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Você come fibra suficiente? Veja por que ela importa para a saúde



Nutriente encontrado em frutas, verduras, leguminosas e cereais integrais vai muito além do funcionamento do intestino



O papel das fibras na saciedade e no controle do apetite

A fibra alimentar costuma ser lembrada quando o assunto é intestino preso. Mas seus efeitos não terminam aí. O nutriente participa de diferentes processos do organismo e está relacionado à saúde intestinal, ao controle da glicose, ao colesterol e à saúde cardiovascular.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 analisou 113 ensaios clínicos randomizados sobre consumo de fibras e funcionamento intestinal em pessoas sem doenças intestinais. Os pesquisadores encontraram evidências moderadas de que aumentar a ingestão de fibras melhora a consistência das fezes, aumenta a frequência das evacuações e reduz o tempo de trânsito intestinal.

Isso não significa que quanto mais fibra, melhor. O tipo de fibra, a quantidade consumida, a alimentação como um todo e a adaptação individual influenciam a resposta.


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O que são as fibras?

As fibras são componentes de origem vegetal que não são completamente digeridos pelo organismo. Elas estão presentes naturalmente em alimentos como frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, aveia, cereais integrais, castanhas e sementes.

Existem diferentes tipos de fibras, com propriedades distintas. Algumas têm maior capacidade de absorver água e formar uma espécie de gel. Outras contribuem principalmente para aumentar o volume das fezes e acelerar o trânsito intestinal.

A classificação também pode considerar características como viscosidade e fermentabilidade. Isso é importante porque duas fontes de fibra podem produzir efeitos diferentes no organismo.

Por isso, falar simplesmente em “fibra” esconde uma variedade grande de compostos.

Quanto de fibra é necessário?

Não existe uma quantidade única que sirva exatamente para todas as pessoas. As recomendações podem variar de acordo com idade, sexo, necessidades energéticas e condição de saúde.

Uma referência utilizada em diretrizes nutricionais é cerca de 14 gramas de fibra para cada 1.000 quilocalorias consumidas. Para muitas pessoas, isso resulta em uma ingestão diária na faixa de aproximadamente 25 a 30 gramas.

A Sociedade Brasileira de Diabetes, por exemplo, recomenda para adultos com diabetes tipo 2 o consumo de 14 g de fibras por 1.000 kcal, com mínimo de 25 g por dia, dentro de uma estratégia alimentar adequada ao controle glicêmico.

Para quem atualmente consome pouca fibra, entretanto, tentar atingir uma meta elevada de uma vez pode causar desconforto abdominal.

O aumento deve ser gradual.

Fibra também alimenta as bactérias do intestino

Uma das razões pelas quais as fibras ganharam tanto espaço nas pesquisas sobre saúde intestinal é sua interação com a microbiota.

Algumas fibras chegam ao intestino grosso praticamente intactas e podem ser utilizadas por determinados microrganismos como fonte de energia. Esse processo produz compostos chamados ácidos graxos de cadeia curta, entre eles o butirato.

Uma meta-análise que reuniu 64 estudos e 2.099 participantes encontrou aumento na quantidade de algumas bactérias, como Bifidobacterium e Lactobacillus, após intervenções com determinados tipos de fibra. Também houve aumento de butirato fecal. No entanto, a intervenção não aumentou de maneira geral a diversidade da microbiota.

Essa diferença é importante. Não é correto dizer que qualquer fibra simplesmente “equilibra a microbiota”.

Mais fibra pode ajudar o coração?

A relação entre consumo de fibras e saúde cardiovascular também é estudada há anos.

Uma revisão de estudos observacionais encontrou associações entre maior consumo de fibras e menor risco de mortalidade cardiovascular e por todas as causas, além de relações com algumas doenças cardiovasculares. Os autores classificaram parte dessas evidências como convincente, embora estudos observacionais não consigam provar que a fibra, isoladamente, tenha causado os resultados.

Ensaios clínicos também encontraram efeitos sobre alguns fatores de risco. Uma revisão sistemática identificou evidência de redução da pressão arterial em pessoas com hipertensão e de alguns níveis de colesterol com aumento da ingestão de fibras, embora a certeza variasse conforme o resultado analisado.

Isso ajuda a entender por que a recomendação de consumir mais alimentos ricos em fibras aparece em diferentes padrões alimentares considerados saudáveis.

E o açúcar no sangue?

A fibra também pode influenciar a resposta glicêmica de uma refeição.

Alimentos ricos em fibras tendem a ser digeridos de maneira diferente de produtos refinados com pouca fibra. Algumas fibras, especialmente as mais viscosas, podem retardar a digestão e a absorção de carboidratos.

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda pelo menos 25 g de fibras por dia para adultos com diabetes tipo 2, dentro de uma alimentação individualizada, justamente pelo potencial de melhorar o controle glicêmico e atenuar a elevação da glicose após as refeições.

Isso não significa que adicionar fibras permita comer qualquer quantidade de açúcar ou carboidratos sem consequências. O padrão alimentar completo continua sendo determinante.

Quais alimentos são boas fontes?

Uma maneira simples de aumentar o consumo é diversificar as fontes vegetais ao longo do dia.

Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha.

Frutas: especialmente quando consumidas inteiras, em vez de transformadas em suco.

Verduras e legumes: diferentes vegetais fornecem diferentes tipos e quantidades de fibras.

Cereais integrais: aveia, arroz integral e outros grãos integrais.

Sementes e castanhas: chia, linhaça, amendoim e outras oleaginosas também contribuem.

A preferência por alimentos naturalmente ricos em fibras também aparece nas recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, que considera essas fontes preferíveis aos suplementos de fibra pela presença adicional de vitaminas, minerais e outros componentes alimentares.

Aumentar a fibra exige adaptação

Quem decide aumentar bastante o consumo de fibras pode apresentar gases, distensão abdominal ou alterações no funcionamento intestinal durante a adaptação.

Por isso, não é necessário transformar a alimentação de um dia para o outro.

Uma estratégia mais simples é acrescentar gradualmente frutas, verduras, legumes, feijão e cereais integrais às refeições habituais.

A ingestão adequada de líquidos também faz parte desse processo, especialmente quando há aumento significativo do consumo de fibras.

Pessoas com doenças intestinais, sintomas persistentes ou necessidades nutricionais específicas podem precisar de orientação individualizada.

Fibra não é um alimento milagroso

O crescimento do interesse pela saúde intestinal trouxe também algumas promessas exageradas. Não existe uma fibra capaz de “desintoxicar” o organismo ou resolver sozinha problemas de saúde.

O que a ciência sustenta é mais simples: uma alimentação com quantidade adequada e variedade de fibras está associada a benefícios importantes para o funcionamento intestinal e pode contribuir para diferentes aspectos da saúde metabólica e cardiovascular.

O melhor caminho não é procurar o suplemento ou alimento da moda, mas aumentar gradualmente a variedade de alimentos vegetais da dieta.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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