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10 anos de OTD, 10 anos que mudaram a história do esporte brasileiro



Em texto assinado por Fernando Gavini, fundador do OTD, portal relembra origem, bastidores, coberturas, crises e crescimento em uma década histórica para o esporte brasileiro.



Dez anos de Olimpíada Todo Dia
Equipe do Olimpíada Todo Dia em diferentes coberturas ao longo da trajetória do portal, que completa dez anos neste 1º de setembro de 2026

Quando publiquei os primeiros textos do Olimpíada Todo Dia, a Rio-2016 ainda estava viva na memória do país. O Brasil tinha acabado de receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O Parque Olímpico ainda era assunto. As imagens de Thiago Braz, Rafaela Silva, Isaquias Queiroz, Martine Grael, Kahena Kunze, Alison e Bruno Schmidt ainda estavam frescas. Mas uma pergunta me incomodava: o que aconteceria com aqueles atletas quando a chama olímpica se apagasse?

Eu já tinha visto esse filme outras vezes. O esporte olímpico ganhava espaço durante os Jogos, emocionava o país e, logo depois, voltava a desaparecer da cobertura diária. Os atletas continuavam treinando, competindo, viajando, se machucando, voltando, vencendo e perdendo. Só que quase ninguém contava essas histórias.

Foi para tentar mudar isso que o OTD nasceu. Dez anos depois, olho para trás e vejo que o portal surgiu no começo da década mais transformadora da história do esporte brasileiro. Nesse período de vida do OTD, o Brasil bateu recordes em Jogos Olímpicos, Jogos Paralímpicos, Jogos Pan-Americanos e Jogos Parapan-Americanos. Conquistou títulos mundiais em várias modalidades. Chegou ao topo do quadro de medalhas de um Mundial de paratletismo. Ganhou suas primeiras medalhas em Jogos de Inverno. Viu Rebeca Andrade se tornar a maior medalhista olímpica da história do país. Viu Alison dos Santos colocar o Brasil de volta no livro dos recordes mundiais do atletismo.

O OTD nasceu para contar esse caminho. Não só nos Jogos. Não só de quatro em quatro anos. Mas todos os dias. A frase que virou marca do portal continua sendo a melhor definição do que fazemos: a Olimpíada não acontece a cada quatro anos. Ela acontece todo dia. Aliás, a Olimpíada e a Paralimpíada não acontecem a cada quatro anos. Elas acontecem todos os dias.

O sonho começou muito antes do OTD

A ideia de criar o Olimpíada Todo Dia não nasceu em 2016. Ela começou muito antes, quando eu tinha 15 anos e assisti aos Jogos Olímpicos de Barcelona-1992. Aquela Olimpíada mudou minha relação com o esporte. Foi ali que entendi que o jornalismo poderia ser uma forma de participar dos grandes eventos esportivos. Eu não seria atleta olímpico, nem jogador de futebol, mas poderia estar perto, contar histórias, viver ambientes que sempre me fascinaram.

Esse sonho acompanhou minha vida profissional. Trabalhei quase dez anos na ESPN. Cobri NBA, Copa do Mundo, Jogos Pan Pan-Americanos, Nascar, Mundial de vôlei, finais de Libertadores, Brasileirão, campeonatos estaduais e muitos grandes eventos. Em 2010, na África do Sul, cobri 15 jogos da Copa do Mundo no estádio. Eu estava na abertura, na final, em todos os jogos da seleção brasileira. Entrevistei nomes como Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo e Messi. Realizei muitos dos sonhos que o garoto de 15 anos que escolheu ser jornalista jamais imaginaria.

Esporte olímpico sempre presente

Mas o esporte olímpico sempre teve um lugar diferente para mim. Talvez por causa de Barcelona. Talvez porque eu sempre tenha achado injusto ver tantos atletas extraordinários aparecerem para o grande público por alguns dias e depois sumirem da pauta nacional.

Fernando Gavini na Rio-2016
Fernando Gavini na Rio-2016 como torcedor

Em 2016, eu já tinha quase duas décadas de jornalismo esportivo. Estava na TV Gazeta e sabia que não faria uma grande cobertura olímpica pela emissora. Então comprei ingressos e fui à Rio-2016 como espectador. Troquei folgas e passei dois finais de semana nos Jogos Olímpicos e um nos Jogos Paralímpicos como torcedor.

Voltei para casa com uma certeza: eu precisava fazer alguma coisa com Olimpíada. Precisava fazer alguma coisa com aquele sonho antigo. O brasileiro tinha gostado daquilo. Tinha enchido estádios, ginásios, piscinas, pistas, etc. Eu queria ser o meio para mostrar que era possível continuar acompanhando os atletas para os quais o público havia torcido naqueles dias especiais da Rio-2016.

