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Tóquio 2020

Com o bronze, Fratus encontra a paz na piscina após chegar ao fundo do poço

Relaxado e de sorriso aberto, Bruno Fratus coroa uma vida dedicada à natação com o bronze em Tóquio

A espera acabou, Bruno Fratus conquista sua medalha olímpica (Jonne Roriz/COB)

Com o bronze, Fratus encontra a paz na piscina após chegar ao fundo do poço

De Tóquio – As águas agitadas da piscina do Centro Aquático de Tóquio acabaram sendo as mais relaxantes da vida de Bruno Fratus. Há pelo menos uma década, o nadador buscava uma medalha em Jogos Olímpicos. Foi na raia de número três e na prova dos 50 m livre que ele conquistou o bronze e tirou um peso que carregava.

E bota peso nisso. “Tirei um caminhão das costas”, disse Bruno Fratus após conquistar o bronze nos 50 m livre dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Há nove anos, ele chegou como favorito em Londres-2012, mas terminou em quarto. Na Rio-2016, a expectativa era até maior, afinal nadou em seu país, e completou a prova no sexto lugar.

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“Foram cinco anos desde o Rio lidando com essa inquietude, com essa ansiedade… Dois meses depois da Rio-2016, eu estava na pior depressão da minha vida, considerando sumir completamente da face da terra, se é que vocês entendem”. A decepção foi enorme, pensou em desistir e entrou em um quadro de depressão.

“O que eu fiz para me reerguer foi querer me reerguer. O primeiro passo para ser ajudado é querer ser ajudado. Escrevam isso, por favor. Pode fazer a diferença para alguém”. Apoiado na família, principalmente na esposa treinadora Michelle Lenhardt, na força dois pais e do amigo e também treinador australiano Brett Hawke, Bruno Fratus reuniu forças para seguir.

“Foi o amor, diálogo, compreensão. Tenho que agradecer a Michelle, meus pais, meu técnico. Eu sou o atleta mais sortudo da terra. Tenho pais que me incentivaram desde o começo e sou treinado pela minha esposa e meu melhor amigo Brett Hawke”.

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Bruno Fratus beija o bloco de largada (Jonne Roriz/COB)

Ao seu lado

Michelle Lenhardt, nadadora que foi aos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 e conquistou a prata no 4 x 100 m livre dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011, foi fundamental para Bruno Fratus não desistir. “Espera aí, não acabou ainda”, disse logo após o período mais doloroso para o velocista, logo após a Rio-2016. “Vamos lá, vamos em frente, vamos ver o que a gente vai conseguir, e ele disse o mesmo.”

Contudo, não bastava ser companheira, era preciso botar a mão na massa, participar como treinadora. “A gente está junto há quase dez anos, mas foram cinco anos desde que ele precisou de mim na borda da piscina”.

Mas a dupla não colocou como meta principal os Jogos Olímpicos de Tóquio, não era a hora ainda, era preciso reconstruir aos poucos, de braçada em braçada e traçar metas mais palpáveis. “A gente resolveu ir até 2017, ver o que acontecia nos Jogos Mundiais. A gente construiu um resultado muito expressivo. Depois do Mundial, a gente decidiu. Vamos até os jogos, por que não? Então, essa a medalha foi construída desde novembro de 2016”, completou Michelle Lenhardt.

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Diálogo

E a construção foi feita não só a quatro mãos, mas por muita conversa de gente que esteve por perto e ajudou Bruno Fratus na caminhada até os Jogos Olímpicos de Tóquio. “Tem tanta gente que me trouxe até aqui. Isso mostra o quanto você não faz a parada sozinho. Eu sou só o cara que sobe no bloco e dá o tiro”, disse o mais novo medalhista de bronze dos 50 m livre.

Palavras fazem a diferença. Duas horas antes de entrar para a disputa final, o nadador parou em frente à raia de número três, uma rotina que ele sempre faz quando a prova é decisiva e que nem sempre o acalma. “Estou há uma semana muito nervoso. E o que a Michelle falou antes do balizamento foi: Eu te amo! Vai ser feliz. Independentemente do que aconteça, vou seguir te amando e seremos felizes”.

Foram as palavras que o desacelerou mentalmente, mas o fez acelerar quando caiu na água. “Tenho uma cobrança muito grande em cima de mim. Ás vezes, o meu trabalho de psicologia é colocar o pé no freio. Tem gente que precisa acelerar, motivar, mas eu sou um pouco o contrário, preciso ir com calma. E hoje, finalmente, consegui não me cobrar tanto.”

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Bruno Fratus e sua medalha de bronze (Jonne Roriz/COB)

Mó paz

O esporte de alto nível é cruel. O atleta não ganha e é açoitado de todos os lados, inclusive por ele mesmo. O atleta ganha e já quer se saber se Bruno Fratus seguirá ou não, quais são seus planos e metas. Extremamente relaxado, o nadador foi reto e claro. “Não tenho a mínima condição de tomar uma decisão dessas agora. Vou para casa e depois vamos ver.”

Por outro lado, Fratus revelou o que irá fazer assim que retornar para casa antes de resolver qualquer coisa sobre sua carreira. “Vou chegar em casa, buscar meus cachorros, preciso dar uma tosa no Carlos, que está horrível. Tenho o Carlos e o Harisson, dois vira-latas! Sou totalmente adote e não compre. Pegar eles, abrir uma garrafa de vinho com minha esposa e depois a gente conversa.”

Bronze no peito e cabeça fresca. Não se sabe onde e nem quando Bruno Fratus irá retornar às competições. Aliás, nem ele sabe se irá retornar. Certo é que ele se despediu dos Jogos Olímpicos de Tóquio em grandes estilo. Fato é que ele está mais relaxado e isso o faz um homem perigoso dentro da água. E apenas três anos o separa de Paris-2024.

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