Siga o OTD

Bem-Estar Todo Dia

 

Treino funcional realmente prepara para a vida real?



Modalidade ganhou espaço nas academias com a promessa de melhorar movimentos do cotidiano, mas o que a ciência diz sobre essa relação?



Circuito funcional para fazer com amigos ou família

Agachar para pegar uma caixa no chão, carregar compras, subir escadas, levantar uma mala ou brincar com os filhos. Muitas atividades comuns exigem força, equilíbrio, coordenação e controle corporal.

É justamente nesse ponto que surgiu uma das principais propostas do treinamento funcional: desenvolver capacidades físicas que possam ser utilizadas além da academia.

Mas fica a pergunta: o treino funcional realmente prepara o corpo para a vida real ou essa é apenas uma estratégia de marketing?

A resposta é mais complexa do que parece.

O treinamento funcional pode melhorar diferentes capacidades importantes para o dia a dia, como força, equilíbrio, potência e coordenação. Porém, o termo “funcional” não significa automaticamente que qualquer exercício feito em circuito ou com acessórios diferentes será mais eficiente para todos.

O principal fator é a forma como o treino é planejado.


Mais sobre treino

O que é, de fato, um treinamento funcional?

O nome ganhou popularidade nas academias, mas nem sempre é usado da mesma maneira.

De forma geral, o treinamento funcional busca desenvolver capacidades físicas relacionadas a movimentos realizados no cotidiano, no trabalho ou no esporte.

Isso pode envolver padrões como:

  • agachar;
  • empurrar;
  • puxar;
  • carregar;
  • girar;
  • estabilizar o corpo;
  • deslocar-se em diferentes direções.

A ideia é trabalhar o corpo de maneira integrada, em vez de pensar apenas em músculos isolados.

Um exercício como um agachamento, por exemplo, pode ter relação com ações comuns, como levantar de uma cadeira ou pegar um objeto no chão.

Mas isso não significa que ele seja automaticamente melhor do que todos os outros exercícios.

Existe exercício mais funcional que outro?

Esse é um dos principais pontos de discussão entre especialistas.

A resposta depende da função.

Um movimento pode ser muito útil para uma pessoa e pouco relevante para outra.

Um atleta de vôlei, por exemplo, pode precisar desenvolver salto e potência. Uma pessoa idosa pode ter como objetivo melhorar equilíbrio e autonomia. Um corredor pode buscar eficiência de movimento e resistência.

Por isso, pesquisadores destacam que não é apenas o exercício escolhido que define a funcionalidade, mas a relação entre a tarefa, o objetivo e a pessoa que está treinando.

Um treinamento bem estruturado deve considerar:

  • nível de condicionamento;
  • histórico de lesões;
  • objetivos;
  • progressão de carga;
  • capacidade atual do praticante.

Quais benefícios o treino funcional pode trazer?

Quando planejado adequadamente, o treinamento funcional pode estimular diferentes capacidades físicas.

Entre os possíveis benefícios estão:

Mais força para tarefas do cotidiano

Movimentos integrados podem ajudar no desenvolvimento de força aplicada a diferentes situações.

Isso pode ser importante especialmente para pessoas que querem manter autonomia ao longo da vida.

Melhor equilíbrio e controle corporal

Exercícios que exigem estabilidade e coordenação podem estimular o controle neuromuscular.

Esse aspecto tem importância principalmente para populações que buscam preservar capacidade funcional com o envelhecimento. Estudos de revisão sobre treinamento funcional em idosos encontraram associação com melhora de força, equilíbrio e autonomia.

Desenvolvimento de diferentes capacidades

Um treino funcional pode combinar:

  • força;
  • resistência cardiovascular;
  • mobilidade;
  • equilíbrio;
  • coordenação.

A combinação depende da proposta da sessão.

Treino funcional substitui a musculação?

Não necessariamente.

Esse é outro ponto em que existe muita confusão.

A musculação tradicional é uma ferramenta extremamente eficiente para desenvolver força e massa muscular, especialmente quando existe progressão adequada de carga.

O treinamento funcional também pode incluir exercícios de força, mas geralmente trabalha movimentos mais integrados.

A escolha depende do objetivo.

Uma pessoa que busca ganhar massa muscular pode precisar de um planejamento específico de treinamento resistido. Já alguém que deseja melhorar movimentos cotidianos pode se beneficiar de exercícios que envolvam mais coordenação e estabilidade.

Muitas vezes, as duas abordagens podem se complementar.

Funcional emagrece mais?

Esse é um dos maiores mitos relacionados ao tema.

Nenhum método de exercício garante emagrecimento sozinho.

A perda de gordura depende de vários fatores, incluindo alimentação, gasto energético, rotina, sono e características individuais.

O treino funcional pode aumentar o gasto energético e melhorar condicionamento, principalmente quando envolve exercícios de maior intensidade, mas não existe uma vantagem universal comprovada sobre todas as outras formas de exercício.

Qualquer pessoa pode fazer?

O treinamento funcional pode ser adaptado para diferentes públicos.

Uma pessoa iniciante pode realizar exercícios simples, com menor intensidade e foco em aprendizagem dos movimentos.

Um atleta pode utilizar variações mais complexas para desenvolver capacidades específicas.

O problema não está no método.

Está em aplicar exercícios sem considerar a preparação de quem executa.

Movimentos difíceis ou cargas elevadas sem progressão podem aumentar riscos, assim como acontece em qualquer modalidade.

Como saber se um treino funcional faz sentido?

Algumas perguntas ajudam:

  • O treino tem relação com meu objetivo?
  • Os exercícios estão adaptados ao meu nível?
  • Existe progressão de dificuldade?
  • Consigo executar os movimentos com controle?
  • O profissional explica o motivo dos exercícios?

Um treino funcional não precisa parecer uma prova de resistência.

Ele precisa ter propósito.

Afinal, funciona para a vida real?

Sim, mas com uma ressalva importante.

O treinamento funcional pode ajudar a desenvolver capacidades utilizadas no cotidiano, especialmente quando é bem planejado e individualizado.

Mas o segredo não está no nome do método.

Um exercício não se torna melhor apenas porque é chamado de funcional.

O que realmente importa é se aquele treinamento ajuda a pessoa a se movimentar melhor, com mais segurança e autonomia para as atividades que fazem parte da sua vida.

No fim, a pergunta mais importante não é:

“Esse exercício é funcional?”

É: “Funcional para qual objetivo e para qual pessoa?”

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

Mais em Bem-Estar Todo Dia