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Exercício reduz estresse? Ciência explica o que muda



Estudos indicam que atividade física pode ajudar no controle do estresse, mas os efeitos variam conforme modalidade, intensidade e contexto



Pessoa fazendo pausa consciente para reduzir o estresse durante o dia

Depois de um dia difícil, muitas pessoas relatam a sensação de “esvaziar a cabeça” após uma corrida, uma aula de musculação ou uma caminhada. Essa percepção tem respaldo científico: pesquisas mostram que o exercício pode estar associado à redução de sintomas relacionados ao estresse e à melhora do bem-estar psicológico. Mas a resposta não é simplesmente “qualquer exercício funciona da mesma forma”.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2026 analisou 25 ensaios clínicos randomizados com 2.127 universitários e encontrou associação entre programas estruturados de exercício e melhora em sintomas de depressão, ansiedade e estresse quando comparados a grupos controle. Os pesquisadores observaram, porém, grande variação entre os estudos, o que exige cautela ao tentar definir uma única modalidade ideal.

A principal mensagem é que o exercício pode ser uma ferramenta importante dentro de uma rotina de saúde, mas não deve ser tratado como substituto de acompanhamento profissional em casos de transtornos de saúde mental.


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Por que o exercício pode ajudar no estresse?

O estresse envolve uma combinação de respostas físicas e psicológicas. Quando uma pessoa enfrenta uma situação considerada desafiadora, o organismo ativa mecanismos relacionados à atenção, energia e preparação para responder ao problema.

A prática regular de atividade física pode influenciar esses sistemas. Entre os possíveis mecanismos estudados estão alterações na resposta ao estresse, melhora do sono, aumento da sensação de bem-estar e mudanças em processos relacionados ao funcionamento cerebral.

Mas é importante diferenciar:

  • estresse cotidiano, como pressão no trabalho ou estudos;
  • sintomas de ansiedade ou tristeza;
  • transtornos diagnosticáveis, que podem exigir tratamento específico.

O exercício pode contribuir para o bem-estar e para a redução de alguns sintomas, mas não significa que uma pessoa consiga resolver qualquer problema de saúde mental apenas treinando.

Qual exercício ajuda mais?

A resposta depende do objetivo e da pessoa.

Na revisão de 2026, diferentes modalidades apresentaram resultados positivos em diferentes aspectos. Exercícios aeróbicos tiveram sinais favoráveis especialmente para estresse, enquanto atividades de mente e corpo, como práticas que combinam movimento, respiração e concentração, apareceram associadas a benefícios para ansiedade em algumas análises. Treinos de força e esportes coletivos também apresentaram resultados positivos, mas com menos dados disponíveis em algumas comparações.

Isso não significa que uma corrida seja necessariamente melhor do que uma sessão de musculação ou que uma modalidade relaxante funcione para todos.

A resposta individual importa muito.

Para algumas pessoas, o efeito vem da intensidade do exercício e da sensação de superação. Para outras, está ligado ao momento de pausa, à interação social ou à concentração necessária durante a atividade.

Exercício intenso sempre reduz mais o estresse?

Esse é outro ponto em que a ciência não apoia uma regra simples.

Durante o exercício intenso, o organismo passa por uma situação de estresse físico controlado. Isso faz parte da adaptação do treinamento. Porém, quando a carga é excessiva e não existe recuperação adequada, o exercício pode deixar de ser uma ferramenta positiva.

Sono ruim, excesso de treinos, falta de descanso e pressão por desempenho podem aumentar a sensação de cansaço físico e mental.

Por isso, uma pessoa que busca saúde e bem-estar não precisa necessariamente treinar no limite.

Uma caminhada, uma aula de dança, uma pedalada leve, natação, musculação ou uma corrida recreativa podem cumprir papéis diferentes dentro de uma rotina equilibrada.

Quanto exercício é necessário?

Ainda não existe uma “dose perfeita” de exercício para reduzir estresse em todas as pessoas.

Na revisão de 2026, análises exploratórias sugeriram que sessões entre 30 e 59 minutos apareceram com frequência associadas a melhores resultados para alguns indicadores de saúde mental. Os autores, porém, ressaltam que esses achados ainda precisam de confirmação em estudos mais robustos.

As recomendações gerais de atividade física continuam sendo uma referência importante: adultos devem buscar pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana.

Mas começar com menos movimento ainda pode ser melhor do que permanecer completamente parado.

O componente social também importa

Um aspecto que diferencia algumas modalidades é a interação com outras pessoas.

Esportes coletivos, grupos de corrida, aulas de academia e atividades em comunidade podem oferecer não apenas estímulo físico, mas também conexão social. Esse fator pode influenciar a relação entre exercício e saúde mental.

A atividade escolhida precisa ser sustentável. Uma modalidade considerada excelente no papel não terá muito efeito se a pessoa não consegue manter a prática.

O melhor exercício é aquele que cabe na rotina

A ciência atual reforça que exercício pode ser uma estratégia útil para lidar melhor com o estresse, mas não existe uma modalidade universalmente superior.

A melhor escolha depende de preferências, objetivos, condição física e momento de vida.

Para uma pessoa, pode ser correr 5 km. Para outra, fazer musculação, nadar, pedalar, praticar yoga ou simplesmente caminhar em um parque.

Mais importante do que encontrar o treino perfeito é construir uma rotina de movimento que seja possível manter ao longo do tempo.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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