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Tóquio 2020

A menos de 1km do bronze, Erica Sena leva punição, para por 2 minutos e termina em 11º

Erica Sena fazia prova primorosa e estava a menos de 1 km da primeira medalha olímpica da história da marcha atlética; 3ª advertência, no entanto, lhe fez parar por 2 minutos e terminar em 11º lugar

Érica Sena marcha atletica feminina atletismo tóquio 2020
(Wander Roberto/Exemplus/COB)

Um dos momentos mais tristes para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 ocorreu na madrugada dessa sexta-feira (6). Erica Sena entrou no último dos 20 km da marcha atlética feminina em terceiro lugar, brigando pela segunda colocação. Uma terceira punição, no entanto, lhe fez parar por 2 minutos e acabou com seu sonho de se tornar a primeira medalhista olímpica do país na prova. Após a parada, a pernambucana terminou com um amargo 11º lugar.

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O ouro foi para a italiana Antonella Palmisano. A atleta fez uma prova perfeita e terminou com 1h29min12s. No último quilômetro, a italiana passou 18 segundos a frente da colombiana Sandra Lorena Arenas e a 28s da Erica Sena.

A brasileira começou a apertar o ritmo e estava próxima da rival sul-americana. Ela, no entanto, já tinha recebido da direção de prova uma terceira punição que não foi aplicada de imediato. Quando faltavam menos de 500m para a linha de chegada, Erica se deparou com a plaquinha, foi obrigada a parar e viu o sonho da medalha olímpica acabar. Na marcha atlética, os atletas são fiscalizados para não cometerem movimentos irregulares que fujam aos movimentos de marchar ou dobrarem os joelhos.

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A colombiana ficou com a prata e a chinesa Liu Hong, que já estava cada vez mais atrás de Erica Sena, terminou com o bronze. Mesmo parando dois minutos, uma eternidade na marcha atlética, Erica fechou em 11º lugar com 1h31min29s. Se não fosse a punição, provavelmente levaria o bronze, com chances de tirar a prata da colombiana.

“Queria muito esse resultado, a marcha atlética brasileira precisava muito disso e eu dei tudo de mim na competição. Estou contente porque hoje fiz a melhor prova da minha vida. Me considero uma vencedora. Tive um ano muito difícil, treinei com muitas dores, pensei em parar. Agradeço muito ao meu treinador, que me deu muita força para que eu não desistisse,” comentou Erica Sena.

“O que ocorreu no final foi muito inesperado e nunca havia acontecido comigo em grandes competições. A chinesa que estava atrás de mim é a atual campeã mundial e uma atleta muito rápida. A ideia era acelerar antes e ganhar distância dela. Deu certo e quando vi, já estava me aproximando da colombiana e brigando pelo segundo lugar. Depois disso, todos viram o que aconteceu. É muito duro por tudo que fiz, mas aconteceu. Fiz o melhor que pude e dei tudo de mim por essa medalha,” completou.

Com a punição de hoje, Erica Sena não superou seu desempenho na Rio 2016, quando terminou na 7ª colocação.

Desfecho conhecido

O trágico enredo já era conhecido de Erica Sena. Nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, a brasileira vencia a prova com folga, tomou a terceira punição e teve de se contentar com a medalha de bronze.

Não é a primeira vez que um fato como. de hoje ocorre em Jogos Olímpicos. Em Sydney 2000, a australiana Jane Saville já adentrava o estádio olímpico e se preparava para fechar em primeiro e ser ovacionada pelo público local. A menos de 400m, no entanto, levou a terceira posição e ficou sem o ouro, prata ou bronze.

Redenção em Paris

Érica de Sena poderá ter sua redenção em Paris. A atleta é uma das melhores do mundo na prova dos 20 km. Foi 4ª colocada nos dois últimos Mundiais e também 4ª no Mundial de Marcha Atlética em 2018.

