Siga o OTD

Bem-Estar Todo Dia

 

Você consegue levantar do chão com facilidade? Entenda por que isso importa



A habilidade de sentar, apoiar o corpo e voltar a ficar em pé envolve pernas, quadril, tronco, equilíbrio e confiança no movimento



pessoa em casa ou em estúdio apoiando uma mão no chão e um pé à frente para levantar de um colchonete, com movimento controlado e ambiente seguro.

Levantar do chão parece uma tarefa simples até deixar de ser. Quem brinca com criança, senta no tapete, pega algo que caiu, organiza uma mala, faz alongamento ou pratica algum exercício no solo usa essa habilidade sem perceber. Mas, para muita gente, descer e voltar a ficar em pé pode virar um desafio.

O movimento exige mais do que força nas pernas. Para levantar do chão, o corpo precisa combinar mobilidade de quadril, joelhos e tornozelos, estabilidade do tronco, apoio das mãos, equilíbrio e coordenação. Também entra um fator importante: confiança. Quando a pessoa tem medo de cair ou sente que não controla bem o corpo, tende a evitar o chão. Com o tempo, evita também treinar essa habilidade.

Por isso, levantar do chão pode ser visto como um movimento funcional. Ele aparece em situações comuns da vida e ajuda a mostrar como força, mobilidade e equilíbrio trabalham juntos.

Mais sobre Mobilidade

O chão faz parte da vida

Muitas rotinas afastam o corpo do chão. A pessoa passa o dia em cadeira, sofá, carro, cama e mesa de trabalho. Quase tudo acontece em uma altura intermediária, sem exigir que o corpo agache, ajoelhe, sente no solo ou use as mãos para apoiar.

Quando chega a hora de levantar do chão, o movimento parece estranho. A pessoa não sabe onde colocar a perna, qual mão apoiar, como transferir o peso ou como organizar o tronco. Isso não significa fraqueza absoluta. Muitas vezes, é falta de prática.

O corpo aprende aquilo que repete. Se nunca desce até o chão, não treina as posições necessárias para voltar. Por isso, incluir pequenas aproximações desse movimento pode ser útil para quem busca mais autonomia no dia a dia.

Não é só força nas pernas

As pernas são importantes, mas não trabalham sozinhas. O quadril precisa flexionar e estender. Os joelhos dobram. Os tornozelos ajudam no apoio. O tronco estabiliza. As mãos podem servir como suporte. A cabeça orienta o movimento.

Em uma subida do chão, é comum passar por posições como ajoelhar, apoiar uma mão, colocar um pé à frente, transferir peso e empurrar o chão. Cada etapa exige uma combinação diferente de mobilidade e força.

Um estudo sobre o chamado sitting-rising test, teste em que a pessoa senta e levanta do chão com o mínimo de apoio possível, observou associação entre melhor desempenho e menor risco de mortalidade ao longo do acompanhamento em adultos de meia-idade e idosos. O teste não deve ser visto como previsão individual de saúde, mas reforça como a capacidade de levantar do chão reúne componentes importantes de aptidão física, como força, equilíbrio, flexibilidade e coordenação. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)

Comece por etapas

Nem todo mundo precisa tentar sentar e levantar do chão sem apoio logo de cara. Para muitas pessoas, o caminho mais seguro é dividir o movimento em partes.

Uma primeira etapa pode ser treinar sentar em uma cadeira baixa e levantar com controle. Depois, pode-se usar um banco, um colchonete alto ou um apoio estável. Outra possibilidade é praticar posições intermediárias, como ajoelhar em um colchonete, apoiar uma mão no chão e voltar.

O importante é reduzir a distância entre o corpo e o chão aos poucos. Quanto mais baixo o apoio, maior costuma ser a exigência. Por isso, usar cadeira, banco, parede ou sofá não é “trapaça”. É progressão.

A mão no chão não é fracasso

Muita gente associa levantar do chão sem as mãos a um sinal de aptidão. Mas, na rotina real, usar as mãos pode ser uma estratégia inteligente. Apoiar a mão no chão, no joelho, em uma cadeira ou em um sofá ajuda a distribuir a carga e dá mais segurança.

O objetivo não precisa ser eliminar todos os apoios. Para algumas pessoas, especialmente idosos, iniciantes ou quem tem dor, o mais importante é conseguir levantar com segurança. Se o apoio permite fazer o movimento sem medo, ele pode ser parte do treino.

Com o tempo, se fizer sentido, a pessoa pode tentar reduzir apoios. Mas isso deve acontecer com controle, não por orgulho.

Exercícios que ajudam

Alguns exercícios preparam o corpo para levantar do chão. Agachamentos, avanços, ponte de glúteos, prancha, mobilidade de quadril, sentar e levantar da cadeira, apoio ajoelhado e mudanças de posição no colchonete podem ajudar.

Também vale praticar o próprio gesto. Por exemplo: sentar no chão ao lado de um sofá, apoiar uma mão, colocar um pé à frente e levantar devagar. Depois, repetir o caminho inverso para descer. Fazer isso com calma ensina o corpo a organizar as etapas.

O treino deve ser confortável. Dor no joelho, tontura, falta de equilíbrio ou sensação de insegurança são sinais para adaptar. Quem tem histórico de quedas, lesões, cirurgias, dor persistente ou limitações importantes deve buscar orientação profissional antes de praticar sozinho.

Medo de cair também pesa

Levantar do chão não é apenas uma questão muscular. O medo de cair pode limitar bastante o movimento. Quando a pessoa não confia no próprio corpo, tende a se mover de forma rígida, prender a respiração e evitar posições mais baixas.

Por isso, o ambiente precisa ajudar. Treinar perto de um sofá, parede ou apoio firme pode dar segurança. Usar um colchonete também reduz desconforto nos joelhos. O ideal é começar em um espaço livre, sem tapetes soltos, móveis no caminho ou piso escorregadio.

A confiança cresce quando o corpo entende o caminho. Repetir com segurança é melhor do que tentar uma versão difícil uma única vez.

Autonomia em movimento

Levantar do chão é uma habilidade simples, mas poderosa. Ela mostra que o corpo consegue mudar de nível, apoiar-se, transferir peso e voltar a ficar em pé. Para quem busca saúde e bem-estar, isso pode ser tão importante quanto contar repetições em um aparelho.

Não é preciso fazer disso um teste diário. Basta lembrar que o chão também faz parte da vida. Sentar, ajoelhar, apoiar as mãos e levantar são movimentos que podem ser treinados aos poucos.

Quanto mais familiar o corpo fica com essas posições, mais autonomia ganha. E autonomia, no fim, é uma das melhores formas de medir movimento no dia a dia.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

Mais em Bem-Estar Todo Dia