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Michelle e Pri Daroit: trabalho silencioso que pode decidir Superliga



Michelle e Pri Daroit explicaram a função tática fundamental que executam para equilíbrio de, pela ordem, Praia e Minas. As duas são responsáveis também pela organização dos times e podem ter papel decisivo na final da Superliga



Michelle e Pri Daroit são peças fundamentais na engrenagem de jogo de suas equipes (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV e Hedgard Moraes/Minas Tênis Clube)
Michelle e Pri Daroit são peças fundamentais na engrenagem de jogo de suas equipes (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV e Hedgard Moraes/Minas Tênis Clube)

A final da Superliga 2025/26 de vôlei feminino entre Dentil Praia Clube e Gerdau Minas acontece neste domingo (3), no Ginásio do Ibirapuera, e coloca frente a frente elencos estrelados. E, em meio a tantas atacantes decisivas, existe um papel menos evidente, mas fundamental, que pode definir o campeão: o das ponteiras de composição. Nesse cenário, Michelle, pelo time de Uberlândia, e Pri Daroit, pelo lado minastenista, representam exatamente esse perfil. Elas são atletas que nem sempre aparecem como as maiores pontuadoras, mas sustentam o funcionamento da equipe com passe, leitura e organização.

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Equilíbrio que começa no passe

No vôlei de alto nível, o ataque depende diretamente da qualidade da recepção. E é justamente aí que entra o protagonismo silencioso das ponteiras de composição. Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia (OTD), Michelle explicou como esse papel impacta diretamente o desempenho coletivo do Praia. “Acho que é um papel fundamental. A gente tem a Macris que, com o passe na mão, coloca todo mundo no jogo, tem imprimido uma velocidade muito grande no time, e esse papel é fundamental para que ela consiga fazer o melhor dela e a gente consiga colocar nossos atacantes em evidência e pontuando”.

Além disso, Michelle também reconheceu a importância da rival que executa o mesmo trabalho no Minas. “A Pri Daroit é uma grande jogadora, que já viveu muitos momentos bons pelo Minas, ganhou muitos títulos, inclusive, a gente já se enfrentou em bastantes finais, mas agora quero colocar tudo em prática, ajudar o meu time a sair com essa vitória, depois dessa temporada que a gente ainda não venceu, a gente quer vencer num grande jogo e o mais importante, que é a final”, completou a atleta do Praia sobre o tema.

Respeito e leitura de jogo

Do lado do Minas, Pri Daroit reforçou a importância desse papel coletivo e também destacou a qualidade de Michelle. “Vou começar falando da Mi. Acho que ela dispensa comentários, uma grande atleta. Faz com excelência o trabalho dela. Eu amo atacar, mas confesso que adoro ajudar mais a equipe, serví-las. Eu sempre brinco assim, Thaisa, eu vou passar para você atacar, Julia (Kudiess), enfim, todo mundo. Eu acho que é um papel muito importante. A gente tem ajudado também no ataque, mas acho que o foco mesmo é nisso, de conseguir organizar, ajudar as meninas e fico muito feliz”.

Pri Daroit está se despedindo do Minas após três passagens. “Eu acho que já digeri a informação, a decisão de não continuar no Minas, mas estou muito feliz. Fico feliz pela história que construí no clube e só gratidão, só felicidade. Meu coração está em paz. Então, espero que amanhã seja um grande jogo, um grande espetáculo, e que eu possa sair daqui mais feliz ainda do que estou hoje. A jogadora recebeu um quadro de um dos patrocinadores e pediu para todas as suas companheiras assinarem seu tênis para guardar de recordação.

“Estou com o coração quentinho. Eu amo as meninas do grupo. A gente fica muito mais tempo no clube, no trabalho, do que com a nossa família. Então, sim, elas são a extensão da nossa família. Quis autografar o tênis hoje e amanhã vou jogar com ele, porque é uma forma mostrar meu carinho por elas. Fiquei emocionada muitas vezes desde o momento em que decidi sair do Minas. Cheguei uma menina e estou saindo uma mulher mais madura, consciente das suas escolhas, decisões, e, principalmente, mais em paz com tudo que se propõe a fazer”, completou Pri Daroit.

Papel decisivo nos momentos críticos

Se o ataque resolve, é o equilíbrio que sustenta. E em finais, isso pesa ainda mais. Michelle destacou que o Praia chega fortalecido mentalmente após superar momentos difíceis na temporada. Ela aposta na consistência do sistema coletivo para mudar o histórico recente contra o Minas. “Eu acho que a gente tem focado mais na crescente do time nesse playoff, então a gente apagou já o que passou durante a temporada e o time está bem confiante depois dessa semifinal para colocar em prática tudo o que a gente vem estudando e treinando”, disse.

