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Mobilidade ajuda corredores? Veja quando ela realmente faz diferença



Ter mais flexibilidade não significa necessariamente correr melhor; mobilidade depende da capacidade de controlar os movimentos usados na corrida



Corredores precisam treinar mobilidade? Veja quando faz diferença

Muitos corredores incluem exercícios de mobilidade na rotina em busca de uma passada mais eficiente, menos desconforto e melhor preparação para os treinos. Mas uma dúvida aparece com frequência: todo corredor precisa fazer mobilidade ou essa prática só faz diferença em alguns casos?

A resposta é mais complexa do que simplesmente dizer que “quanto mais mobilidade, melhor”.

A mobilidade envolve a capacidade de uma articulação se mover com amplitude adequada e com controle. Na corrida, isso significa permitir que regiões como quadril, tornozelo e coluna participem do movimento sem limitações que levem o corpo a criar compensações.

Mas uma grande amplitude de movimento, por si só, não garante melhor desempenho.

O corredor precisa de uma combinação entre mobilidade, força, estabilidade e coordenação.


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Mobilidade e flexibilidade são a mesma coisa?

Não exatamente.

Flexibilidade está relacionada principalmente à capacidade de um músculo ou grupo muscular ser alongado.

Mobilidade envolve algo mais amplo: conseguir realizar um movimento com amplitude e controle.

Uma pessoa pode conseguir fazer um grande alongamento no chão, mas ter dificuldade para controlar movimentos durante uma corrida.

Por isso, a mobilidade é uma capacidade funcional: ela precisa existir dentro dos movimentos que o corpo realmente utiliza.

Na corrida, algumas regiões recebem atenção especial, como:

  • tornozelos;
  • quadris;
  • coluna torácica;
  • músculos estabilizadores do tronco.

A mobilidade do quadril, por exemplo, tem sido apontada como uma capacidade importante para corredores porque influencia a forma como o corpo absorve e produz movimento durante a passada.

Todo corredor precisa fazer mobilidade?

Não necessariamente.

Essa é uma das principais mudanças na forma como o tema é visto atualmente.

Durante muito tempo, a mobilidade foi tratada como uma obrigação universal: todo atleta deveria fazer longas rotinas antes de qualquer treino.

Hoje, a visão é mais individualizada.

Um corredor que possui boa amplitude de movimento, não apresenta limitações e consegue executar sua técnica sem desconforto talvez não precise de uma grande quantidade de exercícios específicos.

Já uma pessoa que apresenta restrições de movimento, dores recorrentes ou dificuldade em determinadas posições pode se beneficiar de um trabalho direcionado.

A pergunta mais importante não é:

“Qual exercício de mobilidade todo corredor deve fazer?”

Mas sim:

“Existe alguma limitação de movimento que está interferindo na minha corrida?”

Mobilidade ajuda a prevenir lesões?

Esse é um dos pontos que mais gera confusão.

Não existe uma garantia de que fazer exercícios de mobilidade sozinho evitará lesões.

Lesões na corrida têm relação com diversos fatores:

  • aumento rápido de volume;
  • falta de recuperação;
  • histórico individual;
  • força muscular;
  • técnica;
  • características do treinamento.

A popularização da corrida trouxe justamente esse debate: muitas lesões acontecem não porque correr seja prejudicial, mas porque praticantes aumentam carga sem adaptação adequada.

A mobilidade pode ser uma parte da preparação, mas não substitui progressão inteligente de treino, descanso e fortalecimento.

Antes da corrida: mobilizar ou aquecer?

Essa diferença é importante.

Antes de correr, o objetivo principal é preparar o organismo para o esforço.

O aquecimento aumenta gradualmente temperatura corporal, circulação e ativação neuromuscular. Caminhada, trote leve e movimentos dinâmicos podem fazer parte dessa preparação.

Uma rotina longa de alongamento estático imediatamente antes da corrida, por outro lado, não é obrigatória e pode não ser a melhor estratégia para todos os objetivos. Estudos já mostraram que determinados protocolos de alongamento estático podem reduzir temporariamente força e potência em algumas situações.

Mobilidade dinâmica pode fazer sentido quando tem relação com a necessidade do corredor.

Quais sinais indicam que a mobilidade pode ser útil?

Alguns exemplos:

Dificuldade de realizar movimentos básicos

Se a pessoa tem dificuldade para agachar, movimentar o tornozelo ou controlar determinadas posições, pode existir uma limitação relevante.

Sensação de rigidez constante

A rigidez não significa automaticamente falta de mobilidade, mas pode indicar que vale investigar como o corpo está se movimentando.

Diferença entre lados

Limitações muito diferentes entre uma perna e outra podem influenciar padrões de movimento.

Alterações percebidas durante a corrida

Mudanças na técnica, desconfortos recorrentes ou compensações podem indicar necessidade de avaliação.

Como incluir mobilidade na rotina?

Para muitos corredores, mobilidade não precisa ser uma sessão longa.

Algumas estratégias:

  • poucos minutos antes do treino, com movimentos relacionados à corrida;
  • sessões específicas em dias separados;
  • combinação com treinamento de força;
  • exercícios direcionados para limitações individuais.

O importante é que o exercício tenha um propósito.

Fazer uma sequência aleatória vista nas redes sociais não significa necessariamente resolver uma necessidade do corpo.

Mobilidade melhora o desempenho?

Pode ajudar em algumas situações, mas não deve ser vista como uma solução isolada.

O desempenho na corrida depende de vários fatores:

  • capacidade cardiovascular;
  • força;
  • economia de corrida;
  • técnica;
  • recuperação;
  • consistência de treinamento.

Uma pessoa não corre melhor apenas porque consegue fazer movimentos mais amplos.

Ela corre melhor quando consegue usar seu corpo de forma eficiente para aquela tarefa.

A melhor mobilidade é a que tem função

A ideia mais importante é abandonar a busca por uma rotina universal.

Corredores diferentes têm necessidades diferentes.

Para alguns, mobilidade será uma ferramenta importante para melhorar movimento e conforto. Para outros, o foco principal pode estar em força, técnica ou organização do treinamento.

A mobilidade não é um ritual obrigatório antes de correr.

É uma ferramenta que faz sentido quando ajuda o corpo a realizar melhor aquilo que ele precisa fazer.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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