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Exercício ajuda na ansiedade? O que os estudos mostram



Pesquisas recentes apontam redução de sintomas, mas exercício não substitui tratamento para transtornos de ansiedade



Corrida como terapia: como o movimento ajuda a reduzir a ansiedade

A relação entre exercício físico e saúde mental ganhou novas evidências nos últimos anos. Estudos mostram que uma sessão de atividade física pode produzir uma redução momentânea da ansiedade e que a prática regular também pode estar associada a menos sintomas ao longo do tempo.

Mas existe uma diferença importante entre sentir ansiedade e ter um transtorno de ansiedade diagnosticado. E essa distinção muda a maneira como os resultados das pesquisas devem ser interpretados.

Uma grande revisão publicada em 2026 reuniu 63 estudos, 81 meta-análises, 1.079 estudos componentes e 79.551 participantes. No conjunto, os pesquisadores encontraram redução dos sintomas de ansiedade entre pessoas que participaram de intervenções com exercícios. Os efeitos foram mais evidentes para exercícios aeróbicos, enquanto sessões de menor duração e intensidade estiveram associadas a maiores reduções nos sintomas de ansiedade.

Isso não significa que exista um treino capaz de eliminar a ansiedade.


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O que acontece com a ansiedade quando fazemos exercício?

A ansiedade envolve uma combinação de respostas físicas e psicológicas. Coração acelerado, tensão muscular, respiração mais rápida e sensação de alerta podem aparecer quando o organismo interpreta uma situação como ameaçadora.

O exercício também provoca algumas dessas respostas. Durante uma corrida, por exemplo, a frequência cardíaca e a respiração aumentam.

A diferença é que, durante a atividade física, essas alterações acontecem dentro de um contexto controlado e conhecido. Depois do esforço, o organismo passa por um período de recuperação.

Pesquisadores estudam diferentes mecanismos para explicar os possíveis efeitos sobre a ansiedade, incluindo alterações na atividade do sistema nervoso, regulação do estresse e mudanças relacionadas à percepção corporal.

Ainda assim, não existe uma única explicação para os benefícios observados.

Quanto exercício pode ajudar?

Não há uma quantidade universal que possa ser apresentada como “dose contra a ansiedade”.

Uma revisão de 2026 que analisou especificamente exercícios para adultos com transtornos de ansiedade incluiu 30 ensaios clínicos randomizados, com 1.421 participantes. Entre as modalidades avaliadas, o treinamento de resistência apresentou os maiores efeitos na análise dos autores, seguido por intervenções baseadas em exercício e práticas de atenção plena.

O resultado é interessante porque mostra que o possível benefício não está restrito à corrida ou a outros exercícios aeróbicos.

Musculação, treinamento de força, caminhada, corrida, ciclismo e outras atividades podem fazer parte de uma rotina fisicamente ativa.

O melhor exercício, nesse contexto, pode ser aquele que a pessoa consegue praticar regularmente e de maneira adequada à sua condição física.

É melhor fazer exercício forte ou leve?

Não existe uma resposta única.

A grande revisão publicada no British Journal of Sports Medicine encontrou uma associação entre maiores reduções dos sintomas de ansiedade e exercícios de menor duração e menor intensidade. Isso não significa que exercícios intensos sejam ruins para a saúde mental. O resultado indica apenas que não é necessário fazer um treino muito pesado para observar possíveis benefícios.

Para uma pessoa sedentária, por exemplo, começar com caminhada pode ser mais realista do que tentar correr ou fazer um treino de alta intensidade.

À medida que o condicionamento melhora, a pessoa pode experimentar outras modalidades e intensidades.

Uma caminhada já pode fazer diferença?

Pode ser uma porta de entrada.

A atividade física não precisa começar com uma sessão longa ou exaustiva. Caminhar, pedalar, nadar, dançar ou fazer exercícios de força são formas de aumentar o movimento ao longo da semana.

Uma das vantagens de começar com uma atividade simples é reduzir a barreira de entrada. Se o exercício escolhido for compatível com a rotina e agradável, existe maior possibilidade de que seja mantido.

Também não é necessário transformar cada sessão em um teste de desempenho.

O objetivo, quando a prioridade é saúde e bem-estar, é construir uma rotina sustentável.

E quem tem transtorno de ansiedade?

Aqui está a principal ressalva.

Os estudos mostram que exercícios podem reduzir sintomas de ansiedade, mas isso não significa que o exercício sozinho seja suficiente para tratar um transtorno de ansiedade.

Uma revisão publicada em 2026 encontrou efeitos favoráveis quando diferentes populações e sintomas foram analisados em conjunto. Porém, quando os pesquisadores restringiram a análise a transtornos de ansiedade diagnosticados, a evidência ficou menos consistente.

Essa diferença é importante.

Uma pessoa pode apresentar ansiedade ocasional antes de uma prova, uma entrevista de emprego ou uma situação difícil. Isso faz parte das respostas normais do organismo.

Já transtornos de ansiedade são condições de saúde mental que podem causar sintomas persistentes e interferir significativamente na vida cotidiana.

Nesse caso, exercício pode fazer parte da estratégia de cuidado, mas não deve ser apresentado como substituto de psicoterapia, medicamentos quando indicados ou acompanhamento profissional.

Existe um exercício melhor para ansiedade?

Até o momento, não há uma modalidade que possa ser considerada universalmente superior.

A revisão de 2026 encontrou resultados particularmente favoráveis para treinamento de resistência em adultos com transtornos de ansiedade, mas os estudos tinham limitações e diferentes protocolos.

Na prática, isso abre espaço para diferentes escolhas.

A musculação atende ao público de academia, assim como a caminhada, a corrida e o ciclismo atraem os adeptos do ar livre. A natação supre a preferência por atividades aquáticas, somando-se à dança, ao treino funcional e aos esportes coletivos para elevar o nível diário de exercício.

Não é necessário escolher a modalidade mais popular ou mais intensa.

O exercício pode piorar a ansiedade?

Em algumas situações, as sensações produzidas pelo exercício podem ser desconfortáveis.

Coração acelerado, falta de ar, suor e tontura podem se parecer com algumas sensações associadas à ansiedade. Para determinadas pessoas, especialmente aquelas que já têm medo dessas sensações corporais, isso pode tornar o início da atividade mais difícil.

Por isso, começar gradualmente pode ser uma estratégia mais confortável.

Também é importante interromper o exercício e procurar avaliação quando surgirem sintomas físicos inesperados, intensos ou diferentes do que normalmente acontece durante o esforço.

O que a ciência permite dizer?

A mensagem mais segura é simples: o exercício pode ajudar a reduzir sintomas de ansiedade, mas não é uma solução universal nem um substituto automático para tratamento de saúde mental.

As evidências mais recentes reforçam que diferentes modalidades podem ser úteis e que não é necessário treinar em alta intensidade para buscar benefícios.

Para quem está parado, começar com uma atividade possível de manter já pode ser mais importante do que procurar o treino perfeito.

E, para quem apresenta ansiedade persistente ou sintomas que interferem na vida cotidiana, o exercício pode ser uma parte do cuidado, ao lado do acompanhamento profissional adequado.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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