“A gente sabe que vai ser um grande jogo, um duelo disputadíssimo, um clássico mineiro, com uma grande equipe que tem atacantes muito fortes. Portanto, a gente tem que colocar o nosso sistema para funcionar, bloqueio, defesa, sacar muito bem. Fazer tudo o que o Rui (Moreira, técnico) tem pedido para gente, colocar em prática, para, se tudo der certo, fazer um grande jogo, um grande espetáculo. A gente quer muito sair com essa vitória que ainda não conseguiu ao longo da temporada”, acrescentou Michelle. Em 2025/26, os times se enfrentaram quatro vezes e o Minas venceu todas elas.

Os clubes duelaram na final do Campeonato Mineiro e o Minas ganhou por 3 sets a 0, placar que se repetiu nos dois embates pela fase de classificação da Superliga. O Praia ganhou apenas um set e ele foi conquistado na derrota para o rival na semifinal da Copa Brasil, por 3 a 1.

Decisão em um jogo à parte

Já Pri Daroit ressaltou que, independentemente do retrospecto, a final é uma partida diferente em comparação com as anteriores. Para ela, a decisão começa zerada e será definida nos detalhes, com total atenção em cada ponto. “É um grande jogo, um clássico mineiro e brasileiro. Estou muito empolgada para essa grande final. Hoje acordei e pensei, nossa, é amanhã. Hoje foi o nosso último treino tático juntas. Então a expectativa está altíssima. A gente sabe das dificuldades porque o Praia é uma grande equipe. A gente sabe que a gente tem que entrar atenta”, destacou a camisa 5 minastenista.

“É importante que tenhamos toda a atenção possível porque todo detalhe vai contar. O Praia vem crescendo muito, evoluiu bastante nessa reta final. Os dois times tiveram um pouco de altos e baixos. Muita gente falando coisas nessa época, todo mundo fala, ‘ah, talvez não vai classificar, vai acontecer isso, vai acontecer aquilo’, mas o importante é sempre a gente estar focado no nosso trabalho, no que a gente acredita, em pessoas que acreditam na gente, para conseguirmos fazer o nosso melhor em quadra”, completou Pri Daroit.

Muito além dos números

O duelo entre Michelle e Pri Daroit representa um tipo de protagonismo que nem sempre aparece nas estatísticas mais simples. Elas são jogadoras que garantem estabilidade na recepção, mantêm o sistema ofensivo ativo, organizam o posicionamento defensivo e sustentam o time emocionalmente nos momentos de pressão. As duas realizam o chamado “trabalho invisível”, mas essencial para equipes que disputam títulos. Em um confronto equilibrado como Praia e Minas, a diferença pode não estar apenas nas bolas de definição, mas justamente na capacidade de manter o time organizado ao longo do jogo.

“Esses altos e baixos fortaleceram o time de uma maneira que nem a gente esperava, mas, ao mesmo tempo, a equipe pegou os momentos de dificuldade para crescer. O time acabou mostrando que é muito forte e que uma precisava confiar na outra. Antes, a gente jogava o jogo, mas meio que não convencia. No momento de mais dificuldade, a equipe conseguiu se resgatar e a união de toda a equipe fez a diferença. A gente confia uma na outra esabe que é possível superar todas as dificuldades dentro de quadra, todos os placares, os sets. Então a gente vai lutar até o final”, concluiu Michelle.

Reconhecimento e futuro não revelado

Pri Daroit já tomou a decisão de deixar o Minas e certamente já definiu seu futuro, no entanto, o mesmo segue sem ser revelado. “Meu foco está total em amanhã na final. Quero curtir muito esse momento. É um momento único que todo atleta sonha em estar. A gente começa a temporada pensando em estar aqui nesse jogo de amanhã. Então, eu só quero focar no jogo de amanhã e o future a Deus pertence”, disse a ponteira minastenista. A jogadora tem consciência de sua identificação com o Minas e deixa claro seu carinho pela agremiação.

“É muito legal e gratificante porque acho que, apesar de todos os títulos, óbvio, que são importantes, tudo que a gente constrói, é o que acho que fica. É a nossa imagem, são as nossas atitudes, são as coisas que a gente faz pelas pessoas. Eu acho que esse carinho, esse reconhecimento que fica é que aquece o coração. Então, só tenho a agradecer por tudo aos patrocinadores como a Gerdau, Melita e Itambé, e, enfim, ao próprio Minas. Realmente, eles sempre me deram todo o suporte que precisei e sou muito grata a todos por isso”, finalizou Pri Daroit.

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