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Futebol, natação ou dança? Como escolher um esporte para cada idade

Esportes para crianças- o que cada modalidade desenvolve no corpo e na mente

Escolher uma atividade esportiva para uma criança nem sempre é simples. Futebol, natação, dança, ginástica, lutas e diversas outras modalidades podem fazer parte da infância, mas a melhor escolha não depende apenas da idade.

O interesse da criança, o nível de desenvolvimento, o ambiente e a maneira como a atividade é apresentada também fazem diferença.

Na primeira infância, o mais importante é proporcionar diferentes experiências de movimento. Conforme a criança cresce, atividades mais estruturadas podem ser introduzidas, incluindo esportes e aulas específicas.

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira destaca que as atividades para crianças devem ser alegres, seguras, supervisionadas por pais, responsáveis ou professores e adequadas à idade.

Por isso, escolher um esporte não precisa significar encontrar uma modalidade definitiva. A infância pode ser justamente o período para experimentar diferentes formas de se movimentar.


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Antes dos 3 anos, é preciso escolher um esporte?

Não necessariamente.

Nos primeiros anos de vida, a prioridade é permitir que a criança explore movimentos variados.

Engatinhar, andar, correr, saltar, equilibrar-se, lançar objetos, puxar, empurrar e brincar são exemplos de experiências importantes.

Para crianças de 1 a 2 anos, o Ministério da Saúde recomenda pelo menos três horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, distribuídas ao longo do dia.

Nessa fase, o movimento pode acontecer principalmente por meio de brincadeiras.

Não é necessário transformar a rotina em treinamento esportivo.

E dos 3 aos 5 anos?

É possível começar a experimentar atividades mais estruturadas.

Natação, dança, ginástica, lutas e esportes podem ser introduzidos progressivamente, sempre de maneira adequada à idade.

Isso não significa que a criança precise treinar como um atleta.

O caráter lúdico continua importante.

Uma aula para essa faixa etária pode ensinar movimentos básicos por meio de jogos e brincadeiras.

O objetivo é ampliar as experiências motoras e permitir que a criança descubra atividades de que gosta.

A partir dos 6 anos muda alguma coisa?

A partir dos 6 anos, a criança já pode participar de atividades esportivas mais estruturadas.

O Ministério da Saúde recomenda pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada ou vigorosa para crianças e jovens de 6 a 17 anos.

Esse tempo pode incluir atividades realizadas na escola, no deslocamento, no lazer e em esportes.

A criança pode, portanto, fazer futebol duas vezes por semana e continuar fisicamente ativa em outros momentos do dia.

Não é necessário concentrar toda a atividade em uma única modalidade.

Como escolher o primeiro esporte?

Uma boa pergunta é: do que a criança gosta?

Se ela gosta de correr e brincar com outras crianças, um esporte coletivo pode despertar interesse.Se gosta de água, a natação pode ser uma opção.Se prefere música e movimento, pode experimentar dança.Se gosta de desafios e movimentos variados, pode conhecer ginástica ou uma modalidade de luta.

O interesse da criança não precisa coincidir com o esporte preferido dos pais.

Futebol é uma boa escolha?

Pode ser, principalmente para crianças que gostam de correr, brincar em grupo e jogar com outras pessoas.

Mas o futebol não precisa ser a primeira opção de toda criança.

Também é importante observar como a escolinha trabalha com os participantes.

Para crianças pequenas, atividades excessivamente focadas em resultado e competição podem tirar espaço da brincadeira.

O ideal é que a criança aprenda gradualmente os movimentos e as regras enquanto se diverte.

E a natação?

A natação pode ser introduzida ainda na infância.

Além de proporcionar uma experiência de movimento diferente, o contato com a água pode ensinar habilidades importantes para a adaptação ao meio aquático.

O Ministério da Saúde destaca que aprender a nadar, flutuar, mergulhar e se adaptar à água é importante para as crianças, especialmente porque acidentes em piscinas, lagos e no mar podem acontecer.

Isso não significa que uma aula de natação elimine o risco de afogamento.

A supervisão de adultos continua indispensável sempre que a criança estiver próxima da água.

Dança também conta como esporte?

A dança é uma forma de atividade física e pode fazer parte da rotina infantil.

Ela permite trabalhar movimentos variados e pode ser uma boa opção para crianças que gostam de música e expressão corporal.

Balé, dança de salão, danças urbanas e diferentes ritmos oferecem experiências distintas.

Mais uma vez, a escolha pode partir do interesse da própria criança.

Não é necessário escolher uma modalidade considerada mais “completa” do que outra.

E as lutas?

Judô, karatê, taekwondo e outras modalidades podem ser praticados por crianças, desde que as aulas sejam adequadas à faixa etária.

Para os menores, o foco pode estar em movimentos, equilíbrio, coordenação e brincadeiras relacionadas à modalidade.

A competição pode ser introduzida posteriormente, de acordo com o desenvolvimento da criança e a proposta da atividade.

O ambiente e a condução do professor são tão importantes quanto o nome da modalidade.

Criança precisa fazer vários esportes?

Não existe uma regra de que toda criança precise praticar várias modalidades ao mesmo tempo.

Mas experimentar diferentes atividades pode ampliar o repertório de movimentos.

Uma criança que passa por futebol, natação, dança e outras brincadeiras tem contato com diferentes formas de correr, saltar, equilibrar, lançar e coordenar movimentos.

A diversidade também pode ajudar a criança a descobrir aquilo de que realmente gosta.

Isso não significa ocupar todos os dias da semana com aulas.

