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Muralhas da Superliga, Julia Kudiess e Adenízia duelam por título



Protagonistas no bloqueio, Julia Kudiess e Adenízia buscam a conquista da Superliga e chegam como fortes candidatas à seleção da competição e ao prêmio de MVP. A minastenista lidera com 112 tocos. Já a praiana é a segunda com 97



Julia Kudiess e Adenízia são as duas maiores bloqueadoras da Superliga (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)
Julia Kudiess e Adenízia são as duas maiores bloqueadoras da Superliga (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

A bola ainda nem entrou em jogo no Ginásio do Ibirapuera, mas a rede já tem duas donas. Antes mesmo do primeiro saque da decisão da Superliga 2025/26 de vôlei feminino, Gerdau Minas e Dentil Praia Clube carregam um duelo de centrais que começa no ar e termina no chão. De um lado, Julia Kudiess, líder absoluta em bloqueios na temporada, com 112. Do outro, Adenízia, referência histórica da posição e no fundamento, logo atrás no ranking ao registrar 97 tocos. O confronto acontece neste domingo (3), às 10h, e há grandes chances de o título passar exatamente pelo paredão de uma delas.

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Elogios que explicam o nível

Quando quem enfrenta também admira, o nível técnico fala por si. Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia (OTD), Adenízia não economizou nas palavras ao falar da rival. “A Julia, para mim, é um fenômeno. Vejo nela muita garra, vontade. Com ela não tem bola difícil, não tem bola ruim, não tem momento ruim. A Julia está mostrando a cara dela não só no Brasil, mas no mundo afora. Desejo muita sorte para ela nessa nova etapa da carreira onde quer que ela vá. Acho a Julia uma jogadora maravilhosa”, afirmou a central do Praia, que também elogiou a amiga Thaisa, com quem jogou junto por anos no Osasco.

“Sou grata por ter começado com a Thaisa desde as categorias de base da seleção brasileira. A gente construiu muita coisa juntas. É uma carreira muito boa, uma amizade muito boa. Tenho orgulho dela demais, pela jogadora que se tornou, pela mulher que é. Então, se for ficar aqui, vou rasgar elogios para ela. Ela é praticamente da minha família e eu sou praticamente da família dela. Então, eu a amo demais”, revelou Adenízia. Do outro lado do duelo entre bloqueadoras, Julia Kudiess também conversou com o OTD reconheceu o impacto da adversária e o perigo que ela representa no jogo.

“O time do Praia é muito forte. A Macris é uma excelente levantadora, eu sou apaixonada, amo jogar com ela também. Mas a Adenízia é um diferencial, ela é uma jogadora absurda e falo que temos que fugir do bloqueio dela, senão ela cresce e se torna aquela jogadora imparável. São jogadoras que admiro”, destacou Julia Kudiess.

Bloqueio protagonista

Não é comum ver o fundamento ganhar tanto peso quanto nesta final. Julia Kudiess chega como a única atleta a ultrapassar a marca de 100 pontos de bloqueio na Superliga. Mesmo liderando com folga, a central do Minas ainda olha para o próprio jogo com exigência elevada. Ela reconhece o bom momento, mas acredita que poderia ter sido ainda mais dominante e vê espaço para evolução no fundamento. Para completar, a jogadora minastenista contou em quem se inspira para ser uma bloqueadora com atuações tão expressivas.

“Fico muito feliz com esse desempenho. Tive a oportunidade de jogar com Carolana na seleção, mas a Thaisa, que tá no time comigo também, também é uma grande bloqueadora. Acho até que eu poderia ter bloqueado muito mais, para ser bem sincera. Eu fico pensando nos jogos que fiz um pouco abaixo, que poderia ter feito melhor. A minha expectativa é crescer cada vez mais e me tornar uma bloqueadora ainda melhor. E fico feliz também, porque estou com a Thaisa ali porque ela me ajuda e me ensina muito” disse Julia Kudiess.

Do outro lado, Adenízia mostra que experiência e intensidade caminham juntas mesmo após anos de carreira. “Brinco com as meninas que no dia que não tiver mais o frio da barriga, aposentei. Nem preciso mais aparecer porque isso é necessário. A ansiedade no mundo do esporte, com controle, é necessária. Estou vivendo agora como se tivesse 18 anos, como se fosse minha primeira Superliga. É muito gostoso estar vivendo esse momento. Cada dia, para mim, é como se fosse o último, então tenho que aproveitar ao máximo porque estou mais próxima do fim no voleibol do que do início”.

Energia e resiliência

O bloqueio aparece nas estatísticas, mas o impacto vai além. Julia Kudiess chega na final embalada por um Minas que cresce na base da energia e intensidade coletiva. “Eu acho que o diferencial é a energia do grupo. Todo mundo está se ajudando, como uma família, de querer chegar junto, e isso é diferente. Não tem nenhuma picuinha, nenhum relacionamento ruim no time, e isso faz todo mundo querer ir além. Nós temos jogadoras muito sanguíneas, como eu, a Thaisa e a Nyeme. A gente vibra muito e consegue puxar as outras meninas também”, disse a central minastenista.

