O remo ergométrico pode parecer intuitivo: basta sentar, puxar o cabo e repetir o movimento. No entanto, a regulagem da resistência, o ritmo das remadas e a ordem em que pernas, tronco e braços entram em ação mudam bastante a experiência.
Quando bem executado, o exercício envolve grandes grupos musculares e pode ser usado tanto em sessões leves quanto em treinos mais intensos. Além disso, oferece uma alternativa de baixo impacto para quem deseja variar o trabalho cardiovascular.
Para começar, porém, não é necessário escolher a maior resistência nem tentar remar o mais rápido possível. O principal objetivo deve ser aprender o movimento e manter uma sequência confortável.
Resistência alta não significa treino melhor
Muitos aparelhos de remo possuem uma alavanca ou seletor numerado. Essa regulagem controla a quantidade de ar ou resistência que o equipamento oferece durante a puxada.
Colocar o aparelho no nível máximo não torna automaticamente o exercício mais eficiente. Uma resistência muito alta pode deixar o movimento pesado, reduzir a fluidez e fazer a pessoa usar os braços e as costas em excesso.
Para iniciantes, costuma ser mais adequado começar em uma regulagem baixa ou intermediária. A carga deve permitir que as remadas sejam firmes, mas sem exigir arrancadas bruscas.
A sensação pode ser comparada à escolha de uma marcha na bicicleta. Uma regulagem mais pesada exige mais força em cada puxada. Já uma resistência moderada facilita a manutenção do ritmo por mais tempo.
Como os aparelhos variam entre academias e fabricantes, o número exibido no seletor não deve ser interpretado como uma carga universal. O melhor ajuste é aquele que permite executar o movimento com controle.
O impulso começa nas pernas
Um erro comum no remo ergométrico é iniciar a puxada dobrando os braços. Apesar de o cabo ser segurado pelas mãos, grande parte da força inicial deve vir das pernas.
Na posição de partida, os joelhos ficam flexionados, os braços estendidos e o tronco levemente inclinado para a frente. A sequência começa com os pés pressionando o apoio e as pernas empurrando o banco para trás.
Depois que as pernas se estendem, o tronco faz uma pequena inclinação para trás. Só então os braços puxam o cabo em direção à região inferior do peito ou à parte alta do abdômen.
A volta ocorre na ordem inversa: primeiro os braços se estendem, depois o tronco retorna à posição neutra e, por último, os joelhos se dobram para que o banco deslize para a frente.
Uma forma simples de memorizar é pensar em “pernas, tronco e braços” na puxada e “braços, tronco e pernas” no retorno.
Cadência e potência são coisas diferentes
O painel do aparelho pode mostrar o número de remadas por minuto. Essa informação representa a cadência, mas não indica sozinha a intensidade do treino.
É possível remar rapidamente e aplicar pouca força em cada movimento. Da mesma forma, uma pessoa pode manter uma cadência menor e produzir puxadas mais potentes.
Para aprender a técnica, vale começar com um ritmo no qual seja possível controlar todas as etapas. A recuperação — o momento em que o banco volta para a frente — deve ser mais tranquila do que a puxada.
Correr para retornar à posição inicial pode deixar o movimento desorganizado. Em vez disso, o banco deve deslizar de maneira contínua, sem bater na parte da frente do aparelho.
Com a técnica mais estável, a intensidade pode aumentar por meio de remadas mais fortes, blocos mais rápidos ou períodos maiores de exercício.
Como ajustar os apoios dos pés
A faixa dos pés deve passar sobre a parte mais larga do calçado. Se ficar muito alta ou muito baixa, o pé pode perder estabilidade durante a puxada.
O ajuste também precisa permitir que os calcanhares se levantem discretamente quando o banco se aproxima da frente. No entanto, a pessoa não deve avançar tanto a ponto de comprimir excessivamente o corpo ou perder a postura.
Durante o movimento, os joelhos devem acompanhar a direção dos pés. Deixá-los abrir ou fechar demais pode prejudicar a estabilidade.
Também não é necessário segurar o cabo com força excessiva. As mãos apenas conectam o corpo ao aparelho. Apertar demais pode cansar os antebraços antes do restante do corpo.
Quanto tempo fazer no início?
Quem nunca usou o remo pode começar com blocos curtos, de dois a cinco minutos, intercalados por pausas. Esse formato ajuda a praticar a técnica sem acumular fadiga.
Outra possibilidade é alternar um minuto de remo confortável com um minuto mais leve. Conforme o movimento se torna natural, o tempo total pode aumentar gradualmente.
Caso apareçam dor aguda, desconforto persistente nas costas ou dificuldade para manter a postura, é indicado interromper a sessão e pedir orientação a um profissional de educação física.
O remo ergométrico não exige força máxima em todas as puxadas. Para aproveitar melhor o aparelho, vale priorizar coordenação, controle e progressão gradual.