A Olimpíada acabou. O esporte olímpico, não

O primeiro texto de apresentação do projeto foi publicado em 31 de agosto de 2016. O título já dizia quase tudo: “Novo blog estreia com objetivo de não deixar esporte olímpico ser esquecido”.

No dia seguinte, 1º de setembro, nasceu oficialmente o Olimpíada Todo Dia. O primeiro texto jornalístico falava de Thiago Braz e Renaud Lavillenie. Poucos dias depois da final histórica do salto com vara na Rio-2016, os dois voltavam a se enfrentar na etapa de Zurique da Diamond League.

A escolha foi perfeita, mesmo sem eu ter planejado dessa forma. O Brasil ainda comemorava o ouro olímpico de Thiago, mas o circuito internacional já seguia. A medalha tinha sido entregue. A Olimpíada tinha acabado. O esporte olímpico, não.

Essa foi a tese que passou a sustentar o OTD. Os atletas não surgem do nada nos Jogos. Eles treinam todos os dias. Competem todos os dias. Vivem ciclos de classificação, lesões, derrotas, reconstruções e vitórias muito antes de chegarem ao palco olímpico ou paralímpico.

Os primeiros textos eu publiquei no domínio gavini.com.br, que eu tinha havia anos. Pouco depois, percebi que aquilo precisava de um nome próprio. Pensei em “Olimpíada Toda Hora”. Pensei em “Olimpíada Todo Dia”. A segunda opção venceu porque traduzia melhor o que eu queria dizer. Não era um slogan. Era uma conclusão editorial.

O primeiro título mundial

Poucos meses depois da criação do portal, o OTD acompanhou seu primeiro título mundial brasileiro. Em dezembro de 2016, Etiene Medeiros foi campeã dos 50m costas no Mundial de piscina curta, em Windsor.

Era uma conquista fora dos Jogos. Uma competição que normalmente não receberia o mesmo espaço do ciclo olímpico. Exatamente o tipo de história que justificava a existência do OTD.

Dez anos depois, a rotina seguia a mesma. Em 31 de agosto de 2026, na véspera do aniversário de dez anos do portal, estávamos registrando mais um título mundial brasileiro, desta vez na bocha. O jovem José Antônio Santos conquistou a medalha de ouro.

Esse detalhe resume muito do que tentamos fazer desde o começo. O esporte brasileiro acontece em Mundiais, em classificatórios, em campeonatos continentais, em competições de base, em eventos paralímpicos, em modalidades que quase nunca chegam ao noticiário principal. O OTD nasceu para estar atento a isso.

Do blog ao portal

Fernando Gavini e Giovana Pinheiro pouco antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020
Fernando Gavini e Giovana Pinheiro pouco antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020

Nos primeiros meses, o OTD foi um projeto solo, como eu imaginaria que seria. Não havia pretensão nenhuma de virar o que virou. Eu continuava trabalhando na TV Gazeta como repórter e tocava o blog nos intervalos possíveis. Ainda via aquilo como algo pequeno, uma tentativa de ganhar alguma relevância no mercado para, quem sabe, ser chamado para comentar os Jogos de Tóquio em algum veículo. Apesar de toda a carreira que eu tive antes do OTD, ainda faltava no meu currículo estar presente como profissional numa edição de Jogos Olímpicos.

Mas a ideia começou a atrair gente. A primeira pessoa a se aproximar de forma constante foi a Giovana Pinheiro. Ela tinha sido estagiária na TV Gazeta, terminou o estágio em 2016 e me procurou dizendo que queria ajudar. No início, como todo mundo, sem remuneração.

A Giovana foi fundamental. Eu ainda via o OTD como um blog. Ela já enxergava algo maior. Queria transformar o projeto em negócio, estruturar equipe, pensar em marca, produto, futuro. Em alguns momentos, eu confesso que achava que ela estava querendo ir rápido demais. Hoje vejo o quanto ela estava certa.

Colaboradores voluntários

Depois chegaram outros colaboradores. Paulo Chacon foi um dos primeiros. Outros voluntários foram Julia Belas e Luis Fernando Teixeira. Pessoas que acreditaram na ideia quando ainda não havia receita. Também houve gente essencial fora da linha de frente. Otávio Pilz criou o layout do novo site em 2017. Andrey Hurpia da Rocha ajudou na parte técnica e de infraestrutura.

