individual, os nórdicos colocaram três cavaleiros no desempate, saindo com uma medalha de prata. Foram seguidos por Bélgica, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha.

Vale lembrar que não é a primeira vez que Rodrigo Pessoa se depara com uma refugada em Jogos Olímpicos. Na edição de Sydney 2000, o três vezes medalhista olímpico vinha como líder do ranking mundial e era favorito absoluto à medalha de ouro na prova individual. Seu famoso cavalo Baloubet du Rouet refugou três vezes e Pessoa acabou eliminado. Quatro anos mais tarde, o conjunto se redimiu e levou o ouro em Atenas.

“O cavalo estava muito tenso. Assim que entrei na pista quis mostrar para ele o obstáculo que tinha dado problema na noite anterior, dar confiança. Ele já reagiu um pouco. Quando começamos, os obstáculos impressionaram-no muito. Essa nova fórmula, mesmo alguns achando ela injusta, hoje nos ajudou. Pois os times eliminados nos deixaram com uma margem grande por erros, ainda mais com os dois percursos do Pedro e do Marlon, que foram espetaculares,” comentou Rodrigo Pessoa.

“Hoje demos sorte de poder passar. Amanhã é um novo dia e para mim acaba aqui. O meu cavalo não está em condições de ajudar a equipe. Amanhã o Yuri, [Mansur, cavaleiro alternativo] deve entrar para brigar por medalhas. Amanhã o jogo zera e vamos brigar por medalhas. A experiência nesse momento contou, pois consegui levar o cavalo até o final. Os cavalos são imprevisíveis e demos sorte.”

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