Para melhorar sua preparação, Érica Sena se mudou, em 2011, para Cuenca, no Equador, onde mora até hoje com o marido e treinador, o equatoriano Andrés Chocho. Com os treinos na altitude, melhorou seu nível e se tornou uma das maiores marchadoras do mundo. O equador é um país referência na marcha atlética.

A pernambucana esteve entre as quatro primeiras colocadas nas quatro últimas copas do mundo, sendo bronze em 2016, além de ter um sétimo lugar na primeira Olimpíada disputada, a Rio-2016. Tem, ainda, duas medalhas de Jogos Pan-Americanos, prata em Toronto-2015 e bronze em Lima-2019, e chegou na capital japonesa como a sétima do mundo no ranking da World Athletics, bem próxima das três que estavam à sua frente.

A prova

A facada no peito estragou uma prova perfeita da brasileira. Erica Sena ficou com o pelotão de frente desde os primeiros quilômetros. Na marca dos 2km, passou à frente, junto com as favoritas chinesas.Ao chegar no km 5, Erica seguiu entre as primeiras colocadas, junto com as chinesas, a italiana Antonella Palmisano.

A partir do sexto quilômetro, as chinesas começaram a apertar o ritmo. Erica Sena seguiu no grupo principal, sem deixar as asiáticas desgarrar. Com Erica no meio, as primeiras colocadas passaram a metade da prova com 45min27. Àquela altura, o pelotão da frente contava com mais ou menos 15 atletas.

Passados 13 km, a Italiana Antonella Palmisano passou na frente com 59min32, seguida de perto de Erica de Sena. Junto com as três chinesas (favoritas a fazer um pódio triplo), da australiana e mais seis atletas. Dois km depois, o número de postulantes às medalhas reduziu e Erica Sena assumiu a liderança, ao lado da italiana e da chinesa Liu. O pelotão principal passou a ter apenas seis.

Facada no peito

Nos 17km, Antonela Palmisano pisou no acelerador e foi acompanhada pela chinesa Yang. Erica ficou um pouco atrás e viu a colombiana Sandra Lorenas apertar. Erica passou o 18º quilômetro 12 segundos atrás da líder. Quando a medalha parecia ficar distante, a chinesa Yang, que vinha em 2º, levou a terceira punição e a brasileira pulou para terceiro.

Erica vinha abrindo para a 4º colocada e se aproximando da vice-líder, enquanto a italiana já disparava na frente sem punições para fazer a dobradinha da Itália no masculino e no feminino nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A punição à Erica veio pouco antes do 19º km, mas só foi aplicada nos últimos 400m, quando a medalha de prata já era possível e o bronze parecia garantido.

Chorando muito e abalada, a atleta não conseguiu parar para dar entrevistas.

Caio Bonfim ficou em 13º ontem

Sob forte calor, ocorreu a prova da marcha atlética 20km masculina dos Jogos Olímpicos de Tóquio na madrugada dessa quinta-feira (6). Caio Bonfim, medalhista de bronze no Mundial de Atletismo em 2017, terminou na 13º colocação. Outros brasileiros na prova, Matheus Correia foi 46º e Lucas Mazzo abandonou.

A prova ocorreu em Sapporo, cidade localiza a mais de 1000 km de Tóquio. Sob um calor de mais de 34 graus, acabou com vários medalhistas olímpicos e mundiais longe do pódio. O ouro acabou indo para a Itália, resultado que foi considerado uma surpresa. Maximo Stano venceu com 1h21s05. A prata e o bronze foram para o Japão. Ikeda Koki cruzou a linha de chegada 9 segundos após e Yamanishi Toshikazu fechou com 1h21min28.

Matheus Correia acabou na 46ª colocação com 1h31min47s. Lucas Mazzo acabou abandonando a prova dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Caio Bonfim AO VIVO: marcha atlética 20km - Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
Caio Bonfim ficou em 13º lugar na Olimpíada de Tóquio 2020 (Carol Coelho/CBAt)

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