Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 terão disputas em 15 modalidades diferentes. Nesta série de textos, o Olimpíada Todo Dia apresenta cada um desses esportes. Um deles é o luge, disciplina de descida em trenó que se consolidou como um dos carros-chefe da Alemanha nas Olimpíadas de Inverno.
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Assim como outros esportes de trenó, o luge surgiu nos resorts da região de St. Moritz, na Suíça. A primeira prova internacional foi disputada em 1883, em um percurso com mais de 4 km. A estreia olímpica, no entanto, aconteceu apenas em Innsbruck-1964, mais de 80 anos depois.
Como funciona o luge
O luge se diferencia dos outros esportes de trenó principalmente pela largada. Os atletas iniciam a prova sentados dentro do trenó e utilizam as mãos para empurrar o gelo, gerando impulsão antes de se deitar para a descida.
Outra diferença importante em relação ao skeleton é a posição do corpo: no luge, os atletas descem de costas para o gelo, enquanto no skeleton a descida é feita de frente.
Considerado o mais rápido dos esportes de trenó, o luge pode atingir velocidades superiores a 150 km/h, dependendo do traçado da pista.
As provas do luge em Milão-Cortina 2026
Em Milão-Cortina 2026, o programa olímpico do luge contará com cinco provas.
As disputas individuais serão realizadas em quatro descidas, divididas em dois dias, e vence quem somar o menor tempo total.
Na sequência vêm as provas de duplas, com uma novidade histórica: a estreia das duplas femininas nos Jogos Olímpicos de Inverno.
Por fim, há a prova de revezamento, em que cada país escala:
- um atleta do simples masculino
- uma atleta do simples feminino
- uma dupla masculina
- uma dupla feminina
Os trenós descem a pista em sequência, e cada atleta ou dupla precisa acionar um painel de toque na chegada para liberar a largada do próximo integrante da equipe.
A nova pista olímpica de Cortina
As provas de luge em Milão-Cortina 2026 serão disputadas na Pista Eugenio Monti, em Cortina d’Ampezzo. O local sediou as provas de trenó nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1956, mas estava desativado desde 2008.
A pista foi totalmente reconstruída para a Olimpíada, com um novo traçado. São 16 curvas ao longo de 1.445 metros, com largada a 1.321 metros de altitude e chegada a 1.254 metros acima do nível do mar.
O luge nos Jogos Olímpicos de Inverno
A Alemanha domina amplamente o quadro histórico do luge olímpico. Somando os resultados de Alemanha Oriental e Ocidental, o país acumula 87 medalhas: 38 ouros, 26 pratas e 23 bronzes.
Em Beijing-2022, os alemães venceram todas as provas da modalidade. A Áustria aparece na sequência com 25 medalhas (seis de ouro), enquanto a Itália soma 18 pódios, impulsionada especialmente pelos resultados do bicampeão olímpico Armin Zöggeler.
O Brasil no luge
O Brasil passou a disputar competições internacionais de luge em 1997, com Ricardo Raschini e Renato Mizoguchi. A dupla se classificou para os Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City-2002, com Raschini terminando em 45º lugar e Mizoguchi em 46º.
No ciclo seguinte, Raschini migrou para o bobsled, enquanto Mizoguchi seguiu no luge e conseguiu classificação para Turim-2006. No entanto, ele sofreu um grave acidente durante o evento de homologação da pista, ficando cerca de 10 dias em coma, o que interrompeu sua trajetória olímpica.
Após esse período, o Brasil teve apenas participações pontuais na Copa do Mundo. Atualmente, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) trabalha na formação de atletas da modalidade na França, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030.
Nomes para ficar de olho no luge
No masculino, os alemães seguem dominantes. Felix Loch, campeão olímpico em 2010 e 2014, faz uma boa temporada e busca o tricampeonato olímpico. Seu principal rival é Max Langenhan, atual campeão mundial e da Copa do Mundo.
No feminino, Julia Taubitz é a principal esperança de ouro da Alemanha, mas enfrenta forte concorrência da austríaca Hannah Prock e da norte-americana Summer Britcher.
Nas duplas femininas, a melhor parceria do mundo atualmente é a austríaca Selina Egle / Lara Kipp. Já nas duplas masculinas, os alemães Tobias Wendl e Tobias Arlt tentam conquistar o terceiro ouro olímpico consecutivo.