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Natação depois dos 60 ajuda o cérebro? Estudos mostram



Revisões recentes encontram sinais de benefícios cognitivos, mas ainda faltam estudos maiores para confirmar o efeito



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A natação pode ser uma alternativa interessante para manter o corpo ativo durante o envelhecimento. Além dos efeitos sobre condicionamento cardiorrespiratório e força, pesquisas recentes começaram a investigar se a modalidade também pode estar relacionada à saúde cognitiva.

Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 encontrou sinais promissores de benefícios da natação para a cognição em adultos mais velhos. Dos 17 estudos incluídos, seis relataram melhora de algum aspecto do funcionamento cognitivo. Ao mesmo tempo, apenas dois trabalhos eram ensaios clínicos randomizados, o que limita a força das conclusões.

Ou seja: a natação aparece como uma possibilidade interessante para o envelhecimento saudável, mas ainda não é possível afirmar que nadar previna demência ou preserve a memória em todas as pessoas.


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O que os estudos encontraram?

A revisão foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Ottawa e da Université de Sherbrooke. Eles pesquisaram quatro bases de dados e encontraram inicialmente 3.915 registros. Depois das etapas de seleção, 17 estudos publicados entre 2007 e 2019, realizados em 11 países, foram incluídos na análise.

Os trabalhos avaliaram adultos mais velhos, com e sem comprometimento cognitivo. Em seis estudos, a natação esteve associada a melhora em algum aspecto da cognição. Também apareceram resultados relacionados a atenção, ansiedade e depressão.

Os efeitos fisiológicos foram mais consistentes: os estudos relataram melhora de condicionamento cardiorrespiratório e força.

A conclusão dos autores foi que a natação apresenta benefícios promissores, mas são necessários estudos mais rigorosos para determinar quais tipos de treinamento, intensidades e durações produzem melhores resultados.

Nadar pode ser diferente de simplesmente fazer exercício na água

Outro trabalho publicado em 2026 ajuda a colocar esses resultados em perspectiva.

Uma revisão sistemática com meta-análise em rede comparou diferentes modalidades de exercícios aquáticos em adultos com 60 anos ou mais. Foram incluídos nove ensaios clínicos randomizados, envolvendo 324 participantes.

Os pesquisadores compararam exercícios aquáticos aeróbicos, de força, HIIT e atividades que combinavam movimento corporal com tarefas cognitivas. O exercício aquático cognitivo-motor apresentou a maior probabilidade de produzir benefícios cognitivos, embora apenas essa modalidade tenha apresentado diferença estatisticamente significativa em relação a não fazer exercício.

Esse resultado é interessante porque sugere que não é necessariamente a intensidade do exercício que explica todos os possíveis efeitos sobre o cérebro.

Atividades que exigem simultaneamente movimento, coordenação e atenção podem oferecer um estímulo diferente.

Mas a evidência ainda é pequena. Os próprios autores destacam que os resultados precisam ser interpretados com cautela devido ao número reduzido de estudos e participantes.

Por que a natação poderia ajudar o cérebro?

Existem algumas hipóteses para explicar a relação.

A primeira é o próprio efeito da atividade física sobre a saúde cardiovascular. O exercício melhora o condicionamento e pode contribuir para o controle de fatores de risco associados à saúde cerebral.

A natação também exige coordenação dos movimentos, controle da respiração, orientação espacial e atenção à execução da técnica. Dependendo da atividade, o praticante precisa combinar diferentes informações enquanto se movimenta.

Isso não significa que a natação tenha um efeito exclusivo sobre o cérebro. Caminhada, corrida, ciclismo, dança, musculação e outras modalidades também podem proporcionar estímulos físicos e, em alguns casos, cognitivos.

Natação previne demência?

Ainda não é possível afirmar isso.

A revisão de 2026 incluiu estudos com pessoas que já apresentavam comprometimento cognitivo e outras que não apresentavam. Além disso, muitos dos trabalhos eram observacionais, ou seja, identificavam relações entre comportamentos e resultados sem necessariamente demonstrar que uma coisa causou a outra.

Esse ponto é fundamental.

Se pessoas mais velhas que nadam apresentam melhor desempenho cognitivo, por exemplo, isso não significa automaticamente que a natação tenha produzido o resultado. Pessoas fisicamente ativas podem apresentar outras características diferentes, como alimentação, escolaridade, condições de saúde, nível de atividade social e acesso a cuidados médicos.

É justamente por isso que os pesquisadores pedem estudos mais bem controlados.

Precisa saber nadar para obter benefícios do exercício na água?

A revisão sobre exercícios aquáticos mostra que diferentes atividades realizadas na água podem produzir benefícios, e não apenas a natação tradicional.

Para uma pessoa que não sabe nadar, portanto, existem outras possibilidades de exercício aquático, desde que sejam realizadas com segurança e orientação adequada.

Hidroginástica, exercícios de resistência na água e atividades que combinam movimento e coordenação podem ser alternativas.

A escolha deve levar em consideração experiência, condicionamento físico, segurança e preferências individuais.

Qual é a melhor maneira de começar?

Para quem já nada, aumentar gradualmente a frequência pode ser uma forma de incorporar a modalidade à rotina.

Para quem está começando depois dos 60, não é necessário buscar imediatamente treinos longos ou intensos. A prioridade deve ser desenvolver familiaridade com a água e estabelecer uma rotina que possa ser mantida.

Quem possui limitações de mobilidade, doenças crônicas ou dificuldade para nadar deve procurar orientação profissional antes de iniciar uma atividade nova.

O objetivo também não precisa ser exclusivamente proteger a memória.

A natação pode contribuir para manter uma pessoa ativa, melhorar o condicionamento e oferecer uma atividade prazerosa. Os possíveis efeitos sobre a cognição são uma possibilidade adicional que a ciência ainda está investigando.

O que já sabemos?

A melhor conclusão neste momento é moderada.

A natação parece promissora para a saúde cognitiva de adultos mais velhos, mas ainda não existe evidência suficiente para dizer que ela previne demência ou é superior a outras modalidades.

Os estudos disponíveis indicam que manter-se fisicamente ativo pode trazer benefícios amplos para o envelhecimento, enquanto pesquisas específicas sobre natação e cognição começam a mostrar resultados interessantes.

Para quem gosta de piscina, portanto, existe uma boa razão para continuar nadando. Mas a justificativa não precisa ser a promessa de proteger o cérebro.

A melhor estratégia continua sendo encontrar uma atividade física segura, prazerosa e sustentável ao longo dos anos.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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