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Regularidade do sono: por que acordar no mesmo horário?



Manter horários parecidos ajuda a organizar o ciclo de sono, mas a regularidade não substitui a necessidade de dormir o suficiente



Como o esporte ajuda a regular o sono e o humor

Dormir sete ou oito horas em uma noite e apenas cinco na seguinte pode deixar a rotina de descanso desorganizada. Além da duração e da qualidade, outro ponto participa do sono saudável: a regularidade dos horários.

Ir para a cama e acordar em momentos parecidos ajuda o organismo a reconhecer quando é hora de diminuir o estado de alerta e quando precisa despertar. Por isso, o horário de acordar pode funcionar como uma espécie de âncora para a rotina.

O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos recomenda manter horários semelhantes durante a semana e no fim de semana. A orientação é tentar limitar essa diferença a cerca de uma hora, porque dormir e acordar muito mais tarde nos dias de folga pode desorganizar o ritmo de sono e vigília.

Mais sobre sono

Por que o horário de acordar importa

O corpo segue ritmos que variam ao longo de aproximadamente 24 horas. Luz, horários das refeições, atividade física e rotina social ajudam a organizar esses ciclos. O sono faz parte desse sistema.

Quando a pessoa desperta em um horário parecido todos os dias, o organismo recebe uma referência mais previsível. Com o tempo, isso pode facilitar tanto o despertar quanto o aparecimento do sono à noite.

Já mudanças grandes criam um contraste. Quem acorda às 6h durante a semana, mas permanece na cama até 11h no sábado e no domingo, desloca o início do próprio dia em cinco horas. Na prática, é como fazer uma pequena mudança de fuso horário toda semana.

Essa diferença costuma receber o nome de “jet lag social”. Na noite de domingo, a pessoa pode não sentir sono no horário habitual. Na manhã de segunda-feira, porém, precisa levantar cedo novamente.

Dormir até mais tarde recupera o sono perdido?

Aumentar o tempo de sono depois de noites curtas pode reduzir parte da sonolência. Portanto, não é necessário transformar o despertador em regra rígida depois de uma situação excepcional.

O problema está em depender sempre do fim de semana para compensar uma rotina de sono insuficiente. Dormir até muito mais tarde pode ajudar momentaneamente, mas também empurra o horário de sono da noite seguinte.

Regularidade não significa levantar cedo a qualquer custo. A pessoa precisa escolher um horário compatível com trabalho, estudos, responsabilidades e quantidade adequada de sono. Para adultos de 18 a 60 anos, o CDC recomenda, de forma geral, pelo menos sete horas de sono por noite.

Se alguém precisa acordar às 6h, por exemplo, deve organizar o horário de ir para a cama para que exista espaço suficiente para dormir. Manter o despertador fixo enquanto continua indo deitar muito tarde apenas aumenta a privação de sono.

E no fim de semana?

Não é necessário viver todos os dias com uma agenda idêntica. Sair, viajar, encontrar amigos ou descansar um pouco mais faz parte da vida. A proposta é evitar diferenças muito grandes e frequentes.

Se a rotina exige acordar às 6h30 durante a semana, levantar às 7h ou 7h30 no fim de semana preserva melhor o padrão do que dormir até perto do meio-dia. O próprio NIH sugere limitar a mudança entre dias úteis e fins de semana a aproximadamente uma hora, quando isso for possível.

Quando a noite anterior terminar mais tarde, outra opção é acordar sem deslocar demais o horário e fazer um cochilo curto no início da tarde. O NIH orienta que adultos com dificuldade para dormir à noite limitem cochilos e, quando os fizerem, mantenham duração curta e horário mais cedo.

Como ajustar a rotina sem mudar tudo de uma vez

Quem dorme e acorda em horários muito diferentes a cada dia não precisa corrigir toda a rotina em uma noite. Mudanças graduais costumam ser mais fáceis de sustentar.

O primeiro passo é definir um horário de despertar possível na maioria dos dias. Depois, vale aproximar o despertador desse horário em blocos pequenos, como 15 ou 30 minutos.

Também ajuda observar a hora em que o sono aparece. Se a pessoa precisa usar vários alarmes, passa a manhã sonolenta ou dorme muito mais nos dias de folga, talvez não esteja reservando tempo suficiente para descansar.

A exposição à luz natural pela manhã e a atividade física regular também ajudam a dar referências ao ciclo diário. Já à noite, o ambiente pode ficar mais tranquilo conforme o horário de dormir se aproxima. O CDC inclui rotina consistente, quarto confortável e redução de estímulos entre os hábitos associados a um sono melhor.

Regularidade não resolve todos os problemas

Acordar no mesmo horário não trata sozinho insônia, apneia, ronco intenso ou sonolência excessiva. Também não compensa jornadas de trabalho que impedem uma duração adequada de sono.

Quem demora muito para adormecer, acorda repetidamente, sente sono intenso durante o dia ou continua cansado mesmo dormindo horas suficientes deve procurar avaliação profissional. O CDC recomenda conversar com um profissional de saúde quando os problemas de sono aparecem regularmente.

Para quem apenas deseja organizar melhor o descanso, porém, a regularidade pode ser um bom ponto de partida. Mais importante do que buscar uma rotina perfeita é reduzir os grandes saltos de horário. O corpo não precisa acordar no mesmo minuto todos os dias, mas costuma responder melhor quando sabe aproximadamente quando o dia começa.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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