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Calor e exercício: por que o coração trabalha mais?



Entenda como o calor aumenta a exigência cardiovascular durante o exercício e veja os sinais de alerta para evitar problemas.



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O exercício faz bem ao coração. Mas, quando a temperatura sobe, a mesma atividade pode representar uma exigência maior para o organismo.

Isso acontece porque o corpo precisa realizar duas tarefas ao mesmo tempo: sustentar o esforço físico e controlar a própria temperatura. Para perder calor, os vasos sanguíneos da pele se dilatam e uma quantidade maior de sangue é direcionada para a superfície do corpo. Ao mesmo tempo, a transpiração provoca perda de líquidos. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação.

Para quem pratica esporte ou atividade física ao ar livre, entender essa resposta pode ajudar a reconhecer situações em que o calor deixa de ser apenas um desconforto e passa a representar um risco.

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O que acontece com o coração quando a temperatura sobe?

O organismo possui mecanismos para manter a temperatura corporal dentro de uma faixa adequada.

Um dos principais é o suor. Quando ele evapora, ajuda a retirar calor do corpo. Outro mecanismo envolve o aumento do fluxo sanguíneo próximo à pele.

O problema é que o exercício já exige maior circulação sanguínea para os músculos.

No calor, portanto, o coração precisa lidar com duas demandas simultâneas: enviar sangue para os músculos que estão trabalhando e ajudar o organismo a dissipar calor.

A American Heart Association explica que, em temperaturas elevadas, a frequência cardíaca aumenta e os vasos sanguíneos se expandem como parte do processo de resfriamento corporal.

E o que muda durante o exercício?

Durante uma caminhada rápida, corrida, pedalada ou partida esportiva, os músculos precisam de mais oxigênio e nutrientes.

Isso normalmente faz o coração bater mais rápido.

Quando o ambiente também está quente, a necessidade de resfriamento acrescenta outra demanda. Além disso, a perda de líquidos pelo suor pode diminuir o volume de sangue circulante.

É por isso que uma atividade que parece confortável em uma manhã fresca pode se tornar muito mais pesada em um dia quente.

O CDC alerta que pessoas que fazem exercício em dias quentes têm maior risco de desidratação e de doenças relacionadas ao calor.

O calor pode fazer o exercício parecer mais difícil

Existe uma diferença importante entre a dificuldade real do exercício e a maneira como o corpo percebe aquele esforço.

No calor, a temperatura corporal aumenta mais rapidamente e o sistema cardiovascular precisa trabalhar mais para ajudar no resfriamento.

Por isso, manter exatamente o mesmo ritmo utilizado em um dia de temperatura amena pode não ser uma estratégia adequada.

O CDC recomenda reduzir o ritmo, começar mais devagar e aumentar a intensidade gradualmente quando a atividade for realizada em condições quentes.

Em outras palavras, o calor precisa entrar na conta do esforço.

A desidratação aumenta a pressão sobre o organismo

O suor é importante para controlar a temperatura, mas representa perda de água.

Quando essa perda não é compensada adequadamente, o organismo passa a ter menos líquido disponível para manter a circulação e o resfriamento.

A American Heart Association explica que calor e desidratação fazem o coração trabalhar mais, enquanto a hidratação adequada facilita o bombeamento do sangue para os músculos.

Por isso, a hidratação não deve ser pensada apenas como uma preocupação de atletas que participam de provas longas.

Ela também importa para quem caminha, pedala, joga futebol ou simplesmente passa bastante tempo praticando atividade física ao ar livre.

Quem precisa ter atenção especial?

O calor pode afetar qualquer pessoa, mas algumas condições aumentam a preocupação.

Pessoas com doenças cardiovasculares, idosos e indivíduos com determinadas condições crônicas podem apresentar maior dificuldade para lidar com temperaturas elevadas. O CDC destaca que o calor pode agravar problemas de saúde, especialmente em pessoas com doenças cardíacas ou outras condições crônicas.

Medicamentos também podem interferir na resposta do organismo ao calor.