Giovana Pinheiro virou minha sócia junto com Guilherme Figueiredo e Renato Karam Saikali, que trouxeram a visão comercial que uso até hoje para tocar o OTD. O primeiro investimento, feito pelo pai do Guilherme, permitiu que pudéssemos começar a pagar colaboradores. O que nasceu como um blog pessoal virou empresa.

O primeiro patrocínio e a entrada do paralímpico

Ygor Coelho foi fundamental para que o OTD conseguisse seu primeiro patrocinador
Ygor Coelho foi fundamental para que o OTD conseguisse seu primeiro patrocinador

A primeira grande parceria comercial do OTD nasceu de uma ponte feita por um atleta. Ygor Coelho estava animado com a cobertura que o portal fazia do badminton. Era algo que ele dizia nunca ter visto antes: um veículo acompanhando a modalidade fora dos Jogos, publicando resultados, agenda e notícias com regularidade. Foi o Ygor quem me colocou em contato com Gwen Maitre, coordenadora do Time Nissan.

A Gwen foi outra pessoa fundamental nessa história. Ela se apaixonou pelo OTD, acreditou no projeto e ajudou demais para que a parceria com a Nissan acontecesse. Mais do que isso: ajudou para que ela durasse até os Jogos de Tóquio, em 2021.

No meio da pandemia, ainda em 2020, a Gwen saiu da Nissan. Mas a relação e a amizade ficaram ficou. Até hoje, ela segue como parceira, conselheira e alguém que eventualmente ainda me ajuda com dicas para cuidar melhor da parte financeira da empresa.

A parceria com a Nissan mudou o tamanho do OTD. A marca patrocinava atletas olímpicos e paralímpicos e contratou o portal para produzir conteúdos sobre essas histórias. Para abraçar todos os atletas do projeto, nós precisávamos mergulhar também no esporte paralímpico.

O que poderia ter sido apenas uma entrega comercial virou uma mudança editorial definitiva. A partir de 2018, passamos a cobrir esporte paralímpico de forma permanente. Com o tempo, isso se tornou uma das marcas mais fortes do OTD. Nascia o Paralimpíada Todo Dia.

Hoje, não consigo imaginar o portal sem essa cobertura. Se a Olimpíada acontece todo dia, a Paralimpíada também acontece.

Lima-2019: quando entendemos nosso tamanho

Equipe do OTD na cobertura dos Jogos Pan-Americanos Lima-2019
Equipe do OTD na cobertura dos Jogos Pan-Americanos Lima-2019

O primeiro grande teste internacional veio em 2019, nos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Lima.

O Brasil fez campanhas históricas. No Pan, bateu recordes. No Parapan, consolidou sua hegemonia continental. Para o OTD, Lima também foi um marco interno.

A operação foi financiada pela parceria com a Nissan. Sete profissionais participaram da cobertura. A maior parte da equipe ficou em um quarto de hostel, com banheiro compartilhado por todo o local. Tive a “sorte”de ficar em hotel por causa de uma estrutura oferecida pela organização, a partir de indicação do COB, a dois jornalistas brasileiros. O outro era Marcelo Laguna, um dos grandes nomes da cobertura olímpica no país. Mas só durou durante o Pan. No Parapan, lá estava eu no hostel com toda a equipe.

Mais do que os números, Lima mostrou que o OTD já tinha se tornado relevante para atletas, confederações e pessoas que viviam o esporte olímpico e paralímpico no dia a dia. Os atletas nos reconheciam. Sabiam que havia alguém contando suas histórias fora dos Jogos.

Depois de Lima, veio outro passo decisivo. A relação iniciada naquele período levou ao patrocínio da Ajinomoto. Eu tinha uma regra pessoal: só sairia da TV Gazeta quando o OTD pudesse pagar o mesmo salário que eu recebia na emissora. Com o novo acordo, isso se tornou possível.

Foi ali que o OTD deixou de ser projeto paralelo. Virou minha carreira.

Tóquio e o sonho realizado

Em meio à pandemia, equipe do OTD fez a cobertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio-2020
Em meio à pandemia, equipe do OTD fez a cobertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio-2020

A pandemia colocou tudo em risco. O adiamento dos Jogos de Tóquio afetou contratos, reduziu receitas e obrigou o OTD a encolher. Em determinado momento, a equipe voltou a ser basicamente eu e a Giovana.

Sobrevivemos com ajustes, lives, produção diária e a força de uma marca que já era reconhecida no meio olímpico e paralímpico.

Quando os Jogos foram confirmados, os patrocinadores voltaram aos poucos. Reconstruímos a equipe e fomos para Tóquio com operação própria. Estivemos no Japão com Giovana Pinheiro, Caio Poltronieri, João Fraga, André Rossi e eu. A cobertura foi financiada por Nissan, Ajinomoto, Banco BV e Dux Nutrition.

