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Tóquio 2020

Brasileiros da paracanoagem revelam pretensões de medalhas

A exato um ano das disputadas pelo pódio nos Jogos Paralímpicos, Caio Ribeiro, Luis Carlos Cardoso, Fernando Rufino e Debora Raiza são os nomes já classificados

O Brasil já tem quatro representantes da canoagem garantidos nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021. Os atletas brasileiros classificados são Caio Ribeiro, o 'Gold Saci', ou saci de ouro, de 34 anos, medalhista de bronze na Rio-2016, Luís Carlos Cardoso, 35, hexacampeão mundial e dono de 12 medalhas em Campeonatos Mundiais, Fernando Rufino, o 'Cowboy de Aço', 35, que subiu ao pódio em 2014 e 2015 em Mundiais, e Debora Raiza, 24, segunda e terceira colocada em Mundiais da modalidade
Caio Ribeiro é o primeiro e único medalhista paralímpico brasileiro da canoagem (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Brasil já tem quatro representantes da paracanoagem garantidos nos Jogos de Tóquio, em 2021. Daqui a exatamente um ano, começam as disputas por medalhas na modalidade e o Olimpíada Todo Dia perguntou aos atletas Caio Ribeiro, Luís Carlos Cardoso, Fernando Rufino, e Debora Raiza sobre as pretensões deles na Paralimpíada da capital japonesa.

Dentre aqueles com passaporte carimbado, os três homens não hesitaram em dizer que querem trazer medalhas. Já a única mulher com a vaga garantida optou por não gerar expectativas em relação à pódio. Confira abaixo mais detalhes e o que pensam Caio Ribeiro, Luís Carlos Cardoso, Fernando Rufino e Debora Raiza sobre a participação deles em Tóquio.

Caio Ribeiro

Tóquio Caio Ribeiro
Caio Ribeiro sonha com mais medalhas na canoagem em Tóquio (Rodolfo Vilela/ rededoesporte.gov.br)

Dono da única medalha brasileira na canoagem nos Jogos Paralímpicos Rio-2016, quando conquistou o bronze na prova do caiaque KL2, o canoísta Caio Ribeiro, o ‘Gold Saci’, ou saci de ouro, de 34 anos, está confiante de que pode fazer história novamente nos Jogos Tóquio, em 2021. O paratleta brasileiro aposta que subirá no lugar mais alto do pódio no VL3 (canoa polinésia) e conquistará a prata no KL3 (caiaque), ambos nos 200 m.

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Caio Ribeiro deu essas declarações em live veiculada no Instagram do OTD em maio deste ano. “Se o mundo quiser apostar, tem duas apostas valendo muita alegria. Vai vir o ouro na canoa (VL3 200 m) e vai vir a prata no caiaque (KL3 200 m). Essa é a aposta. Agora essa pergunta terá que ser feita de novo daqui uns 500 dias para ver se vai ter alguma modificação no caiaque”, disse.

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Ucraniano no caminho

“Sei o quanto estou preparado e o quanto meus concorrentes estão preparados. Hoje, infelizmente não consigo levar o ouro no caiaque. Tem que respeitar o ucraniano. A prata no VL3 do Mundial foi difícil, pois treinei muito e cheguei perto do ouro. Mas sei que posso garantir o ouro para o Brasil em Tóquio na canoa. Preciso fazer ajustes, mas vou buscar o ouro contra o ucraniano. A minha meta é batê-lo e fazer história”, completou.

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No Mundial de Szeged, na Hungria, em 2019, Caio Ribeiro levou a prata no VL3 200 m por pouco, perdendo o ouro por um décimo de segundo. Já no KL3 200 m, conquistou o bronze. O obstáculo que tem atrapalhado o brasileiro e outros concorrentes é o ucraniano Serhii Yemelianov, atual campeão paralímpico e tricampeão mundial no KL3 200 m. Ainda em 2019, ganhou a prata no evento teste aos Jogos de Tóquio na mesma prova VL3.

Luís Carlos Cardoso

Tóquio Luís Carlos Cardoso
Hexacampeão mundial. Luís Carlos quer sua primeira medalha paralímpica (Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)

Luís Carlos Cardoso, de 35 anos, é hexacampeão mundial e dono de 12 medalhas em Campeonatos Mundiais. Porém, tem algo que ainda não tem em seu currículo e não esconde de ninguém que seu desejo é alcançar esse feito nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A medalha paralímpica é a única conquista que falta na carreira do paratleta, pois bateu na trave na edição da Rio-2016, quando terminou em quarto.

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Em boa fase, Luís Carlos recebeu, em 2019, o troféu de melhor atleta da paracanoagem brasileira, prêmio entregue pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Ele construiu uma trajetória vitoriosa na modalidade, que começou com uma medalha de prata no Mundial de 2012, na Polônia. O primeiro ouro foi conquistado na edição de 2014, na Rússia, e, em seguida, subiu ao topo do pódio novamente mais duas vezes em 2015, na Itália.

Ciclo de Tóquio

Luís Carlos aumentou seu quadro de medalhas com mais um título e um bronze no Mundial de 2016, na Alemanha. Já no ciclo para Tóquio, o atleta paralímpico frequentou o pódio em Campeonatos Mundiais por sete vezes. Em 2017, na República Tcheca, ganhou um ouro e um bronze. Já em Portugal, em 2018, saiu com duas pratas. No ano seguinte, ele foi campeão na Polônia e na Hungria e ganhou mais um bronze em solo húngaro.

