Você fazia leg press com 150 kg em uma academia, mudou de aparelho e precisou reduzir a carga para 100 kg? Isso não significa, necessariamente, perda de força. Apesar de executarem movimentos parecidos, máquinas diferentes podem transformar o peso selecionado em resistências bastante distintas.
O número das anilhas ou da torre mostra apenas uma parte do sistema. Antes de chegar aos pés, a carga sofre a influência da inclinação, do peso do próprio equipamento, das polias, dos braços de alavanca, do atrito nos trilhos e da posição em que o exercício começa.
Por isso, comparar apenas os quilos exibidos em dois aparelhos pode gerar uma conclusão errada.
A inclinação reduz parte do efeito da gravidade
No leg press de 45 graus, o praticante empurra um carrinho sobre trilhos inclinados. Nesse caso, a gravidade não atua inteiramente na direção do movimento. Apenas uma parte do peso puxa o carrinho para baixo ao longo dos trilhos.
Em um modelo ideal, sem atrito e considerando somente as anilhas, 100 kg colocados em um trilho de 45 graus corresponderiam a cerca de 71 kg-força na direção do deslocamento. Esse cálculo parte da decomposição da força da gravidade em um plano inclinado. Na máquina real, porém, ainda entram o peso do carrinho, o atrito, a aceleração e outras características do projeto.
Portanto, não é correto simplesmente afirmar que “100 kg no leg press são 100 kg nas pernas”. Também não basta multiplicar todos os aparelhos por uma mesma fórmula, porque nem todos possuem o mesmo ângulo ou mecanismo.
O carrinho também tem peso
Em aparelhos carregados com anilhas, a estrutura móvel já oferece resistência antes que o usuário acrescente qualquer disco.
Um leg press inclinado da Precor, por exemplo, informa peso inicial de 62 kg para o carrinho. Assim, quem coloca 100 kg em anilhas não movimenta somente essas anilhas: a massa da plataforma também participa do exercício.
Outros modelos podem ter carrinhos mais leves, contrapesos ou sistemas que reduzem a resistência inicial. Por isso, até dois leg presses de 45 graus podem apresentar sensações muito diferentes com a mesma quantidade de anilhas.
A manutenção também influencia. Rolamentos bem conservados e trilhos limpos tendem a produzir um movimento diferente de equipamentos com maior atrito ou desgaste.
Torre de pesos não garante relação de um para um
Nos aparelhos com pino, a pessoa escolhe uma placa em uma torre de pesos. Entretanto, o valor indicado não precisa ser igual à força aplicada contra a plataforma.
Cabos, polias e braços de alavanca podem aumentar ou reduzir a resistência transmitida, além de alterar como ela se distribui ao longo da repetição. Um leg press da Matrix, por exemplo, apresenta uma torre total de 180 kg e informa peso máximo de treino de 186,8 kg, tratando as duas medidas separadamente nas especificações.
Em outros equipamentos, uma relação de polias pode fazer com que o usuário receba apenas parte do peso selecionado. Por isso, o número da torre serve principalmente para acompanhar a evolução naquele aparelho específico.
A posição do corpo também muda o exercício
Mesmo na mesma máquina, regulagens diferentes podem alterar a dificuldade. A distância entre o banco e a plataforma modifica o ponto inicial, a flexão dos joelhos e do quadril e a amplitude disponível.
Uma repetição mais profunda normalmente percorre uma distância maior do que uma repetição curta. Além disso, reduzir a velocidade, controlar a descida e evitar impulsos aumenta o tempo em que os músculos permanecem sob tensão.
Estudos de biomecânica mostram que mudanças mecânicas entre versões do leg press e alterações na técnica modificam as forças articulares e a atividade dos músculos dos membros inferiores. Portanto, o peso externo não é a única variável que determina a exigência do exercício.
Isso explica por que uma carga pode parecer leve em repetições curtas e muito mais pesada quando o movimento é feito com maior amplitude e controle.
Como escolher a carga ao trocar de aparelho
Ao usar um leg press desconhecido, não tente reproduzir imediatamente o número da máquina anterior. Comece com uma ou duas séries leves para entender o trajeto, a resistência inicial e a posição do banco.
Depois, aumente gradualmente até encontrar uma carga que permita cumprir a faixa de repetições planejada com técnica estável. A progressão do treinamento de força deve considerar o desempenho, o objetivo e a capacidade individual, e não apenas o peso absoluto exibido no equipamento.
Para acompanhar a evolução, registre:
- modelo ou tipo de leg press;
- carga utilizada;
- número de repetições;
- regulagem do banco;
- amplitude;
- percepção de esforço.
Também vale evitar competições baseadas somente nos quilos colocados. Uma pessoa pode movimentar mais anilhas em uma máquina inclinada e menos peso em um modelo horizontal sem que isso revele, sozinho, quem possui mais força.
O melhor parâmetro é comparar o próprio desempenho em condições semelhantes. Se as repetições aumentam, o movimento melhora ou a carga progride no mesmo aparelho, existe um sinal mais confiável de evolução.