“O que vale é aquilo que a gente está vivendo em quadra e nos últimos jogos a equipe colocou muita garra. Isso que move o nosso time. O time que tem vontade tem muito mais confiança e faz tudo fluir. Então, acredito que nesse último jogo agora, principalmente, a equipe vai trazer muito isso para dentro de quadra” completou Julia Kudiess. Do outro lado, Adenízia representa um Praia Clube que aprendeu a sobreviver ao longo da temporada, especialmente depois da derrota para o Sesc Flamengo no segundo jogo da semifinal da Superliga mesmo com quatro match points favoráveis.

“A gente teve dificuldade o ano inteiro e não só nesse jogo (com o Sesc Flamengo). Mas acho que isso fez com que a equipe se fechasse mais, que a gente tivesse mais empatia uma com a outra, que se ajudasse mais, não só nós meninas, mas a comissão técnica. Estamos trabalhando duro e entendemos o significado de cada uma estar aqui e ter esse resultado de estar numa final de Superliga, lugar onde muitos times queriam estar. E nós estamos pela nossa entrega, resiliência e por não nos entregarmos em nenhum momento”, afirmou Adenízia.

Clima de despedida no Minas

A final não vale só o título coletivo. Julia Kudiess e Adenízia entrarão na decisão da Superliga como principais candidatas a formarem a dupla de centrais da seleção do campeonato e, consequentemente, também estarão na briga direta pelo prêmio de MVP da temporada. Se for a escolhida, a muralha do Minas deixaria o clube com mais uma conquista individual, talvez a maior delas pela agremiação. A central de 23 anos está de saída para o voleibol europeu. Ainda não existe confirmação oficial, mas a tendência é que ela atue pelo italiano Novara em 2026/27.

“É muito difícil essa despedida, mas fico feliz em poder coroar o meu último jogo nesse ginásio super especial. Tive a oportunidade de vir na última final e saí falando ‘eu quero estar na final do ano que vem’. Então, estar aqui torna essa despedida um pouco mais tranquila e muito mais gostosa de viver. Todo mundo fala de mim e da Pri (Daroit), mas tem outras meninas que também estão saindo e a comissão técnica. Então, o título seria para coroar uma despedida para todas essas pessoas e, quem for continuar, que continue fazendo um trabalho bem feito”, disse Julia Kudiess.

“O Minas é uma camisa muito especial, sou apaixonada pelo clube e a gente merece muito esse resultado. Todas nós, mas acredito que ainda mais a galera que está indo embora quer deixar a marca. Nós queremos deixar a nossa marca. Então, pode ter certeza que a gente vem com um time muito forte para essa final”, acrescentou a central.

Gratidão de Adenízia

Durante várias temporadas, Adenízia vivenciou a rivalidade do clássico entre Osasco e Rio de Janeiro, o atual Sesc Flamengo. Agora, a centra do time de Uberlândia sente de dentro o clima do duelo mineiro entre Praia e Minas, denominado de confronto “Pão de Queijo”. Feliz na equipe praiana, a atleta fez questão também de mostrar gratidão ao time osasquense, onde atuou na maior parte de sua vitoriosa carreira. “Sou muito feliz pela minha trajetória. O Osasco deu tudo que sou hoje, tudo que conquistei, a pessoa que sou hoje. O Osasco me deu essa oportunidade de disputar muitas finais e fui muito feliz”.

Eu aprendi muito no Osasco. O Luizomar (técnico) apostou muito em mim. Comecei lá em 2001 e, para mim, foi uma honra vivenciar todos esses momentos. Mas agora estou aqui do lado do Praia, vivendo essa outra história, essa rivalidade que é Minas e Praia Clube. Gosto desse desafio. É muito legal e só tenho gratidão por ainda poder estar jogando em alto nível”, ressaltou Adenízia. Com 39 anos, Adenízia segue atuando em excelência e, junto com a vida de atleta profissional, está cursando faculdade de jornalismo. No papo coma imprensa, ela foi desafiada a fazer uma chamada atrativa para a final.

“Nossa, agora você me pegou (brincou). Estou na minha segunda faculdade, então eu fico conciliando esse lado atleta e estudante. Se eu tivesse que fazer uma manchete, acho que faria algo do tipo: em busca do tão sonhado ouro. Acredito que as duas equipes estão de parabéns. São times que, se você perguntar lá atrás para qualquer canal de imprensa, a maioria dizia que não estariam nessa decisão. Então, a superação dos dois lados foi enorme e sou grata ao voleibol por essa competitividade que teve agora no final”, finalizou Adenízia.

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