Tempo livre para brincar também faz parte da infância.

E se a criança não gostar?

Não é preciso insistir indefinidamente.

Uma criança pode experimentar uma modalidade e perceber que não gosta dela.

Isso não significa que não goste de atividade física.

Talvez prefira outro esporte ou uma atividade menos estruturada.

Se a criança não gostou de futebol, por exemplo, pode experimentar natação.

Se não gostou de uma aula de dança, pode gostar de bicicleta.

O processo de descoberta pode envolver algumas tentativas.

Os pais devem escolher o esporte?

Os pais têm um papel importante na escolha, principalmente para avaliar segurança, logística, custo e qualidade do local.

Mas a preferência da criança também deve ser considerada.

Uma atividade escolhida exclusivamente pelos adultos pode se tornar uma obrigação.

Quando a criança participa da escolha, existe maior possibilidade de criar uma relação positiva com o movimento.

Isso não significa deixar toda decisão nas mãos dela.

Cabe aos adultos estabelecer limites e escolher ambientes apropriados.

Competição faz bem para a criança?

A competição pode fazer parte do esporte infantil, mas precisa ser adequada à idade e ao nível de desenvolvimento.

O problema aparece quando vencer passa a ser mais importante do que a própria experiência esportiva.

A criança pode aprender a lidar com vitórias, derrotas, regras e responsabilidades.

Mas também precisa ter espaço para errar e aprender.

Na iniciação esportiva, o processo é mais importante do que transformar a criança em atleta precocemente.

Existe uma idade certa para começar a competir?

Não há uma idade universal que determine quando toda criança deve começar a competir.

Isso varia conforme a modalidade, o desenvolvimento e a proposta da atividade.

Estudos brasileiros sobre iniciação esportiva mostram justamente que existe divergência sobre a idade mais adequada para iniciar treinamento específico e competição.

Por isso, não é adequado estabelecer uma regra única para todas as modalidades.

O que pode ser mais importante é evitar uma especialização precoce que limite as experiências de movimento.

E se a criança quiser ser atleta?

É possível levar o interesse a sério sem transformar a infância em uma rotina profissional.

Uma criança que demonstra talento ou paixão por determinada modalidade pode receber treinamento mais estruturado ao longo do tempo.

Mas o desenvolvimento deve ser progressivo.

A escola, o descanso, as brincadeiras, a convivência familiar e outras experiências continuam fazendo parte da vida.

O esporte de alto rendimento é um caminho específico e não precisa ser o objetivo de toda criança que pratica uma modalidade.

Como escolher uma escolinha?

Além da modalidade, os pais devem observar o ambiente.

Algumas perguntas podem ajudar:

Os professores têm formação adequada?

As atividades são compatíveis com a idade?

Existe supervisão durante as aulas?

O espaço é seguro?

A criança parece confortável durante a atividade?

O foco está apenas na competição ou também no aprendizado?

A turma respeita diferentes níveis de habilidade?

Esses fatores podem ser mais importantes do que escolher entre duas modalidades.

A criança precisa treinar todos os dias?

Não.

Uma rotina infantil não precisa ser organizada como a de um atleta profissional.

A atividade física pode acontecer em diferentes momentos.

Brincar no parque, andar de bicicleta, caminhar, correr, jogar bola e participar das aulas de educação física também contam.

Para crianças de 6 a 17 anos, a recomendação brasileira é de pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada ou vigorosa, que podem ser acumulados ao longo do dia.

Isso inclui diferentes contextos, não apenas o treinamento esportivo.

O papel da família vai além de pagar a aula

Os adultos podem ajudar criando oportunidades para a criança se movimentar.

Levar ao parque, caminhar juntos, brincar, andar de bicicleta ou simplesmente permitir que a criança tenha espaço seguro para brincar são atitudes importantes.

O exemplo também conta.

Quando a atividade física faz parte da rotina familiar, ela pode deixar de ser vista como uma obrigação exclusiva da criança.

O movimento passa a fazer parte do cotidiano de todos.

E o tempo de tela?

Não é necessário transformar a discussão em uma guerra contra celulares, tablets e videogames.

O ponto é equilibrar o tempo parado com oportunidades de movimento.

A criança pode usar telas e também brincar, caminhar, praticar esportes e participar de outras atividades.

Criar uma rotina que ofereça diferentes experiências é mais interessante do que simplesmente retirar uma atividade e não oferecer outra possibilidade.

Qual esporte escolher em cada fase?

Não existe uma tabela obrigatória, mas algumas referências podem ajudar.

Até 2 anos: priorize brincadeiras e exploração de movimentos.

Dos 3 aos 5 anos: atividades lúdicas e experiências variadas, podendo incluir progressivamente natação, dança, ginástica, lutas e esportes.

A partir dos 6 anos: esportes mais estruturados podem ganhar espaço, sempre respeitando idade, interesse e nível da criança.

A modalidade específica pode variar.

O mais importante é que exista movimento suficiente e que a experiência seja segura e adequada.

O melhor esporte é aquele que a criança quer continuar praticando

Futebol, natação, dança, ginástica, lutas, ciclismo e outras modalidades podem fazer parte de uma infância ativa.

Não existe uma modalidade universalmente melhor.

Uma criança pode encontrar no futebol sua atividade favorita.

Outra pode preferir a piscina.Outra pode gostar de dançar.Outra pode descobrir que prefere simplesmente andar de bicicleta e brincar no parque.

A escolha não precisa ser definitiva.

Na infância, experimentar diferentes formas de movimento pode ser mais importante do que encontrar cedo o esporte perfeito.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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