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Milão Cortina-2026

 

Patinação artística nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026



Conheça a patinação artística em Milão-Cortina 2026: regras, sistema de pontuação, história olímpica e as grandes estrelas do gelo



(Crédito: AFP PHOTO / Roberto SCHMIDT)

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 terão disputas em 15 modalidades diferentes. Nesta série de textos, o Olimpíada Todo Dia apresenta cada um desses esportes. Um dos queridinhos do público é a patinação artística, que tradicionalmente figura entre os eventos de maior audiência da Olimpíada de Inverno.

A patinação artística começou de forma bem diferente do que conhecemos hoje. A modalidade teve origem com patinadores desenhando figuras no gelo com as lâminas dos patins — daí o nome em inglês figure skating. Ainda no século XIX, o bailarino norte-americano Jackson Haines foi pioneiro ao incorporar movimentos de dança, transformando o esporte em uma combinação de técnica e expressão artística.

As disciplinas da patinação artística

A patinação artística é composta por quatro disciplinas:

  • Individual masculino
  • Individual feminino
  • Pares
  • Dança no gelo

No individual e nos pares, os atletas realizam saltos, giros e sequências técnicas de alta dificuldade. Já a dança no gelo não inclui saltos e prioriza movimentos inspirados na dança de salão, com maior ênfase em ritmo, interpretação e conexão entre os parceiros.

Programas curto e livre

Em uma competição, cada atleta ou dupla realiza duas apresentações.

O programa curto, com duração de até 2min50s, possui elementos obrigatórios definidos previamente. Já o programa livre, com até 4 minutos, permite maior liberdade criativa na construção da coreografia.

Na dança no gelo, os segmentos recebem os nomes de dança rítmica e dança livre. Na rítmica, os atletas devem seguir um tema obrigatório, determinado anualmente pela União Internacional de Patinação (ISU).

A competição por equipes

Os Jogos Olímpicos também contam com a prova por equipes. Cada país escala um atleta no individual masculino, um no feminino e uma dupla em pares e dança no gelo.

As colocações rendem pontos, e o país com o maior total acumulado conquista a medalha de ouro.

Sistema de pontuação da patinação artística

A pontuação é dividida em duas partes: elementos técnicos e componentes do programa.

Nos elementos técnicos, os atletas recebem pontos pela dificuldade e pela execução. Cada elemento possui um valor base, que pode aumentar ou diminuir conforme o grau de execução. Um exemplo clássico é o triplo Axel, que vale 8 pontos, mas pode chegar a 12 pontos se executado com perfeição — ou cair para 4 pontos em caso de erro grave.

Nos componentes do programa, os juízes atribuem notas de 0 a 10 para três critérios:

  • Composição: estrutura do programa em relação à música
  • Performance: interpretação e apresentação
  • Habilidades de patinação: qualidade técnica dos deslocamentos

A média dessas notas é multiplicada por um fator específico e somada à pontuação técnica para definir a nota final.

A patinação artística nos Jogos Olímpicos de Inverno

A patinação artística está no programa olímpico antes mesmo da criação da Olimpíada de Inverno. A modalidade fez parte dos Jogos de Verão de Londres-1908 e Antuérpia-1920.

A primeira grande estrela olímpica foi a norueguesa Sonja Henie, tricampeã em 1928, 1932 e 1936. Até Calgary-1988, o formato olímpico incluía também as figuras obrigatórias, segmento posteriormente extinto.

A dança no gelo entrou no programa apenas em Innsbruck-1976. Um momento histórico ocorreu em Sarajevo-1984, quando Jayne Torvill e Christopher Dean, da Grã-Bretanha, receberam a primeira nota perfeita da história, ainda no sistema de notas de 0 a 6.

Os Estados Unidos lideram o quadro histórico com 54 medalhas (17 ouros), seguidos por Rússia (35), União Soviética (30) e Canadá (29).

O Brasil na patinação artística

A patinação artística é praticada no Brasil desde a década de 1970, inicialmente como atividade recreativa em rinks de parques e shoppings. A estreia internacional ocorreu em 2007, com Simone Pastusiak na Universíade e Stephanie Gardner no Quatro Continentes.

No masculino, o pioneiro foi Kevin Alves, que disputou os Mundiais de 2009 e 2010.

A maior atleta da história do país é Isadora Williams. Ela conquistou a primeira medalha internacional do Brasil em 2012 e disputou os Jogos Olímpicos de 2014 e 2018. Em Pyeongchang-2018, tornou-se a primeira latino-americana a avançar ao programa livre. Ao todo, encerrou a carreira com sete medalhas internacionais.

Atualmente, os principais representantes do país são Natalia Pallu-Neves e Jayin Panesar, na dança no gelo, e Arthur Alcorte, no individual masculino.

As estrelas do gelo em Milão-Cortina 2026

O grande nome da patinação artística em Milão-Cortina 2026 é o norte-americano Ilia Malinin, primeiro atleta da história a executar o quádruplo Axel em competição. Com altíssimo grau de dificuldade, ele é o principal favorito ao ouro. Seu maior rival é o japonês Yuma Kagiyama, atual vice-campeão olímpico.

No feminino, a japonesa Kaori Sakamoto disputa possivelmente sua última grande competição internacional. Tricampeã mundial e bronze em 2022, ela enfrenta forte concorrência das norte-americanas Amber Glenn e Alysa Liu.

Nos pares, os japoneses Riku Miura e Ryuichi Kihara chegam como favoritos. Na dança no gelo, Madison Chock e Evan Bates dominaram o ciclo olímpico, mas terão concorrência do francês Guillaume Cizeron, campeão olímpico que voltou a competir em 2025 com nova parceira.

Milão-Cortina 2026 também marcará o retorno dos patinadores russos, competindo como atletas neutros. Entre eles, Adeliia Petrosian surge como candidata a medalha no feminino.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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