O café descafeinado pode ser uma alternativa para quem gosta do sabor e do ritual da bebida, mas deseja diminuir o consumo de cafeína. Apesar do nome, ele não é necessariamente livre da substância.
Segundo a Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos, uma xícara de aproximadamente 240 ml de café descafeinado costuma ter entre 2 e 15 mg de cafeína. O valor é muito menor do que o encontrado no café tradicional, que pode ultrapassar 100 mg em uma porção comum, mas não chega obrigatoriamente a zero.
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Por que ainda sobra cafeína?
A cafeína está naturalmente presente nos grãos de café. Para produzir a versão descafeinada, a indústria precisa retirar a substância sem eliminar todos os compostos responsáveis pelo aroma e pelo sabor.
Esse processo costuma ser realizado com os grãos ainda verdes, antes da torra. Entre os métodos utilizados estão a extração com água e filtros, o uso de dióxido de carbono sob pressão e procedimentos com solventes autorizados para o processamento de alimentos.
Nenhum desses métodos garante que todas as moléculas de cafeína sejam retiradas. O objetivo é reduzir bastante a concentração, mantendo o grão adequado para a torra e o preparo da bebida.
Por isso, “descafeinado” significa que o produto apresenta muito menos cafeína do que sua versão comum — e não que a quantidade seja necessariamente nula.
A quantidade muda entre marcas e preparos
O teor que chega à xícara depende da quantidade restante no grão, do tipo de café, do volume servido e do modo de preparo.
Um estudo que analisou bebidas descafeinadas vendidas em diferentes cafeterias encontrou de zero a 13,9 mg de cafeína em porções de aproximadamente 473 ml. Os pesquisadores também observaram alguma variação entre bebidas preparadas no mesmo estabelecimento.
Isso significa que duas xícaras de descafeinado podem fornecer quantidades diferentes, mesmo quando possuem volumes semelhantes. Café filtrado, espresso, cápsula e produto solúvel também não devem ser tratados como se fossem equivalentes.
O tamanho da porção merece atenção. Uma caneca grande com duas doses de espresso descafeinado pode acumular mais cafeína do que uma pequena xícara preparada em casa.
Quanto o processo costuma retirar?
A Associação Nacional do Café dos Estados Unidos informa que a descafeinação costuma remover aproximadamente 97% da cafeína encontrada originalmente nos grãos. Uma xícara comum de descafeinado ficaria, em média, com uma pequena fração do teor presente no café tradicional.
Essa porcentagem funciona como referência, mas não permite calcular exatamente quanto haverá em qualquer bebida. O café tradicional também varia bastante conforme a espécie do grão, a receita, a proporção de pó e água e o tamanho da xícara.
Na prática, trocar o café comum pelo descafeinado costuma provocar uma redução importante no consumo. Porém, quem toma várias xícaras ao longo do dia ainda pode somar alguns miligramas.
O descafeinado pode afetar o sono?
Para a maior parte das pessoas, a quantidade de cafeína do descafeinado é pequena. Entretanto, a sensibilidade à substância varia. Medicamentos, condições de saúde e a velocidade com que cada organismo elimina a cafeína também podem mudar a resposta.
Uma pessoa muito sensível pode perceber efeitos mesmo com doses menores, principalmente quando consome várias xícaras ou toma a bebida perto do horário de dormir. A FDA orienta que pessoas que reagem fortemente à cafeína considerem evitar até mesmo produtos descafeinados.
O descafeinado também não resolve sozinho problemas de sono. Horário, rotina, quantidade consumida, açúcar adicionado e outros alimentos ou bebidas com cafeína precisam ser considerados.
Chocolate, chá, refrigerantes, energéticos, alguns suplementos e certos medicamentos também podem contribuir para o consumo diário.
O sabor muda depois da retirada da cafeína?
A descafeinação tenta preservar os componentes aromáticos, mas parte deles pode ser modificada ou retirada durante o processo. Uma análise científica encontrou diferenças entre cafés comuns e descafeinados e destacou que a retirada mais intensa da cafeína pode vir acompanhada da redução de alguns compostos voláteis ligados ao aroma.
Isso não significa que todo descafeinado terá sabor fraco. A espécie do café, a qualidade do grão, a torra, o armazenamento e o preparo também interferem na experiência da xícara.
A própria cafeína contribui parcialmente para o amargor. Assim, algumas pessoas percebem o descafeinado como uma bebida mais suave, enquanto outras notam pouca diferença.
Como escolher um café descafeinado
O primeiro passo é verificar se a embalagem identifica claramente o produto como descafeinado. Caso o fabricante informe o método utilizado, o consumidor também poderá encontrar expressões como processo com água, dióxido de carbono ou acetato de etila.
Não é necessário considerar automaticamente um processo superior em sabor. O resultado depende da qualidade inicial dos grãos e do controle realizado em todas as etapas.
Também vale observar:
- tamanho da porção preparada;
- quantidade de doses usadas;
- presença de açúcar ou outros ingredientes;
- horário de consumo;
- reação individual à cafeína.
Quem precisa evitar a substância por orientação médica não deve presumir que o descafeinado seja totalmente livre dela. Nesse caso, é importante confirmar se pequenas quantidades são aceitáveis.
O café descafeinado reduz bastante a ingestão de cafeína e pode preservar o hábito de tomar café. A diferença principal está na quantidade: ela cai muito, mas nem sempre desaparece completamente.



