A máquina de remo deixou de ser apenas uma ferramenta de preparação dos remadores para ganhar espaço como modalidade de treino dentro das academias. O chamado remo indoor aparece entre as tendências de fitness em crescimento para 2026, com aumento de 83% nas buscas globais analisadas pelo relatório anual da rede britânica PureGym. Mas, para aproveitar o ergômetro, não basta sentar e puxar o cabo repetidamente: a eficiência depende principalmente de aprender a sequência correta do movimento.
O aparelho simula parte das exigências do remo na água e permite controlar distância, tempo, potência e ritmo. Segundo a World Rowing, os ergômetros são utilizados na preparação de remadores há décadas, mas passaram a ganhar vida própria tanto como equipamento de academia quanto em competições de remo indoor. A distância de 2.000 m tornou-se uma das referências do esporte.
Remar não é apenas puxar com os braços
Um dos erros mais comuns entre iniciantes é imaginar que o remo seja predominantemente um exercício de braços e costas. A sequência correta é diferente.
Na fase de esforço, chamada de drive, o movimento começa com a pressão das pernas contra a plataforma. Depois entra o movimento do tronco e, somente na parte final, os braços puxam o cabo em direção ao corpo. Na recuperação, a sequência se inverte: braços, tronco e pernas retornam progressivamente à posição inicial.
Essa coordenação permite envolver grandes grupos musculares de pernas, quadris, tronco, costas, ombros e braços ao longo da remada. Por isso, remar mais rápido não significa simplesmente aumentar a velocidade dos braços. Força aplicada ao aparelho, ritmo das remadas e técnica precisam funcionar em conjunto.
Para quem está começando, dominar essa mecânica pode ser mais importante do que tentar aumentar rapidamente a intensidade.
Capacidade aeróbica pesa no desempenho
O ergômetro também exige bastante do sistema cardiovascular, especialmente quando utilizado em treinos prolongados ou testes de desempenho.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 34 estudos e 909 remadores, incluindo atletas de elite, subelite e recreativos. O teste de 2.000 m foi utilizado em 79% dos trabalhos analisados. Entre as variáveis mais relacionadas ao desempenho estavam o VO₂ máximo, que representa a capacidade máxima de utilização de oxigênio durante o esforço, e a potência máxima atingida em testes progressivos.
Isso não significa que uma pessoa precise realizar testes máximos ou remar 2.000 m no limite para obter um bom treino. A revisão estudou principalmente avaliação de desempenho no remo, e não qual seria a melhor sessão para a saúde da população em geral.
Para uso recreativo, intensidade e duração podem ser adaptadas ao condicionamento. Assim como em bicicleta ergométrica ou esteira, é possível realizar desde sessões leves e contínuas até intervalos mais intensos.
Baixo impacto não significa ausência de cuidados
Outra característica do remo indoor é o fato de o movimento ocorrer sentado e sem os impactos repetidos de atividades como corrida e saltos. Isso pode torná-lo uma alternativa interessante para pessoas que procuram variar os estímulos aeróbicos. A World Rowing classifica o remo como uma atividade sem sustentação do peso corporal durante o movimento, com menor impacto articular em comparação com algumas modalidades.
Mas isso não torna a máquina livre de risco.
A própria entidade alerta que dor lombar é um problema conhecido entre remadores. Volumes elevados no ergômetro, aumento rápido da carga de treinamento, fadiga e técnica inadequada podem aumentar a flexão da coluna durante a remada e contribuir para desconforto.
Para um iniciante, portanto, faz mais sentido começar com sessões curtas, aprender a sequência pernas-tronco-braços e aumentar gradualmente duração e intensidade. Pessoas com dor persistente, lesões ou condições que limitem o exercício devem buscar orientação profissional antes de intensificar o treinamento.
O ergômetro também pode aproximar o público do remo
O crescimento do remo indoor tem ainda uma particularidade para quem gosta de esportes: a máquina usada na academia mantém uma conexão direta com uma modalidade olímpica.
Ela não reproduz todas as exigências técnicas de um barco, como equilíbrio, movimentação da embarcação e sincronização com outros remadores, mas permite experimentar parte da mecânica e das demandas físicas do esporte sem precisar estar na água.
É justamente essa combinação que pode explicar parte do novo interesse. O remo indoor funciona como atividade cardiovascular, exige coordenação de diferentes segmentos do corpo e ainda oferece métricas fáceis de acompanhar, como metros percorridos, potência e tempo.
Para quem passa pela máquina na academia sem saber por onde começar, a primeira meta não precisa ser remar mais forte. Aprender a remar melhor é um caminho mais lógico antes de tentar remar mais rápido.