Tóquio teve um peso simbólico enorme para mim. O projeto que nasceu, em parte, para tentar me levar a uma Olimpíada profissionalmente chegou aos Jogos com sua própria equipe. Eu não voltei contratado por outro veículo. Voltei levando o meu. Não realizei só o meu sonho, mas ajudei a realizar o sonho de todos que estavam comigo.

O Brasil também fez história. Foram 21 medalhas olímpicas, então recorde nacional de pódios em uma edição. Depois, nos Jogos Paralímpicos, o país conquistou 72 medalhas, bateu recorde de ouros e terminou em 7º lugar no quadro.

O OTD acompanhou as duas campanhas de perto.

A crise que ensinou o caminho

Fernando Gavini e Giovana Pinheiros juntos nos Jogos de Paris-2024. Ele no OTD e ela na Globo
Fernando Gavini e Giovana Pinheiros juntos nos Jogos de Paris-2024. Ele no OTD e ela na Globo

Depois de Tóquio, veio um dos períodos mais difíceis da nossa história.

O OTD ainda dependia muito de grandes patrocinadores ligados a eventos. Em 2022, mesmo com o patrocínio da XP para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, os custos da operação cresceram muito por causa da logística afetada pela pandemia. A margem foi pequena.

O dinheiro acabou. A equipe encolheu. A Giovana, que tinha sido fundamental desde o início, recebeu uma proposta da Globo e deixou o OTD. Foi uma perda enorme, tanto profissional quanto pessoalmente. Mas era uma oportunidade que ela não poderia recusar. Atualmente ela está na Cazé TV.

A crise mostrou que precisávamos amadurecer. Não dava para depender apenas de patrocínios grandes e pontuais. Era preciso diversificar receitas, criar caixa, prestar serviços, estruturar uma agência e construir um modelo mais sustentável.

A partir de 2022, o OTD passou a atuar também como agência de comunicação. Esse braço de serviços ajudou a sustentar a operação jornalística e abriu outro caminho para a empresa.

A crise não encerrou o projeto. Ela nos obrigou a crescer.

Santiago-2023: estar lá porque era importante

Equipe do OTD nos Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023
Equipe do OTD nos Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023

Em 2023, o OTD ainda não estava confortável financeiramente. Uma parceria com a North Star trouxe uma receita recorrente importante. Eu também fiz trabalhos de consultoria e televisão em Angola, na TV Girassol, e parte desse dinheiro ajudou a fechar contas do portal.

Mesmo assim, decidimos cobrir os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Santiago sem patrocinador específico.

Foi uma decisão editorial. O evento era importante demais para ficarmos de fora.

O Brasil bateu novo recorde no Pan, com 205 medalhas. No Parapan, chegou a 343 pódios e fez a melhor campanha de sua história. A década brasileira seguia mudando de patamar, e nós continuávamos presentes.

Santiago mostrou que o OTD já não podia tomar decisões apenas pela existência ou não de um patrocinador. A pergunta começava a mudar. Em vez de “há patrocinador?”, passávamos a nos perguntar: “é importante estar lá?”.

Paris-2024: a virada de escala

Equipe do Olimpíada Todo Dia nos Jogos Olímpicos de Paris-2024
Equipe do Olimpíada Todo Dia nos Jogos Olímpicos de Paris-2024

A grande virada veio no ciclo de Paris.

No fim de 2023, fechamos uma parceria com o TikTok para produção de conteúdo de modalidades olímpicas. Era um trabalho feito para confederações, não para os canais do OTD, mas gerou uma receita relevante e recebida antes dos Jogos. Isso nos permitiu planejar Paris com antecedência.

Depois vieram os patrocinadores da operação: Betano nos Jogos Olímpicos e Asics nos Jogos Paralímpicos.

Paris foi a maior cobertura da história do OTD até aquele momento. A exemplo do que aconteceu em Tóquio, fomos o único veículo do Brasil a manter a mesma força de cobertura dos Jogos Olímpicos nos Jogos Paralímpicos.

OTD manteve na Paralimpíada a mesma força de cobertura da Olimpíada
OTD manteve na Paralimpíada a mesma força de cobertura da Olimpíada

No campo esportivo, Paris também entrou para a história. Rebeca Andrade chegou a seis medalhas olímpicas e se tornou a maior medalhista olímpica da história do Brasil. As mulheres conquistaram todos os ouros brasileiros nos Jogos Olímpicos. Na Paralimpíada, o país fez sua melhor campanha, com 88 medalhas, e entrou pela primeira vez no top 5 do quadro geral.

