Ana Cristina chamou a responsabilidade no momento mais difícil da vitória do Brasil sobre a Colômbia pelo Sul-Americano feminino de vôlei. Maior pontuadora da partida, com 28 acertos, a ponteira marcou 16 vezes no terceiro set e revelou o pedido que fez às companheiras durante a reação brasileira: “Passem aí que eu vou atacar”.
O Brasil venceu por 3 sets a 0, com parciais de 25/19, 25/18 e 36/34, nesta quinta-feira (10), no Rio de Janeiro. O resultado manteve a equipe invicta e a duas vitórias do título e da vaga direta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
Depois de controlar os dois primeiros sets, a seleção encontrou maior resistência na terceira parcial. A Colômbia cresceu no jogo e aproveitou erros brasileiros para ameaçar prolongar o confronto. Foi nesse momento que Ana Cristina assumiu o protagonismo ofensivo.
“A gente sabe que a Colômbia é um time de muita qualidade, que vem crescendo. No terceiro set, por alguns erros nossos, a gente deixou elas gostarem do jogo e se imporem um pouquinho. Mas estávamos muito focadas e sempre acreditando que iríamos voltar para o jogo. Da minha parte, eu me senti muito confortável com as meninas do meu lado. Elas me apoiaram bastante e eu falei: ‘Gente, passem aí que eu vou atacar’”, contou Ana Cristina.
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Confiança para buscar a reação
A terceira parcial se transformou em uma disputa de 70 pontos. Brasil e Colômbia tiveram oportunidades de fechar o set, mas a seleção brasileira resistiu nos momentos decisivos e confirmou a vitória por 36/34.
Para Ana Cristina, a reação mostrou o crescimento da confiança entre as jogadoras ao longo do Sul-Americano. A ponteira também ressaltou que a equipe ainda busca melhorar a conexão dentro de quadra.
“A gente tem construído essa confiança a cada jogo, e isso é muito importante. Seguimos procurando evoluir para os próximos jogos. Agora é descansar um pouco mais e já pensar no próximo adversário.”
Apesar da vitória em sets diretos, Ana Cristina identificou aspectos que precisam ser corrigidos para os dois compromissos restantes. A jogadora citou os erros de saque em momentos importantes e o funcionamento do sistema defensivo.
“Acho que a gente pode melhorar um pouco na defesa. Tivemos alguns erros de saque em momentos importantes. Precisamos melhorar a parte defensiva no geral, tanto no bloqueio quanto na defesa. Mas, no geral, foi um bom jogo. A gente ainda está voltando a ter essa conexão e essa confiança umas nas outras, e tem funcionado. Estávamos perdendo o terceiro set e conseguimos recuperar. Foi um set duro, mas estávamos muito focadas para fazer o nosso trabalho e, no final, conseguimos.”
Conexão com Roberta amplia opções
Além dos ataques pelas extremidades, Ana Cristina foi acionada em diversas oportunidades na pipe, jogada em que a ponteira ataca pelo fundo da quadra. A variação ajudou o Brasil a distribuir o sistema ofensivo e dificultou a marcação colombiana.
A ponteira explicou que a execução depende de entrosamento com a levantadora. Segundo Ana, a conexão com Roberta começou a ser construída durante a Liga das Nações e ganhou força no Sul-Americano.
“Eu sempre gostei muito da bola pipe, mas não é uma bola fácil de fazer. Ela exige muita conexão, e essa conexão entre mim e a Roberta vem crescendo a cada jogo. Começou na VNL e agora tem se intensificado. É uma bola que ajuda muito a liberar as extremidades e a própria central. É uma jogada importante durante a partida. A gente tem treinado bastante e tem dado certo, graças a Deus.”
Foco na vaga olímpica
Com três vitórias em três rodadas, o Brasil mantém 100% de aproveitamento no Sul-Americano. A seleção já derrotou Venezuela, Peru e Colômbia, sempre por 3 sets a 0.
Os dois últimos adversários serão Chile e Argentina. Como a competição é disputada em pontos corridos, duas novas vitórias garantem ao Brasil o título continental e a classificação direta para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
“Primeiramente, precisamos descansar, porque isso é muito importante. Depois, a gente já começa a estudar o Chile, se preparar para elas e, em seguida, a Argentina. Sabemos que não serão jogos fáceis. Todos querem essa classificação para as Olimpíadas, mas a gente também quer bastante”, concluiu Ana Cristina.
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