Por isso, quem utiliza medicamentos regularmente e pretende aumentar a prática de atividade física em períodos de temperaturas elevadas deve conversar com um profissional de saúde sobre cuidados específicos.

Isso não significa interromper medicamentos por conta própria. A orientação é justamente o contrário: qualquer mudança deve ser discutida com o médico.

O horário do exercício faz diferença

Uma das estratégias mais simples é escolher períodos menos quentes do dia.

O CDC recomenda limitar atividades ao ar livre durante o período mais quente sempre que possível e priorizar horários mais frescos.

A American Heart Association também recomenda evitar o início da tarde, quando as temperaturas costumam atingir os maiores valores.

Assim, uma corrida marcada para o meio do dia pode ser transferida para a manhã ou para o fim da tarde, quando as condições forem mais favoráveis.

Outra alternativa é levar a atividade para ambientes internos nos períodos de calor extremo.

O corpo consegue se adaptar ao calor?

Sim, mas essa adaptação não acontece instantaneamente.

A chamada aclimatação ao calor envolve alterações fisiológicas que ajudam o organismo a lidar melhor com temperaturas elevadas. Entre elas estão o início mais eficiente da transpiração, maior capacidade de dissipar calor e adaptações na circulação.

Isso é especialmente relevante para atletas que precisam competir ou treinar em locais muito mais quentes do que aqueles aos quais estão acostumados.

Ainda assim, estar fisicamente condicionado não significa estar automaticamente adaptado ao calor.

Uma pessoa pode ter excelente condicionamento e, mesmo assim, sofrer com uma combinação de temperatura elevada, umidade, esforço intenso e desidratação.

Quais sinais indicam que é hora de parar?

Esse talvez seja o ponto mais importante para quem pratica atividade física no calor.

Fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras e sensação de desmaio podem indicar que o corpo não está lidando bem com as condições.

O CDC orienta que, se a pessoa sentir fraqueza ou sensação de desmaio, deve interromper imediatamente a atividade e procurar um local fresco.

O Ministério da Saúde também classifica a insolação como uma condição grave relacionada à exposição excessiva ao calor, podendo ocorrer quando a temperatura corporal ultrapassa 40 °C e o mecanismo de resfriamento deixa de funcionar adequadamente.

Confusão mental, perda de consciência e temperatura corporal muito elevada são sinais de emergência e exigem atendimento médico imediato.

Não é preciso abandonar o exercício

O calor não significa que a atividade física deva ser suspensa durante todo o verão.

A própria American Heart Association reforça que o exercício continua sendo importante para a saúde cardiovascular e recomenda adaptar a prática às condições ambientais.

A questão é modificar a estratégia quando necessário.

Um treino pode ser mais curto, menos intenso ou realizado em outro horário. Também pode ser transferido para um ambiente fechado.

O objetivo não é provar que o corpo consegue suportar qualquer temperatura.

O coração também precisa de estratégia

Uma das armadilhas do exercício no calor é pensar apenas no desempenho.

Quem está acostumado a correr determinado percurso em certo ritmo pode tentar repetir exatamente a mesma intensidade mesmo quando as condições ambientais mudaram.

Mas o organismo não recebe o mesmo desafio.

Temperatura, umidade, exposição solar, duração da atividade e nível de hidratação interferem na resposta do corpo.

Por isso, em dias muito quentes, ouvir os sinais do organismo pode ser mais importante do que cumprir uma meta de velocidade ou distância.

A melhor estratégia é adaptar o exercício ao ambiente

O calor não precisa transformar a atividade física em um problema.

Escolher horários mais frescos, reduzir a intensidade quando necessário, fazer pausas, utilizar roupas leves e manter uma hidratação adequada são algumas das medidas recomendadas por entidades de saúde.

E existe uma regra simples que vale para qualquer modalidade: se o corpo começar a apresentar sinais de que não está conseguindo lidar com o calor, é hora de parar e se resfriar.

A atividade física continua sendo uma aliada da saúde do coração. Nos dias quentes, porém, cuidar do coração também significa respeitar a capacidade do organismo de controlar sua própria temperatura.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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