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Seu tênis de corrida ainda aguenta? Veja sinais antes do próximo treino



Solado gasto, entressola amassada, perda de conforto e desconfortos novos podem indicar que o tênis já não responde como antes



Tênis de corrida- quando trocar sem esperar a dor aparecer

Tênis de corrida não dura para sempre. Mesmo quando parece inteiro por fora, ele pode perder parte do amortecimento, da estabilidade e da sensação de resposta. Para quem corre, caminha ou alterna corrida e caminhada, perceber esses sinais ajuda a evitar que a troca aconteça só depois que o corpo começa a reclamar.

O problema é que não existe uma data exata. Um tênis pode durar mais para uma pessoa leve, que corre pouco e em piso regular. Pode durar menos para quem treina muitos quilômetros, corre no asfalto, usa o mesmo par todos os dias ou pisa de forma mais desgastante para o solado.

Por isso, a melhor resposta combina quilometragem, aparência do tênis e sensação durante o treino.

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Quilometragem ajuda, mas não manda sozinha

Muita gente usa a quilometragem como referência. A Cleveland Clinic aponta que a maioria dos tênis de corrida dura cerca de 300 a 500 milhas, dependendo de peso, terreno e estilo de corrida. Isso equivale aproximadamente a 480 a 800 km. A Mayo Clinic Health System fala em uma faixa geral de 400 a 500 milhas, ou cerca de 640 a 800 km, além de três a quatro meses para quem treina com frequência.

Esses números são úteis, mas não devem ser regra fixa. O tênis não vence como alimento. Ele desgasta conforme uso, piso, frequência, tipo de material, peso corporal, técnica e cuidados.

Um corredor que faz 20 km por semana pode chegar a 500 km em cerca de seis meses. Quem corre 40 km por semana chega bem antes. Já quem usa o mesmo tênis para correr, caminhar, trabalhar e ir à academia pode desgastá-lo mesmo sem registrar tantos quilômetros de corrida.

O solado conta uma história

O primeiro lugar para olhar é o solado. Se uma região está muito mais gasta do que outra, se a borracha perdeu desenho ou se a sola ficou lisa em pontos importantes, o tênis pode ter perdido aderência e equilíbrio.

Desgaste desigual é comum, porque cada pessoa pisa de um jeito. Mas, quando a diferença fica muito grande, o tênis pode começar a inclinar o apoio. Isso muda a sensação de corrida e pode deixar a passada menos estável.

Também vale comparar os dois pés. Às vezes, um tênis está bem mais gasto do que o outro. Isso pode acontecer por assimetria natural, tipo de percurso, curvas repetidas ou padrão de passada.

Entressola amassada é sinal importante

A entressola é a parte entre o solado e o pé. É ali que fica boa parte do amortecimento. Mesmo que o solado ainda pareça aceitável, a entressola pode estar comprimida.

Sinais comuns são vincos profundos, espuma muito amassada, sensação de tênis “morto” ou falta de resposta. A Mayo Clinic Health System recomenda observar entressola e solado: se estiverem comprimidos ou gastos, é hora de comprar um novo par.

Na prática, o corredor percebe que o tênis já não absorve o impacto como antes. O treino parece mais seco, duro ou desconfortável, mesmo no mesmo percurso.

Desconfortos novos merecem atenção

Um sinal clássico é sentir dores ou incômodos novos em treinos que antes eram tranquilos. Pode aparecer em pés, canelas, joelhos, quadris ou panturrilhas. Isso não significa que o tênis seja automaticamente culpado. Carga de treino, sono, força, terreno e recuperação também influenciam.

Mas, se o desconforto aparece junto com um tênis antigo, solado gasto e perda de amortecimento, vale considerar a troca. A Cleveland Clinic cita justamente novas dores em corridas conhecidas, solado irregular e entressola achatada como sinais de que o tênis precisa ser substituído.

O ideal é não esperar a dor virar rotina. O tênis deve ser avaliado antes de o corpo começar a compensar.

O cabedal também importa

Não é só a sola que desgasta. A parte de cima do tênis, chamada cabedal, também pode abrir, rasgar ou perder estrutura. Se o pé começa a escorregar dentro do tênis, se a região do calcanhar fica frouxa ou se o tecido não segura mais bem o pé, a corrida pode perder estabilidade.

Cadarços, palmilha e contraforte também entram nessa avaliação. Um tênis velho pode parecer confortável porque já “cedeu” muito, mas isso nem sempre significa bom suporte.

Rodar dois pares pode ajudar

Quem corre com frequência pode se beneficiar de alternar dois pares. Isso não é obrigatório para iniciantes, mas pode ajudar quem treina vários dias por semana. A rotação evita usar sempre o mesmo tênis e pode permitir que a espuma tenha mais tempo para recuperar parte da forma entre treinos.

Também ajuda separar funções. Um tênis pode ficar para treinos leves, outro para treinos mais longos ou rápidos. Mas não é preciso transformar isso em consumo exagerado. Para quem corre pouco, um bom par confortável e bem acompanhado já pode ser suficiente.

Como fazer o tênis durar mais

Alguns cuidados simples ajudam. Use o tênis de corrida principalmente para correr ou caminhar. Evite deixá-lo no sol forte, dentro do carro quente ou jogado úmido na bolsa. Se molhar, deixe secar naturalmente, em local ventilado.

Também vale observar o piso. Asfalto, concreto, terra, trilha e esteira desgastam o tênis de formas diferentes. Usar um modelo inadequado para o terreno pode encurtar a vida útil e reduzir conforto.

Trocar antes da dor é cuidado

Tênis de corrida não precisa ser trocado por ansiedade, moda ou lançamento. Mas também não deve ser usado até “desmanchar”. O melhor caminho é acompanhar quilometragem aproximada, observar solado e entressola, perceber conforto e ficar atento a sinais novos do corpo.

Se o tênis está gasto, sem resposta e deixando treinos conhecidos mais desconfortáveis, talvez já tenha cumprido seu papel.

No fim, trocar o tênis na hora certa não é frescura. É parte da rotina de quem quer correr com mais constância, conforto e segurança.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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