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Covid e política definiram boicote da Coreia do Norte aos Jogos Olímpicos

Ausência dos norte-coreanos na Olimpíada de Tóquio não será causada apenas pelo receio do coronavírus, mas também por questões geopolíticas

Coreia do Norte
Delegação da Coreia do Norte desfila na cerimônia de abertura da Rio-2016 (Reprodução)

O surpreendente anúncio na segunda-feira (6) sobre o boicote da Coreia do Norte à Olimpíada de Tóquio-2020, para preservar a saúde de seus atletas em razão da pandemia do coronavírus, na verdade traz apenas uma parte da história. Embora não se duvide da preocupação pela segurança com a saúde da delegação, há um emaranhado de razões geopolíticas que justificam a desistência norte-coreana.

A notícia veio apenas um dia depois de dirigentes da Coreia do Sul declararem a intenção de lançar uma candidatura conjunta entre os dois países para concorrer com a favorita Brisbane, na Austrália, para receber a edição de 2032 da Olimpíada. Obviamente que tal pretensão foi para o espaço com a ausência norte-coreana nos Jogos no Japão, a partir de 23 de julho.

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O boicote foi ainda um balde de água fria em Thomas Bach, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional). Nos Jogos de Inverno de PyeongChang-2018, na Coreia do Sul, Bach foi o grande fiador da paz momentânea entre os dois países, que tecnicamente ainda estão em guerra desde 1953, quando a península coreana foi dividida em dois territórios.

Em 2018, havia uma ameaça real de boicote norte-coreano, mas após reuniões entre Bach e os dirigentes dos dois lados, criou-se uma equipe unificada feminina de hóquei no gelo. Além disso, em outra decisão histórica, as duas delegações desfilaram juntas na cerimônia de abertura.

PyeongChang-2018 Coreia do Norte Coreia do Sul
Delegações das Coreias do Norte e Sul desfilam juntas na cerimônia de abertura dos Jogos de PyeongChang (Crédito: COI)

Desta vez, não haverá “jeitinho” que dê jeito. Até porque com a decisão de boicotar a Olimpíada de Tóquio, a Coreia do Norte estará também se livrando de encarar um mal-estar político enorme.

Problema antigo

Além da histórica rivalidade com os vizinhos sul-coreanos, o regime do ditador Kim Jong-um tem uma questão mal resolvida com o Japão. O governo japonês aponta que 17 pessoas foram sequestradas pela Coreia do Norte, acusadas de espionagem, desde os anos 1970.

Cinco delas chegaram a ser libertadas em 2002, mas desde então, as negociações diplomáticas foram interrompidas. Neste período, testes com mísseis nucleares foram feitos na região do mar do Japão, que por sua vez impôs sanções econômicas aos norte-coreanos.

Com a “desculpa perfeita” do medo da Covid-19, a Coreia do Norte evita algum tipo de sanção esportiva e ainda evita um desagradável encontro diplomático para resolver esta pendência com o Japão. Os grandes perdedores, no final, são os atletas norte-coreanos, que não têm nada a ver com tudo isso e estarão privados de disputar uma Olimpíada.

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