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Indefinição do calendário causa aflição a cinco meses para Tóquio-2020

Remarcação de eventos qualificatórios e dificuldades para os atletas viajarem trazem preocupação dentro do COB

O handebol brasileiro viu mudar a sede do Pré-Olímpico mundial por causa das restrições da pandemia (IHF/Divulgação)

Indefinição do calendário causa aflição a cinco meses para Tóquio-2020

Fevereiro está terminando, mas deixou de brinde uma dose extra de tensão aos atletas que ainda sonham com uma vaga na Olimpíada de Tóquio-2020. A pouco menos de cinco meses de sua cerimônia de abertura, prevista para o dia 23 de julho, os Jogos Olímpicos ainda têm 39% de seus participantes desconhecidos. Este número não seria preocupante se a pandemia do coronavírus não estivesse causando problemas para a realização de competições classificatórias ou mesmo travando o deslocamento de atletas pelo mundo.

A ginástica artística deu o primeiro sinal de alerta, com o cancelamento de etapas da Copa do Mundo nas últimas semanas. Isso acabou mudando o próprio sistema de qualificação para Tóquio. Já na última quarta-feira (24), a IHF (Federação Internacional de Handebol) confirmou que a Noruega desistiu de organizar um dos quadrangulares decisivos do torneio olímpico masculino, que inclusive contaria com a presença do Brasil.

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O motivo foram as restrições sanitárias pela pandemia. A competição foi transferida para Montenegro, em Podgorica, e será realizada entre os dias 12 e 14 de março.

Desde o início do ano, são frequentes as notícias apontando alterações em competições de todas as modalidades, várias delas sendo transferidas para os próximos meses. O objetivo é tentar realizar o evento em um período menos complicado da pandemia.

O problema é que a contagem regressiva para a Olimpíada começa a correr cada vez mais rápida. E não é um exagero questionar se haverá tempo hábil para que as vagas restantes sejam preenchidas conforme o planejamento inicial.

Soma-se a isso uma outra dor de cabeça, que é o próprio planejamento dos comitês olímpicos na reta final da preparação para Tóquio-2020. Tudo isso tem causando uma certa aflição nos corredores do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Até porque o Brasil ainda conta com um ingrediente indigesto para administrar, que é a situação local da Covid-19.

Atletas e equipes brasileiras já começam a encontrar dificuldades para competir ou mesmo treinar no exterior. Além disso, com uma nova cepa do coronavírus circulando pelo país, a entrada de brasileiros em vários países está sendo vetada. O ciclista Henrique Avancini e a seleção masculina de polo aquático, por exemplo, tiveram problemas para viajar, por exemplo.

Barrados no baile

“Estamos entrando em uma fase na qual os atletas precisam entrar em ritmo de competição. A partir de março, essa é uma etapa muito importante na preparação. Por isso que estes impedimentos e mudanças no calendário nos preocupam”, afirmou Jorge Bichara, diretor de esportes do COB, em entrevista exclusiva ao blog.

Segundo Bichara, como vários atletas estão há muito tempo sem competir, a necessidade de “rodar as competições”, como ele diz, é ainda mais importante. “Isso faz parte de um processo que eles já estão habituados. Cabe a nós buscar alternativas e soluções, mas muda o plano original”, explicou.

Além do problema de “fronteiras fechadas”, que é algo para o qual não solução imediata, o COB fica alerta também na questão do calendário de eventos qualificatórios de Tóquio-2020 sob suspense.

Jorge Bichara, diretor do COB, pandemia, adiamento da Olimpíada de Tóquio
O diretor de esportes do COB, Jorge Bichara, está preocupado com as dificuldades que os atletas estão encontrando para competir (Wander Roberto/COB/Arquivo)

“Até o momento, a situação segue a mesma, segundo o COI. Até junho, 25% das vagas restantes serão definidas por torneios qualificatórios e 14% através de rankings mundiais. Agora, daqui a pouco não vai resolver jogarem para frente estes torneios. Terá que ocorrer alguma solução”, diz Jorge Bichara.

No caso do Brasil, o maior impacto de tudo isso é o próprio planejamento da Missão Tóquio. “O impacto na logística da viagem por conta destes atrasos nas definições dos classificados é muito grande. Porque você tem que saber quem vai, a quantidade de atletas, há o custo na aclimatação, compra de passagens, hospedagem…Existem uma série de situações que são consequência de uma classificação realizada cedo ou tarde”, disse o diretor do COB.

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