O esqui alpino é um dos esportes mais tradicionais dos Jogos Olímpicos de Inverno. Em Milão-Cortina 2026, o Brasil viverá um momento histórico: pela primeira vez, o país chega com chance real de medalha, graças a Lucas Pinheiro Braathen, atual top-5 do ranking mundial. O Olimpíada Todo Dia explica como funciona a modalidade e aponta os principais nomes para ficar de olho.
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O esqui é utilizado como meio de transporte desde a pré-história. A prática de descer montanhas com esquis se popularizou no século XVIII, inicialmente como parte do treinamento de soldados do exército norueguês. No final do século XIX, o esqui alpino passou a ser praticado também como esporte recreativo e competitivo.
As disciplinas do esqui alpino
O esqui alpino é composto por quatro disciplinas:
- Slalom
- Slalom gigante
- Super-G (slalom super gigante)
- Downhill
O slalom e o slalom gigante são provas mais técnicas, com curvas fechadas e portões instalados ao longo do percurso. Já o super-G e o downhill são provas de velocidade pura.
No downhill, os esquiadores ultrapassam facilmente os 130 km/h. O recorde de velocidade em competições oficiais é de 161,9 km/h, registrado pelo francês Johan Clarey em uma etapa da Copa do Mundo.
Formato das provas olímpicas
No slalom e no slalom gigante, os atletas realizam duas descidas, com a soma dos tempos definindo a classificação final. Já nas provas de velocidade, cada atleta faz apenas uma descida.
Uma novidade para Milão-Cortina 2026 é a nova prova por equipes, que substitui o antigo combinado alpino individual. Agora, a disputa será em duplas:
- um atleta especializado em velocidade disputa o downhill;
- o outro, especialista em provas técnicas, compete no slalom.
O par com o menor tempo combinado conquista a medalha de ouro.
O Brasil no esqui alpino
A primeira participação brasileira em competições internacionais de esqui alpino aconteceu no Campeonato Mundial de 1966, em Portillo, no Chile. O país voltou a competir de forma mais consistente apenas na década de 1980, com a geração que formaria a primeira delegação olímpica de inverno do Brasil.
Em Albertville-1992, o Brasil estreou nos Jogos Olímpicos de Inverno com sete atletas, todos no esqui alpino. Os melhores resultados foram o 40º lugar de Evelyn Schuler no slalom gigante e o 41º de Lothar Munder no downhill. Desde então, o Brasil sempre teve representantes na modalidade.
Brasil em Milão-Cortina 2026
Em Milão-Cortina 2026, o Brasil contará com quatro atletas no esqui alpino. O grande destaque é Lucas Pinheiro Braathen.
Nascido em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas cresceu passando férias no Brasil. Competindo pela Noruega, uma das maiores potências do esporte, conquistou diversos resultados expressivos, incluindo o título geral da Copa do Mundo de slalom em 2023. Insatisfeito com os rumos de sua carreira, anunciou aposentadoria em outubro daquele ano.
Doze meses depois, Lucas decidiu voltar ao circuito, agora defendendo o Brasil. Desde então, já soma oito medalhas em etapas da Copa do Mundo e chega à Itália como candidato a pódio no slalom e no slalom gigante.
Além dele, a delegação brasileira terá Giovanni Ongaro e Christian Oliveira no masculino, e Alice Padilha no feminino.
O esqui alpino nos Jogos Olímpicos de Inverno
Os países próximos aos Alpes dominam historicamente o esqui alpino olímpico. A Áustria lidera o quadro histórico com 128 medalhas, sendo 40 de ouro. Na sequência aparecem Suíça (75), França (51), Estados Unidos (48), Noruega (40) e Itália (36).
O maior medalhista olímpico da história da modalidade é o norueguês Kjetil André Aamodt, com oito medalhas, incluindo quatro de ouro. Entre as mulheres, o grande nome é a croata Janica Kostelić, dona de quatro ouros e duas pratas.
Olho neles: as estrelas do esqui alpino
O principal nome do esqui alpino masculino na atualidade é o suíço Marco Odermatt. Dominante nas provas de velocidade e competitivo no slalom gigante, ele foi campeão geral da Copa do Mundo nas últimas quatro temporadas.
Outros rivais fortes de Lucas Pinheiro Braathen são seus ex-companheiros de seleção norueguesa, como Henrik Kristoffersen e Atle-Lie McGrath.
No feminino, o destaque é a norte-americana Mikaela Shiffrin, primeira atleta da história a vencer 100 etapas da Copa do Mundo. Os Estados Unidos também contam com o retorno da veterana Lindsey Vonn, campeã olímpica do downhill em Vancouver-2010, que voltou a competir aos 41 anos e já venceu duas etapas do circuito.
Entre as italianas, Sofia Goggia, campeã olímpica do downhill em 2018, chega como forte candidata, assim como Federica Brignone, campeã geral da Copa do Mundo 2024/2025, que tenta se recuperar de uma fratura na tíbia para competir em casa.