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Pneu duro demais nem sempre é melhor: calibragem muda conforto e controle



Peso do ciclista, largura do pneu, tipo de terreno e sistema com câmara ou tubeless ajudam a definir a pressão adequada.



Encher o pneu da bicicleta até deixá-lo completamente duro pode parecer uma maneira simples de pedalar mais rápido e evitar furos. Pressão alta demais, porém, pode tornar a bicicleta desconfortável, reduzir a aderência e fazer o conjunto quicar sobre as irregularidades do caminho.

No outro extremo, um pneu muito murcho pode deixar a direção instável, aumentar o risco de danos no aro e favorecer o chamado furo por “mordida”, quando a câmara é comprimida contra uma borda ou obstáculo. A calibragem adequada fica entre esses limites e não pode ser resumida a um único número válido para todas as bicicletas.

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Comece pela lateral do pneu

A lateral costuma apresentar a medida do pneu e uma faixa ou pressão máxima expressa em PSI ou bar. Um pneu de estrada pode trazer algo como 700 x 28, enquanto um modelo de mountain bike pode usar uma indicação como 29 x 2,2. O segundo número ajuda a identificar a largura.

Essa informação deve ser respeitada, mas não significa que o ciclista precise usar sempre o valor máximo. A própria Michelin recomenda adaptar a pressão ao pneu utilizado, à largura, ao peso do ciclista, à bicicleta e ao tipo de uso. As tabelas dos fabricantes servem como ponto de partida para ajustes posteriores.

Também é necessário observar o limite do aro. Quando pneu e roda apresentam valores máximos diferentes, deve prevalecer o menor deles. Essa atenção é especialmente importante em rodas sem gancho, conhecidas como hookless.

Pneus mais largos costumam usar menos pressão

Um pneu largo possui maior volume de ar e pode sustentar a bicicleta com uma pressão menor do que um modelo estreito. Por isso, não faz sentido copiar para uma mountain bike, uma gravel ou uma bicicleta urbana os números usados em pneus finos de estrada.

As tabelas da Michelin mostram essa diferença. Dentro das linhas de gravel da marca, pneus de 47 mm recebem recomendações inferiores às dos modelos de 33 mm para ciclistas da mesma faixa de peso.

O peso total também importa. Não entra na conta apenas a massa do ciclista, mas também bicicleta, mochila, alforjes, garrafas e outras cargas. Quanto maior a carga suportada pelo pneu, maior tende a ser a pressão necessária dentro das especificações do conjunto. Ferramentas técnicas da SRAM consideram peso do ciclista, peso da bicicleta, largura, estrutura do pneu, tipo de roda e terreno para gerar recomendações separadas para a frente e para trás.

O terreno muda a calibragem

Em um asfalto liso, uma pressão um pouco mais elevada dentro da faixa recomendada pode oferecer uma sensação mais firme. Em ruas irregulares, terra ou cascalho, reduzir ligeiramente a pressão permite que o pneu se adapte melhor às imperfeições e aumente o contato com o solo.

A Trek sugere começar mais perto da parte inferior da faixa em superfícies ruins e usar valores mais altos em pisos lisos. Já a Continental afirma que pressão excessiva reduz o conforto e pode prejudicar a aderência, enquanto valores muito baixos favorecem instabilidade e impactos do pneu contra obstáculos.

Isso ajuda a explicar por que o pneu mais duro nem sempre é o mais rápido. Em pisos imperfeitos, uma pressão elevada pode transferir mais impactos para a bicicleta e para o ciclista. Sistemas mais flexíveis mantêm o contato com o terreno e reduzem os movimentos verticais provocados pelas irregularidades.

Tubeless permite usar menos pressão?

Sistemas tubeless não possuem câmara de ar e, em geral, permitem trabalhar com pressões menores sem o mesmo risco de prender a câmara entre o pneu e o aro. Isso pode aumentar conforto e aderência, principalmente no mountain bike e no gravel.

A ausência de câmara, entretanto, não autoriza qualquer número. Pneu e aro precisam ser compatíveis, o selante deve estar em boas condições e os limites determinados pelos fabricantes continuam valendo.

Como encontrar a pressão adequada

Um processo simples pode ajudar:

  1. identifique a medida e os limites escritos no pneu;
  2. confira se o aro possui uma pressão máxima própria;
  3. considere o peso do ciclista, da bicicleta e da bagagem;
  4. use a tabela ou calculadora do fabricante como ponto inicial;
  5. calibre com uma bomba que tenha manômetro;
  6. teste no terreno habitual e faça pequenos ajustes;
  7. anote a pressão dianteira e traseira que funcionou melhor.

Se a bicicleta quica, transmite todas as irregularidades e perde aderência, a pressão pode estar alta. Se o pneu dobra demais nas curvas, bate no aro ou deixa a direção imprecisa, pode estar baixa.

A pressão diminui com o tempo e sofre influência da temperatura. Por isso, fabricantes recomendam verificá-la regularmente — de preferência antes de pedalar — em vez de confiar apenas no teste de apertar o pneu com a mão.

Uma queda acentuada em poucos dias pode indicar vazamento lento. Cortes, deformações, fios expostos ou bolhas na lateral também exigem inspeção e, quando necessário, substituição do pneu.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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