Ao fim do ciclo, conseguimos criar uma reserva para Los Angeles-2028. A “poupança Los Angeles” virou símbolo de uma nova fase. Pela primeira vez, começamos a planejar os próximos Jogos com mais antecedência e menos improviso.

A audiência que financia cobertura

A partir de 2024, outro fator mudou a escala do OTD: a distribuição pela Glance.

A plataforma, presente em telas de bloqueio de celulares, passou a levar nossos conteúdos a uma audiência muito maior. Ela não substitui nossas plataformas próprias, mas criou uma nova fonte de distribuição e receita.

Esse crescimento também levou a uma nova frente editorial. Em julho de 2025, a partir da percepção de que conteúdos de saúde tinham forte desempenho na plataforma, nasceu o Bem-Estar Todo Dia.

A editoria ampliou nosso alcance sem abandonar nossa essência. O esporte continua no centro, mas agora também dialogamos com saúde, movimento, rotina, treinamento e qualidade de vida.

Mais audiência virou mais receita. Mais receita virou mais jornalismo.

Dez anos no nosso melhor momento

O OTD chega aos dez anos no momento de maior alcance de sua história.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Em 2023, os conteúdos do OTD somaram 73,5 milhões de visualizações em suas plataformas próprias. Em 2024, sem contar a Glance, esse número subiu para 148,1 milhões. No ano seguinte, chegou a 214,3 milhões. Nos sete primeiros meses de 2026, já eram 154,4 milhões apenas nas plataformas próprias.

A entrada da Glance ampliou ainda mais essa escala. A distribuição pela plataforma somou 27,8 milhões de visualizações em 2024, 91,8 milhões em 2025 e 156,5 milhões entre janeiro e julho de 2026. Somando plataformas próprias e Glance, o OTD chegou a 311 milhões de visualizações nos sete primeiros meses de 2026.

Mantida a média atual, o OTD caminha para fechar o ano com aproximadamente 533 milhões de visualizações.

Para o infinito e além

Mais do que um número, esse crescimento mudou a forma como o OTD trabalha. Ele deu mais estrutura para coberturas, projetos especiais, documentários, presença em eventos e planejamento de futuro.

Em 2026, estivemos no Mundial de Ginástica Rítmica e nos Jogos Olímpicos de Inverno. Agora, em setembro, vamos aos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé-2026 e, em outubro, aos Mundiais de Skate e Ginástica Artística. Daqui em diante, seguimos planejando operações presenciais em eventos internacionais. O ano também marcou a estreia da primeira série documental produzida pelo OTD, “Yaras, as Guerreiras do Brasil”, lançada em agosto no Disney+ e na ESPN 3, em parceria com a Confederação Brasileira de Rugby.

O que começou como blog pessoal virou portal, equipe, cobertura internacional, redes sociais, vídeos, documentários, editoria de bem-estar, agência e uma audiência cada vez maior.

Mas a missão continua a mesma.

A Olimpíada não acabou quando a Rio-2016 terminou. Tóquio não foi ponto final. Paris não foi ponto de chegada. Milano-Cortina abriu uma nova fronteira. Los Angeles já está no planejamento.

O esporte brasileiro mudou nesses dez anos. O OTD também.

O OTD nasceu de um sonho, mas só continuou por causa das pessoas

Eu criei o OTD a partir de um sonho pessoal. Mas ele só chegou aos dez anos porque deixou de ser meu e virou de muita gente. OTD não existe sem as pessoas que fazem parte dele.

  • Virou dos jornalistas que escreveram madrugada adentro. Daqueles que viajaram, editaram, correram e improvisaram.
  • Dos voluntários que chegaram quando não havia dinheiro.
  • Dos parceiros que acreditaram quando ainda não havia estrutura.
  • Dos patrocinadores que entenderam a importância de contar o esporte fora dos Jogos.
  • Dos atletas que confiaram no nosso trabalho.
  • Dos leitores que abriram uma matéria de tiro com arco, bocha, goalball, canoagem, ginástica, judô, atletismo, natação, badminton, esqui, skate ou qualquer outra modalidade que raramente ocupa o centro da cobertura esportiva.

O OTD nasceu com a ambição de não deixar o esporte olímpico ser esquecido depois da Rio-2016. No caminho, entendeu que sua missão era ainda maior: contar o esporte olímpico e paralímpico brasileiro todos os dias.

Dez anos depois, a frase que deu origem ao projeto continua sendo a melhor definição do que fazemos.

A Olimpíada e a Paralimpíada não acontecem a cada quatro anos. Elas acontecem todos os dias.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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