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Além das medalhas em mundiais, Luís Carlos conquistou uma prata e um bronze no evento teste para os Jogos de Tóquio, evento realizado em 2019. O atual campeão paralímpico no caiaque KL1 200 m é o polonês Jakub Tokarz, que concluiu a prova na Rio-2016 em 51s08. O segundo foi o húngaro Robert Suba, com 51s12, e o bronze ficou com o britânico Ian Marsden, com 51s22. Na ocasião, Luís Carlos chegou em quarto com 51s63.

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Na conquista de sua medalha de ouro no Campeonato Mundial de Paracanoagem de 2019, disputado em Szeged, na Hungria, Luís Carlos era um intruso entre os europeus na final dos 200 m da categoria canoa VL2 e ganhou a prova com o tempo de 51s68, sendo o único na disputa a remar abaixo dos 52 segundos na final.

Sonho de pódio

Em entrevista ao OTD, Luís Carlos revelou quais são as suas pretensões nos Jogos de Tóquio. “Entendo que as provas serão super acirradas, mas estou trabalhando duro para conseguir meus objetivos nos Jogos de Tóquio. Pretendo subir no pódio tanto no caiaque quanto na canoa”, afirmou o competidor paralímpico.

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Em live no seu perfil no Instagram e com a participação da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem), Luís Carlos também comentou sobre o assunto. “Meu sonho é conquistar minha medalha. Infelizmente no Rio de Janeiro bati na trave, pois fiquei há seis centésimos de conquistá-la. Esse é o único título que não tenho e espero mudar isso ano que vem em Tóquio”, concluiu o paratleta.  

Fernando Rufino

Tóquio Fernando Rufino Debora Raiza
Fernando Rufino está confiante em medalhas na canoagem em Tóquio (Daniel Zappe/CPB)

A paracanoagem também terá Fernando Rufino, de 35 anos, nos Jogos de Tóquio. Ele conquistou a vaga para a Paralimpíada na prova do caiaque KL2 200 m com o sexto lugar no Campeonato Mundial de Paracanoagem, realizado em Szeged, na Hungria, em 2019. Após superar adversidades na vida, o paratleta teve que vencer mais uma para realizar o sonho de conquistar uma medalha no maior evento esportivo do mundo. 

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Em 2016, o atleta paralímpico já estava com a vaga e não pode participar por causa de um problema no coração. Agora, em 2020, a pandemia de coronavírus apareceu como empecilho para realização do sonho de conquistar a medalha. Apesar das adversidades, Fernando Rufino não perde seu otimismo e encara esse momento como mais uma história para contar quando conseguir conquistar seu objetivo.

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“As minhas pretensões são trazer duas medalhas nos Jogos de Tóquio, sendo uma na canoa no VL2 e outra no caiaque KL2. No caiaque, ano passado, acabei em sexto porque fiquei um período sem treinar, cheguei em cima da hora e não deu tempo de fazer uma base. Porém, estou confiante nos meus treinos e tempos e quero estar na briga por medalha nas duas provas. Estou otimista e acreditando no meu trabalho”, afirmou Fernando Rufino ao OTD.

Possível encontro entre brasileiros

Em 2019, no evento teste para os Jogos de Tóquio, Fernando Rufino ficou com o título no KL2 Masculino 200m e a prata no VL2 Masculino 200m. O ‘Cowboy de Aço’ está treinando em Ilha Comprida e, com a pandemia de coronavírus, precisou encontrar soluções para continuar trabalhando. O paratleta integra a classe KL2, categoria para pessoas que usam o tronco e os braços na remada.

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A estreia da paracanoagem em Jogos Paralímpicos aconteceu na edição Rio-2016, porém, somente com as provas na categoria caiaque. Já em Tóquio, a disputa na canoa também figura na lista de competições e, além de Fernando Rufino, Luís Carlos também estará na disputa pelas medalhas na categoria VL2. Em março de 20202, em São Paulo, o ‘Cowboy de Aço’ venceu a Copa Brasil.

Debora Raiza Ribeiro

Debora Raiza, de 24 anos, é a única mulher já garantida nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, e 2021. Integrante da classe KL2, a brasileira ganhou duas medalhas em edições do Campeonato Mundial de Paracanoagem. Em 2015, ela conquistou a medalha bronze em Milão no VL2, ficando atrás da australiana Susan Seipel, ouro, e da russa Nadezda Andreeva, prata. Já em 2016, em Duisburg , Alemanha, subiu um degrau no pódio e ficou com a prata, atrás novamente de Seipel.   

O OTD entrou em contato com Debora Raiza, que comentou sobre suas pretensões nos Jogos de Tóquio. “É difícil falar sobre as minhas pretensões, pois nem tudo acontece como a gente pensa. Em relação as minhas adversárias, acho que elas são muito fortes e bem preparadas. É uma honra e fico feliz de estar competindo com elas. O que posso dizer é que vou dar meu máximo, fazer meu melhor”, disse Debora Raiza.

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“Claro que toda vez que entro na água é para fazer o meu máximo, mas sempre tem alguma coisa que posso melhorar. Prometo dar meu melhor e quero me sair bem. Sei que tenho grandes adversárias pela frente, mas sou brasileira e não desisto nunca. Farei o meu melhor para mim, minha equipe e para o Brasil. Espero coisas boas, com pensamentos e energias positivas. Farei tudo que for possível fazer”, concluiu Debora Raiza.

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