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Objetificação feminina no esporte: entenda o debate



Debate sobre publicidade e mulheres atletas reacende discussão sobre como corpos femininos são apresentados pela mídia, marcas e redes sociais



Objetificação do corpo feminino no esporte: quando a atleta deixa de ser vista pelo desempenho

Uma atleta passa anos treinando, competindo e buscando reconhecimento por sua técnica, dedicação e resultados. Mas, em muitos momentos, a conversa pública sobre mulheres no esporte ainda acaba desviando para outro lugar: aparência, corpo e estética.

A discussão voltou ao centro do debate após a repercussão de uma campanha publicitária envolvendo a atriz Sydney Sweeney e uma plataforma de apostas esportivas. O comercial gerou críticas de atletas que consideraram a peça uma forma de sexualização das mulheres no esporte e afirmaram que a representação feminina deveria valorizar mais desempenho e trajetória.

O episódio reacendeu uma questão antiga: quando a valorização do corpo feminino deixa de reconhecer a atleta como competidora e passa a transformá-la em produto?

A questão é complexa e vai além do óbvio. Afinal, atletas mulheres têm pleno direito de exercer autonomia sobre a própria imagem — seja ao estrelar campanhas, protagonizar ensaios fotográficos ou abordar publicamente questões do próprio corpo.

O debate central, portanto, não gira em torno da exposição em si, mas sim sobre quem detém o controle dessa narrativa e quais aspectos da mulher são priorizados nos holofotes.


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O corpo da atleta é diferente do corpo como objeto

O esporte sempre teve uma relação forte com o corpo.

O corpo do atleta representa treinamento, adaptação, força, resistência e habilidade. Ele é uma ferramenta de desempenho.

A questão aparece quando esse corpo deixa de ser apresentado pela sua função esportiva e passa a ser valorizado principalmente por padrões estéticos ou pelo potencial de atrair atenção.

Históricamente, a cobertura da mídia esportiva impõe um desafio contínuo às mulheres no esporte. Nesse sentido, pesquisas que analisaram grandes eventos revelam um padrão preocupante. Afinal, a aparência física e os estereótipos de gênero frequentemente ganham os holofotes, enquanto o desempenho técnico e as conquistas das atletas acabam relegados ao segundo plano.

A atleta quer ser vista como atleta

Durante décadas, mulheres no esporte precisaram lutar por reconhecimento.Muitas modalidades femininas receberam menos investimento, menor cobertura e menor valorização comercial em comparação aos homens.Nesse cenário, a forma como as atletas são apresentadas pela mídia tem impacto importante.

Uma reportagem sobre uma jogadora de futebol, uma nadadora ou uma ginasta pode escolher diferentes caminhos:

  • destacar preparação e resultados;
  • contar a história de superação;
  • explicar a técnica da modalidade;
  • ou priorizar aparência e vida pessoal.

A diferença parece pequena, mas muda a forma como o público enxerga aquela atleta.

O problema não é falar sobre o corpo feminino.O problema é quando o corpo se torna a principal informação sobre uma mulher que construiu sua carreira pelo esporte.

Sexualização e autonomia são a mesma coisa?

Esse é um dos pontos mais complexos do debate.Uma atleta pode escolher mostrar seu corpo, participar de ensaios ou construir uma marca pessoal usando diferentes linguagens.

Essa escolha individual faz parte da autonomia.

Ao mesmo tempo, cresce a discussão sobre o duplo padrão na mídia: enquanto homens são exaltados pela técnica, a imagem feminina frequentemente é direcionada para a estética, a sensualidade e a cobrança por padrões físicos.

Pesquisas sobre campanhas digitais de marcas esportivas identificaram que ainda existem representações femininas associadas à sensualização, inclusive em ambientes ligados ao esporte.

A pergunta central não é “mulheres podem mostrar seus corpos?”.

É: elas estão sendo reconhecidas pelo conjunto de suas capacidades ou reduzidas a uma característica física?

Como isso afeta meninas que praticam esporte?

A forma como mulheres atletas aparecem na mídia também influencia jovens que estão começando no esporte.

Meninas podem encontrar no esporte um espaço para desenvolver:

  • confiança;
  • autonomia;
  • disciplina;
  • trabalho em equipe;
  • relação positiva com o próprio corpo.

Mas também podem enfrentar pressões relacionadas à aparência, comparação e padrões estéticos.O esporte deveria apresentar diferentes modelos de corpo feminino.Não existe um único corpo de atleta.

Uma levantadora de peso, uma maratonista, uma ginasta, uma nadadora e uma jogadora de vôlei possuem características físicas diferentes porque suas modalidades exigem habilidades diferentes.

O crescimento do esporte feminino muda essa conversa?

Sim.

O aumento da audiência, dos investimentos e da presença digital das atletas abriu novas oportunidades comerciais.

Mais mulheres estão ocupando espaços de protagonismo.Esse crescimento também aumenta a responsabilidade sobre como essas histórias são contadas.

Valorizar uma atleta não significa apenas mostrar sua imagem.

Significa explicar sua trajetória, suas conquistas e o trabalho necessário para chegar ao alto rendimento.

O desafio da mídia e das marcas

A cobertura esportiva tem papel importante nessa transformação.

Uma narrativa centrada apenas na aparência limita a compreensão sobre o esporte feminino.

Uma narrativa que apresenta técnica, esforço, personalidade e resultados amplia a forma como o público entende essas atletas.

Isso não significa eliminar a dimensão estética ou pessoal das mulheres.

Significa colocar o esporte no centro.

Afinal, qual é o limite?

Não existe uma resposta única sobre toda exposição do corpo feminino.Cada atleta tem sua história, suas escolhas e sua relação com a própria imagem.

O ponto principal do debate é :mulheres no esporte querem ser reconhecidas por tudo aquilo que constroem dentro da competição.

O corpo de uma atleta conta uma história de treinamento, dedicação e capacidade.O desafio é garantir que essa história não seja substituída apenas pela aparência.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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